{"id":957,"date":"2016-06-18T00:00:00","date_gmt":"2016-06-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/do-eu-estreito-ao-eu-expansivo\/"},"modified":"2016-06-18T00:00:00","modified_gmt":"2016-06-18T00:00:00","slug":"do-eu-estreito-ao-eu-expansivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/do-eu-estreito-ao-eu-expansivo\/","title":{"rendered":"DO &#8220;EU ESTREITO&#8221; AO &#8220;EU EXPANSIVO&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><b>&ldquo;Se algu&eacute;m me quer seguir,renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me&rdquo; Lc 9,23)<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Uma leitura superficial doevangelho de hoje pode dar a impress&atilde;o que o cristianismo &eacute; a religi&atilde;o quepreconiza o sofrimento, a ren&uacute;ncia, a nega&ccedil;&atilde;o de si mesmo, o esvaziamento dapr&oacute;pria identidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O sofrimento foi de tal modoexaltado que levou muita gente a viver na passividade e resigna&ccedil;&atilde;o, esvaziandoo sentido do seguimento e bloqueando a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De fato, existem sofrimentos ques&atilde;o vazios, sem sentido, &ldquo;in-sensatos&rdquo;&#8230;, pois fecham a pessoa em si mesma, nasua afli&ccedil;&atilde;o e ang&uacute;stia; n&atilde;o apontam para o futuro, para a vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como consequ&ecirc;ncia, a Cruz ocupouo primeiro lugar e tudo passou a girar em torno a ela.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas Jesus n&atilde;o buscou a dor nem negoua vida. Pelo contr&aacute;rio, a miss&atilde;o primeira de Jesus foi a de aliviar toda dorhumana. Por isso, suas inumer&aacute;veis curas relatadas nos evangelhos. Suaspalavras n&atilde;o s&atilde;o uma exalta&ccedil;&atilde;o do sofrimento, sen&atilde;o que expressam uma grandesabedoria: elas buscam &ldquo;despertar&rdquo; a pessoa para que possa viver com maisplenitude e perceber a melhor atitude frente &agrave; vida; elas condensam osignificado de uma vida vivida por Jesus na fidelidade ao Pai que quer quetodos vivam intensamente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todos n&oacute;s carregamos recursosainda adormecidos, potencialidades quase divinas que, em alguns momentosprivilegiados, descobrimos em nosso interior. E, no entanto, ao reconhecernossa fragilidade humana, estremecemos diante de nossas ricas capacidades.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Deixar-se determinar pelo &ldquo;egoatrofiado&rdquo; implica cair num con-formismo doentio e na mediocridade tranquila etemerosa; ou seja, medo de ir al&eacute;m de si mesmo, para al&eacute;m de suas capacidades.Quem tem medo afunda-se no mar escuro e revolto da vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Renunciar a si mesmo&rdquo; desvela odinamismo ou for&ccedil;a de morte no interior de cada pessoa, marcado pelo medo de irpara al&eacute;m de si mesma; trata-se do medo de sua pr&oacute;pria grandeza, o medo da suamiss&atilde;o, medo da vastid&atilde;o dos seus sonhos&#8230; Por n&atilde;o ter horizontes, ela selimita ao seu modo habitual e fechado de viver; acomoda-se e n&atilde;o faz atravessia; n&atilde;o faz as coisas com paix&atilde;o e com criatividade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quando n&atilde;o se vive emprofundidade s&oacute; resta a rotina, a superficialidade, o tarefismo sem sentido, odes&acirc;nimo, o &ldquo;vazio vital&rdquo;; renunciando &agrave; tens&atilde;o do &ldquo;mais&rdquo; a pessoa revelaincapacidade de tomar a vida nas pr&oacute;prias m&atilde;os e dar-lhe uma dire&ccedil;&atilde;o mais ousadae criativa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; nesse contexto que surgemin&uacute;meros sofrimentos &ldquo;in-sensatos&rdquo; (sem sentido).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Negar a vida&rdquo; (o grego originaln&atilde;o diz &ldquo;bios&rdquo;, nem &ldquo;zoos&rdquo;, mas &ldquo;psych&eacute;&rdquo; &ndash; &ldquo;eu psicol&oacute;gico&rdquo;) significa n&atilde;oreduzir-se ao &ldquo;eu superficial&rdquo; ou &ldquo;ego&rdquo;. Trata-se de negar a &ldquo;ilus&atilde;o do eu&rdquo;,para acessar &agrave; Vida, que &eacute; nossa verdadeira identidade. Porque s&oacute; quandodeixamos de nos identificar com o &ldquo;ego&rdquo;, tomamos consci&ecirc;ncia da Vida que somos.Essa &eacute; a Vida de que fala o evangelho, a mesma Vida que Jesus viveu, com a qualEle mesmo estava identificado (&ldquo;eu sou a Vida&rdquo;) e a que buscava despertar nosoutros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&oacute;s somos continuamentebombardeados com slogans, imagens, mensagens&#8230; que nos obrigam a perma-necerna superf&iacute;cie de n&oacute;s mesmos, ativando o nosso &ldquo;ego&rdquo; a ser o centro da nossavida: &ldquo;voc&ecirc; vale&rdquo;, &ldquo;voc&ecirc; pode&rdquo;, &ldquo;voc&ecirc; merece&rdquo;&hellip; &ldquo;bem-vindo &agrave; rep&uacute;blicaindependente de sua vida&rdquo; &ldquo;o mundo &agrave; sua medi-da&rdquo;, &ldquo;pensa em voc&ecirc;&rdquo;, &ldquo;seja voc&ecirc;mesmo&rdquo;, &ldquo;viva a sua vida&rdquo;, &ldquo;sinta&rdquo;, &ldquo;experimente&rdquo;, &ldquo;aproveite&rdquo;&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quantas mensagens centradas o tempotodo no restrito campo do nosso ego!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Se o mundo se converte em umacompeti&ccedil;&atilde;o de egos, ent&atilde;o n&atilde;o sobra espa&ccedil;o para o di&aacute;logo, para o encontro,para o amor. Se a pessoa s&oacute; se constr&oacute;i a partir da auto-complac&ecirc;ncia e doolhar centrado em si mesma, termina fechando-se numa bolha que a isola. E essabolha, finalmente, se torna uma pris&atilde;o na qual ela fica s&oacute;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vaidade, orgulho, soberba&#8230;revelam a atitude daquele que se volta sobre si mesmo e se coloca t&atilde;o nocentro, t&atilde;o no pedestal, t&atilde;o inflado e cheio de si, que se faz cego ouindiferente aos outros. &Eacute; estar encantado de si mesmo, mendigando aplausos,esquecendo-se de seus p&eacute;s de barro e de suas limita&ccedil;&otilde;es. &Eacute; acreditar ser oumbigo do mundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;Mas o Evangelho de hoje nos convida, mais umavez, a alargar o c&iacute;rculo, a olhar para fora, a descentrar-nos para encontrar ooutro, a Deus, e, provavelmente, por esse caminho, tamb&eacute;m o olhar maisaut&ecirc;ntico e completo sobre a nossa pr&oacute;pria vida. Ali Jesus fala em &ldquo;renunciar asi mesmo&rdquo;. O modo mais simples de traduzir isso poderia ser: &ldquo;deixa de viverpara teu eu estreito&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o gires em torno ao teu ego, porque esse modo de vidate aprisionar&aacute; cada vez mais, e tua vida ser&aacute; vazia e est&eacute;ril&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Dito positivamente: trata-se deum convite a ir mais al&eacute;m do ego e descobrir nossa verdadeira identidade,aquela &ldquo;identidade compartilhada&rdquo;, na qual o pr&oacute;prio Jesus se encontrava.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;Por isso, estamos diante de uma boa not&iacute;cia:&ldquo;Desperta!&rdquo; &ldquo;reconhece quem tu &eacute;s!&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Descobrir-se a si mesmo&rdquo; &eacute;descobrir que no pr&oacute;prio interior h&aacute; um movimento infinito de constru&ccedil;&atilde;o de simesmo, de identidade em movimento&#8230; que se torna poss&iacute;vel gra&ccedil;as a umconstante arrancar-se do imobilismo e do auto-centramento existencial, quetravam o fluxo da vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">S&oacute; transcende quem se aproxima dapr&oacute;pria interioridade, do pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A verdadeira identidade, ou &ldquo;euexpansivo&rdquo;, &eacute; din&acirc;mica, hist&oacute;rica, fecunda, aberta ao desconhecido,aventureira&#8230; Ela s&oacute; se des-vela para aquele que se desprende das defesas eproje&ccedil;&otilde;es do falso eu.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como fazer para sair de um&ldquo;estado de aprisionamento&rdquo; e encontrar um lugar de expans&atilde;o e de manifesta&ccedil;&atilde;oda livre circula&ccedil;&atilde;o do impulso vital, que faz de cada um de n&oacute;s um &ldquo;soprodivino vivo&rdquo;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ter identidade &eacute; viver a partirdas ra&iacute;zes que nos sustentam. Em contato com a fonte e na viagem para dentro,clareia-se a vis&atilde;o de n&oacute;s mesmos, da nossa originalidade e dignidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">H&aacute; uma for&ccedil;a de gravidade que nosatrai progressivamente para o mais profundo de n&oacute;s mesmos, onde Deus nos esperae nos acolhe, e onde encontraremos o sentido de nossa exist&ecirc;ncia e a verdadeirapaz.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O sentido de nossa exist&ecirc;nciaconsiste, portanto, em &ldquo;passar da morte &agrave; vida&rdquo;: &eacute; a isso que as palavras deJesus nos convidam. O destino do eu atrofiado &eacute; a morte: viver para o euequivale a perder a vida. Pelo contr&aacute;rio, quem come&ccedil;a a descobrir suaverdadeira identidade, j&aacute; est&aacute; morrendo ao seu ego, porque desco-briu que &eacute;&ldquo;outra realidade&rdquo;: a Vida que n&atilde;o morre. E, a partir desta nova percep&ccedil;&atilde;o, todaa vis&atilde;o da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia se modifica.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Aquele que quer salvar seu ego,perde a vida; mas aquele que perde seu ego, salva a vida&rdquo;. E Lucas acrescenta o&ldquo;por minha causa&rdquo;, para destacar nossa unidade em torno ao seguimento doMestre.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesse sentido, &ldquo;negar-se a simesmo&rdquo; e &ldquo;carregar a cruz &ldquo; equivalem a fazer nosso o caminho de Jesus. Ele senegou a tomar o poder, nem usou a for&ccedil;a e o prest&iacute;gio como meios para servir esalvar a humanidade. Jesus escolheu o &uacute;nico caminho que conduz ao cora&ccedil;&atilde;o doser humano: a solidariedade com todos os exclu&iacute;dos da terra. Este foi o caminhod&rsquo;Ele e este deve ser nosso caminho se queremos estar com Ele.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Textos b&iacute;blicos: Lc 9,18-24<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Diante da presen&ccedil;a deDeus, esteja aberto ao contato com a pr&oacute;pria realidade interior, para que venha&agrave; superf&iacute;cie aquilo que o sustenta e dignifica o seu viver.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Dirija seu olhar para o mais&iacute;ntimo de si, onde nascem sentimentos e valores, decis&otilde;es e gestos&#8230; onde voc&ecirc;&eacute; convidado a se alegrar com os rastros da Gra&ccedil;a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Cesse de buscar-se como &ldquo;eu&rdquo; edeixe-se repousar no Sil&ecirc;ncio, na Presen&ccedil;a que anima tudo o que &eacute;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o fa&ccedil;a do &ldquo;eu&rdquo; o centro de suaexist&ecirc;ncia nem de sua identidade. Neste esvaziamento do &ldquo;ego&rdquo; um &ldquo;eucristificado e expansivo&rdquo; vai renascendo e plenificando sua vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Se algu&eacute;m me quer seguir,renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me&rdquo; Lc 9,23) Uma leitura superficial doevangelho de hoje pode dar a impress&atilde;o que o cristianismo &eacute; a religi&atilde;o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1330,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/957"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/957\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}