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Papa: família, promessa de um novo Pentecostes

O Papa Francisco presidiu neste domingo, 26, a Missa de encerramento do 9º Encontro Mundial das Famílias, que é realizado em Dublin, na Irlanda, desde a última terça-feira, 21. O Santo Padre deixou às famílias palavras de encorajamento, convidando-as a “partilhar o Evangelho da família como alegria para o mundo”.

No ato penitencial, o Papa Francisco voltou a pedir perdão por todos os tipos de abusos cometidos por “membros qualificados” da Igreja em instituições administradas por religiosos e religiosas e por membros da hierarquia que permaneceram em silêncio. O pedido é fruto do encontro que o Pontífice realizou no sábado com oito vítimas irlandesas.

O Papa citou os menores e adultos vulneráveis vítimas de moléstias, crianças e adolescentes explorados para fins laborais e mulheres que tiveram seus filhos subtraídos por autoridades eclesiásticas porque solteiras. Maternidade negada por se tratar de “pecado mortal”. “Isso não é pecado mortal, é o quarto mandamento [honrar pai e mãe, ndr]!”, disse Francisco.

”Que o Senhor mantenha e faça crescer este estado de vergonha e arrependimento e nos dê a força para nos comprometer a trabalhar para que nunca mais aconteçam e se faça justiça.”

Espírito e vida

Já a homilia foi inspirada no Evangelho deste domingo: «Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

Os discípulos estavam perplexos, confusos e até irados, hesitando se aceitar ou não as suas «palavras duras», tão contrárias à sabedoria deste mundo. Em resposta, o Senhor lhes diz: “As palavras que vos disse são espírito e são vida”.

Novo Pentecostes

“Cada dia novo na vida das nossas famílias e cada nova geração trazem consigo a promessa de um novo Pentecostes, um Pentecostes doméstico”, disse o Papa, fazendo votos de que as famílias se tornem fonte de encorajamento para os outros, para partilhar “as palavras de vida eterna” de Jesus.

O Filho de Deus, afirmou ainda Francisco, se encarnou neste mundo por meio de uma família, e em cada geração, através do testemunho das famílias cristãs, tem o poder de romper todas as barreiras para reconciliar o mundo com Deus e fazer de nós aquilo que desde sempre estamos destinados a ser: uma única família humana.

Perdão difícil

Todavia, reconheceu o Pontífice, a tarefa de dar testemunho desta Boa Nova não é fácil e sempre haverá pessoas que se oporão à ela.

Mas podemos seguir o exemplo de São Columbano e de seus companheiros irlandeses e jamais nos deixar “influenciar ou desanimar pelo olhar gelado da indiferença ou pelos ventos borrascosos da hostilidade”.

“Como permanece difícil perdoar àqueles que nos magoam! Que grande desafio continua a ser o acolhimento do migrante e do estrangeiro! Como é doloroso suportar a desilusão, a rejeição ou a traição! Como é incómodo proteger os direitos dos mais frágeis, dos nascituros ou dos mais idosos, que parecem estorvar o nosso sentido de liberdade!”

Vocação missionária

Missão árdua, mas possível, pois podemos contar com a força do Espírito e a presença do Senhor sempre ao nosso lado.

Ressaltando a natureza missionária do cristão, Francisco recorda que a Igreja é chamada a “sair” para levar as palavras de vida eterna às periferias do mundo.

“Que a nossa celebração de hoje confirme cada um de vocês – pais e avós, crianças e jovens, homens e mulheres, frades e freiras, contemplativos e missionários, diáconos e sacerdotes – na partilha da alegria do Evangelho! Possam partilhar o Evangelho da família como alegria para o mundo.”

Orações

No final da Celebração Eucarística, o Pontífice fez um agradecimento a todos os que contribuíram para a realização da viagem.

“Um ‘obrigado’ muito sentido quero ainda expressar a todas as pessoas que rezaram por este Encontro: idosos, crianças, religiosos e religiosas, doentes, reclusos… Estou certo de que o sucesso da iniciativa se deve às orações, simples e perseverantes, de todos eles. Obrigado a todos. Que o Senhor os recompense!”

Roma 2021

O Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Card. Kevin Farrell, anunciou no final da missa que a cidade de Roma será sede do próximo Encontro Mundial da Família em 2021.

 

Francisco na grande Festa das Famílias em Dublin

Famílias do mundo inteiro na Festa das Famílias em Dublin

Na noite de sábado, a grande Festa das Famílias reuniu no Croke Park Stadium quase 80 mil pessoas de 114 países. Momentos de muita emoção marcados por testemunhos, momentos de oração, danças ao som de músicas típicas irlandesas. Crianças, jovens, adultos, idosos compartilhando juntos a alegria de ser família.

As palavras do Santo Padre aos presentes foram de alegria, encorajamento e muita esperança. Um pronunciamento, interrompido diversas vezes por aplausos.

Ajudar a realizar o sonho de Deus

“Com o testemunho de vocês do Evangelho, vocês podem ajudar Deus a realizar seu sonho. Vocês podem contribuir para aproximar todos os filhos de Deus, para que cresçam na unidade e aprendam o que significa para o mundo inteiro viver em paz como uma grande família”.

Fazendo alguns acréscimos de improviso, o Papa pede que as crianças sejam batizadas ainda pequenas, porque uma criança assim, com o Espírito Santo, é mais forte.

Para ser verdadeiramente alegria para o mundo, nas famílias se deve poder encontrar Jesus,  sublinha o Papa. A família, como “farol”, deve de fato irradiar a alegria do amor de Deus no mundo, isto é, irradiar esse amor “através de pequenos gestos de bondade na rotina diária”.

Trata-se de ser aqueles “santos da porta ao lado” a quem o Papa frequentemente se refere. É algo que não precisa de “toques de trombeta”, mas está presente silenciosamente nos corações de todas aquelas famílias que oferecem “amor, perdão e misericórdia”.

“O matrimônio cristão e a vida familiar são entendidos em toda a sua beleza” se “ancorados no amor de Deus”, reitera. Pais e mães, filhos e netos, avós e avôs, e também sogras e noras: com a graça de Deus, pode-se entender e perdoar, mesmo que não seja fácil. Como para preparar um chá você precisa fazer uma infusão, assim é preciso tempo e paciência na família.

Experiência do perdão

Em seu pronunciamento, o Papa responde aos diferentes testemunhos que foram feitos anteriormente. A família de Burkina Faso testemunhou a experiência do perdão. De fato, são precisamente os “pequenos e simples gestos de perdão, renovados a cada dia”, aquele fundamento sobre o qual se constrói “uma sólida vida familiar cristã”.

Muitas vezes – acrescenta – queremos fazer as pazes, mas não sabemos como. Em vez disso, um carrinho é suficiente. Ele então convida para repetir em inglês as três palavras-chave da família: “perdão”, “por favor” e “obrigado”.

E a paz deve ser feita antes de ir dormir, caso contrário, no dia seguinte, acontece a “guerra fria”. Francisco sem meio termo, portanto, apresenta a importância do perdão:

Não existe família perfeita; sem o hábito do perdão, a família adoece e aos poucos desmorona. Perdoar significa dar algo de si mesmo. De fato, as crianças aprendem a perdoar quando percebem que os pais se perdoam mutuamente.

Redes sociais não podem susbtituir relacionamentos de carne e osso

Então o Papa se refere ao testemunho de Ted e Nisha, que junto com seus filhos vieram da Índia. No centro, a relação com as redes sociais que – diz Francisco – “podem ​​ser benéficas se usadas com moderação e prudência”, mas não devem se tornar uma ameaça à rede de relacionamentos autênticos, de carne e osso, aprisionando em uma “realidade virtual” como quando as pessoas da mesa ao invés de falarem umas com as outras, olham para o celular.

A história dessa família indiana pode, portanto, ajudar todas as famílias – observa o Papa – a questionar sobre a necessidade de reduzir o tempo gasto com esses meios tecnológicos e gastar mais tempo de qualidade na família e com Deus.

Do testemunho do casal iraquiano que se refugiou na Austrália, o Papa sugere que as famílias da sociedade gerem a paz “porque ensinam amor, aceitação e perdão”, que são os “melhores antídotos” contra a vingança. Como fizeram após a morte do pai Ganni, irmão de sua esposa, nas mãos de milicianos: eles viram concretamente que “o mal só pode ser combatido com o bem e o ódio superados apenas pelo perdão”.

Francisco, então, agradece o testemunho de amor e fé da família irlandesa, com dez filhos. “É lindo – diz o papa – ter dez filhos!” Os pais, quando meninos, acabaram no túnel de drogas, mas eles saíram:

O amor de Cristo que renova todas as coisas é o que torna possível o casamento e um amor conjugal marcado pela fidelidade, indissolubilidade, unidade e abertura à vida. Isso é o que eu queria destacar no quarto capítulo da Amoris laetitia”.

Valorização e respeito dos idosos

E novamente a história de Aldo e Marissa. Casados há mais de 50 anos, eles vêm do Canadá e estão presentes junto com seus netos. A experiência deles diz ao Papa que “uma sociedade que não valoriza os avós é uma sociedade sem futuro”. E que “uma Igreja que não tem coração, a aliança entre gerações acabará carecendo daquilo que realmente importa, o amor”. Então precisamos conversar com os idosos.

O testemunho de Missy Collins, representante das famílias nômades irlandesas, que viveram  injustiças, recorda então que na mesa de Deus há espaço para todos e ninguém deve ser excluído.

Esperança da Igreja e do mundo

“Sejam a esperança da Igreja e do mundo!”, conclui o Papa. Precisamente por este motivo lhes dei uma cópia de Amoris laetitia que –  recorda – “escrevi para ser uma espécie de guia para viver o Evangelho da família com alegria”.

Depois, um silêncio repleto de atenção cria o ambiente da Oração Oficial para este Encontro, que o Papa recita pedindo a Deus que proteja todas as famílias com seu amor.

 

Fonte: Vatican News

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