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ASCENSÃO: o horizonte é a alegria

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Paraviver a alegria, exercitar-se na alegria: este deveria ser oslogan do(a) seguidor(a) de Jesus.

Aalegria brota de um encontro com a Pessoa do Ressuscitado que suscitaentusiasmo, nos seduz e nos faz vibrar com a “vida nova” que, nele, o Pai nosmanifesta.

 

Naexperiência da Ascensão, somosmovidos e recuperar o ardor e a fascinação pela pessoa de Jesus; somos chamadosa ser mensageiros da “conversão pastoral” feita de alegria, beleza,proximidade, encontro, ternura, amor e misericórdia. Esse é, pois, a marca quenos identifica como seguidores de Jesus, capaz de ativar e despertar a alegria,pois tudo o que nasce verdadeiramente de um encontro profundo e verdadeiro comEle, gera uma alegria que ninguém pode tirar.

 

Precisamosnos converter à alegria de Deus que é autêntica paixão pelo ser humano.

 “A alegria do Evangelho enche o coração e avida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Com Jesus Cristo sempre nascee renasce a alegria” (Papa Francisco – Ev. Gaudium).

 

A alegria é umestado de ânimo central na experiência cristã. Nisto consiste a verdadeiraalegria: em sentir que um grande mistério, o mistério do amor misericordioso deDeus, visita e plenifica nossa existência pessoal e comunitária.

 

Temos de contagiara alegria do Evangelho. É preciso remover obstáculos que impedem a alegria; épreciso remover a pedra de nossos sepulcros e viver como ressuscitados.

 

Um sinal deidentidade da alegria é o olhar profundo, amplo e largo da vida. Mesmo em meioà dor e ao sofrimento, não faltam o bom humor e a ternura. Quem é cristãmentealegre mantém-se sereno frente aos conflitos, integra melhor os acontecimentos,é feliz e faz felizes os outros.

 

Naantropologia, o vocábulo “alegria”faz referência a emoções, sentimentos e aspirações alcançadas. Vincula-se aoestado de plenitude humana, à criatividade, ao entusiasmo, ao prazer, aocontentamento, à satisfação, à sorte, ao regozijo, à felicidade. Fala-se daalegria pela ação, por estar ou viver juntos, a alegria de viver, a alegria dafesta, a alegria nos triunfos e nas adversidades.

 

Aalegria sempre indica que a vida expandiu, que ganhou terreno, que conseguiuuma vitória. Onde queira que haja alegria há criatividade; quanto mais rica é acriatividade, mais profunda é a alegria.

 

A alegria é incondicional. Não depende diretamentedos esforços pessoais nem da posse alguma de um bem temporal, mas do sentidoglobal da pessoa. A alegria brota do interior, é coisa do coração; ela manadentro, calada, com raízes profundas. É um dom do Espírito. “O fruto do Espírito é: amor, alegria” (Gal 5,22). Este dom nos fazfilhos(as) de Deus, capazes de viver e vibrar diante de sua bondade e misericórdia.Não é correto que os cristãos associem com tanta frequência a fé à dor, àrenúncia, à mortificação, mas à alegria, à vida em plenitude.

 

Nossa alegria é Cristo ressuscitado. Ele é acausa de nossa alegria. Ele nos dá vida em plenitude.

A alegria está ligadaà gratuidade; a alegria não é voluntarismo; não é objeto de decisão, comotampouco de decreto. Podemos diferenciar uma alegria ocasional e outraconstitutiva ou um estado de ânimo intenso da pessoa; daí a importância dedistinguir “estar alegre” de “ser alegre”. A alegria exige um clima favorável:um estado de espírito semelhante a um estado de graça.

 

OsEvangelhos nos revelam que Jesus vivia sereno, feliz ,alegre . Asbem-aventuranças são o fiel reflexo de sua vida. Seu íntimo trato com o Pai,sua paixão pelo Reino, suas relações pessoais, suas amizades, seu modo deenfrentar a “hora”, sua aceitação da vontade do Pai, sua paixão e morte sãovividas em paz.

Jesusnos revela que Deus é alegria em si mesmo e para nós. Disse-nos que a salvaçãodefinitiva é “entrar naalegria do seu Senhor” (Mt 25,21). Diantedos prodígios e milagres que vai realizando em sua vida pública, Jesus exultade alegria no Espírito Santo.

 

A alegria cristã aninha-se e cresce navivência do mistério pascal. A ressurreição de Jesus causou uma imensa alegriana comunidade dos discípulos. A alegria é contagiosa. Tem uma dimensão social ecomunitária. Nós não estamos alegres porque Jesus está vivo mas porque nos fezpartícipes de sua ressurreição, de sua nova vida. Assim nossa alegria é aalegria de Jesus.

 

Os Apóstolos,depois da Ascensão de Jesus, retornaram a Jerusalém; a certeza da promessa doenvio do Espírito Santo os enchia de alegria; anunciavam com alegria eentusiasmo a ressurreição do Senhor.

 

“Sedealegres!”: isto é o que Deus deseja de nós, os cristãos.Uma alegria que é preciso manifestar, hoje, mediante uma sensibilidade eternura humanas. A Igreja, por vocação e missão, deve ser alegre. Toda ela éprofecia de alegria e esperança.

 

Quemvive a partir da alegria, vive a partir do essencial e sabe discernir oautêntico das aparências e o útil do supérfluo. A alegria mantém alta a utopiae não se cansa em sua irradiação. Seguimos o conselho agostiniano: “A felicidade consiste em tomarcom alegria o que a vida nos dá, e deixar com a mesma alegria o que ela nos tira”.

 

Quem étransparente e coerente transmite alegria em seu falar e em seu agir.Costumamos dizer: “alegrar a casa”, “alegrar a cor”, alegrar o fogo”…, ouseja, dar-lhe vida.

 

Quem vive naalegria se sente sereno, livre, pensa positivamente, está próximo dos pobres,acolhe as adversidades,  integra suascontradições, ama sem pôr condições, louva, canta e bendiz sem cessar.

De fato, a alegriaexperimentada não nos põe na retaguarda nem nos acomoda; pelo contrário, elanos pede que sejamos mais radicais no discernimento e nos compromissos. Está emjogo a glória de Deus e a dignidade de seus filhos e filhas

 

Os(as)grandes santos e santas, por viverem profundamente no amor de Deus, foramtestemunhas da alegria. Este amor é o que os fez sair de si mesmos,reencontrar-se e entregar-se aos demais. E aqui está o peso do amor, o vigor daalegria.

 

A alegria, comosentimento expansivo, tende a impulsionar nossa pessoa para fora, nos move afazer a travessia em direção aos outros. Ser alegre não significa serimpassível, insensível diante da injustiça e da violência, diante da pobreza eda exclusão. As virtudes que acompanham a alegria fazem que quem é alegre sejacompassivo e misericordioso e trabalhe pela paz e pela justiça.

 

Sua vida alegredesmonta a hipocrisia, as ambições, os escândalos de corrupção e afãs deaparência…

Quando servimos osoutros, recebemos acrescentada a alegria. “Dormia e sonhava que a vida eraalegria.Despertei-me e vi que a vida era serviço. Pus-me a servir e descobri que o serviço eraalegria” (Tagore).

 

Texto bíblicoLc24,46-53

 

Na oração: A alegria é cultivada na ação ena oração; por sua vez, a oração desperta a alegria, este estado de ânimointenso e fora do normal, facilmente perceptível e que tem ressonância no modode viver.

S. Inácio chama consolação a esse estado de ânimo, poisse trata de uma experiência nítida da Graça.

– Uma dasexpressões da alegria evangélica é viver em sintonia com esta Graça abundante epermitir que a vida seja uma contínua ação de graças.

– há tantosmotivos pelos quais festejar, pelos quais manifestar a alegria do Evangelho;explicite-os.



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