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60 anos da CRB no Rio Grande do Sul

Com o tema “Vida ReligiosaConsagrada do Rio Grande do Sul – Gratidão, Esperança, Cuidado pela Vida”,cerca de 600 religiosos e religiosas participaram de encontro com o cardeal domJoão Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagradae as Sociedades de Vida Apostólica, no Colégio Bom Conselho, no dia 19 deagosto, em Porto Alegre (RS). A principal motivação do encontro foi acomemoração do Jubileu de 60 anos de fundação da Conferência dos Religiosos doBrasil no Rio Grande do Sul(CRB/RS).

Na abertura do encontro acoordenadora Regional, Irmã Paula Schneider, lembrou que a CRB/RS foi fundadaem fevereiro de 1957 e tem por finalidade estimular a vivência da vidaconsagrada. Também que o Ano jubilar é um momento de olhar e se pôr em ação na construçãode uma sociedade em que todas as pessoas tenham sua dignidade reconhecida.“Nestes anos temos muitos motivos para celebrar, mas também queremos abraçarcada vez mais e com coragem a vivência mística e profética no meio do povosofrido e explorado, em comunhão com a Igreja do Rio Grande do Sul, Brasil e deRoma, no cuidado da vida”, afirmou.

Na mesma ocasião, dom JaimeSpengler, arcebispo Metropolitano de Porto Alegre e presidente do Regional Sul3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), destacou na mesa deabertura, que o dia é de celebração pela caminhada de décadas. “Vamos celebraressas décadas de buscas, empenho, dedicação, desafios e conquistas. “A históriado Rio Grande do Sul e do Brasil merecem ser reescritas com os óculos da vidareligiosa. O que seria da evangelização do RS e do Brasil sem as religiosas ereligiosos?”, indagou dom Jaime.

Mística, profecia e transformação


A conferência do Cardeal Aviz foisobre o tema: “Mística e Profecia da Vida Religiosa Consagrada no mundo emtransformação”. A mística, profetismo em tempo de mudança são três realidadescentrais. A mística vem de mistério e causa uma atração forte no ser humano. “Omaravilhoso mistério é o amor de Deus que nunca nos abandona. Essa é a profundacerteza que Deus nos ama. Essa é a nossa fonte de alegria que brota daexperiência de Deus dentro do coração de cada um de nós”, frisou Cardeal Aviz.

A vida consagrada dificilmente semantém sem a experiência pessoal com o amor de Deus que criou o ser humano paraamar. Segundo Aviz, toda aquela mística do sacrifício, baseada no esforçopessoal de domínio da própria vontade, muda com o enamoramento de Deus. Desseencantamento nasce a profecia. A profecia é baseada nos três conselhosevangélicos: pobreza, castidade e obediência.

“Os conselhos evangélicos não sãouma espécie de amuletos. É uma realidade que torna a pessoa livre humanamente ecom o divino. Uma castidade que integra todas as dimensões belas da humanidade,pela efetividade e a sexualidade masculina e feminina. A integração torna ocoração amado, alegre e profético que a humanidade percebe em nossos olhos erostos”, afirmou dom João.

A pobreza, obediência eautoridade seguem juntas a partir do amor. Nenhuma visão sociológica consegueentender a obediência e autoridade. A ciência sociológica não consegue percebera experiência do amor e só aponta as mudanças do comportamento da sociedade.“Num tempo de mudanças e transformações o religioso carrega um tesouro dentrode si, mas também sua humanidade, fragilidade. Às vezes não conseguimostransmitir este tesouro. É um momento de discernimento para a vida religiosaque a leve a entrar profundamente no mistério e naturalmente nos tornamosprofetas”, destacou Aviz.

Numa sociedade líquida em quetudo desaparece num toque no celular as relações humanas perdem seu valor. Osmodelos hoje não são mais feitos para um caminho de longos anos, mas demomentos. Essa é a situação atual da sociedade e que afeta a Igreja, a vidareligiosa consagrado no mundo. Diante disso, Cardeal chamou a atenção para aimportância da formação, da oração pessoal e, sobretudo, do testemunho diáriono seguimento de Cristo. Também trouxe presente dados atuais da vida consagradae as mudanças que o Papa Francisco propôs no Vaticano e seu reflexo na vida doscardeais e pessoas envolvidas nos diferentes serviços prestados à Igreja apartir de Roma. Um dado preocupante é o envelhecimento dos consagrados, o baixonúmero de vocações e as desistências.

Mesa redonda e ressonâncias


À tarde houve uma mesa redondacom a participação do Cardeal dom João, Frei Luiz Carlos Susin e Ir. MariaInês. Refletiram sobre a história da vida religiosa Consagrada no Rio Grande doSul, missão, profetismo e perspectiva do futuro. Na ocasião, foram manifestadasdiversas ressonâncias, o que criou um clima de diálogo franco e aberto entre ospresentes.

O Rio Grande do Sul conta com apresença de cerca de 4.000 religiosos e religiosas, pertencentes a 67Congregações (masculinas e femininas), constituindo 701 Comunidades. Alémdisso, são mais de 485 Irmãos religiosos e sacerdotes missionários gaúchos emoutros Estados do Brasil ou em outros países. Também cerca de 700 IrmãsReligiosas missionárias atuam fora do Estado e em 74 países. Ainda, a presençade 14 Mosteiros de Vida Contemplativa. Para melhor servir, a Regional da CRB/RSconta com 21 Núcleos de Religiosos (as) nas 18 Dioceses gaúchas, integrados namissão evangelizadora da Igreja.

 

Mensagem da presidência nacional da CRB




Ao finalizar o momento formativode celebração dos 60 anos da Regional Rio Grande do Sul, Irmã Maria Inêsexpressou dois sentimentos: “O primeiro sentimento de gratidão pela vida consagradae doada neste Regional. Agradeço a Deus pelos de ontem e de hoje. Quanta vidasurgiu neste solo brasileiro e no exterior a partir de missionários emissionárias da terra gaúcha. Em todos os lugares que vou neste país encontroreligiosos gaúchos. O segundo sentimento é de esperança. A esperança para nós éque nos amemos mais. Com isso vem o cuidado da Vida. Este é o carisma de toda avida consagrada. Não tenhamos medo de abraçar a vida onde ela é mais ameaçada”,concluiu.

Fonte: POM

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