{"id":893,"date":"2016-07-30T00:00:00","date_gmt":"2016-07-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-tirania-do-ego\/"},"modified":"2016-07-30T00:00:00","modified_gmt":"2016-07-30T00:00:00","slug":"a-tirania-do-ego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-tirania-do-ego\/","title":{"rendered":"A TIRANIA DO EGO"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>[imagem1]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Ent&atilde;o poderei dizer a mim mesmo:meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe,aproveita!&rdquo;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&nbsp;(Lc 12,19)<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O mon&oacute;logo do &ldquo;homem rico&rdquo;, noEvangelho de hoje, revela que, tudo na sua vida, gira em torno do pr&oacute;prio eu:&#8221;meus celeiros&#8221;, &#8220;meu trigo&#8221;, &#8220;meus bens&#8221;. Em suavida, n&atilde;o existe espa&ccedil;o para Deus e para o pr&oacute;ximo. Tudo &eacute; pensado em fun&ccedil;&atilde;o desua satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal: solidariedade, partilha, miseric&oacute;rdia s&atilde;o palavrasbanidas de seu vocabul&aacute;rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este homem reduz sua exist&ecirc;ncia adesfrutar da abund&acirc;ncia de seus bens. No centro de sua vida est&aacute; s&oacute; ele e seubem-estar. Deus est&aacute; ausente. Os empregados que trabalham em suas terras n&atilde;oexistem. As fam&iacute;lias das aldeias que lutam contra a fome n&atilde;o contam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ele &eacute; express&atilde;o mais vis&iacute;vel dodinamismo negativo que nos desumaniza: a avareza e a cobi&ccedil;a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De onde vem a avareza e a cobi&ccedil;a?Onde se encontra a raiz do instinto de posse?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A par&aacute;bola do &ldquo;homem rico&rdquo;,dominado pelo &ldquo;ego possessivo&rdquo;, &eacute; contada por Jesus a partir de uma demanda dealgu&eacute;m que d&rsquo;Ele se aproxima e lhe suplica que resolva uma quest&atilde;o da partilhade bens com seu irm&atilde;o, que lhe fa&ccedil;a justi&ccedil;a. Jesus sabe colocar-se em seulugar: Ele n&atilde;o veio ao mundo como juiz jur&iacute;dico, legal. Como bom pedagogo, Eleparte de uma quest&atilde;o colocada por algu&eacute;m e vai mais al&eacute;m da exterioridade dasitua&ccedil;&atilde;o; ou seja, Ele vai &agrave; raiz dos problemas, que est&aacute; no cora&ccedil;&atilde;o do serhumano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Para Jesus &eacute; mais importantedesmascarar a cobi&ccedil;a e a avareza que nos dominam que fazer valer os direitos napartilha da heran&ccedil;a. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Podemos dizer que por detr&aacute;sdesse impulso de acumula&ccedil;&atilde;o se esconde uma experi&ecirc;ncia de empobrecimentohumano. Na origem da avareza, parece existir um vazio afetivo, uma infantilexperi&ecirc;ncia de inseguran&ccedil;a e, em &uacute;ltimo termo, uma desconex&atilde;o de nossaverdadeira identidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O vazio afetivo &ldquo;exige&rdquo; serpreenchido compulsivamente: esta &eacute; a fonte da ansiedade, que se traduz emvariadas depend&ecirc;ncias, uma das quais, pode ser a afei&ccedil;&atilde;o desordenada pelo dinheiroou pelos bens materiais. Neste sentido, a cobi&ccedil;a ou avareza &eacute; esfor&ccedil;o &ndash; in&uacute;tile est&eacute;ril &ndash; de preench&ecirc;-lo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mais em profundidade, a avareza,enquanto necessidade ilimitada de acumular, se explica &ndash; como todos oscomportamentos eg&oacute;icos &ndash; a partir da desconex&atilde;o de nossa verdadeira identidade.O que somos &ndash; em nossa identidade profunda &ndash; &eacute; Plenitude. Mas, quando nos distanciamosde nosso &ldquo;eu profundo&rdquo; ou o ignoramos, come&ccedil;amos a viver como seres separados ecarentes, em luta permanente e esgotadora por dissimular aquela car&ecirc;ncia quecremos ser. Mendigamos migalhas &ndash; &ldquo;ajuntamos tesouros para n&oacute;s mesmos&rdquo; &ndash; semreconhecer que j&aacute; somos &ldquo;ricos diante de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Esta car&ecirc;ncia existencial &eacute;refor&ccedil;ada pelo ambiente no qual vivemos, marcado pelo consumismo; a publicidadecontinuamente nos imp&otilde;e a ideia de que s&oacute; tem valor quem tem e acumula bens eriquezas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesse ambiente, cada um de n&oacute;svai alimentando uma esp&eacute;cie de ego, vivendo centrados em n&oacute;s mesmos e separadosdo resto do mundo. Tal ego &eacute; possessivo. Muitas vezes manifesta-se como umdesejo insaci&aacute;vel de dinheiro e de bens. Da&iacute; a obsess&atilde;o pela riqueza. Toda anossa economia est&aacute; baseada na poderosa for&ccedil;a impulsionadora do interesseindividual. O ego exacerbado quer controlar o seu mundo: pessoas, acontecimentose natureza. A partir da riqueza, ganha for&ccedil;a a busca do poder e do dom&iacute;niosobre os outros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O ego compara-se com os outros ecompete pelos elogios e pelos privil&eacute;gios, pelo amor, pelo poder e pelodinheiro. &Eacute; isso que nos torna invejosos, ciumentos e ressentidos em rela&ccedil;&atilde;oaos outros. Tamb&eacute;m &eacute; isso que nos torna hip&oacute;critas, dominados pela duplicidadee pela desonestidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Esse ego n&atilde;o confia em ningu&eacute;m an&atilde;o ser em si mesmo. &Eacute; essa falta de confian&ccedil;a que nos torna t&atilde;o inseguros.Ficamos inevitavelmente cheios de medos, preocupa&ccedil;&otilde;es e ansiedades. O nossoego, ou individualismo ego&iacute;sta, torna-nos solit&aacute;rios e temerosos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O ego n&atilde;o ama ningu&eacute;m al&eacute;m de si,atendendo apenas &agrave;s suas pr&oacute;prias necessidades e &agrave; sua pr&oacute;pria gratifica&ccedil;&atilde;o.Sofrendo de uma falta total de compaix&atilde;o ou empatia, ele pode serextraordinariamente cruel para com os outros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como evitar que o nosso ego nosdomine e determine nossa vida? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O primeiro passo ser&aacute; desvelar edesmascarar nosso ego com todas as suas maquina&ccedil;&otilde;es e duplicidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">S&oacute; uma pessoa esvaziada de seuego pode transformar-se e transformar a realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O nosso verdadeiro eu est&aacute;enterrado por baixo do nosso ego ou falso eu. Segundo o Evangelho a pessoacresce e se enriquece na entrega e na desapropria&ccedil;&atilde;o. Porque s&oacute; assim deixarefletir algo da maneira de ser de Deus. Nisso consiste tamb&eacute;m em ser &ldquo;ricopara Deus&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As palavras de Jesus, nesse sentido,s&atilde;o magistrais: &ldquo;Tomai cuidado contra todo tipo de gan&acirc;ncia&#8230;; a vida de umhomem n&atilde;o consiste na abund&acirc;ncia de bens&rdquo; (v. 15). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Evangelho n&atilde;o nos convida aoconformismo. O primeiro &eacute; a justi&ccedil;a, querida por Deus, pregada e vivida porJesus: que todos tenham p&atilde;o, moradia, sa&uacute;de&#8230; fruto da comunh&atilde;o, dasolidariedade, novo nome da justi&ccedil;a; isso &eacute; o Reino, a Nova Humanidade. Maspode ocorrer que quando tenhamos o justo, o que nos corresponde como filhos eirm&atilde;os, ambicionemos mais. Esta cobi&ccedil;a, pecado de raiz, nunca nos permitir&aacute;descansar. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na vida, todos precisamos dealgumas seguran&ccedil;as. E aspiramos condi&ccedil;&otilde;es dignas de vida. Mas, h&aacute; uma linha quesepara a necessidade verdadeira da ansiedade imposta, a seguran&ccedil;a do necess&aacute;rioe a inseguran&ccedil;a do excesso e do abuso. H&aacute; uma tenta&ccedil;&atilde;o muito humana que a todosnos habita: a de ter mais, acumular sempre, apossar-se de tudo&#8230; Parece quen&atilde;o nos satisfazemos nunca com aquilo que conseguimos. Tudo revela-seinsuficiente, e o impulso por acumular &ndash; riquezas, bens, rela&ccedil;&otilde;es ouexperi&ecirc;ncias &ndash; se converte em voracidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; preciso estar sempre alertapara n&atilde;o se deixar determinar pelo dinamismo da cobi&ccedil;a. At&eacute; onde chegar naacumula&ccedil;&atilde;o de bens?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A resposta crist&atilde; &eacute; &ldquo;viver comoJesus&rdquo;: viver confiados nas m&atilde;os providentes do Deus Pai\/M&atilde;e, buscando oReino-Utopia como o mais importante. &ldquo;O resto vir&aacute; por acr&eacute;scimo&rdquo;. A verdadeirariqueza &eacute; investir&nbsp; numa &uacute;nica fortuna: ado amor, do favorecimento da vida, a do descentramento de si mesmo em favor doservi&ccedil;o ao outro, o das obras em favor dos mais pobres e desfavorecidos&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Porque &ldquo;ser rico diante de Deus&rdquo;n&atilde;o significa ter &ldquo;acumulado&rdquo; m&eacute;ritos, mas deixar cair nossa falsa identidade,tomar dist&acirc;ncia do ego e, pacificado e aquietado nosso interior, fazer-nosconscientes da Plenitude que somos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Ser rico diante de Deus&rdquo;significa, antes de mais nada, descobrir a nobreza de nossa identidade profunda,identidade unit&aacute;ria e partilhada, a salvo de ladr&otilde;es, enfermidades e mortes.Trata-se da identidade pela qual nos experimentamos no &ldquo;c&eacute;u&rdquo;, a Presen&ccedil;a divinaque somos e na qual vivemos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp;&nbsp; Lc 12,13-21<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Sabemos da perene e escorregadia tenta&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&ndash; uma mentira perigosa que aparece como&ldquo;verdade&rdquo;- de solucionar as inseguran&ccedil;as e medos de nosso eu atrav&eacute;s dos impulsos&agrave; cobi&ccedil;a que se aninham em nosso cora&ccedil;&atilde;o. H&aacute; coisas que s&atilde;o mentira, mas queaparecem como verdade; a&iacute; se enra&iacute;za seu atrativo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Dar &ldquo;nomes&rdquo; aos apegos quetravam o fluir de sua vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Quais s&atilde;o suas &ldquo;verdadeirasriquezas&rdquo; pelas quais investe o melhor que h&aacute; em voc&ecirc;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><o:p><br \/><\/o:p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Ent&atilde;o poderei dizer a mim mesmo:meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe,aproveita!&rdquo; &nbsp;(Lc 12,19) O mon&oacute;logo do &ldquo;homem rico&rdquo;, noEvangelho de hoje, revela que, tudo na&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1261,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/893"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/893\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}