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mensagem para o Dia Mundial das Missões

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O Vaticano divulgou neste domingo, 15, a mensagem para o DiaMundial das Missões 2016, que será celebrado no dia 20 de outubro. O texto temcomo tema “Igreja missionária, testemunha de misericórdia”.

 

“Neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidadosa «sair», como discípulos missionários, pondo cada um a render os seustalentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar amensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira”, dizFrancisco na mensagem. Confira a íntegra do texto:

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

 

PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2016

 

 Tema: Igrejamissionária, testemunha de misericórdia

 

 

 

“Queridos irmãos e irmãs!

 

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja estáa viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra demisericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial dasMissões, todos somos convidados a «sair», como discípulos missionários, pondocada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria eexperiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à famíliahumana inteira. Em virtude do mandato missionário, a Igreja tem a peito quantosnão conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem aexperimentar o amor do Senhor. Ela «tem a missão de anunciar a misericórdia deDeus, coração pulsante do Evangelho» (Bula Misericordiae Vultus, 12), eanunciá-la em todos os cantos da terra, até alcançar toda a mulher, homem,idoso, jovem e criança.

 

A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempreque encontra cada criatura humana; desde o princípio, Ele dirige-Seamorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque a sua grandeza e podermanifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os mais pequenos, osdescartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deusbenigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar pertode todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, talcomo fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É aoventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizermisericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que elaamará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são frutodo seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todosos seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar eeducar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se eestremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos,o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas ascriaturas (cf. Sal 144, 8-9).

 

A misericórdia encontra a sua manifestação mais alta eperfeita no Verbo encarnado. Ele revela o rosto do Pai, rico em misericórdia:«não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, massobretudo Ele próprio a encarna e a personifica» (JOÃO PAULO II, Enc. Dives inmisericordia, 2). Aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dosSacramentos, com a ação do Espírito Santo, podemos tornar-nos misericordiososcomo o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo danossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade (cf. Bula MisericordiaeVultus, 3). A primeira comunidade que, no meio da humanidade, vive amisericórdia de Cristo é a Igreja: sempre sente sobre si o olhar d’Ele que aescolhe com amor misericordioso e, deste amor, ela deduz o estilo do seumandato, vive dele e dá-o a conhecer aos povos num diálogo respeitoso por cadacultura e convicção religiosa.

 

Como nos primeiros tempos da experiência eclesial, há tantoshomens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amorde misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável ecrescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presençamasculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosasfamílias –, realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desdeo anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. Ao lado da obra evangelizadorae sacramental dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias queentendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabemenfrentá-los de modo oportuno e por vezes inédito: cuidando da vida, com umaacrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendovaler todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia,relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tantono setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social ecultural e, de modo particular, no cuidado dos pobres.

 

Em muitos lugares, a evangelização parte da atividadeeducativa, à qual o trabalho missionário dedica esforço e tempo, como ovinhateiro misericordioso do Evangelho (cf. Lc 13, 7-9; Jo 15, 1), compaciência para esperar os frutos depois de anos de lenta formação; geram-seassim pessoas capazes de evangelizar e fazer chegar o Evangelho onde ninguémesperaria vê-lo realizado. A Igreja pode ser definida «mãe», mesmo para aquelesque poderão um dia chegar à fé em Cristo. Espero, pois, que o povo santo deDeus exerça o serviço materno da misericórdia, que tanto ajuda os povos queainda não conhecem o Senhor a encontrá-Lo e a amá-Lo. Com efeito a fé é dom deDeus, e não fruto de proselitismo; mas cresce graças à fé e à caridade dosevangelizadores, que são testemunhas de Cristo. Quando os discípulos de Jesuspercorrem as estradas do mundo, é-lhes pedido aquele amor sem medida que tendea aplicar a todos a mesma medida do Senhor; anunciamos o dom mais belo e maiorque Ele nos ofereceu: a sua vida e o seu amor.

 

Cada povo e cultura tem direito de receber a mensagem desalvação, que é dom de Deus para todos. E a necessidade dela redobra aoconsiderarmos quantas injustiças, guerras, crises humanitárias aguardam, hoje,por uma solução. Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho doperdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz. Omandato do Evangelho – «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-osem nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudoquanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20) – não terminou, antes pelo contrárioimpele-nos a todos, nos cenários presentes e desafios atuais, a sentir-noschamados para uma renovada «saída» missionária, como indiquei na ExortaçãoApostólica Evangelii gaudium: «cada cristão e cada comunidade há de discernirqual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitaresta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas asperiferias que precisam da luz do Evangelho» (n. 20).

 

Precisamente neste Ano Jubilar, celebra o seu nonagésimoaniversário o Dia Mundial das Missões, promovido pela Pontifícia Obra daPropagação da Fé e aprovado pelo Papa Pio XI em 1926. Por isso, considerooportuno recordar as sábias indicações dos meus Predecessores, estabelecendoque fossem destinadas a esta Opera todas as ofertas que cada diocese, paróquia,comunidade religiosa, associação e movimento, de todo o mundo, pudessemrecolher para socorrer as comunidades cristãs necessitadas de ajuda e revigoraro anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra. Também nos nossosdias, não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; nãorestrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas alarguemo-loaos horizontes da humanidade inteira.

 

Santa Maria, ícone sublime da humanidade redimida, modelomissionário para a Igreja, ensine a todos, homens, mulheres e famílias, a gerare guardar por todo o lado a presença viva e misteriosa do Senhor Ressuscitado,que renova e enche de jubilosa misericórdia as relações entre as pessoas, asculturas e os povos”.

 

 

 

Vaticano, 15 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2016.

Fonte: CNBB

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