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23ª Festa Diocesana das Tendas

Com o lema: Na caminhada do Povo Serrano, Deus “não esquece o clamor dos pobres” (Sl 9,13), aconteceu no dia 17 de novembro, em Lages/SC, a 23ª Festa Diocesana das Tendas. A celebração que aconteceu no III Dia Mundial dos Pobres, possibilitou gestos concretos de acolhida, solidariedade, cuidado com o meio ambiente, comunhão e partilha.

A programação iniciou no período da manhã com um momento de oração na Praça da Santa Cruz, uma multidão de fiéis seguiu em procissão silenciosa pelas ruas, em direção à  Praça Joca Neves, local que sediou a festa. Acompanhou a procissão a Cruz Missionária e as imagens dos padroeiros e padroeiras das 25 Paróquias da Diocese de Lages.

No final da amanhã, as crianças que participam da Infância Missionária conduziram e animaram a oração do Terço Missionário. Na sequência,  aconteceu a benção do Santíssimo em todas as tendas. Chegada a hora do almoço, cada Paróquia preparou alimentos para ser partilhado com todos.

A Festa das Tendas encerrou com a Santa Missa presidida pelo Dom Guilherme  Antônio Werlang, com a participação dos padres da diocese. Durante a celebração, foi comemorado os 90 anos de história da diocese de Lages.

PACTO DAS TENDAS PELA CASA COMUM

Na presença dos participantes da 23ª Festa Diocesana das Tendas, Ir. Wanderleia Dalla Costa, SDS e o jovem Luiz leram o documento: Pacto das Tendas pela casa comum – por uma Igreja com rosto serrano, servidora e pobre, profética e samaritana. Após a leitura, todo o povo reunido foi convidado a assinar o documento, assumindo este compromisso comum.  

Confira na íntegra o documento:

PACTO DAS TENDAS PELA CASA COMUM

Por uma Igreja com rosto serrano, servidora e pobre, profética e samaritana!

“Esta é a tenda de Deus com os seres humanos. Deus vai morar com eles. Eles serão o seu povo, e ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus.” (cf. Ap 21,3)

Por ocasião dos 90 anos da Diocese de Lages e dos 54 anos do Pacto das Catacumbas por uma Igreja Servidora e Pobre, nós, agentes de pastoral articuladas/os no Fórum Diocesano das Pastorais Sociais convidamos os participantes da 23ª Festa Diocesana das Tendas, a firmarem conosco hoje o PACTO DAS TENDAS PELA CASA COMUM – POR UMA IGREJA COM ROSTO SERRANO, SERVIDORA E POBRE, PROFÉTICA E SAMARITANA.

Reunidas/os em Lages no dia 17 de novembro de 2019, celebramos o 3º Dia Mundial dos Pobres e, ao mesmo tempo que anunciamos uma “nova primavera missionária” para a nossa Igreja, nos comprometemos a permanecer atentas/os aos gritos de angústia e de esperança das pessoas empobrecidas, acolhendo de coração as palavras do Papa Francisco:

 “Do Livro dos Atos, emerge a natureza da Igreja, que não é uma fortaleza, mas uma tenda capaz de ampliar seu espaço para dar acesso a todos. A Igreja deve ser “em saída” senão não é uma Igreja; é uma Igreja de “portas abertas”, chamada a ser sempre a Casa aberta do Pai. Assim, se alguém quiser seguir a ação do Espírito e buscar a presença de Deus, não encontrará o obstáculo de uma porta fechada”. (Audiência Geral – 23/out/2019)

      Na “memória agradecida” (EG, 13) de tantos irmãos e irmãs que nos precederam no seguimento de Jesus e do seu Evangelho e em sintonia com o Sínodo Pan-Amazônico assumimos o desafio comum de buscar e percorrer novos caminhos para a Igreja que está na Diocese de Lages e para uma Ecologia Integral.

Diante da Santa Cruz e da imagem do “profeta” João Maria, sob a proteção de Nossa Senhora dos Prazeres, mãe de Jesus e companheira de nossa caminhada, em profunda comunhão com o sucessor de Pedro, invocamos o Espírito Santo e nos comprometemos, pessoal e comunitariamente:

  1. “Nós somos o povo serrano…” Assumir e valorizar a nossa identidade cultural serrana, superando todas as formas de colonialismos. Somos Povo-terra do Karú (esta terra boa e nossa); Povo-água corrente e abundante; Povo-araucária (a árvore da terra do povo livre), com profundas raízes indígenas (Kaigang e Xokleng) e sombra acolhedora de diversas etnias (negras e migrantes); Povo-casa subterrânea de memória e re-existência.
  2. “Queremos nos evangelizar…” Denunciar todas as formas de autoritarismo e arrogância, assumindo a sinodalidade (caminhar, discernir e decidir juntas/os) como caminho de conversão em todas as nossas relações: pessoal e familiar, comunitária e política, social e espiritual, econômica e ecológica.
  3. “Animados pela Palavra e pela Eucaristia…” Empenhar nossos esforços para garantir a ministerialidade de toda a Igreja Povo de Deus “assegurando que o direito à Mesa da Palavra e à Mesa da Eucaristia se torne efetivo em todas as comunidades” e “reconhecer os serviços e a real diaconia do grande número de mulheres” que sustentam a fé de nossas famílias e comunidades, procurando “consolidá-los com um ministério adequado de mulheres animadoras de comunidade” (cf. Pacto das Catacumbas pela Casa Comum, 11-12).
  4. “Em Grupos de Família-CEBs…” Caminhar no horizonte de uma igreja em saída para as periferias, a fim de superar todas as formas de clericalismo, individualismo e os ciclos de violência e renovar a opção pelos Grupos de Família-CEBs, assumindo o projeto de uma Igreja nas tendas, do avental e do lava-pés, na partilha do que somos e temos, do que sabemos e do que podemos.
  5. “Participando na construção de uma igreja e uma sociedade sem exclusões; justas, fraternas e solidárias…” Renunciar “à aparência e à realidade da riqueza” (Pacto das Catacumbas – 16/nov/1965), vivendo do necessário para que ninguém passe necessidade e percorrer o caminho humilde de uma Igreja pobre com os pobres, dialogando com outras Igrejas, Religiões e pessoas de boa vontade na construção de um mundo onde caibam todos os mundos.
  6. “Sinais do Reino Definitivo” Reconhecer e anunciar com nosso testemunho os sinais do Reino presentes no cotidiano de nossas comunidades e continuar semeando atitudes de vida simples e solidária, no cuidado com a vida da Terra e dos pobres da Terra, nossa casa e nossa causa comum!

Alarga o espaço de tua tenda, estenda sem medo a colcha, estique as cordas e finque as estacas! ” (cf. Is 54, 2-3). Olhando para as tendas de nossas comunidades, armadas mais uma vez nesta festa anual, costuradas por tantas mãos e com diferentes fios e retalhos, tomamos consciência de nossas próprias fragilidades e diversidades. Elas não devem nos diminuir nem dividir, mas, ao contrário, são terra fértil para germinar a Graça de um Deus que, em Jesus, “se fez gente e armou sua frágil tenda entre nós” (cf. Jo 1,14). Mais uma vez ele nos congrega e nos convida para um compromisso comum: jamais permitir que acabe a “esperança dos pobres” (cf. Sl 9,19).

Lages, 17 de novembro de 2019.
23ª Festa Diocesana das Tendas








































































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