30º Curso de Verão 2017
Começou na última sexta-feira (6)a 30ª edição do Curso de Verão, promovido pelo Ceseep (Centro Ecumênico deServiços à Evangelização e Educação Popular) e pelas dezenas de cursistas evoluntários que participam anualmente do mutirão de construção e condução docurso.
Os cursistas foram se acomodandopor volta das 14h30 no teatro Tuca da PUC-SP em meio à animação de músicas comoTambores de Palmares (Zé Vicente) e O Menino e o Mar (João Bá) e gritos de“Fora Temer” de cursistas em manifestação contrária ao atual presidente daRepública Michel Temer. A abertura teve início com a coordenadora do Curso deVerão Cecília Franco e o assessor José Nildo pedindo que alguns cursistas seapresentassem e dissessem quais eram seus lugares de origem pelo país.

Voluntários do curso descerampelo teatro estendendo faixas coloridas e depois foram acompanhados peloscursistas, sentados de seus lugares, com as faixas que também haviam recebido.Uma projeção fez homenagem a pessoas que deixaram a caminhada no plano terreno– como o arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns que faleceu nofinal do ano passado – e uma leitura teatral falou sobre a história de formaçãodo curso, seu caráter ecumênico e popular e o objetivo de formar sujeitostransformadores de sua própria realidade.
Também foi abordada a importânciada arte no curso desde sua primeira edição, em 1988. “O Curso de Verão nãonasceu, ele estreou”, afirmou uma das leituras. Foi apresentado ainda o painelna edição desse ano, com o desenho de sementes para simbolizar o que vai sendogerminado durante o mutirão e de rostos como símbolo da diversidade culturalentre os cursistas.
“Todo verão eu percebo umamovimentação na universidade e esse movimento me deixa feliz”, afirmou areitoria da PUC-SP Profa. Dra. Maria Amalia Andery em saudação aos cursistas.“É para isso que a universidade deve ser. É uma honra que vocês usem o espaçopara a criação e discussão, grupos que são tão importantes para o País. Eu queagradeço a vocês”, declarou.
Paz como temática
O presidente do Ceseep padreBenedito Ferraro falou aos cursistas sobre o tema do curso deste ano. “Diz opapa sobre a violência que se exerce sobre pedaços de maneiras diferentes evários níveis e provoca inúmeros sofrimentos: guerras em diversos continentes,terrorismo, criminalidade, ataques imprevisíveis, abusos sofridos pelosimigrantes, as vítimas do tráfico humano e a devastação ambiental”, afirmou. “Aviolência não é o remédio. Responder a violência com violência leva, na melhordas hipóteses, a migração formação e a sofrimento”, criticou.
O coordenador-geral do CeseepJosé Oscar Beozzo também falou sobre o tema. “Quero que não pensemos como umadistração, mas como algo relacionado às pessoas que sofrem das violênciasestruturais e também como essas”, afirmou ao pedir um minuto de silêncio pelasrecentes mortes em presídios e a chacina ocorrida em Campinas e o ataque doEstado Islâmico em Istambul (Turquia) ocorridos durante a passagem do ano.
Unidade entre as religiões

O prof. dr. Wagner Lopes Sanchezrealizou, em seguida, assessoria aos cursistas referente ao tema do ecumenismo.“Quando olhamos a natureza, vemos muitas diferenças. Ela é marcada peladiversidade e esse componente vem dela”, afirmou em uma analogia com asdiferentes religiões existentes.
Para o professor, a unidade entreas pessoas que professam as diferentes religiões é necessária para a construçãode um mundo melhor. Buscar o ecumenismo é respeitar e ser amoroso com outrasexperiências religiosas, construir uma espiritualidade e se comprometer por ummundo mais humano, justo e igualitário. “Devemos ser ecumênicos quando estamossozinhos e na convivência com as pessoas”, disse.
O cursista Eduardo Barbosa, 35,afirmou que gostou da abertura. “Foi ótima, trouxe a memória de todos os outrosanos”, afirmou ele que está na quarta edição e participou também nos cursos de2012, 2014 e 2016.
Já para a cursista Tayná Vieira,16, a assessoria sobre ecumenismo foi importante para os cursistas. “Acheiótima a assessoria, já entendo um pouco sobre assunto, mas é bom saber mais epara quem está começando a ter contato agora”, disse.
SEGUNDO DIA CV 2017

Na manhã deste sábado, 7 dejaneiro, segundo dia do 30º Curso de Verão, que tem como tema: “Educar para apaz em tempos de injustiças e violência”, o palestrante foi o professor ediplomata brasileiro, Paulo Sérgio Pinheiro.
Em sua exposição, o professorfalou sobre a “Violência na cena internacional e os organismos promotores dapaz”, principalmente nas regiões de conflito como a Síria. Além de ressaltar aimportância da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas nabusca de relações pacíficas entre os povos.
O professor falou ainda sobre oAnuário Brasileiro de Segurança Pública e os números alarmantes da violência noBrasil, muitas vezes praticada pelo próprio Estado.
No momento de perguntas, PauloSérgio falou sobre as relações dos países com a ONU e o papel da organização naluta para manter a unidade internacional entre os países.
Ao ser questionado sobre aexistência de leis especiais para mulheres, políticos e negros, por exemplo, odiplomata destacou que não se pode confundir leis afirmativas ou como a Mariada Penha, com o foro privilegiado dos políticos. “É evidente que todos essesgrupos, que tiveram reconhecidos seus direitos específicos, têm que serdefendidos e têm que ter proteção especial. A temporada de caça às mulheres noBrasil, não se fechou. Toda vez que venho ao Brasil vejo notícias de mulheresque foram assassinadas pelos seus namorados ou maridos. A lei Maria da Penhatem toda a razão de existir”, respondeu.
TERCEIRO DIA CV 2017

Neste domingo, 8 de janeiro, terceiro dia do 30º Curso deVerão, fomos convidados a olhar para as mídias e abordar a sua relação com aviolência. A conferencista desta manhã, Magali Cunha, é jornalista, doutora emCiências da Comunicação, membro da Sociedade Internacional Mídia, Religião eCultura, além de Colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas.
Com o tema: “O desafio da humanização das mídias em temposde espetacularização da violência” a professora Magali explicou os tipos deviolência a que as pessoas estão expostas. Violência física; violênciapsicológica; violência sexual; violência de gênero; violência contra a mulher;violência moral; violência familiar/doméstica; violência religiosa; violênciaétnico-racial; violência patrimonial.
De acordo com Magali a questão daviolência gera lucro para algumas pessoas e grupos, vide relatório da ONU de 2015sobre o valor arrecadado pela indústria de armas e o crescente lobby para aliberação do porte em alguns países, como o Brasil, por exemplo.
A professora dividiu as mídias emtradicionais – de massa –, populares/comunitárias/alternativas, digitais – TICs– e convergentes (tradicionais + alternativas + digitais). Vivemos, segundo aprofessora, na sociedade da informação, pois recebemos informações de todos oslugares e, além disso, somos produtores de conteúdos informativos.
Sobre a violência, Magali destacouque a relação que se dá entre as mídias e as pessoas é uma relação de duplamediação, onde as pessoas parecem sentir prazer e querer ver/ouvir/compartilharconteúdos que contenham violência. “As pessoas não têm mais sensibilidade com aviolência praticada”, afirmou.
Neste aspecto, a violência assumecaracterísticas de atrair as pessoas; ela vende, ou seja, gera lucro para quema veicula; cria e reforça a sociedade do espetáculo; se tornou algo banal quenão impressiona mais as pessoas; passou a ser verbalizada sem receio dasreações adversas.
Confira as fotos no Flickr doCurso de Verão
Fonte: Ceseep
