Julgar Bíblico-Teológico marca terceiro dia do Intereclesial

“Não somos neutros! Somos CEBs, uma opção de classe, e não simplesmente‘comunidades’!”
Depois do “Ver”, da análise deconjuntura, o trem das CEBS entrou para seu terceiro dia de Intereclesial com o“Julgar”. As falas ficaram por conta de Tea Frigério, assessora da ampliadanacional, e Manoel Godoy, professor de teologia na Faculdade Jesuíta deFilosofia e Teologia (FAJE).
Entender a cidade para mudar sua lógica
A palavra é a luz que direcionouTea Frigério no julgar da realidade. Palavra que, segundo ela, alimenta aresistência e fortalece a espiritualidade das CEBs. “O texto bíblico inspiradordo 14º Intereclesial ‘Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci paralibertá-lo’ ( Ex 3,7), é a nascente onde o povo de Deus vai bebendo.”

Para Tea, os profetas JesusCristo e Paulo voltaram seus olhares para essa fonte. Ela faz recordar aaliança e o sonho de ser uma sociedade do “bem viver”, trazendo para os nossosdias. Jesus Cristo é a visita de Deus ao seu povo. Ele viu, ouviu, conheceu deperto o grito da viúva, do órfão, do doente e do estrangeiro. Inseriu-se nacaminhada do povo, do excluído e marginalizado.
Paulo, diz Tea, dá continuidade àmissão de Jesus a partir do seu olhar para a cidade. É no mundo greco-romanoque ele encarna a boa notícia de Jesus. “Paulo aprende com as mulheres quetrabalhando se evangeliza e que se evangeliza trabalhando.” Ele tem consciênciaque, para evangelizar, tem que escutar os gritos da cidade. Somente pisando nochão da cidade e entendendo sua lógica é possível formar comunidade.
“É na casa, a exemplo de Jesus, que se dá a missão evangelizadora dePaulo. Ele sai do traçado, sendo capaz de ir para além do templo. É na casa, naperspectiva de Paulo, que nasce a comunidade. Comunidade que, a partir davivência da palavra, não se conforma com as coisas do mundo. A missão dacomunidade é transformar o mundo.”
Como CEBs, somos capazes de fazeras mudanças que Paulo fez? Somos capazes de sair do traçado que nos dá confortoe segurança? Sair dos templos para assumir novas lógicas de relações? Fazer comque a vida seja o centro? Essas foram as provocações feitas pela assessora.
Ser uma Igreja em saída é sair para ser Igreja
A reflexão de Manoel Godoy emtorno da missão do cristão e da cristã no mundo urbano começou e terminou tendocomo referência declarações do papa Francisco. A “Igreja em saída” deve sairpara além dos limites de cada comunidade. Só assim se pode atuar e transformara cidade e o mundo inteiro.

“Uma das coisas fundamentais, que precisamos compreender, é que acidade possui, apesar de esconder, uma racionalidade. Para se desvelar a lógicada cidade é necessário percebê-la a partir de uma visão de classe. Tudo nacidade sofre com o crivo da luta das classes sociais. Não somos neutros! SomosCEBs, uma opção de classe, e não simplesmente ‘comunidades’”.
Apesar da questão urbana estar nocentro das discussões, o assessor não esqueceu de lembrar que existem mais de30 milhões de brasileiros e brasileiras vivendo em áreas rurais.
Entre os desafios postos para amissão transformadora cristã na atualidade, Manoel Godoy citou sete tentaçõesenfrentadas cotidianamente e as correspondentes dicas de Francisco parasuperá-las:
1- Perda do entusiasmo. “Estamosnos transformando em funcionários da instituição (…) Não deixeis que nos roubemo entusiasmo missionário.”
2 – A tristeza e o azedumecristão. “Temos que ser críticos, mas não azedos. (…) Não deixeis que nosroubem a alegria da evangelização.”
3 – Pessimismo estéril. “Nãodeixeis que nos roubem a esperança.”
4 – Isolamento e encarceramentoem si mesmo. “Não deixeis que nos roubem a comunidade.”
5 – Mundanismo espiritual da“Igreja show”. “Não deixeis que nos roubem o evangelho.”
6 – Inveja e divisões dentro dosirmãos. “Não deixeis que nos roubem o ideal do amor fraterno.”
7 – Esquecimento da forçamissionária dos leigos e das leigas, das mulheres e da juventude. “Não deixeisque nos roubem a força missionária.”
E concluiu com uma declaração doPapa feita para movimentos populares dos cinco continentes:
“Quero unir minha voz à sua. Sua luta faz bem a todos nós. É como umabenção de humanidade.”
Por Julio Ferreira, Thales Emmanuel e Emanuel Ramos
Fonte: CEBs do Brasil
