COP30: E, se Francisco Jordan estivesse em Belém do Pará?

Em novembro de 2025, os olhos do mundo se voltarão para Belém do Pará, onde acontecerá a COP30 — a conferência da ONU sobre as mudanças climáticas. Líderes, cientistas, povos originários e movimentos sociais estarão ali. Mas e se, entre tantos, estivesse também Francisco Maria da Cruz Jordan, Fundador da Família Salvatoriana?
Movido pela urgência do Evangelho, Jordan intuía que a fé verdadeira se encarna nas dores do tempo. Fundador de uma missão sem fronteiras, participou de congressos, formou redes e compreendia que evangelizar é também comunicar e articular. Se estivesse entre nós, circularia pelos espaços da COP30 e sua mística o conduziria a estar entre as tendas dos esquecidos, nos fóruns alternativos, entre militantes anônimos, cientistas sensíveis e profetas da esperança.
O Bem-Aventurado Francisco Jordan talvez não buscaria, preferencialmente, os palcos oficiais, nem os espaços de discursos diplomáticos da COP30, mas os espaços de escuta: Jordan caminharia pelas margens dos rios, escutando os clamores dos povos originários, os gritos da floresta, das árvores tombadas, das águas contaminadas, dos jovens sem horizonte. Reconheceria ali a urgência de uma missão integral, como sempre sonhou: salvar todos, por todos os modos e meios, com todas as forças possíveis, estaria totalmente comprometido com as propostas das Encíclicas Laudato Si, Fratelli Tutti e Laudate Deum.
Jordan foi também um visionário da comunicação. Na virada do século XIX para o XX, quando o acesso à informação era restrito, criou uma tipografia própria em Roma e sonhava com jornais, folhetos e redes missionárias. Hoje, com celular na mão e coração inflamado pelo Evangelho e pela ecologia integral, estaria nos rios e nas redes — digitais e humanas — conectando, denunciando a destruição e anunciando uma esperança ativa.
Sua mensagem seguiria a mesma que ecoa de seus escritos: “Tudo para a maior glória de Deus e a salvação do mundo inteiro.” Uma salvação que hoje passa pelo cuidado da casa comum, pela conversão do estilo de vida e por uma fé que não se acomoda, mas se levanta e caminha com os que lutam.
A COP30 é mais que um evento político. É um apelo espiritual, um grito da criação. Jordan, em Belém, não se calaria. E nós também não podemos nos calar.
Ir. Sandra Regina Alves de Souza – Feira de Santana/BA
