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Cristãos em todo o mundo se unem para celebrar o Tempo da Criação 2020

O Tempo da Criação é um tempo para renovar a nossa relação com o nosso Criador e toda a criação através da celebração, da conversão e do compromisso coletivo. Durante o Tempo da Criação, nos unimos às nossas irmãs e irmãos da família ecumênica em oração e ação pela nossa casa comum.

Origem do Tempo da Criação: O Patriarca Ecumênico Dimitrios I proclamou 1 de setembro como um dia de oração pela criação para os ortodoxos em 1989. O ano litúrgico da Igreja Ortodoxa começa nesse dia com a comemoração de como Deus criou o mundo. O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) transformou isto em um tempo, estendendo a celebração do dia 1 de setembro a 4 de outubro. Seguindo a liderança do Patriarca Ecumênico Dimitrios I e do CMI, os cristãos ao redor do mundo abraçaram o tempo como parte do seu calendário anual. O Papa Francisco realizou a acolhida oficial deste tempo na Igreja Católica Romana em 2015.

O Tempo da Criação 2020 começa em 1º de setembro, Dia Mundial de Oração pela Criação, e termina em 04 de outubro, Solenidade de São Francisco de Assis, o santo padroeiro da ecologia. Durante a celebração de um mês, os 2,2 bilhões de cristãos no mundo se unem pelo cuidado da nossa casa comum.

À luz do tema “Jubileu pela Terra: Novos Ritmos, Nova Esperança”, somos chamadas/os a rezar pela e com a criação, viver com simplicidade e nos engajar no cuidado da nossa casa comum. Igualmente, também somos convidadas/os a envolver outras pessoas, em novos ritmos e nova esperança.

Este ano, em meio às crises que abalaram o nosso mundo, fomos despertados à necessidade urgente de curar as nossas relações com a criação e uns com os outros.

Durante a celebração deste ano, entramos em um tempo de restauração e esperança, um jubileu pela nossa Terra que exige maneiras radicalmente novas para viver com a criação.

Os cristãos ao redor do mundo vão usar este período para renovar sua relação com o nosso Criador e toda a criação através da celebração, da conversão e do compromisso.

O Tempo da Criação deste ano é um tempo para considerar a relação integral entre o descanso para a Terra e a maneira ecológica, econômica, social e política de se viver.

Neste ano em particular, a necessidade de sistemas sustentáveis e justos foi revelada pelos amplos efeitos da pandemia global do COVID-19. Almejamos pela imaginação moral que acompanha o Jubileu.

Como seguidores de Cristo em todo o mundo, nós compartilhamos o papel de guardiões da criação de Deus. Percebemos que nosso bem-estar está interligado com o bem-estar da criação.  Nós nos alegramos com esta oportunidade de cuidar de nossa casa comum e de nossas irmãs e irmãos.

Papa: a criação geme, a pandemia é uma encruzilhada

Na Sagrada Escritura, recorda o Pontífice, o Jubileu é um tempo sagrado para recordar, regressar, repousar, restaurar e rejubilar.

Um tempo para recordar

Para Francisco, é preciso recordar a vocação primordial da criação: ser e prosperar como comunidade de amor. Isso remete a um dos ensinamentos da Laudato Si: tudo está interligado e “o cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros» (LS, 70).

Um tempo para regressar

Todavia, constata o Pontífice, quebramos os laços que nos uniam ao Criador, aos outros seres humanos e ao resto da criação.

O Jubileu é um tempo de regresso a Deus, é tempo de partilha, escreve o Papa, e nos convida a pensar novamente nos outros, especialmente nos pobres e vulneráveis.

“O Jubileu é um tempo para dar liberdade aos oprimidos e a quantos estão acorrentados aos grilhões das várias formas de escravidão moderna, nomeadamente o tráfico de pessoas e o trabalho infantil.”

Não somos patrões, mas parte da rede interligada da vida. O convite de Francisco é ouvir o pulsar da criação:

“A desintegração da biodiversidade, o aumento vertiginoso de catástrofes climáticas, o impacto desproporcionado que tem a pandemia atual sobre os mais pobres e frágeis são sinais de alarme perante a avidez desenfreada do consumo.”

A terra é lugar de oração e meditação, algo que podemos aprender especialmente dos irmãos e irmãs indígenas.

Um tempo para repousar

Deus, na sua sabedoria, reservou o dia de sábado para que a terra e os seus habitantes pudessem descansar e restaurar-se. Hoje, porém, não oferecemos este descanso ao planeta com ciclo incessante de produção.

A pandemia atual nos deu a possibilidade de constatar que a Terra consegue recuperar se a deixarmos descansar: o ar tornou-se mais puro, as águas mais transparentes, as espécies animais voltaram para muitos lugares de onde tinham desaparecido.

Portanto, a pandemia nos levou a uma encruzilhada: “Devemos aproveitar este momento decisivo para acabar com atividades e objetivos supérfluos e destrutivos, e cultivar valores, vínculos e projetos criadores”.

Um tempo para restaurar

Ao cultivar valores, podemos curar relações humanas comprometidas e restabelecer relações sociais equitativas. Isso significa não ignorar a história de exploração do Sul do planeta, que provocou um enorme deficit ecológico, devido principalmente à depredação dos recursos.

“É o tempo de uma justiça reparadora. A este respeito, renovo o meu apelo para se cancelar a dívida dos países mais frágeis, à luz do grave impacto das crises sanitárias, sociais e econômicas que aqueles têm de enfrentar na sequência do vírus Covid-19.”

De igual modo, prossegue Francisco, é preciso restaurar a terra e restabelecer o equilíbrio climático para manter o aumento da temperatura média global abaixo do limite de 1,5 graus centígrados.

A este ponto da mensagem, o Pontífice pede respeito aos inúmeros esforços da comunidade internacional para se chegar a um consenso, como o Acordo de Paris sobre o Clima, a Cúpula do Clima em Glasgow e a da Biodiversidade de Kunming, na China.

De modo especial, o Santo Padre pede a proteção das comunidades indígenas de empresas, particularmente multinacionais, que depredam seu habitat.

Um tempo para rejubilar

Francisco conclui recordando que Jubileu também é momento de festa, constituído hoje pela mobilização de periferias em prol da proteção da casa comum.

“É uma alegria ver tantos jovens e comunidades, especialmente indígenas, na linha da frente para dar resposta à crise ecológica”. “cientes de que «as coisas podem mudar”, escreve o Papa.

Outro motivo de alegria é o Ano especial de aniversário da Laudato si’ e o fortalecimento da consciência ecumênica para a salvaguarda da criação.

“Alegremo-nos porque o Criador, no seu amor, sustenta os nossos humildes esforços em prol da Terra. Esta é também a casa de Deus, onde a sua Palavra «Se fez carne e veio habitar conosco» (Jo 1, 14), o lugar que a efusão do Espírito Santo renova sem cessar.”

Nós, Irmãs Salvatorianas desejamos que este seja um tempo especial para renovar a nossa relação com o nosso Criador, com as pessoas, conosco mesmas e toda a criação através da celebração, da conversão, da restauração da esperança e do compromisso pessoal e coletivo.

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