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CNBB: 70 anos de comunhão, participação e missão em nossa Igreja

Na Igreja Católica, as conferências episcopais apareceram como uma maneira de tornar mais direta e atualizada a comunhão dos bispos entre si e com o Papa. Desta forma, a Igreja no País, junto com outras nações como França, Estados Unidos e Alemanha, criou sua conferência.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nasceu em 14 de outubro de 1952 para ser uma expressão forte do empenho em entregar ao episcopado uma maior oportunidade de pensamentos e ações.

O pioneirismo da Igreja no Brasil foi tanto que, apenas dez anos depois, no Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965, foi obrigada a criação das instituições para todas as nações.

“A CNBB, neste contexto de seu aniversário de 70 anos, é desafiada a ser marcadamente a expressão da comunhão e da colegialidade entre os pastores, em comunhão com o Papa Francisco, a serviço de uma Igreja Sinodal, diz Dom Walmor Oliveira De Azevedo, atual presidente da entidade.

Dom Helder, apóstolo da Conferência

O surgimento da CNBB é fruto do trabalho árduo do então Monsenhor Helder Câmara (depois bispo-auxiliar do Rio de Janeiro e, a partir de 1964, arcebispo de Olinda e Recife) que, a partir da condução dinâmica em seu ministério, juntamente dos muitos contatos com a Santa Sé, tornou concreto esse ideal.

“Estava madura a ideia da CNBB. Em um país de dimensões continentais, impunha-se um secretariado que ajudasse os bispos a equacionar com segurança os problemas locais, regionais e nacionais, em face dos quais a Igreja não pode ser indiferente”.

Além de Dom Helder, a criação da entidade teve as sugestões do Monsenhor Giovanni Battista Montini (que depois se tornaria o Papa Paulo VI). Montini era substituto na Secretaria de Estado e imediato colaborador do Papa Pio XII, que aprovou a criação da Conferência Nacional.

Dom Helder foi secretário-geral da entidade em duas oportunidades: ele foi o primeiro, de 14 de outubro de 1952 até 10 de julho de 1958. Na quarta assembleia ordinária da Conferência, houve a reeleição para o cargo, que ocupou até o dia 27 de outubro de 1964.

Por ocasião dos 25 anos da CNBB, Dom Helder escreveu um depoimento que foi publicado no jornal O São Paulo.

A fundação

Em 5 de maio de 1952, Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta escreveram carta a todos os bispos, expondo o projeto de fundação da Conferência, solicitando o seu parecer, além da proposta do primeiro Regulamento.

Assim, convocaram os arcebispos metropolitanos para a assembleia de fundação, que aconteceu de 14 a 17 de outubro daquele ano.Arquidiocese de Goiania


Arquidiocese de Goiania

A reunião de instalação da CNBB foi realizada no palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro (RJ), onde ocorreu também a eleição da comissão permanente encarregada de dirigir a entidade, constituída por Dom Alfredo Scherer, Dom Mário de Miranda Vilas Boas e Dom Antônio Morais de Almeida Júnior.

Dom Helder Câmara, idealizador da Conferência, foi designado Secretário-Geral, e o Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, então Arcebispo de São Paulo, foi eleito o primeiro presidente da Entidade, função que exerceu por dois mandatos.

Estrutura

A CNBB possui um presidente, dois vices-presidentes e um secretário-geral, eleitos pela assembleia geral, conforme seu Estatuto Canônico.

Atualmente, a Conferência é presidida por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG); tendo como vices-presidentes: Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS), e Dom Mário Antonio Silva, Bispo de Roraima, e como secretário-geral, Dom Joel Portella Amado, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro.

Os mandatos da CNBB têm duração de quatro anos, podendo haver dois mandatos consecutivos.

De acordo com seu Estatuto, também constituem a CNBB um Conselho Permanente, um Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) e para colaborar na animação pastoral das dioceses, mais 12 comissões episcopais pastorais e uma comissão especial, que visam o estudo e a manutenção das atividades teológico-pastorais.

No Brasil, são vinculados à CNBB o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), o Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP), a Cáritas Brasileira, a Organização dos Seminários e Institutos Filosóficos-Teológicos do Brasil (OSIB), e diversas pastorais.

Como o Brasil é um país continental em seu território, a Conferência é agrupada em 18 regionais: Norte 1, Norte 2, Norte 3, Noroeste, Nordeste 1, Nordeste 2, Nordeste 3, Nordeste 4, Nordeste 5, Centro-Oeste, Leste 1, Leste 2, Oeste 1, Oeste 2, Sul 1, Sul 2, Sul 3 e Sul 4.

Atribuições

São diversos pontos onde a CNBB realiza suas ações, entre os principais:

  • Sólida comunhão entre os Bispos que a compõem, na riqueza de seu número e diversidade, e promover sempre a maior participação deles na Conferência;
  • Estudar assuntos de interesse comum, estimulando a ação concorde e a solidariedade entre os Pastores e entre suas Igrejas;
  • Favorecer e articular as relações entre as Igrejas particulares do Brasil e a Santa Sé;
  • Relacionar-se com as outras Conferências Episcopais, particularmente com o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM);
  • Serem consultadas pela Santa Sé para a alteração ou criação de dioceses. Dialogar com a Conferência dos Religiosos do Brasil;
  • Traduzir e revisar textos litúrgicos, bem como elaborar rituais adaptados para circunstâncias pastorais locais.

Missão

Respeitada a competência e a responsabilidade inalienáveis de cada membro, em relação à Igreja universal e à sua Igreja particular, cabe à CNBB, como expressão peculiar do afeto colegial:

– Fomentar uma sólida comunhão entre os Bispos que a compõem, na riqueza de seu número e diversidade, e promover sempre a maior participação deles na Conferência;

– Concretizar e aprofundar o afeto colegial, facilitando o relacionamento de seus membros, o conhecimento e a confiança recíprocos, o intercâmbio de opiniões e experiências, a superação das divergências, a aceitação e a integração das diferenças, contribuindo assim eficazmente para a unidade eclesial;

– Estudar assuntos de interesse comum, estimulando a ação concorde e a solidariedade entre os Pastores e entre suas Igrejas.

Episcopado Brasileiro

A Igreja no Brasil possui, atualmente, 318 bispos na ativa e 161 eméritos, totalizando 479 bispos. São membros da CNBB, a partir da posse no ofício e enquanto ocupam: bispos diocesanos, bispos auxiliares, bispos titulares e prelados das Igrejas orientais católicas.

Circunscrições eclesiásticas

A Igreja no Brasil possui 278 circunscrições eclesiásticas, ou seja, territórios ou “Igrejas Particulares” confiadas aos cuidados de um bispo. A circunscrição eclesiástica pode ser uma prelazia, uma diocese, arquidiocese, eparquia ou exarcado para fiéis de ritos específicos e também circunscrições que não têm uma limitação territorial, como a administração apostólica pessoal.

De acordo com as informações sistematizadas pela Secretaria Técnica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as circunscrições eclesiásticas estão divididas assim: 217 são dioceses, 45 arquidioceses, 8 prelazias, 3 eparquias, 1 exarcado, 1 rito próprio, 1 ordinariado militar, 1 administração apostólica pessoal e 1 arquieparquia. Cada uma delas conta com um bispo eleito pelo Papa para administrar o governo pastoral.

Fonte: A12 e CNBB

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