“Participação, comunhão e missão” definem a 57ª Assembleia dos Bispos do Brasil
Teve início na última quarta-feira, 1º de maio a 57ª Assembleia Geral da CNBB no Santuário de Aparecida, com a celebração eucarística às 7h30, no Altar Central. A Santa Missa foi presidida pelo Presidente da CNBB e Arcebispo de Brasília, Dom Sergio da Rocha, e concelebrada por Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, vice-presidente da CNBB, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, e por Dom Frei Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB e bispo auxiliar de Brasília. Presentes na celebração, que deu início aos trabalhos, mais de 400 membros da CNBB, cardeais, arcebispos, bispos, presbíteros, diáconos e milhares de leigos.
Na sua homilia, Dom Sérgio pediu a oração da Igreja para os trabalhos da Assembleia, frisando a importância do encontro deste ano, que irá definir as novas diretrizes para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil e eleger a nova presidência e coordenação das Comissões pastorais para os próximos quatro anos.
Assembleia
Até o dia 10 de maio, os mais de 400 bispos irão se dedicar nas discussões sobre diversos temas, como: relatório do quadriênio, assuntos de liturgia, textos litúrgicos – CETEL (Comissão Episcopal de Textos Litúrgicos), assuntos de Doutrina da Fé, relatório econômico e conjuntura eclesial, com a avaliação da Igreja no Brasil e da CNBB, a análise sociopolítica do Brasil, a Campanha da Fraternidade em 2021, definição das Comissões Episcopais Pastorais e a 6ª Semana Social Brasileira.
“Como bem sabemos, são inúmeros os desafios para a missão de Igreja no mundo de hoje. Pretendemos superar os desafios com a definição das novas ações evangelizadoras da Igreja. As dificuldades, meus irmãos e irmãs, não devem jamais nos desanimar. Diante dos desafios, nós temos a oportunidade de crescer na fé”, afirmou Dom Sergio.
Após a Santa Missa os membros da Assembleia Geral da CNBB foram para o Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida para o início oficial da 1ª sessão. O arcebispo de Brasília, cardeal Sergio da Rocha, presidente da CNBB, reforçou que o início da Assembleia ocorre efetivamente com a celebração da Eucaristia que, para ele, é fonte e sustento da missão e dos trabalhos nos próximos dias. “A assembleia é sempre ocasião privilegiada de partilha, oração e reflexão”, disse.
Para o cardeal, três palavras definem uma assembleia: participação, comunhão e missão. “Trata-se de um tempo especial de encontro entre os bispos do Brasil em vista da missão evangelizadora da Igreja no Brasil”, disse.
Sobre o tema central, As diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019 – 2023, o presidente da CNBB reforçou que as novas diretrizes são os referenciais para atuação dos que serão eleitos. “Por isto, primeiro aprovamos as diretrizes e depois elegemos os responsáveis por animá-las na vida da Igreja’, disse.
O cardeal também falou da importância da Assembleia Especial dos Bispos sobre a Amazônia que acontece este ano, em outubro, no Vaticano. Ele lembrou que este sínodo está sendo especialmente preparado pelas Igrejas da Amazônia no Brasil e de outros países. “Agradeço ao papa Francisco por esta iniciativa e desejo que ela dê muitos frutos à Igreja na Amazônia e no mundo e aumento a nossa corresponsabilidade por este bioma”, disse.
Segundo dia da Assembleia Geral da CNBB
O bispo da diocese Rio Do Sul (SC), dom Onécimo Alberton, contou um pouco do segundo dia da 57ª Assembleia Geral da CNBB.
Confina na íntegra o vídeo abaixo:
Terceiro dia de trabalhos da 57ª Assembleia Geral da CNBB
O bispo de Joaçaba, dom Mário Marquez, fez um resumo do terceiro dia da Assembleia Geral da CNBB. Confira na íntegra:
Neste terceiro dia, foi também aprovada as diretrizes para igreja se tornar mais missionária no Brasil. As orientações falam também de uma igreja acolhedora, que se transforme em “casa” principalmente para os mais vulneráveis, como jovens e idosos. “O eixo fundamental das diretrizes é recuperar o sentido da Igreja como casa”, disse o bispo auxiliar de Porto Alegre, dom Leomar Antonio Brustolin, da comissão de redação do tema central da conferência.
O eixo fundamental das novas diretrizes, segundo ele, é a recuperação do sentido da casa. “A imagem da casa tem um sentido pedagógico e é entendida como lar e espaço de vida”, disse. A casa, no texto das diretrizes, é entendida como comunidade eclesial missionária sustentada por quatro pilares:
- A Palavra – que aprofunda a iniciação à vida cristão e a iniciação bíblica e a ideia de ter comunidades fundadas em torno da palavra;
- O Pão – que aprofunda a liturgia e a busca por viver a espiritualidade rumo à santidade tal como defende o papa Francisco em sua exortação Gaudete et Exsultate que personaliza a fé mas leva ao encontro do outro;
- A Caridade – Baseado no que disse Paulo VI na ONU: “Que a Igreja é especialista em humanidade”, o texto das diretrizes aponta a necessidade das comunidades se preocuparem com os que mais sofrem e a defesa da vida em todos os sentidos.
- A Missão – A exemplo do que pede o papa, o sentido da comunidade se realiza quando ela sai em missão e vai ao encontro das periferias existenciais.
Quarto dia da Assembleia Geral da CNBB

Os bispos do Brasil, reunidos em Aparecida durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB, refletiram, na manhã do quarto dia, 4 de maio, sobre o pedido do Papa Francisco para a realização do Mês Missionário Extraordinário (MME), que será realizado em outubro deste ano. O objetivo do MME, que terá como tema Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo, é “despertar em medida maior a consciência missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”.
A apresentação da proposta do Papa já foi um passo em preparação para a realização do MME. Na ocasião, dom Odelir José Magri, bispo da diocese de Chapecó (SC) apresentou a cruz missionária que, inicialmente, será entregue aos bispos representantes dos 18 regionais da CNBB e, em outro momento, será enviada para cada arquidiocese e diocese do Brasil. “Para as dioceses, a cruz será enviada e acolhida como material das Pontifícias Obras Missionárias. Então, todas as dioceses já receberam o guia e a bandeira e agora vão receber uma réplica desta cruz que depois poderá ser utilizada na programação e na vivência”, disse.
Dom Odelir destacou, ainda, as seis dimensões características do Mês Missionário Extraordinário, que são: encontro, testemunho e vivência, formativa, caridade missionária, cooperação e celebrativa. “Na dimensão celebrativa que destaca a abertura do Mês Missionário, que faremos no dia 1º de outubro, no Santuário de Aparecida; também a Vigília Missionária que vai ganhar um destaque com a proposta do gesto concreto e a comunhão das dioceses, das paróquias e comunidades”, afirmou dom Odelir.
Em seguida, dom Odelir falou sobre as propostas para o desenvolvimento do tema a nível nacional, regional, diocesano e paroquial. “Nos foi pedido, também, que o Mês Missionário Extraordinário não fosse um acrescentar outros programas além do calendário que nós temos, mas inserir dentro da programação ordinária das Igrejas locais o espírito do Mês Missionário, visando então a conversão pastoral e despertar missionariamente as nossas comunidades”, completou.
Para este momento forte na vida da Igreja, foi sugerido, ainda, segundo dom Odelir, um gesto concreto. “Foi pensado isto no sentido de unidade, um gesto que nos ajudasse a viver juntos como Brasil, dioceses e prelazias. E aí sugeriram que no Dia Mundial das Missões seja feito um gesto que tenha três características: a saída missionária, a oração e a oferta, que é a coleta”, disse.
Os bispos presentes no Centro de Eventos acompanharam a apresentação de um vídeo sobre o Mês Missionário Extraordinário. Logo após, dom Giovanni Crippa, bispo da diocese de Estância (SE), continuou a apresentação sobre a celebração deste mês. “O primeiro serviço que a Igreja deve à humanidade de hoje, nas palavras do Papa Bento XVI: ‘A missão é algo que sempre acompanhou e deve acompanhar a vida da Igreja. As Igrejas particulares, portanto, não são uma porção da Igreja, mas toda a Igreja de Deus, que se torna presente em um determinado lugar a partir do qual deve resplandecer todo o Mistério de Cristo, vivendo as propriedades essenciais da Sua Igreja Uma, Santa, Católica e Apostólica’”, afirmou.
Dom Giovanni prosseguiu a reflexão sobre a missionariedade a partir da certeza de que “as Igrejas Particulares não são um todo em cada parte, mas exigem que as partes sejam ordenadas em um todo. É aqui que se situa, portanto, a Teologia da Comunhão. O espírito de comunhão consiste em comportar-se solidário em relação ao todo da Igreja. Portanto, a comunhão de cada um de nós com as outras Igrejas, a solicitude de cada uma para com todas é constitutiva da atitude de cada Igreja Particular”, disse. “A Igreja é chamada a manifestar a ânsia missionária de Cristo, que não tem limites. A Igreja é verdadeira se testemunhar que Deus ama não somente a nós, mas a todos”, completou.
Eleição da nova presidência da CNBB

Nesta segunda-feira, 6 de maio, tem início o processo eleitoral que escolherá os bispos que estarão à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pelo próximo quadriênio (2019-2023). O episcopado brasileiro, através de voto secreto, elegerá presidente, vice-presidente, segundo vice-presidente, secretário-geral, presidentes das Comissões Episcopais Pastorais e seus representantes junto ao Conselho Episcopal Latino-americano (Celam).
Foram instaladas 17 urnas eletrônicas no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, local onde é realizada a 57ª Assembleia Geral da CNBB. Os equipamentos foram testados por todos os bispos no último sábado, 4. A urnas, com um sistema desenvolvido pelo Departamento de Tecnologia da Informação da CNBB, foram idealizadas para rodar em plataforma web, conectada a um servidor de banco de dados.
Durante as votações, que podem acontecer até a próxima quinta-feira, 9, cada urna terá como responsável um presidente e um secretário, para garantir o sigilo e a privacidade dos eleitores, durante o processo. Após cada escrutínio, o sistema de gerenciamento das urnas se encarregará da apuração dos votos. Será emitido um relatório com o nome dos candidatos votados, por ordem decrescente, indicando se o candidato mais votado atingiu o percentual de votos exigido para aquele escrutínio.
O processo de votação – Para votar, cada bispo deverá se dirigir até o secretário da seção eleitoral. Assinada a lista de votação, o eleitor deverá entregar ao presidente sua carteira de identificação episcopal para validação e liberação da urna de votação. A carteira será posicionada sobre um leitor de cartão por rádio frequência, para que seja feita a leitura digital da matrícula.
Após a liberação da urna, será disponibilizada na tela uma cédula de votação contendo o cargo para qual está votando, o número do escrutínio e a informação: ‘Digite o número de matrícula do seu candidato’. Com a digitação do número de matrícula, aparecerá automaticamente a foto, o nome e a vinculação correspondente ao candidato escolhido. No mesmo instante, o sistema solicitará a confirmação do voto, apertando a tecla ‘SIM’. Caso o bispo aperte a tecla ‘NÃO’, o sistema voltará ao ponto inicial da votação, aguardando a digitação do número correto. Os votos de abstenção e nulos também serão computados, a fim de se calcular o número de votantes.
Para facilitar o processo, cada bispo recebeu um manual de instrução para uso do sistema de votação, com o número de matrícula de todos os candidatos e eleitores. Todos os membros da CNBB podem ser votados, mas apenas os bispos presentes na Assembleia Geral têm direito ao voto. Os bispos eméritos presentes na Assembleia Geral podem ser consultados, mas não têm direito ao voto.
Apuração dos votos – Com o término de cada escrutínio, será emitido um relatório com o nome de todos os candidatos votados com indicação se o mais votado alcançou o percentual necessário. Também serão emitidos relatórios individuais por urna, indicando somente o nome do eleitor, para auxiliar na análise quantitativa dos votos.
Será eleita uma comissão que acompanhará o processo de votação e apuração dos escrutínios. Com a aprovação por parte da Comissão, o resultado de cada escrutínio será apresentado à Presidência da CNBB. Se o mais votado atingir o percentual necessário, ele deverá manifestar publicamente sua aceitação para a finalidade a qual acaba de ser eleito. Caso o mais votado não tenha alcançado o percentual necessário ou, tendo atingido, apresente motivos para não aceitar a função para a qual foi eleito, será solicitado um novo escrutínio.
Será votada uma função por vez, podendo apenas ser votado outro cargo após o anúncio do eleito no escrutínio anterior.
Posse da nova presidência – A atual presidência permanece em suas funções até o término da 57ª Assembleia Geral, onde serão empossados os bispos eleitos para a nova presidência da CNBB, assim como os presidentes das Comissões Episcopais. A cerimônia de posse acontece na manhã da próxima sexta-feira, 10 de maio.
Fonte: CNBB
