FRIO ELEVA RISCO DE COMPLICAÇÕES
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No inverno, muito se fala em aumento da incidência de gripe, resfriado e outros males que afetam o pulmão, mas há outro órgão que merece atenção em época de baixas temperaturas: o coração. O inverno está associado ao aumento dos casos de doenças cardíacas e da mortalidade cardiovascular, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Estudos apontam que a cada queda de 10°C na temperatura, há aumento da incidência de complicações cardíacas em torno de 30% a 40%. A mortalidade por infarto agudo do miocárdio é 30% maior nos meses mais frios, chegando a crescer 44% entre as pessoas com mais de 75 anos, segundo pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
O médico Cláudio Tinoco esclarece que diferentes fatores contribuem para a elevação do risco cardíaco na estação mais fria do ano. O primeiro é o aumento das infecções respiratórias, comuns nesta época. Segundo o cardiologista, gripes e resfriados provocam uma sobrecarga no sistema circulatório. “O coração tem que trabalhar mais, bombear mais sangue para atender às necessidades. Além disso, a infecção agride os vasos na sua superfície de recobrimento mais interno, chamada endotélio, e este fica mais vulnerável a processos de trombose, seja o acidente vascular cerebral (AVC), o infarto do miocárdio ou ataque cardíaco”, diz o médico.
O frio ainda provoca vasoconstrição, ou seja, os vasos sanguíneos ficam contraídos para impedir a perda de calor. “Os vasos contraem e priorizam manter o sangue circulando na parte central do corpo, onde estão os órgãos vitais, para que não haja perda de calor; por isso, é comum as mãos e a ponta do nariz das pessoas ficarem geladas no inverno”, observa Tinoco. “Mas essa vasoconstrição também leva ao aumento da pressão arterial e da frequência e intensidade das contrações cardíacas, sobrecarregando ainda mais o coração e o aparelho circulatório”, afirma.
Outro problema citado pelo médico é que as pessoas tendem fazer uma alimentação mais “pesada” no inverno. A soma de todos esses fatores acaba aumentando o risco das arritmias, do infarto e outras complicações cardíacas.
Prevenção – Para prevenir os problemas, o mais importante é seguir as orientações médicas durante todo o ano, realizando os exames regulares e mantendo o controle da pressão arterial, glicose, taxa de colesterol, controlando o peso, entre outros fatores de risco. A atividade física deve ser mantida, mas o médico Claudio Tinoco alerta para evitar se expor desnecessariamente ao frio, sem proteção, em atividades ao ar livre, especialmente aqueles que já têm problemas cardíacos.
Outra recomendação, direcionada principalmente à população mais idosa, acima de 70 anos, é a vacinação contra a gripe no período que antecede o inverno. Tinoco alertou que a campanha de vacinação do governo teve uma adesão baixa este ano, e lembrou que a vacina protege não só das infecções respiratórias, como das complicações, das quais a mais temida é a pneumonia. “Prevenindo as infecções respiratórias, preserva-se também o coração”.
Fonte: www.correioriograndense.com.br/
