Live Orante do Tema do XXV Capítulo Provincial
O QUE VIMOS, OUVIMOS, EXPERIMENTAMOS VOS ANUNCIAMOS (cf 1 Jo 1,1-4)
Na manhã desta quarta-feira, 13 de julho, Irmãs, formandas e lideranças leigas participaram da live orante sobre o tema que ilumina o processo e o XXV Capítulo Provincial, tendo como assessor Irmão Henrique Peregrino da Trindade. Neste encontro, Henrique nos ajudou a rezar a partir de sua partilha e experiência espiritual/apostólica de peregrinar e conviver com pessoas em situação de rua, no acolhimento e no mesmo despojamento e pobreza em que vivem estas pessoas.
O Peregrino da Trindade iniciou a sua fala evidenciando os dois elementos que formam o núcleo do Carisma Salvatoriano: conhecer e anunciar. O “conhecer” não como uma tarefa intelectual como concebemos no ocidente, mas de uma experiência pessoal de saborear o amor de Deus. O verbo conhecer na Bíblia equivale a amar! Pois, só podemos “anunciar” Jesus, quando vivemos uma profunda intimidade com Ele. Dessa forma, é que podemos anunciar o que vimos, ouvimos e experimentamos.
Nesses 30 anos de peregrinação pelos caminhos do Brasil, e nos 20 anos em que acolhe as pessoas em situação de rua na Igreja da Trindade, na Cidade Baixa de Salvador/BA, Henrique que é natural da França, fundou a Comunidade Trindade nesta igreja que se encontrava abandonada e deteriorada. Ele testemunhou que a Igreja é o lugar do acolhimento do peregrino e o Altar do Senhor é o abrigo do peregrino, ou seja, uma Igreja sem chave e sempre aberta para acolher os pobres, excluídos, invisíveis e descartados da sociedade que tem a rua e as praças como sua morada.
No seu testemunho, Henrique nos falou da experiência mística de algumas pessoas em situação de rua ao serem acolhidas na Igreja da Trindade. Acolher Maria, Paulo, Joana é permitir que experimentem o colo da Trindade, numa Igreja aberta que ajuda as pessoas a renascer e a viver uma verdadeira experiência da ternura da Trindade. Nesta igreja, três velas ficam permanentemente acesas diante do ícone da Trindade e elas sinalizam para essa presença de um Deus próximo e misericordioso com os abandonados.
Ele partilhou sobre como a Comunidade da Trindade celebra com o povo da rua, as festas cristãs como o Natal, a Páscoa, a transfiguração e outras, embaixo do “Viaduto de Jesus” na Cidade Baixa. São festas de luz, onde se acende a fogueira para significar que Deus habita como Luz nas trevas da humanidade dos povos de rua, migrantes, vítimas da prostituição, da dependência química… Lembrou também que o Papa Francisco, ao proclamar o Dia do Pobres enfatiza que “todo ser humano é um ser de luz”, que é preciso romper nossos preconceitos, para que a nossa luz possa brilhar na escuridão de quem vive nas trevas.
Entre outras experiências concretas em que sentiu a presença da Trindade confirmando a sua missão, o Ir. Henrique nos deu a conhecer as três dimensões que fundamentam a espiritualidade e missão da Comunidade da Trindade: 1. Caminho: é lugar de vida, é meio de vida, pois ele leva ao outro, ao Santuário onde habita Deus. Mas é também espaço onde Deus está e se revela, pois Jesus escolheu as estradas e nelas Ele encontra as pessoas, cura, ensina. O caminho é onde vive o peregrino, despojado e sem rumo. 2. Com o Povo da Rua, pois é onde se encontra o povo, passa-se a noite com eles e elas. A Comunidade da Trindade se identifica com esta gente que é peregrina, treicheiros, imigrantes e na Igreja da Trindade acolhe e partilha a vida com eles. 3. Eremitério. O eremita caminha e enqunato caminha mergulha no sofrimento da humanidade. O eremita caminha em silêncio, sozinho e orar pela humanidade sofrida. Do caminho para o eremitério, do eremitério para o caminho, esse é o trajeto.
O despojamento é próprio do peregrino, pois Jesus é seu modelo. Ele realizou a Kénosis que quer dizer esvaziamento, depojamento. Portanto no caminho, não se leva dinheiro e nem alimento, mas se confia na ternura da Trindade. Jesus que se despojou pôde contar as parábolas como a do Samaritano, pôde curar os doentes, levantar os caídos, isso porque abriu mão de tudo e se compadeceu e comungou com todos os sofridos. O despojamento abre portas. A riqueza, a preocupação com as posses, não abrem nada, antes, fecham portas, erguem muros. Portanto, configurar-se com Cristo, isto é, assumir em si a mesma figura do Cristo é deixar a Divina Ruah (um nome mais feminino para definir a ação do Espírito) que nos dê a graça de fazer a experiência do Deus Peregrino, conforme narra a Bíblia em muitas situações como em Gn 12 quando chama Abraão a sair de sua terra; Gn 18 quando aparece em forma de três homens no Carvalho de Mambré.
Por fim, Henrique rezou por nós, para que a Divina Ruah nos ajude a mais amar, pois não existe pregação melhor do que a própria vida que acolhe os pequenos.
A live foi permeada de momentos de cantos, poemas e orações.
“A verdadeira humildade é a chave para abrires os tesouros do céu.”
Bem-aventurado Francisco Jordan
