Papa aos presidiários: Jesus nunca nos abandona, ele se arrisca por nós
O Pontífice celebrou a Missa daCeia do Senhor na prisão de Regina Caeli, na tarde desta Quinta-feira Santa,29. Após a homilia, Francisco lavou os pés de 12 detentos, entre os quaiscatólicos, muçulmanos, um ortodoxo e um budista.
Antes da celebração, o Papavisitou a enfermaria, para saudar os detentos doentes. Já em sua homilia,Francisco recordou o costume daquele tempo, de os escravos lavarem os pés doshóspedes antes de entrarem à casa.
“Era o trabalho dos escravos, masera também um serviço. E Jesus quis fazer este serviço para nos dar um exemplode como devemos servir uns aos outros.”
Jesus pede aos discípulos que nãofaçam como os chefes das nações, reis e imperadores, que eram servidos pelosescravos.
“Entre vocês isso não deve acontecer.Quem comanda deve servir. Jesus inverte o costume histórico, cultural daquelaépoca e também de hoje. Quem comanda, para ser um bom patrão, seja ondeestiver, tem que servir. ”
Pensando na história, acrescentouo Papa, se muitos reis, imperadores e chefes de estado tivessem compreendidoesse ensinamento de Jesus, muitas guerras teriam sido evitadas.
Serviço
Francisco prosseguiu recordando omodo amoroso de agir de Cristo. Às pessoas que sofrem, descartadas pelasociedade, Jesus vai e diz: você é importante para mim. Jesus aposta em cada umde nós. “Jesus se chama Jesus, não Pôncio Pilatos. Jesus não sabe lavar asmãos, sabe somente arriscar”, afirmou o Pontífice.
“ Eu sou pecador como vocês, mashoje represento Jesus. Sou embaixador de Jesus. Quando eu me ajoelho diante decada um de vocês, pensem: Jesus apostou neste homem, um pecador, para vir atémim e dizer que me ama. Este é o serviço, este é Jesus. Jamais nos abandona,jamais se cansa de nos perdoar, nos ama muito. ”
Lava-pés
A cerimônia prosseguiu com o ritodo lava-pés a 12 homens provenientes de sete países: quatro italianos, doisfilipinos, dois marroquinos, um moldavo, um colombiano, um nigeriano e um deSerra Leoa.
Oito são de religião católica,dois muçulmanos, um ortodoxo e um budista.
No momento do abraço da paz, oPapa improvisou mais algumas palavras para dizer que em nosso coração vivemossentimentos contrastantes. É fácil estar em paz com quem queremos bem, mas émais difícil com que nos ofendeu e a quem ofendemos.
“Peçamos ao Senhor, em silêncio,a graça de dar a todos, bons e maus, o dom da paz”, convidou o Santo Padre.
Esperança
Além da saudação aos doentes e acelebração da missa, a visita ao cárcere de Regina Caeli previa também umencontro com outros detentos e a saudação aos diretores e funcionários.
Como em outras ocasiões,Francisco reiterou que não se pode conceber uma prisão sem a dimensão daesperança, da recuperação e da ressocialização:
“Aqui os hóspedes estão paraaprender, para semear esperança: não existe qualquer pena justa – justa! – semque seja aberta à esperança. Uma pena que não seja aberta à esperança não écristã, não é humana!”
O Papa falou ainda da pena demorte, que não é humana nem cristã justamente porque a condenação se insere numhorizonte de esperança.
“Água de ressurreição, olharnovo, esperança: é isso que desejo a vocês.”
Fonte: Portal Vatican News
