Notícias

Artigo: Padre, um homem de Deus

O sacerdote é dom porque o seuministério sacerdotal, desdobrado em conduta, serviços, vivências e posturas, émanifestação e concretização deste amor. O Padre, homem escolhido entre homense constituído em favor de todos, é discípulo missionário servidor do povo deDeus. E sustentado pela contínua busca da santidade de vida, é facilitadordesse indispensável e inadiável encontro pessoal com o Cristo vivo, levandotodos ao reconhecimento e à sabedoria de pautar a sua vida tendo Deus como seucentro e fonte inesgotável do seu sentido. O sacerdote, por isso mesmo, fazanteceder às suas muitas tarefas no labor de cada dia a serviço do povo,anunciando o Evangelho, o cuidado e o compromisso com a condição do seu ser. Éa santidade de vida que alavanca, fecunda e torna exitoso o serviço prestado nacondição própria de sacerdote.

O sacerdócio é uma verdadeiramediação salvífica-sacramental que expressa através do seguimento peculiar deCristo Bom Pastor. A consciência de eleição pessoal amorosa de Deusinfluenciará muito na vida e na espiritualidade do sacerdote. O ministério sacerdotalé um seguimento de totalidade, expressado em termos de pobreza, generosidade,associação esponsal e humidade (Sequela Christi).

Na realidade há um só Pastor:Nosso Senhor Jesus Cristo. E Ele é a fonte e o modelo dos demais pastores. Acaridade pastoral é a nota característica do ministério sacerdotal comoprolongação do autor e da disponibilidade de Cristo Pastor. A caridade quearranca uma consagração que se orienta para uma missão universal e que exige aimolação da própria vida. É o serviço pastoral como sintonia à proximidade ehumilhação “Kenosis” (esvaziamento de si).

O modelo para todos os padres ésempre Cristo o Bom Pastor. Pouco a pouco o Senhor irá nos formando de talforma que experimentaremos a alegria de senhor, através da Igreja, colocou paralevarmos adiante no caminho da santidade. Um dos segredos de um bom pastoreio éjustamente amar o povo que é Deus e, com Cristo, dar a vida por esse mesmopovo, à semelhança d’ Aquele que, entregando por nós Sua Vida, nos impulsionapara viver esse grande dom, que é também nossa grande alegria! Quanto maisestivermos empenhados nessa direção mais os nossos corações estarão imersos naexperiência de Deus que nos ama e que nos convida a anunciar o Seu amor a todosna construção desse mundo novo.

Lembremos do magistério pontifício acerca do sacerdócio:

 

São João XXIII- “Nósdesejaríamos, veneráveis irmãos, que todos os padres das vossas dioceses sedeixassem convencer, pelo testemunho do santo cura d’Ars, da necessidade deserem homens de oração e da possibilidade de o serem, qualquer que seja asobrecarga por vezes extrema dos trabalhos do seu ministério. Mas para isso ‚necessária uma fé viva, como a que animava João Maria Vianney e o faziarealizar maravilhas. “Que fé! – exclamava um dos seus colegas. Chegariapara enriquecer uma diocese inteira” (Retirado do site:http://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/encyclicals/documents/hf_j-xiii_enc_19590801_sacerdotii.html.Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia, n. 26. Último acesso: 03/08/2017).

Concílio Vaticano II, Beato Paulo VI na “Christus Dominus”

 

Os principais colaboradores doBispo são, todavia, os párocos, a quem, como pastores próprios, é confiada, soba autoridade do Bispo, a cura de almas numa parte determinada da diocese. […]Com os seus coadjutores, exerçam de tal maneira o seu ministério de ensinar,santificar e governar, que os fiéis e as comunidades paroquiais se sintam defacto membros tanto da diocese como do todo que forma a Igreja universal.

São João Paulo II

 

O Sacerdócio de Jesus Cristo é,efetivamente, a primeira fonte e expressão da incessante e sempre eficazsolicitude pela nossa salvação, que nos leva a ver n’Ele exatamente o BomPastor. As palavras «o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” não se referem,porventura, ao Sacrifício da Cruz, o ato definitivo do Sacerdócio de Cristo? E,uma vez que o Senhor Jesus Cristo nos tornou participantes do seu Sacerdócio,mediante o sacramento da Ordem, não estão essas mesmas palavras a indicar-nos atodos o caminho que também nós devemos percorrer? Não nos dizem que a nossavocação é singular solicitude pela salvação do próximo? E não nos dizem que talsolicitude constitui particular razão de ser da nossa vida sacerdotal? E nãodizem que é essa solicitude, precisamente, que lhe dá sentido, e que só pormeio dela nós poderemos encontrar o significado pleno da nossa mesma vida,perfeição e santidade? Este tema é tratado em várias passagens do Decretoconciliar Optatam Totius . Este problema, torna-se, todavia, mais compreensívelà luz das palavras do Mestre, quando diz: “Ouem quiser salvar a vida,perdê-la-á; mas quem a perder por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á”(Discurso de São João Paulo II no ano de 1979 a todos os padres por ocasião daquinta-feira santa. Retirado do site: https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1979/documents/hf_jp-ii_let_19790409_sacerdoti-giovedi-santo.html)

Papa Bento XVI 

 

“A Igreja tem necessidade desacerdotes santos, de ministros que ajudem os fiéis a experimentar o amormisericordioso do Senhor e sejam suas testemunhas convictas. Na adoraçãoeucarística, após a celebração das Vésperas, pediremos ao Senhor que inflame ocoração de cada presbítero com essa caridade pastoral capaz de fundir seu “eu”no de Jesus sacerdote, para assim poder imitá-lo na mais completa entrega de simesmo. Que nos obtenha esta graça a Virgem Mãe, de quem amanhã contemplaremoscom viva fé o Coração Imaculado. O Santo Cura de Ars vivia uma filial devoçãopor ela, até o ponto de que, em 1836, antecipando-se à proclamação do dogma daImaculada Conceição, já havia consagrado sua paróquia a Maria “concebida sempecado”. E manteve o costume de renovar frequentemente esta oferenda daparóquia à Santa Virgem, ensinando aos fiéis que “basta dirigir-se a ela paraser escutados”, pela simples razão de que ela “deseja sobretudo ver-nosfelizes”. (Pensamento retirado da homilia de abertura do ano sacerdotal.Retirado do site:http://www.presbiteros.com.br/site/homilia-do-papa-bento-xvi-na-abertura-do-ano-sacerdotal/Último acesso: 03/08/2017).

Papa Francisco

 

“Reiterando a importância daformação humana, o Pontífice afirmou que um padre em paz consigo mesmo saberá“difundir serenidade” até mesmo nos momentos mais difíceis, “transmitindo abeleza do encontro com o Senhor”. “Não é normal que um padre sejafrequentemente triste, nervoso ou duro de caráter; não está bem e não faz bem,nem ao padre, nem a seu povo. Nós, sacerdotes, somos apóstolos da alegria,anunciamos o Evangelho, a ‘boa nova” (Retirado do site:https://noticias.cancaonova.com/mundo/papa-francisco-sacerdotes-sao-apostolos-da-alegria/Último acesso: 03/08/2017).

O sacerdote é, sobretudo, umhomem de Deus – “vir-Dei”. Ao cumprimentar todo o querido presbitério do Rio deJaneiro, com meu afeto e a minha gratidão, suplico a São João Maria Vianney,que Deus Nosso Pastor e guia nos ilumine e nos guarde para que a cada diapossamos desempenhar bem a nossa missão. Deus nos faz servos e testemunhas daverdade e do seu amor. Assim, Cristo sacerdote prolonga sua realidadesacerdotal na Igreja, especialmente através do ministério apostólico.

Por:  Orani João, CardealTempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de SãoSebastião do Rio de Janeiro, RJ

Outros conteúdos