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O valor da espiritualidade no cotidiano

A espiritualidade no cotidiano é um tema que ganha particular atenção nos tempos atuais. Ela suscita valores essenciais bem distintos no que diz respeito à qualidade do espírito humano, que em nosso tempo, estão embaçados ou obstruídos: o amor, a compaixão, a escuta, o cuidado, a honestidade, a acolhida e a justiça. Toda a pessoa, independentemente da idade, é afetiva, racional, social, física, sensível e espiritual, e é fundamental que ela se desenvolva como uma unidade, relacionando-se consigo mesma, com os outros, com o mundo e com o transcendente. E é nessa realidade que acontece a espiritualidade no cotidiano da vida humana.

A espiritualidade, por sua vez, envolve uma realidade mais ampla, está relacionada à “qualidade do espírito humano”, com qualidade de vida. Podemos dizer que não está necessariamente vinculada a uma religião, a doutrinas ou a confissões específicas. Mas sim, diz respeito ao cultivo de uma dimensão fundamental que trata da interioridade do ser humano, envolvendo a “expansão da vitalidade” e da qualidade de vida. Um caminho que resgata uma concepção mais fecunda do ser humano, em particular, sua dimensão de profundidade, que foge aos parâmetros transmitidos pela cultura dominante, segundo Leonardo Boff.

A espiritualidade traduz um modo de ser, uma atitude essencial que acompanha o ser humano em cada passo do seu cotidiano. Ela expressa uma energia que é comum a todos, independente de crença religiosa, vislumbrando a dimensão de profundidade da própria condição humana. Não há como o ser humano fugir dela ou negá-la, pois é uma dimensão antropológica fundamental, que compõe o repertório existencial de todo o humano. A busca do transcendente como presença acolhedora e amorosa que se comunica no nosso cotidiano. “Vida de todos os dias torna-se lugar de uma grande liturgia”.

Como já foi assinalado, a espiritualidade aciona o movimento dos valores fundamentais que são irradiados no dia a dia da nossa vida. Ela é um exercício contínuo e vital.

O cultivo da espiritualidade, entendida como movimento e caminho para a experiência do real, exige da pessoa uma dinâmica particular de despojamento e interiorização. Não se trata de uma viagem tranquila, mas de uma “saída” para dentro de si mesmo. E isso exige disposição e exercício permanente. É no cotidiano que o ser humano pode reconhecer o Senhor da vida. Pode descobri-lo na família, no trabalho, no lazer, enfim, em tudo o que representa a rede de significados para a existência humana. O mistério está no meio das coisas. Esse é um grande aprendizado, essencial para quem busca adentrar-se nos caminhos da espiritualidade. Já dizia o grande místico cristão, Teilhard de Chardin, que “Deus marca sua presença nos âmbitos mais recônditos da realidade, no mais secreto, no mais consistente, no mais definitivo do mundo”.

E nada mais essencial à vida do que a “fragrância da espiritualidade”.

Ir. Zenaide Alves da Luz, SDS

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