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Principais momentos do Papa na Armênia

A visita do papa Francisco àArmênia aconteceu nos dias 24 a 26 de junho. Nesta visita de três dias, oPontífice fez uma peregrinação marcada pelo ecumenismo e por apelos a paz.Confira os principais eventos da 14ª Viagem Apostólica do Papa Francisco:


Papa na Catedral armênia: renovar o esforço da plena unidade


Após a cerimônia de boas-vindas, no aeroporto de Yerevan, o Papa dirigiu-se para a Catedral Apostólica, em Etchmiadzin, para alguns momentos de oração.

Depois das cordiais saudações do Patriarca Karekin, o Santo Padre pronunciou seu discurso, agradecendo as boas vindas do Catholicós de Todos os Armênios, dizendo:

Fraternidade

“Atravessei, comovido, o limiar deste lugar sagrado, testemunha da história do seu povo, centro irradiador de espiritualidade; considero uma graça de Deus poder me aproximar do santo altar, de onde refulgiu a luz de Cristo na Armênia. Agradeço o grato convite para visitá-los e à Sua Santidade, por ter-me acolhido em sua casa. Este sinal de amor expressa, mais que as palavras, o profundo significado de amizade e caridade fraterna”.

Nesta ocasião, o Papa recordou que “a luz da fé confere à Armênia a sua identidade peculiar de mensageira de Cristo entre as Nações”, que a acompanhou e amparou, sobretudo nos momentos de maior provação:

“Inclino-me diante da misericórdia do Senhor, que quis que a Armênia se tornasse a primeira nação, desde o ano 301, a acolher o cristianismo como sua religião, em uma época em que ainda enfuriavam as perseguições. Para a Armênia, a fé em Cristo foi um elemento constitutivo da sua identidade, um dom de enorme valor defendido à custa da própria vida”.

Unidade


Aqui, o Pontífice invocou as bênçãos divinas sobre este luminoso testemunho de fé, demonstrado até com o martírio, e a fecundidade do Batismo, recebido há mais de 1700 anos. Agradeceu a Deus pelo caminho que a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Armênia realizaram, mediante um diálogo sincero e fraterno, para chegar à plena partilha da Mesa Eucarística:

“Que o Espírito Santo nos ajude a realizar a unidade desejada por nosso Senhor, que pediu para que todos os seus discípulos sejam uma só coisa e o mundo creia. Apraz-me lembrar aqui o impulso decisivo dado à intensificação das relações e ao fortalecimento do diálogo entre as nossas duas Igrejas nos últimos tempos por Vasken I e Karekin I, e por São João Paulo II e Bento XVI”.

A seguir, Francisco afirmou que o nosso mundo – marcado por divisões e conflitos, bem como por graves formas de pobreza material e espiritual, incluindo a exploração das pessoas, crianças e idosos, – espera dos cristãos um testemunho de estima mútua e colaboração fraterna, que faça resplandecer diante de cada consciência o poder e a verdade da Ressurreição de Cristo. E acrescentou:

“O esforço paciente e renovado rumo à plena unidade, a intensificação das iniciativas comuns e a colaboração entre todos os discípulos do Senhor, tendo em vista o bem comum, representam uma luz e um apelo para viver, na caridade e na compreensão mútua, as nossas diferenças. O espírito ecumênico adquire valor exemplar e constitui um forte convite a compor as divergências através do diálogo e da valorização do que nos une”.

O Bispo de Roma concluiu seu pronunciamento ressaltando que “quando a nossa atividade é inspirada e movida pela força do amor de Cristo, crescem o conhecimento e a estima recíprocas, criam-se melhores condições para um caminho ecumênico frutuoso e, ao mesmo tempo, mostra a toda a sociedade um caminho concreto, que pode ser percorrido para harmonizar os conflitos que dilaceram a vida civil e causam divisões”.

Papa visita memorial dedicado às vítimas do massacre do povo armênio



 “Aqui rezo, com dor no coração, para que nunca mais existam tragédias como essa, para que a humanidade não se esqueça e saiba vencer o mal com o bem. Deus conceda ao amado povo armênio e ao mundo inteiro a paz e a consolação. Que Deus guarde a memória do povo armênio. A memória não deve ser diluída nem esquecida, a memória é fonte de paz e de futuro”, escreveu o papa Francisco, na manhã deste sábado, no livro de Honra que fica no Museu do Memorial dedicado às vítimas do massacre do povo armênio.

 

Inaugurado em 1967, o memorial está localizado na colina das andorinhas, em Tzitzernakaberd. Em 2001, o papa São João Paulo II também esteve no monumento. Trata-se de um local de peregrinação e que recorda as vítimas do genocídio armênio, ocorrido em 1915 e que massacrou um milhão e quinhentas mil pessoas. Para o papa, a tragédia marcou o início “do triste elenco das imensas catástrofes do século passado, tornadas possíveis por aberrantes motivações raciais, ideológicas ou religiosas, que ofuscaram a mente dos verdugos até o ponto de se prefixarem o intuito de aniquilar povos inteiros.”

 

No monumento o papa, que estava acompanhado do Catholicos Karekin II, foi recebido pelo presidente da Armênia Serzh Sargsyan. Na ocasião, foi rezado o Pai Nosso e proclamadas duas leituras, sendo a primeira do Livro dos Hebreus (Tivestes de suportar uma dura luta) e a segunda do Evangelho de João (Tudo o que perdides em meu nome, eu o farei). Após o papa fez uma oração de intercessão:

 

“Cristo, coroa os teu Santos e cumpre a vontade de teus fieis e olhas com amor e doçura às tuas criaturas, escuta-nos dos céus da tua santidade, por intercessão da Santa Mãe de Deus, pelas súplicas de todos os teus santos, e daqueles de quem hoje é a memória. Ouvi-nos, ó Senhor e tem piedade, Perdoai-nos, expia e perdoa os nossos pecados. Faze-nos dignos para glorificar-te com sentimentos de graças, junto ao o Pai e ao Espírito Santo, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém”.

 

Na esplanada do Museu, Francisco encontrou-se com dez descendentes de perseguidos armênios, que foram salvos e acolhidos, na época, pelo papa Pio XI, na residência de verão dos papas, Castel Gandolfo. 

Papa participa de encontro ecumênico e reza pela paz


O Papa Francisco participou do Encontro Ecumênico com a Oração pela Paz, no sábado (25/06), na Praça da República, em Yerevan. Cerca de 50 mil pessoas participaram da celebração, que reuniu católicos e ortodoxos.

 

O fio condutor do discurso do Papa foi o dom da unidade entre os cristãos. Não se trata, segundo o Papa, de uma simples vantagem estratégica para atender interesses mútuos, mas é o pedido que Jesus faz e, assim sendo, é obrigação tanto dos católicos quanto dos apostólicos armênios cumprir esse pedido, essa missão.

 

E para que se alcance essa unidade necessária, Francisco destacou que é indispensável a oração de todos e o amor mútuo. Assim, cada um é convidado a ter a coragem de deixar para trás convicções rígidas e interesses próprios, em nome do amor que se humilha e entrega, ou seja, o amor humilde. “Este é o óleo abençoado da vida cristã”, disse o Papa.

 

A paz tão sonhada

 

Sobre a necessidade de paz, o Santo Padre lembrou que hoje há muitos obstáculos para que ela se concretize. Basta olhar para as trágicas consequências das guerras e para a realidade da perseguição, em especial recordar as populações do Oriente Médio obrigadas a abandonar tudo por causa dessa violência.

 

Francisco não deixou de recordar o sofrimento do povo armênio com o genocídio ocorrido no século passado, uma tragédia que ainda hoje permanece na memória de muitos. “Quero reiterar que os vossos sofrimentos são nossos”, disse o Papa, acrescentando que recordar esse genocídio é uma advertência para que o mundo não volte a cair em tais horrores. “A fé é a vossa verdadeira força, que permite abrir-se à via misteriosa e salvífica da Páscoa”, acrescentou o Pontífice para destacar a admirável fé do povo armênio.

 

Diante de tantos históricos de dor e sofrimento, o Papa pediu um compromisso comum para construir um futuro sem sede de vingança, um futuro em que se crie condições para a paz, com trabalho digno para todos, ajuda aos mais necessitados e luta contra a corrupção. Nesse ponto, destacou a responsabilidade em especial dos jovens.

 

“Queridos jovens, este futuro pertence-vos: valorizando a grande sabedoria dos vossos idosos, aspirai a tornar-vos construtores de paz: não notários do status quo, mas ativos promotores duma cultura do encontro e da reconciliação”.

 

O Papa concluiu seu discurso convidando os armênios a serem verdadeiros “embaixadores de paz”. “O mundo inteiro precisa deste vosso anúncio, precisa desta vossa presença, precisa do vosso testemunho mais puro”.

Papa se despede da Armênia: unidade, perdão e futuro sem divisõespassadas



O Papa encerrou sua ViagemApostólica à Armênia na tarde de domingo, 26 de junho.

Uma peregrinação marcada peloecumenismo e pelo esforço de Roma e Armênia em caminharem juntas à plena união.

Desejo expresso pelo Papa mais deuma vez durante a permanência nas terras do primeiro país do mundo a acolher oEvangelho.

“No caminho rumo à unidade, somoschamados a ter a coragem de deixar as nossas convicções rígidas e os interessespróprios, em nome do amor de Cristo”, disse Francisco.

 

Mas a unidade entre Católicos eApostólicos não é “‘submissão de um ao outro’, – sublinhou o Papa – nemabsorção, mas um acolhimento de todos os dons que Deus deu a cada um”.

Francisco convidou o povo armênioa perdoar o genocídio perpetrado no início do século passado.

“Prestemos atenção aos anseiosdas gerações mais jovens, que pedem um futuro livre das divisões do passado.Que, deste lugar santo, se difunda novamente uma luz radiante! Que à luz da fé,que desde São Gregório Narek iluminou estas terras, se una a luz do amor, queperdoa e reconcilia”.

Fonte: Rádio Vaticano

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