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Papa sobre José: presença discreta que continua protegendo a Igreja

Na semana passada, Francisco iniciou o ciclo de catequeses sobre São José e neste encontro semanal com os fiéis continuou este percurso. Nesta quarta, centrou-se “no seu papel na história da salvação”. “Jesus é referido nos Evangelhos como ‘filho de José’ e ‘filho do carpinteiro’. Os Evangelistas Mateus e Lucas, ao narrarem a infância de Jesus, dão espaço ao papel de José”, disse.

Guia em tempos de dificuldade

José vive o seu protagonismo sem nunca querer apoderar-se da cena, aponta o Santo Padre. “Se pensarmos nisto, as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns, habitualmente esquecidas, que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas. Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos”, destaca.

Segundo o Papa, todos podem encontrar em São José, o homem que passa despercebido, o homem da presença diária, discreta e escondida, um intercessor, um apoio e um guia em tempos de dificuldade. O Pontífice afirma que ele lembra que todos aqueles que aparentemente estão escondidos ou na “segunda linha” têm um protagonismo inigualável na história da salvação.

“O mundo precisa desses homens e dessas mulheres. Homens e mulheres na segunda linha, mas que sustentam o desenvolvimento da nossa vida, de cada um de nós e que com a oração, com o exemplo, com o ensinamento nos sustentam na estrada da vida”.

Guardião da Igreja

No Evangelho de Lucas, José aparece como o guardião de Jesus e de Maria. Por esta razão, Francisco frisa que ele é também o Guardião da Igreja. “Se ele foi o guardião de Jesus e Maria, agora que está no céu, continua sendo o guardião, neste caso da Igreja; porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história e ao mesmo tempo, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria”.

José continua protegendo a Igreja, sublinha o Santo Padre. Hoje, o Pontífice comenta que José protege a Igreja, continua protegendo o Menino e sua mãe. Este aspecto do cuidado de José, prossegue, é a grande resposta ao relato do Gênesis. Quando Deus pede a Caim que preste contas da vida de Abel, ele responde: “Sou porventura o guarda do meu irmão?”.

“José, com a sua vida, parece querer dizer-nos que somos sempre chamados a sentirmo-nos guardiães dos nossos irmãos, guardiães dos que nos são próximos, daqueles que o Senhor nos confia através das circunstâncias da vida”, ressalta.

Segundo o Papa, a sociedade, atualmente líquida, gasosa encontra na história de José uma indicação muito clara da importância dos laços humanos. “De fato, o Evangelho nos narra a genealogia de Jesus, não só por uma razão teológica, mas também para recordar a cada um de nós que a nossa vida é constituída por laços que nos precedem e acompanham. O Filho de Deus escolheu o caminho dos vínculos para vir ao mundo, o caminho da história: não veio ao mundo com magia, mas fez o caminho histórico que fazemos todos nós”.

Oração

Francisco concluiu a catequese, recordando as “pessoas que lutam para encontrar ligações significativas em sua vida”, e rezando para que possam “encontrar em São José um aliado, um amigo e um apoio”. Confira a oração feita pelo Santo Padre:

São José,
vós que guardastes a ligação com Maria e Jesus,
ajudai-nos a cuidar das relações na nossa vida.
Que ninguém experimente o sentimento de abandono
que vem da solidão.
Que cada um de nós se reconcilie com a própria história,
com aqueles que nos precederam,
e reconheça inclusive nos erros cometidos
um modo pelo qual a Providência abriu o seu caminho,
e o mal não teve a última palavra.
Mostrai-vos amigo para aqueles que mais lutam,
e como apoiastes Maria e Jesus nos momentos difíceis,
assim apoiai também a nós no nosso caminho. Amém.

Fonte: Vatican News

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