Missa de abertura da JMJ 2016: Cracóvia vive do mistério da Divina Misericórdia

Com o tema “Bem-aventurados osmisericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”, o maior evento dajuventude católica começou hoje. Jovens do mundo inteiro se reúnem em Cracóvia,na Polônia, para a 31º edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). OArcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, celebrou a missa de aberturada Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na tarde desta terça-feira (26/07), noParque de Blonia situado nesta cidade polonesa.
Em sua homilia, o purpurado sedeteve no diálogo de Jesus ressuscitado com Simão Pedro às margem do Lago deTiberíades, onde Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele o ama, e diz aoapóstolo para apascentar as suas ovelhas.
“Hoje, Jesus Cristo fala-nos em Cracóvia, às margens do rio Vistola, que atravessa toda aPolônia, desde os montes até ao mar. Aexperiência de Pedro pode transformar-seem nossa experiência e dispor-nos para a reflexão”, disse o Cardeal Dziwisz.
Coloquemo-nos três perguntas eprocuremos as respostas. Antes de maisperguntemo-nos: de onde viemos até chegar a este encontro? Como segunda: ondeestamos hoje, neste momento da nossa vida? Como terceira coisa, perguntemo-nos:a partir deste momento, em que direção colocaremos o resto da nossa vida? O queé que vamos levar este lugar?
Trazemos conosco medos e desilusões, mas também as nossas recordações e esperanças, osnossos desejos de vida num mundo maishumano mais fraterno e solidário. Damo-nos conta das nossas fraquezas, masacreditamos que “tudo podemos naquele que dá força”. Podemos enfrentar os desafios do mundo de hoje, no qual o homem faz as suas escolhas entre fé e não crença, entre obem e o mal, entre o amor e o seu contrário.
“Muitos de vocês percorreram milhares de quilômetros e investiram muito na viagem, para poder estarhoje aqui. Estamos em Cracóvia que já foi capital daquela Polônia onde há qual mil e cinquenta anos chegou aluz da fé. A história da Polônia não foi fácil, mas procuramos semprepermanecer fiéis a Deus e ao Evangelho.”
“Hoje, estamos aqui, porque nosreuniu com Jesus Cristo. Ele é a luz domundo. Amanhã, chegará até nós o Pedro dos nossos tempos – o Santo PadreFrancisco. A presença do Papa nas Jornadas Mundiais da Juventude é também umabela nota característica desta festa da fé.”
O purpurado disse ainda que“Cracóvia vive do mistério da Divina Misericórdia, também graças à humilde IrmãFaustina e João Paulo II que sensibilizaram a Igreja e o mundo a esteparticular caráter de Deus. Regressando aos seus países, às suas casas ecomunidades, levem a chama da misericórdia, recordando a todos que”bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.Levem aos outros a chama de sua fé e acendam com ela outras chamas, para que oscorações humanos batam no ritmo do Coração de Jesus, que é “fonte ardentede caridade”.
“Que a chama do amor envolva todoo nosso mundo, para que nele não haja mais egoísmo, violência e injustiça, eque em nossa terra se reforcem a civilização do bem, da reconciliação, do amore da paz”, concluiu.

Segue, na íntegra, a homilia do Arcebispo de Cracóvia, CardealStanislaw Dziwisz.
Queridos jovens amigos!
Ao escutarmos o diálogo de Jesusressuscitado com Simão Pedro à margem do lago de Tiberíades, ao escutarmos a tríplicepergunta sobre o amor e a resposta que a ela se segue, vêm à nossa mente osacontecimentos da vida do pescador da Galileia, que precedem esta conversadecisiva. Sabemos que um dia ele havia deixado tudo, família, barco e redes, etinha se colocado na sequela do extraordinário Mestre de Nazaré. Tinha setornado seu discípulo. Tinha aprendido dele a olhar para as coisas de Deus edos homens. Tinha vivido a paixão e morte dele e também os momentos pessoais defraqueza e traição. E depois havia provado a maravilha e a alegria daressurreição de Jesus, que tinha se manifestado aos discípulos mais próximos,antes de subir ao céu.
Conhecemos também a passagem dodiálogo sucessivo, e precisamente do exame sobre o amor de que fala o Evangelhode hoje. Simão Pedro, fortalecido pelo Espírito Santo, tornou-se testemunhacorajosa de Jesus Cristo. Tornou-se a rocha da Igreja nascente. Por tudo isto,ele pagou com a vida na capital do Império Romano, pregado numa cruz como o seuMestre. O sangue de Pedro, uma vez derramado, tornou-se semente para a fé epara o crescimento da Igreja, que abraça toda a terra.
Hoje, Jesus Cristo fala-nos em Cracóvia, às margens do rio Vistola, que atravessa toda aPolônia, desde os montes até ao mar. Aexperiência de Pedro pode transformar-seem nossa experiência e dispor-nos para a reflexão.
Coloquemo-nos três perguntas eprocuremos as respostas. Antes de maisperguntemo-nos: donde viemos até chegar a este encontro? Como segunda: onde estamos hoje, neste momento danossa vida? Como terceira coisa, perguntemo-nos: a partir deste momento, em quedireção colocaremos o resto da nossa vida? O que é que vamos levar, deste lugar?
De onde veimos? Viemos “de todasas nações debaixo do sol” (At. 2,5), como os que chegaram em multidão a Jerusalém aglomerados no dia daDescida do Espirito Santo, mas nóssomos, sem comparação, muito mais do que naquele tempo de há dois mil anos,porque por trás de nós estão séculos eséculos de anúncio do Evangelho que chegou até aos ângulos mais longínquos daterra. Trazemos conosco a riqueza das nossas culturas, tradições e línguas. Trazemos conosco as experiências das nossas Igrejaslocais. Trazemos conosco os testemunhos de fé e de santidade das precedentesgerações e das gerações atuais dos nossos irmãos e irmãs, discípulos do Senhorressuscitado. Viemos de regiões do mundo onde a gente vive em paz, onde asfamílias são comunidades de amor e de vida e onde os jovens podem realizar osseus sonhos. Mas estão também entre nós jovens de países em que a gente sofrepor causa de conflitos e de guerras, em que as crianças morrem de fome, em que os cristãos são cruelmente perseguidos. Estão entre nós rapazesprovenientes de regiões do mundo onde existem violências e cego terrorismo,onde os governantes se rogam o direito sobre homens e sobre nações, deixando-se guiar por ideologiasloucas.
No encontro com Jesus, nestesdias, viemos com experiências pessoais de vida, segundo o Evangelho no nosso mundo complicado. Trazemosconosco medos e desilusões, mas tambémas nossas recordações e esperanças, os nossos desejos de vida num mundo mais humano mais fraterno esolidário. Damo-nos conta das nossas fraquezas, mas acreditamos que “tudopodemos naquele que dá força” (Cfr. Fl 4, 13). Podemosenfrentar os desafios do mundo de hoje,no qual o homem faz as suas escolhas entre fé e não crença, entre o bem e o mal, entre o amor e o seu contrário.
Onde estamos hoje, em que lugar e momento da nossavida? Viemos de perto e de longe. Muitos de vós percorreram milhares de quilômetros e investiram muito na viagem, para poder estar hoje aqui.Estamos em Cracóvia, que já foicapital daquela Polônia onde há mil e cinquenta anos chegou a luz da fé. A história da Polônia não foi fácil, mas procuramos semprepermanecer fiéis a Deus e ao Evangelho.
Hoje, estamos aqui porquereuniu-nos com Jesus Cristo. Ele é a luzdo mundo. Quem o segue não caminhará nas trevas (cfr. Jo 8, 12). Ele é caminho e verdade e vida (cfr. Jo 6, 68).Somente Ele, Jesus Cristo, pode satisfazer os desejos mais profundos do nosso coração. Foi Ele Quem nos conduziu até aqui. Ele está presente entre nós. Ele nos acompanha como os discípulos no caminho para Emaús. Consagremos a Ele,nestes dias, as nossas coisas, os receios e as nossas esperanças. Ele, nestesdias, vai interrogar-nos sobre o amor, como interrogou a Simão Pedro. Não nos furtemos de dar respostas aestas perguntas.
Encontrando-nos com Jesus,provamos, ao mesmo tempo, que todos juntos formamos uma grande comunidade, istoé, a Igreja que ultrapassa osconfins traçados por homens e quedividem as pessoas. Somos todos filhosde Deus, redimidos pelo sangue do seuFilho, Jesus Cristo. Experimentar a universalidade da Igreja é uma experiênciamaravilhosa ligada às Jornadas Mundiais da Juventude. De nósdepende a Sua possibilidade de chegar com o Evangelho àqueles que ainda nãoconhecem Cristo ou que não O conhecem suficientemente.
Amanhã, chegará até nós o Pedrodos nossos tempos – o Santo Padre Francisco. Depois de amanhã o saudaremosneste mesmo lugar. Nos dias sucessivos escutaremos as suas palavras e rezaremos juntamente com ele. A presença do Papa nas Jornadas Mundiais daJuventude é uma bela nota característica desta festa da fé.
E, enfim, a terceira, últimapergunta: para que coisa temos tendência, e o que queremos levar conosco daqui?O nosso encontro dura apenas alguns dias. Vai ser uma experiência intensa,espiritual, que também requer algum esforço. Depois, voltamos para as nossascasas, aos nossos entes queridos, às escolas, universidades e locais detrabalho. Talvez nestes dias faremos propósitos importantes? Talvez vamos nosimpor novos objetivos na vida? Talvez ouviremos com clareza a voz de Jesus paradeixarmos tudo e segui-Lo?
O que levaremos daqui de retornoàs nossas casas? É melhor não antecipar a resposta a esta pergunta. Masaceitemos o desafio. Partilhemos nestes dias aquilo que temos de mais precioso.Partilhamos a nossa fé, as nossas experiências, as nossas esperanças. Queridosjovens amigos, modelem nestes dias os seus pensamentos e seus corações. Escutemas catequeses que os bispos vão fazer para vocês. Escutem a voz do PapaFrancisco. Participem com emoção da santa liturgia. Experimentem o amormisericordioso do Senhor no sacramento da reconciliação. Procurai igualmentetomar conhecimento das igrejas de Cracóvia, da riqueza da cultura desta cidade,bem como da hospitalidade dos seus habitantes e das outras localidadespróximas, onde encontrarão repouso depois das fadigas do dia.
Cracóvia vive do mistério daDivina Misericórdia, também graças à humilde Irmã Faustina e graças a JoãoPaulo II, que sensibilizaram a Igreja e o mundo a este particular caráter deDeus. Regressando aos seus países, às suas casas e comunidades, levem a chamada misericórdia, recordando a todos que “bem-aventurados osmisericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5: 7). Levem aos outros a chama de sua fé e acendam comela outras chamas, para que os corações humanos batam no ritmo do Coração deJesus, que é “fonte ardente de caridade”. Que a chama do amor envolvatodo o nosso mundo, para que nele não haja mais egoísmo, violência e injustiça,mas que em nossa terra se reforcem a civilização do bem, da reconciliação, doamor e da paz.
O profeta Isaías fala-nos hojedos “pés cheios de encanto do mensageiro da boa nova” (cfr. Is 52,7). Tal mensageiro foi João Paulo II, iniciador das Jornadas Mundiais daJuventude, amigo dos jovens e das famílias. Sejam também vocês taismensageiros. Levem ao mundo a boa nova de Jesus Cristo. Testemunhem que vale apena confiar a Ele o nosso destino e que devemos fazer. Escancarem as portas deseus corações a Cristo. Anunciem com convicção, como o Apóstolo Paulo, que”nem a morte, nem a vida […], nem nenhuma outra criatura, poderáseparar-nos do amor de Deus, em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:, 38-39).
Fonte: Rádio Vaticano
