Missa de envio JMJ : criem uma nova humanidade!

O Papa Francisco presidiu nestedomingo, 31, a Missa de Envio da 31ª Jornada Mundial da Juventude, realizada emCracóvia, na Polônia desde o último dia 25. O Papa frisou aos jovens que a JMJnão termina hoje, ela está começando agora, pois é na casa de cada jovem queJesus quer habitar todos os dias. Cerca de 1,5 milhão de pessoas participaramda celebração.
Ao chegar à localidade, oPontífice abençoou uma das duas Casas que, depois da JMJ, será dedicada àAssistência de idosos em dificuldade e pobres; a outra servirá como sede daCaritas local.
Depois de aspergir, com a águasanta, as pessoas presentes, o ambiente e a imagem de Nossa Senhora de Loreto,tomou o papamóvel e deu uma volta entre os milhares de jovens que seencontravam no “Campus Misericordiae”, muitos dos quais passaram a noite ali emoração e meditação diante do SS. Sacramento exposto sobre o altar.
A seguir dirigiu-se à sacristiapara se paramentar e dar início ao grande evento do dia: a celebraçãoEucarística conclusiva da JMJ. Concelebraram cerca de 1.200 bispos e arcebispose mais de 15 mil sacerdotes.
No início da Santa Missa, oCardeal-arcebispo de Cracóvia, Dom Stanislaw Dziwisz, fez uma saudação ao Papae numerosos presentes. Depois, ao pronunciar sua homilia, Francisco recordou,inicialmente, que o jovens se encontram em Cracóvia para encontrar Jesus, combase no Evangelho de hoje que fala do encontro, Jericó, entre Jesus e um homem,chamado Zaqueu:
“Jesus não se limita a pregar ou a saudar alguém, mas atravessa acidade. Em outras palavras, Jesus quer se aproximar da vida de cada um,percorrer o nosso caminho até ao fim, para que a sua vida e a nossa seencontrem concretamente”.
Assim dá-se o encontro tãosurpreendente com Zaqueu, o chefe dos Publicanos, isto é, dos cobradores deimpostos. Zaqueu era um rico, colaborador dos odiados romanos; era umexplorador do povo, uma pessoa que, pela sua má reputação, nem devia sequeraproximar-se do Mestre. Porém, disse o Santo Padre, este encontro com Jesusmudou a sua vida, como poderia acontecer com cada um de nós:
“Zaqueu, porém, teve que enfrentar alguns obstáculos para encontrarJesus: pelo menos três, que podem servir de exemplo também para nós: baixaestatura, vergonha paralisante, multidão murmurante”.
Começando pelo primeiroobstáculo, a sua “baixa estatura”, o Papa disse que Zaqueu não conseguia ver oMestre, porque era baixinho. Também hoje – explicou – podemos correr o risco deficar distante de Jesus, porque não nos sentimos à altura, porque temos umabaixa estima de nós mesmos. Esta é uma grande tentação, que não tem a verapenas com a autoestima, mas com a fé:
“Jesus assumiu a nossa humanidade e o seu coração nunca se afastará denós; o Espírito Santo quer habitar em nós; somos chamados à alegria eterna comDeus. Eis a nossa estatura, a nossa identidade espiritual: não aceitar-nos eviver descontentes e de modo negativo significa não reconhecer a nossaverdadeira identidade. Deus nos ama como somos e nenhum pecado, defeito ou errolhe fará mudar de ideia”.
Para Jesus, ninguém é inferior edistante, ninguém é insignificante. Pelo contrário, todos somos prediletos eimportantes! Deus conta conosco pelo que somos, não pelo que temos; ele nosaguarda com esperança, acredita em nós e nos ama! Aqui, Francisco passou aexplicar o segundo obstáculo que Zaqueu tinha para encontrar Jesus: uma“vergonha paralisante”:
“Podemos imaginar o que aconteceu no coração de Zaqueu, antes de subirao sicômoro: deve ter havido uma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa:conhecer Jesus; por outro, o risco de fazer um papelão”.
Zaqueu era um personagem público,um líder, um homem de poder e sabia que, ao subir à árvore, faria um papelridículo; ele, porém, venceu a vergonha, porque a atração por Jesus era maisforte. Ele estava pronto a tudo, porque Jesus era o único que poderia livrá-lodo pecado e da infelicidade. Quando ele o chamou, desceu imediatamente ecolocou-se em jogo. E o Pontífice exortou:
“Queridos jovens, não tenham vergonha de apresentar-lhe tudo na Confissão:fraquezas, cansaço, pecados, pois Ele os surpreenderá com o seu perdão e a suapaz. Não tenham medo de dizer-lhe ‘sim’ com todo o entusiasmo do coração, deresponder-lhe com generosidade, de segui-lo. Apostem no belo amor, que requerrenúncia ao sucesso forçado e à droga de pensar só em si e nas própriascomodidades”.
Por fim, depois da “baixaestatura” e da “vergonha paralisante”, o Santo Padre explicou terceiroobstáculo que Zaqueu teve que enfrentar: a “multidão murmurante”, que obloqueou e o criticou, dizendo que Jesus não devia entrar na casa dele, por eraum pecador. Como é difícil acolher Jesus e aceitar um Deus “rico emmisericórdia”! Mas, ele nos convida a ter coragem, a ser mais fortes que o mal.Os outros poderão rir de nós por acreditarmos na força da misericórdia. Edirigindo-se de modo particular aos jovens da JMJ, Francisco deixou seu recado:
“Não tenham medo, mas pensem nas palavras destes dias ‘Felizes osmisericordiosos, porque alcançarão misericórdia’. Vocês poderão parecersonhadores em acreditar numa humanidade nova, que rejeita o ódio entre os povose as barreiras dos países, que mantém suas tradições, sem egoísmos ouressentimentos. Não desanimem! Com seu sorriso e braços abertos transmitamesperança, pois vocês são uma bênção para a família humana”.
Em suma, enquanto a multidãocriticava e julgava Zaqueu, Jesus levantou seu olhar para ele, um olhar que vaialém dos defeitos e pecados. Assim, ele entrevê o bem futuro, não se resignaperante a obstinação, mas busca o caminho da unidade e da comunhão; Jesus nãose detém nas aparências das pessoas, mas olha seu coração. E o Papa ponderou:
“Com este olhar de Jesus, vocês podem criar uma nova humanidade, semesperar recompensa, mas buscando o bem, felizes de ter um coração puro elutando, de modo pacífico, pela honestidade e a justiça. Não sejamsuperficiais, desconfiem das aparências mundanas. Mas, tenham um coração que vêe transmite o bem, sem cessar. Contagiem o mundo com a alegria que receberamgratuitamente de Deus.
Hoje, disse por fim Francisco,Jesus nos diz com o fez com Zaqueu: “Desça depressa, pois hoje vou ficar na suacasa”. Logo, a JMJ, poderíamos dizer, começa hoje e continua em suas casas,porque é lá que Jesus vai encontrá-los, a partir de agora. O Senhor não querficar apenas nesta bela cidade ou nas belas recordações, mas agir em suasvidas: no estudo, no trabalho, nas amizades, nos afetos, nos projetos e nossonhos.
Tudo, porém, recomendou o Papa,deve realizar-se na oração, na Palavra de Deus, no Evangelho! Respondamos aJesus que nos chama por nome. Façamos memória, agradecidos, do que vimos eouvimos aqui.
Integra da homilia do Papa Francisco na Missa de envio da JMJ 2016
Queridos jovens, viestes aCracóvia para encontrar Jesus. E o Evangelho de hoje fala-nos precisamente doencontro entre Jesus e um homem, Zaqueu, em Jericó (cf. Lc 19, 1-10). Aqui,Jesus não Se limita a pregar ou a saudar alguém, mas quer – diz o Evangelista –atravessar a cidade (cf. v. 1). Por outras palavras, Jesus deseja aproximar-Seda vida de cada um, percorrer o nosso caminho até ao fim, para que a sua vida ea nossa se encontrem verdadeiramente.
E assim acontece o encontro maissurpreendente, o encontro com Zaqueu, o chefe dos «publicanos», isto é, doscobradores de impostos. Zaqueu era, pois, um rico colaborador dos odiadosocupantes romanos; era um explorador do seu povo, alguém que, pela sua máreputação, não podia sequer aproximar-se do Mestre. Mas o encontro com Jesusmuda a sua vida, como sucedeu ou pode sucede cada dia com cada um de nós.Entretanto Zaqueu teve de enfrentar alguns obstáculos para encontrar Jesus:pelo menos três, que podem dizer algo também a nós.
O primeiro é a baixa estatura:Zaqueu não conseguia ver o Mestre, porque era pequeno. Também hoje podemoscorrer o risco de ficar à distância de Jesus, porque não nos sentimos à altura,porque temos uma baixa opinião de nós mesmos. Esta é uma grande tentação, quenão tem a ver apenas com a autoestima, mas toca também a fé. Porque a fédiz-nos que somos «filhos de Deus; e, realmente, o somos» (1 Jo 3, 1): fomoscriados à sua imagem; Jesus assumiu a nossa humanidade, e o seu coração não seafastará jamais de nós; o Espírito Santo deseja habitar em nós; somos chamadosà alegria eterna com Deus. Esta é a nossa «estatura», esta é a nossa identidadeespiritual: somos os filhos amados de Deus, sempre. Compreendeis então que nãoaceitar-se, viver descontentes e pensar de modo negativo significa nãoreconhecer a nossa identidade mais verdadeira? É como voltar-se para o outrolado enquanto Deus quer pousar o seu olhar sobre mim, é querer apagar o sonhoque Ele tem para mim. Deus ama-nos assim como somos, e nenhum pecado, defeitoou erro Lhe fará mudar de ideia. Para Jesus – assim noso mostra o Evangelho –,ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante, mas todos somosprediletos e importantes: tu és importante! E Deus conta contigo por aquilo queés, não pelo que tens: a seus olhos, não vale mesmo nada a roupa que vestes ouo celular que usas; não Lhe importa se andas na moda ou não, importas-Lhe tu. Aseus olhos, tu vales; e o teu valor é inestimável.
Quando acontece na vidadiminuirmo-nos em vez de nos enobrecermos, pode ajudar-nos esta grande verdade:Deus é fiel em amar-nos, até mesmo obstinado. Ajudar-nos-á pensar que Ele nosama mais do que nos amamos nós mesmos, que crê em nós mais de quantoacreditamos nós mesmos, que sempre nos apoia como o mais irredutível dos nossosfãs. Sempre nos aguarda com esperança, mesmo quando nos fechamos nas nossastristezas e dores, remoendo continuamente as injustiças recebidas e o passado.Mas, afeiçoar-nos à tristeza, não é digno da nossa estatura espiritual. Antespelo contrário; é um vírus que infecta e bloqueia tudo, que fecha todas asportas, que impede de reiniciar a vida, de recomeçar. Deus, por seu lado, é obstinadamenteesperançoso: sempre acredita que podemos levantar-nos e não Se resigna aver-nos apagados e sem alegria. Porque somos sempre os seus filhos amados.Lembremo-nos disto, no início de cada dia. Far-nos-á bem dizê-lo na oração,todas as manhãs: «Senhor, agradeço-Vos porque me amais; fazei-me enamorar daminha vida». Não dos meus defeitos, que hão de ser corrigidos, mas da vida, queé um grande dom: é o tempo para amar e ser amado.
Zaqueu tinha um segundo obstáculono caminho do encontro com Jesus: a vergonha paralisadora. Podemos imaginar oque se passou no coração de Zaqueu antes de subir àquele sicómoro: terá havidouma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa, a de conhecer Jesus; poroutro, o risco de fazer triste figura. Zaqueu era uma figura pública; sabiaque, tentando subir à árvore, se faria ridículo aos olhos de todos: ele, umlíder, um homem de poder. Mas superou a vergonha, porque a atração de Jesus eramais forte. Tereis já experimentado o que acontece quando uma pessoa se nos tornatão fascinante que nos enamoramos: então pode suceder fazermos voluntariamentecoisas que de outro modo nunca teríamos feito. Algo semelhante aconteceu nocoração de Zaqueu, quando sentiu que Jesus era tão importante que, por Ele,estava pronto a tudo, porque Ele era o único que poderia retirá-lo das areiasmovediças do pecado e da infelicidade. E assim a vergonha que paralisa nãolevou a melhor: Zaqueu – diz o Evangelho – «correndo à frente, subiu» e depois,quando Jesus o chamou, «desceu imediatamente» (vv 4.6). Arriscou e colocou-seem jogo. Aqui está também para nós o segredo da alegria: não apagar a boacuriosidade, mas colocar-se em jogo, porque a vida não se deve fechar numagaveta. Perante Jesus, não se pode ficar sentado à espera de braços cruzados; aEle que nos dá a vida, não se pode responder com um pensamento ou com umasimples «mensagem».
Queridos jovens, não vosenvergonheis de Lhe levar tudo, especialmente as fraquezas, as fadigas e ospecados na Confissão: Ele saberá surpreender-vos com o seu perdão e a sua paz.Não tenhais medo de Lhe dizer «sim» com todo o entusiasmo do coração, de Lheresponder generosamente, de O seguir. Não vos deixeis anestesiar a alma, masapostai no amor formoso, que requer também a renúncia, e um «não» forte ao dopingdo sucesso a todo o custo e à droga de pensar só em si mesmo e nas própriascomodidades.
Depois da baixa estatura e davergonha incapacitante, houve um terceiro obstáculo que Zaqueu teve deenfrentar, não dentro de si mesmo, mas ao seu redor. É a multidão murmuradora,que primeiro o bloqueou e depois criticou-o: Jesus não devia entrar na casadele, na casa dum pecador. Como é difícil acolher verdadeiramente Jesus! Como éárduo aceitar um «Deus, rico em misericórdia» (Ef 2, 4)! Poderão obstaculizar-vos,procurando fazer-vos crer que Deus é distante, rígido e pouco sensível, bom comos bons e mau com os maus. Ao contrário, o nosso Pai «faz com que o Sol selevante sobre os bons e os maus» (Mt 5, 45) e convida-nos a uma verdadeiracoragem: ser mais fortes do que o mal amando a todos, incluindo os inimigos.Poderão rir-se de vós, porque acreditais na força mansa e humilde damisericórdia. Não tenhais medo, mas pensai nas palavras destes dias: «Felizesos misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). Poderãoconsiderar-vos sonhadores, porque acreditais numa humanidade nova, que nãoaceita o ódio entre os povos, não vê as fronteiras dos países como barreiras eguarda as suas próprias tradições, sem egoísmos nem ressentimentos. Nãodesanimeis! Com o vosso sorriso e os vossos braços abertos, pregais esperança esois uma bênção para a única família humana, que aqui tão bem representais.
Naquele dia, a multidão julgouZaqueu, mediu-o de cima a baixo; mas Jesus fez o contrário: levantou o olharpara ele (v. 5). O olhar de Jesus ultrapassa os defeitos e vê a pessoa; não sedetém no mal do passado, mas entrevê o bem no futuro; não se resigna perante osfechamentos, mas procura o caminho da unidade e da comunhão; único no meio detodos, não se detém nas aparências, mas vê o coração. Com este olhar de Jesus,vós podeis fazer crescer outra humanidade, sem esperar louvores, mas buscando obem por si mesmo, felizes por conservar o coração limpo e lutar pacificamentepela honestidade e a justiça. Não vos detenhais à superfície das coisas edesconfiai das liturgias mundanas do aparecer, da maquiagem da alma paraparecer melhor. Em vez disso, instalai bem a conexão mais estável: a de umcoração que vê e transmite o bem sem se cansar. E aquela alegria que gratuitamenterecebestes de Deus, gratuitamente dai-a (cf. Mt 10, 8), porque muitos esperampor ela e esperam de vocês.
Ouçamos, por fim, as palavras deJesus a Zaqueu, que parecem ditas de propósito para nós hoje: «Desce depressa,pois hoje tenho de ficar em tua casa» (v. 5). Jesus dirige-te o mesmo convite:«Hoje tenho de ficar em tua casa». A JMJ – poderíamos dizer – começa hoje econtinua amanhã, em casa, porque é lá que Jesus te quer encontrar a partir deagora. O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou em belasrecordações, mas deseja ir a tua casa, habitar a tua vida de cada dia: o estudoe os primeiros anos de trabalho, as amizades e os afetos, os projetos e ossonhos. Como Lhe agrada que tudo isto seja levado a Ele na oração! Como esperaque, entre todos os contatos e os chat de cada dia, esteja em primeiro lugar ofio de ouro da oração! Como deseja que a sua Palavra fale a cada uma das tuasjornadas, que o seu Evangelho se torne teu e seja o teu «navegador» nasestradas da vida!
Ao pedir para ir a tua casa,Jesus – como fez com Zaqueu – chama-te por nome. Jesus nos chama a todos pelonome. O teu nome é precioso para Ele. O nome de Zaqueu evocava, na linguagem daépoca, a recordação de Deus. Fiai-vos na recordação de Deus: a sua memória nãoé um «disco rígido» que grava e armazena todos os nossos dados, mas um coraçãoterno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos osnossos vestígios de mal. Tentemos, também nós agora, imitar a memória fiel deDeus e guardar o bem que recebemos nestes dias. Em silêncio, façamos memóriadeste encontro, guardemos a recordação da presença de Deus e da sua Palavra,reavivemos em nós a voz de Jesus que nos chama por nome. Assim rezemos emsilêncio, fazendo memória, agradecendo ao Senhor que aqui nos quis e encontrou.
Fonte: Rádio Vaticano
