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Festa de Cristo Rei abre o Ano Nacional do Laicato

No último domingo do anolitúrgico, dia 26/11, data em que se comemora a Festa de Cristo Rei, a Igrejano Brasil dá abertura em todo território nacional ao Ano Nacional do Laicato,que se estende até 25 de novembro do próximo ano.

O tema escolhido para animar amística do Ano do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igrejaem saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt5,13-14. Segundo o Bispo de Caçador (SC), Dom Severino Clasen, presidente daComissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, já era um desejo da comissãodar novo impulso, incentivo e estímulo a temática.

“Sabemos que há uma grandesatisfação do laicato no serviço com a Igreja, sobretudo na sua intervenção eno seu testemunho dentro da sociedade. Muitas vezes eles são esquecidos oupouco valorizados”, diz o Bispo.

Para tal, o Ano do Laicato vaidesenvolver diversas atividades para criar consciência do papel do leigo naIgreja. Por exemplo, serão publicados livros que refletirão sobre os leigos.Essas publicações devem criar consciência do papel deles na Igreja, acontecerãoseminários regionais e nacionais para despertar e motivar a participação,haverá a visita da Imagem da Sagrada Família, encontros e reflexões em todo opaís. “É um momento oportuno para uma reflexão e desperta a consciência de queo cristão não é cristão só dentro da Igreja”, aponta. Outro momento forteocorrerá de 23 a 27 de janeiro, o intereclesial, que refletirá sobre pastoralurbana, falando da reflexão e o cuidado com a vida.

O Ano do Laicato terá como objetivogeral: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização doscristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação,espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

Pretende ainda: Dinamizar oestudo e a prática do documento 105: ‘Cristãos leigos e leigas na Igreja e naSociedade’ e demais documentos do Magistério, em especial do Papa Francisco,sobre o Laicato; e estimular a presença e a atuação dos cristãos leigos eleigas, ‘verdadeiros sujeitos eclesiais’ (DAp, n. 497a), como “sal, luz efermento” na Igreja e na Sociedade.

O papel do Leigo na Igreja e na Sociedade



Dentro da comunidade eclesial osleigos são chamados a cumprir tarefas, como também os ordenados e consagrados.Cada um com sua missão, com direito de agir, testemunhar e animar a sociedade ea Igreja. Os diversos ministérios apontam o horizonte onde o leigo deve agir,seja na formação, nos serviços básicos da comunidade de fé, animando aliturgia, a catequese e os serviços eclesiais, círculos bíblicos, grupos dereflexão e outros, bem como o testemunho no serviço aos mais necessitados ecarentes.

Para Dom Severino Clasen, o papeldos leigos na Igreja é ser testemunho do Cristo ressuscitado onde moram, viveme trabalham. Através do batismo, os leigos tornam-se membros efetivos no corpoda Igreja, onde Cristo é a cabeça. “É dever de cada batizado conhecer JesusCristo, viver seus sentimentos de amor e ajudar os mais necessitados a seremfelizes e a todos se santificarem para a glória de Deus”, diz o bispo.

Ele afirma que os leigos carregammais que um mero papel, pois se trata de algo maior: uma missão.

De acordo com Dom Severino, essagrande missão dos leigos é colaborar na criação do mundo, aumentando a espéciehumana feita à imagem e semelhança de Deus. É criar relações justas para quecada criatura possa viver com dignidade e justiça. Além disso, conhecer JesusCristo e segui-lo na fidelidade, na caridade, servindo aos semelhantes ecolaborando com o desenvolvimento da sociedade. “Todo cristão batizado se tornafilho da Igreja. A Igreja como mãe tem a missão de acolher os leigos e leigaspara conhecer melhor as estruturas da sociedade. O cristão leigo, membro daIgreja, vive em profundidade os ensinamentos da doutrina da Igreja e criacondições para que o mundo seja o espaço agradável para se viver”, explica.

Dentro desse contexto, entende-seque a missão do leigo é desenvolver relações saudáveis na sociedade, napolítica, na economia, na cultura, na educação e na saúde para proteger adignidade humana.

Também pode-se dizer que serleigo é ter uma vocação, ou seja, a vocação específica do leigo é ser cristão.É ser santo. É chamado a seguir Jesus Cristo na família, na Igreja e nasociedade através de uma profissão. “A profissão do leigo revela o seu modo deagir no mundo na busca da santidade.”

Na avaliação de Severino tambémhá uma missão fora da Igreja, pois a grande missão do leigo está na sociedade,onde vive e busca seu sustento. “Concentrou-se demais nas funções dentro daIgreja e esqueceu-se da sociedade, lugar onde ele vive e trabalha. Por isso,tanta injustiça, tanta corrupção e tanta miséria. É porque os leigos não estãoassumindo sua missão na sociedade, na política e na transformação do ambienteonde vivem. Seguir Jesus Cristo é dar condições a todo ser humano para que vivaa dignidade de filhos de Deus. Eis a grande missão dos leigos criar condiçõespara a proteção do próprio ser humano também fora da Igreja”, indica.

Uma missão revalorizada após o Concílio Vaticano II



Há quem diga que os leigos, apóso Concílio Vaticano II, já não ficam mais em segundo plano, em comparação comreligiosos, sacerdotes, bispos etc. Mas na avaliação de Dom Severino, odistanciamento entre o clero e o leigo ainda não está superado. “É precisoentender que o essencial é ser cristão, seja leigo, religioso, sacerdote oubispo. Existem funções diferentes, distintas, mas a dignidade é a mesma paratodos”, ressalta.

Apesar disso, após o últimoConcílio, os leigos tiveram sua missão consideravelmente revalorizada, masainda não compreendida o suficientemente. “Existe ainda em muitos lugares umamentalidade clericalista na cabeça da hierarquia e dos leigos, isso deve sersuperado”, opina o bispo.

Dom Clasen conta que após aAssembleia Geral da CNBB de 2014, a intenção é contar com todos para aprofundara missão dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. “Vamos quebrarparadigmas e somar forças para encurtar distâncias entre leigos e hierarquia.Juntos compreenderemos que todo o batizado se torna filho da Igreja. A Igreja émãe, tem a missão de acolher a todos como filhos é o que diz o Papa Francisco.Busquemos assumir a nossa missão como filhos e juntos construamos uma Igrejasanta, agradável, acolhedora e um mundo justo, fraterno e digno de se morar eviver para a glória de Deus.”

Dom Severino sugere que osgrandes documentos da Igreja são importantíssimos, que se complementam, sãomomentos e ofertas de reflexão. “Eu acredito que devemos ter um olhar maiorpara todos os documentos, para que os leigos tenham acesso, porque estes documentosda Igreja são para todos os batizados. Que os cristãos leigos tenham a alegriade ajudar a propagar o Ano do Laicato, que todas sejam abençoados na sua vidafamiliar e profissional, que tenhamos um mundo favorável para todos”, finaliza.

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