CATÉTER PARA OS NOSSO CORAÇÕES
Os avanços extraordinários da medicina permitiram a concretização do sonho humano da sobrevida. Todos queremos viver mais e melhor. O que antes parecia impossível, hoje torna-se realidade. Em questão de minutos, médicos salvam inúmeras vidas com inteligência e tecnologia.
Eu, que não sou da área da saúde, em uma rápida pesquisa e conversa com amigos entendedores do assunto, fiquei impressionado com o milagre do cateterismo cardíaco ou, conhecido com outro nome, angiografia coronária. Dentre os objetivos desse procedimento encontram-se: avaliar se as artérias coronárias, que irrigam a musculatura do coração estão entupidas ou não, desobstruir artérias e válvulas, devido ao acúmulo de placas de gordura e verificar a existência de alterações na anatomia do coração não confirmadas por outros exames, dentre outros.
O milagre da inteligência humana aliado ao desejo de viver com qualidade tem permitido a muitos recobrarem a esperança e a certeza de contar com os que amam por mais tempo. Precisamos sentir-nos muito gratos aos profissionais da saúde e aos pesquisadores, que tanto bem promovem com o seu saber e sua determinação.
Analogamente ao procedimento do cateterismo chamo a atenção para que consideremos a possibilidade de estarmos necessitados também de um exame qualificado no que diz respeito às nossas emoções e, em decorrência disso, uma análise minuciosa nas nossas relações cotidianas.
Não estaríamos precisando desobstruir certos vasos fechados pela nossa incapacidade de colocar-nos no lugar dos outros, pela vaidade de querermos estar sempre certos, pela insensatez de medirmos a vida alheia com nossa régua? Não seria interessante um exame sincero que pudesse expor certas deformações na anatomia de nossa alma, que se contamina com a impaciência, a falta de gentileza e de respeito ao outro que está diante de nós? Não seria a hora de nos permitirmos qualificar nossa vida em sociedade colocando em prática aquilo que sabemos ser bom para nós e que desejamos afoitamente, mas não costumamos fazer aos outros?
Quando nosso médico aponta a necessidade irrevogável de nos submetermos a qualquer procedimento para garantir a continuidade e ou a qualidade de nossa vida, imediatamente e quase sem pensar acordamos, porque isso será muito bom para nós. Quem dera também fôssemos capazes de nos permitirmos abrir passagem em nossas artérias para sentimentos positivos, para expressar gratidão, amor, ternura e paixão pela vida- que é curta, mas é linda- e nos interpela todos os dias com inúmeros sinais a nos orientar sobre como pode ser boa para todos.
Com as palavras de Jesus ao jovem de Naim (Lc. 7,14) “ Jovem, eu te ordeno, levanta-te”, somos também nós iluminados interiormente ao ato mais inteligente, mais nobre e mais relevante de nossa passagem pelo mundo: levantar-nos com os olhos voltados para o horizonte e começar, desde já, a purificar nossos corações de tudo o que não nos permite viver emocionalmente equilibrados e afetivamente integrados.
Por: Prof. Dr. Pe. Rogério Ferraz de Andrade
