24ª ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS
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Ontem, dia 10 de setembro, aconteceu a 24ª edição da Romariada Terra e das Águas do estado de Santa Catarina – Regional Sul 4 daConferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A diocese de Tubarão sediou oevento que se realizou no município de Pescaria Brava (SC) e teve como tema“Mata Atlântica, nossa Casa Comum” e lema “Visitas a terra e a regas,enchendo-a com tuas riquezas” (Sl 65,10a).
Os romeiros e romeiras vieram de todas as dez dioceses doRegional Sul 4. Eram rostos de crianças, jovens adultos de diversas pastorais,movimentos sociais populares, bispos, padres, religiosas e religiosos quecompunham o grande mosaico de luta e esperança. Foi marcante também a presençaprofética do Pastor da Igreja de Confissão Luterana, Inácio Lem de Joinvile querecordou sua participação na Romaria e na luta do povo desde longas datas.
Muita acolhida, animação e momentos fortes de celebração,memória da caminhada, de falas pontuais sobre o tema, apresentações culturais,lançamento do Projeto Rios em Santa Catarina, a caminhada de 3km com trêsparadas (plantação de mudas nativas do bioma Mata Atlântica para a criação deum bosque que ficará como um legado da Romaria, bênção das sementes e mudas queforam levadas pelos romeir@s, plantação da Cruz de Cedro no local da Romaria),e muita partilha, alegria e encontros, entre outros momentos, preencheram o diada Romaria e a vida dos romeir@s. A presença forte de Nossa Senhora Aparecidafoi também um ponto alto na programação do dia. Ela é companheira fiel nacaminhada do povo em busca de vida e libertação. “Aparecida é a mãe dopescador, é mãe do lavrador é a mãe de todos nós…!”
É impressionante como a convocação do Papa Francisco para ocuidado da casa comum teve respaldo na temática da Romaria. As falas de DomJoao Francisco Salm, do Pastor Inácio Lem, entre outras, a partir da Laudato Si, foram gritos proféticos para escutar o grito da Terra e um apelo à responsabilidade para com o próxim@.
Através da carta, com o título ‘CARTA DA 24ª ROMARIA DATERRA E DAS ÁGUAS”, cinco tarefas foram assumidas pelos romeiros e romeiras:formar pequenos bosques, promover um caminho educativo, assumir umaEspiritualidade Ecológica, assumir um novo modo de vida e agir politicamente. Acarta, aprovada por todos, foi lida no final da Celebração Eucarística pelosecretário executivo do Regional Sul 4 da CNBB, padre Luciano dos Santos. Leiaa carta na íntegra:
CARTA DA 24ª ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS
“Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo”(Rm 13,8).
Antes de voltarmos às nossas casas, já no encerramento da24ª Romaria da Terra e das Águas, no dia 10 de setembro de 2017, em PescariaBrava, Diocese de Tubarão, dirigimo-nos a todos os homens e mulheres de boavontade, em especial aos nossos irmãos e irmãs do Estado de Santa Catarina.
A fé nos faz reconhecer que o Bioma Mata Atlântica foicriado qual um jardim, visitado e regado pelo Divino Jardineiro, que o encheude suas riquezas. Viu que “era bom” (cf. Gn 1,1-31) e o colocou em nossas mãos,como dom e tarefa. É nossa Casa Comum, onde convivemos e da qual devemoscuidar.
Unimo-nos ao Papa Francisco e afirmamos com ele, que “ocuidado da natureza faz parte de um estilo de vida que implica capacidade deviver juntos e em comunhão. […] Temos Deus como nosso Pai comum e isto nostorna irmãos” (cf. LS, n. 228). “É necessário voltar a sentir que precisamosuns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo,que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos há muito tempo na degradaçãomoral, descartando a ética, a bondade, a fé, a honestidade; chegou o momento dereconhecer que esta superficialidade de pouco nos serviu. Tal destruição detodo o fundamento da vida social acaba por colocar-nos uns contra os outros nadefesa dos próprios interesses, provoca o despertar de novas formas deviolência e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura docuidado do meio ambiente” (cf. LS, n. 229).
“O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é tambémcivil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir ummundo melhor […]. O amor social é chave para um desenvolvimento autêntico” (cf.LS, n. 231). “Para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, énecessário revalorizar o amor na vida social – nos planos político, econômico, cultural– fazendo dele a norma constante e suprema do agir” (Pontifício ConselhoJustiça e Paz). “[…] Juntamente com os pequenos gestos diários, o amor socialimpele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente adegradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda asociedade” (cf. LS, n. 231).
O Papa faz um apelo a todos os homens e mulheres da terrapara que mudemos nosso estilo de vida (cf. LS, n. 203); chama também os líderesdos Estados a uma profunda transformação das atuais políticas locais, nacionaise internacionais (cf. LS, nn. 164-181).
Segundo o Santo Padre, três “R” nos ajudam a atuar de formaconjunta em vista da convivência social e do cuidado com a criação: respeito,responsabilidade e relação: o respeito é a atitude fundamental que o homem háde ter para com a criação, e é inseparável do respeito pela pessoa humana sequisermos promover o bem comum em vista do desenvolvimento integral; aresponsabilidade é o modo como devemos atuar, não ficando de braços cruzadosdiante de qualquer agressão ao meio ambiente; a relação tira do isolamento,estabelece vínculos de pertença e laços de amizade com os semelhantes; evitaguetos, violência e injustiça (cf. Mensagem do Papa Francisco aos participantesdo II Congresso Internacional “Laudato Si e Grandes Cidades”, Rio de Janeiro,2017).
Nós, que aqui viemos, queremos responder a esse apelocomprometendo-nos com a adoção de um novo estilo de vida que seja sinal daconversão e da mudança que a história nos pede. Por isso, partiremos daquitendo assumido juntos algumas tarefas que estão ao nosso alcance realizar:
• Formarpequenos bosques – com as plantas e sementes levadas desta Romaria – em áreasde preservação permanente nas margens dos rios, ou em áreas verdes nos loteamentosurbanos, ou junto às nascentes de água, como símbolo de nosso compromisso decuidado com a Casa Comum – (Projeto Adote um Rio).
• Promoverum caminho educativo – nos diferentes ambientes e através de todos os meios –que ensine a cuidar da natureza, a reverenciar a vida, a consumir comsobriedade, a cultivar de forma sustentável e a alimentar-se bem – (ProjetoSetembro Verde).
• Assumiruma Espiritualidade Ecológica que leve a viver de forma integrada e harmoniosacom todos os seres, através do cuidado e do respeito da Casa Comum,reconhecendo Deus Trindade como fonte originária de onde tudo provém.
• Assumirum novo modo de vida que diga não ao consumismo desenfreado, que evite tudo oque agride e polui o meio ambiente, que dê um destino apropriado ao lixo, queevite o desperdício de água e de energia elétrica.
• Agirpoliticamente, exigindo do poder público a execução do plano de saneamentobásico (água tratada para todos, coleta e tratamento do esgoto sanitário,coleta e destino correto dos resíduos sólidos…), a despoluição dos rios e lagose a recuperação das áreas de terras degradadas.
No Ano Nacional Mariano, que celebra os 300 anos da devoçãoa Nossa Senhora Aparecida, recorremos a ela, Maria, mulher educadora, Mãe quecuidou de Jesus e que chorou a dor da sua morte; que também agora se compadecedo sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo exterminadaspela ação humana. Com sua intercessão e exemplo, ajude-nos a contemplar o mundocom um novo olhar e a adotar práticas que façam a vida florir. Jesus, o DivinoJardineiro, continue “visitando e regando nossa terra, enchendo-a com suasriquezas” (cf. Sl 65,10a).
Participantes da 24ª Romaria da Terra e das Águas.
Município de Pescaria Brava/SC,
Diocese de Tubarão, 10 de setembro de 2017.
Confira a Romaria em algumas imagens na galeria abaixo e no facebook do evento!
