Papa na audiência: “Não tenham medo de tocar o pobre e o excluído”
A catequese do Papa na quarta-feira, dia 22, foi centrada no texto evangélico de Lucas que narra omilagre da cura do leproso. Cerca de 20 mil pessoas encheram a praça São Pedropara a audiência semanal, quando Francisco se encontra de perto com fiéis,peregrinos, turistas e romanos. Antes de tomar posição, o pontífice deu ahabitual volta pela praça com o Papamóvel, cumprimentando e sorrindo paratodos.
A lepra, naquela época, eraconsiderada uma maldição, uma impuridade; e portanto, o leproso tinha que ficarafastado, longe do templo, de Deus e dos homens. Na narração de Lucas, oleproso não aceita estas leis, as desrespeita e entra na cidade, procurandoJesus.
“Ao ver Jesus, ele caiu com orosto em terra e suplicou-lhe: ‘Senhor, se queres, tens o poder depurificar-me’”. Descrevendo o episódio, Francisco explicou que com este gesto,o homem reconhece o poder de Jesus. E a sua fé dizia que Jesus podia curá-lo.“Esta súplica mostra que com Jesus, são suficientes poucas palavras, masacompanhadas pela confiança em sua onipotência e bondade. Entregar-nos àvontade de Deus significa confiar em sua infinita misericórdia”, explicou osanto padre.
Pai-Nosso
O papa, improvisando, revelou aospresentes que antes de dormir, reza cinco Pai-nosso, pensando nas chagas deJesus, e pede que o purifique.
Quando o leproso pede apurificação, Jesus faz algo inconcebível: estende a mão e toca o leproso. Opapa fez então uma comparação conosco, nos dias de hoje. “Quantas vezesencontramos um pobre e, mesmo sendo generosos e sentindo compaixão, não otocamos. Oferecemos uma moeda, mas evitamos tocar sua mão. Esquecemos queaquele é o corpo de Cristo! Jesus nos ensina a não ter medo de tocar o pobre eo excluído, porque Ele está neles. Tocar o pobre pode nos purificar dahipocrisia e nos preocupar por sua exclusão”.
Improvisando novamente, Franciscoapresentou alguns jovens que subiram com ele à tribuna de onde profere acatequese.
Refugiados
“Muitos pensam que seria melhorque eles tivessem permanecido em suas terras. Mas ali eles estavam sofrendo.São os nossos refugiados, mas muitos os consideram excluídos. Por favor, elessão nossos irmãos!”, conclamou Francisco.
Enfim, depois de curar o leproso,Jesus recomendou que não o contasse para ninguém. “Mostra-te ao sacerdote eapresenta por tua purificação a oferenda prescrita por Moi¬sés. Isso lhesservirá de testemunho”. Para o pontífice, esta ordem demonstra três coisas.
A primeira é que a graça doSenhor não quer sensacionalismo; age com discrição e sem clamor. A segunda éque ao apresentar oficialmente a sua cura e celebrar um sacrifício, o leprosofoi readmitido na comunidade e na vida social. A sua reintegração completa acura. E enfim, apresentando-se aos sacerdotes, o leproso dá testemunho do podere da compaixão de Jesus. A fé do homem se abre à missão. “Ele era um excluído ese tornou um de nós”, ressaltou Francisco.
O papa concluiu convidando osfiéis a acreditarem. “Mas pensemos em nós, nas nossas misérias, comsinceridade. Quantas vezes as cobrimos com a hipocrisia das ‘boas maneiras’. Éprecisamente então que é preciso estar a sós, ajoelharmo-nos diante de Deus erezar: ‘Senhor, se quiseres, podes purificar-me!’”.
Fonte: Rádio Vaticano
