PAPA FRANCISCO: OMISSÃO E INDIFERENÇA, O GRANDE PECADO CONTRA OS POBRES
A omissão é também o grande pecado contra os pobres, foi o que afirmou Francisco na missa deste domingo,19, a último do ano litúrgico e data em que toda a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres. A solenidade aconteceu na Basílica de São Pedro e teve a participação de 4 mil pessoas entre pobres e necessitados, associações de voluntários e dioceses do mundo todo.
Dia Mundial dos Pobres, sinal concreto do Ano Jubilar dedicado àmisericórdia
Instituído pelo Papa Francisco naconclusão do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, este Dia quer ser sinalconcreto do Ano Jubilar, que se celebra no XXXIII Domingo do Tempo Comum.
Tendo partido do Evangelhodominical, que nos traz a parábola dos talentos, o Pontífice afirmou-nos quesomos destinatários dos talentos de Deus, “cada qual conforme a sua capacidade”.E Deus, aos olhos de Quem nenhum filho pode ser descartado, confia uma missão acada um.
“Vemos, na parábola, que a cadaservo são dados talentos para os multiplicar. Mas enquanto os dois primeirosrealizam a missão, o terceiro servo não faz render os talentos; restitui apenaso que recebera”, recordou o Papa ilustrando a parábola contida na página doEvangelho pouco antes proclamado.
Em que o terceiro servodesagradou ao Senhor? – perguntou Francisco. “Diria, numa palavra (talvez caídaum pouco em desuso mas muito atual), a omissão. O seu mal foi o de não fazer obem,” disse o Papa ressaltando que “muitas vezes também nos parece não terfeito nada de mal e com isso nos contentamos, presumindo que somos bons ejustos”.
Não fazer nada de mal, não basta
“Assim, porém – continuou –corremos o risco de nos comportar como o servo mau: também ele não fez nada demal, não estragou o talento, aliás, guardou-o bem na terra. Mas, não fazer nadade mal, não basta.”
“O servo mau, uma vez recebido otalento do Senhor que gosta de partilhar e multiplicar os dons, guardou-ozelosamente, contentou-se com salvaguardá-lo; ora, não é fiel a Deus quem sepreocupa apenas em conservar, em manter os tesouros do passado, mas, como diz aparábola, aquele que junta novos talentos é que é verdadeiramente ‘fiel’,porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor,joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Descuida só umacoisa: o próprio interesse. Esta é a única omissão justa”, explicou Francisco.
“E a omissão é também o grandepecado contra os pobres. Aqui assume um nome preciso: indiferença. Esta édizer: ‘Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade’. Épassar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar de canal, logo queum problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal mas sem fazernada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas sefizemos o bem.”
Como podemos então,concretamente, agradar a Deus? – perguntou novamente Francisco.
Quando se quer agradar a umapessoa querida, por exemplo dando-lhe uma prenda, lembrou o Papa, “é precisoprimeiro conhecer os seus gostos, para evitar que a prenda seja mais do agradode quem a dá do que da pessoa que a recebe”.
Os gostos do Senhor encontramo-los no Evangelho
Quando queremos oferecer algo aoSenhor, os seus gostos encontramo-los no Evangelho. Logo a seguir ao texto queouvimos, Ele diz: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos maispequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40), prosseguiu.
“Estes irmãos mais pequeninos,seus prediletos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre eo abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos,podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechadospela dor, as palavras d’Ele: ‘Este é o meu corpo’ (Mt 26, 26).”
“No pobre, Jesus bate à porta donosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, emnome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seusamigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar”, acrescentou.
Verdadeira fortaleza: mãos operosas e estendidas aos pobres
“Deus tem em grande apreço, Eleaprecia o comportamento que ouvimos na primeira Leitura: o da ‘mulher forte’que ‘estende os braços ao infeliz, e abre a mão ao indigente’. Esta é averdadeira fortaleza: não punhos cerrados e braços cruzados, mas mãos operosase estendidas aos pobres, à carne ferida do Senhor”, disse ainda.
Nos pobres manifesta-se apresença de Jesus, que, sendo rico, se fez pobre, lembrou o Santo Padre.
“Por isso neles, na suafragilidade, há uma ‘força salvífica’. E, se aos olhos do mundo têm poucovalor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso ‘passaportepara o paraíso’. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossaverdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eleso pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobresignifica lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais.”
O que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo
E isso nos fará bem:aproximar-nos de quem é mais pobre do que nós, tocará a nossa vida.Lembrar-nos-á aquilo que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo. Sóisto dura para sempre, tudo o resto passa; por isso, o que investimos em amorpermanece, o resto desaparece.
“Hoje podemos perguntar-nos:‘Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?’ Na riqueza que passa, da qual omundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante denós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Comefeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘quem amontoapara si não é rico em relação a Deus’. Então não busquemos o supérfluo para nós,mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará”, concluiu oPontífice.
PAPA FRANCISCO ALMOÇA COM 1.500 POBRES: DESEJEMOS O BEM UM AO OUTRO
Ao término do Angelus, estedomingo (19/11), o Papa deslocou-se do palácio apostólico até a Sala Paulo VI,no Vaticano, para participar do almoço festivo com 1.500 pobres e necessitadosacompanhados por voluntários de associações do mundo inteiro. Iniciativasanálogas foram verificadas em refeitórios, abrigos e paróquias de Roma e detodas as dioceses italianas.
Logo após a saudação dopresidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, DomRino Fisichella, o Papa dirigiu aos presentes uma breve saudação e fez umaoração:
“Sejam todos bem-vindos!Preparemo-nos para este momento juntos: cada um de nós com o coração repleto deboa vontade e de amizade para com os outros, partilhar o almoço e desejando-noso melhor uns aos outros. E agora pedimos ao Senhor que abençoe, que abençoeesta refeição, abençoe aqueles que a prepararam, abençoe todos nós, abençoenossos corações, nossas famílias, nossos desejos, a nossa vida e nos dê saúde eforça. Amém. Também uma bênção a todos aqueles que estão nos outros refeitóriosespalhados por Roma, porque Roma hoje está repleta dessas refeições, hoje.Daqui, uma saudação e um aplauso para eles.” (RL/GC)
Fonte; Rádio Vaticano
