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7º dia de oração pela unidade dos cristãos

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“Dá-me de beber”  (João 4,7)

Os cristãos deveriam estar confiantes de que a atitude de encontrar e partilhar experiências com o outro, mesmo com outras tradições religiosas, pode nos transformar e nos ajudar a mergulhar nas profundezas do poço. O ato de nos aproximarmos daqueles que para nós são estrangeiros, com o desejo de beber de seu poço, nos abre para as “maravilhas de Deus” que proclamamos. No deserto, o povo de Deus ficou sem água e Deus enviou Moisés e Aarão para tirar água da rocha. Da mesma maneira, Deus muitas vezes atende a nossas necessidades através de outros. Quando pedimos ao Senhor em nossas necessidades, como fez a samaritana ao pedir a Jesus “Senhor, dá-me desta água”, talvez o Senhor já tenha respondido a nossas preces colocando nas mãos daqueles que  estão próximos aquilo que pedimos. Assim, precisamos também nos voltar para eles e pedir “Dá-me de beber”.

Às vezes a resposta a nossas necessidades já está na vida e na boa vontade das pessoas à nossa volta. Do povo guarani do Brasil aprendemos que, em sua língua, não existe palavra equivalente ao termo “religião” como algo separado do resto da vida. A expressão que eles costumam usar significa literalmente “nosso bom modo de ser” (“ñande teko katu”). Essa expressão se refere ao sistema cultural por inteiro, o que inclui a religião. A religião, portanto, é parte do sistema cultural guarani, bem como o seu modo de pensar e ser (teko). Isso se relaciona com tudo que melhora e desenvolve a comunidade e conduz ao seu “bom modo de ser” (teko katu). O povo guarani nos faz lembrar que o cristianismo no início foi chamado “o Caminho” (Atos 9,2). “O caminho” ou “nosso bom modo de ser” é o modo de Deus trazer harmonia a todas as partes da nossa vida.

 

Questões para reflexão:

  1. Como sua compreensão e sua experiência de Deus têm sido enriquecidas pelo encontro com outros cristãos?
  1. O que as comunidades cristãs podem aprender da sabedoria indígena e de outras tradições religiosas em sua região?

 

Oração

Deus da vida, que cuidas de toda a criação e nos chamas para a justiça e a paz,

que a nossa segurança não venha das armas, mas do respeito.

Que a nossa força não seja de violência, mas de amor.

Que a nossa riqueza não esteja no dinheiro, mas na partilha.

Que o nosso caminho não seja o da ambição, mas o da justiça.

Que a nossa vitória não venha da vingança, mas do perdão.

Que a nossa unidade não esteja na busca por poder, mas no vulnerável testemunho da tua vontade.

Com abertura e confiança, possamos defender a dignidade de toda a criação, partilhando, hoje e sempre, o pão da solidariedade, da justiça e da paz.

Isso te pedimos em nome de Jesus, teu santo Filho, nosso irmão, que, como vítima de nossa violência, mesmo do alto da cruz, deu a nós todos o perdão.

Amém.

(adaptado de uma prece de uma conferência ecumênica no Brasil, onde se pedia pelo fim da pobreza como um primeiro passo no caminho da paz através da justiça)

 

Fonte: Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

 

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