{"id":880,"date":"2016-08-06T00:00:00","date_gmt":"2016-08-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/um-coracao-em-desejo\/"},"modified":"2016-08-06T00:00:00","modified_gmt":"2016-08-06T00:00:00","slug":"um-coracao-em-desejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/um-coracao-em-desejo\/","title":{"rendered":"Um cora\u00e7\u00e3o em desejo"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ww.w.catequesehoje.org.br\/images\/raizes\/Espiritualidade2016\/18001447-md.jpg\" alt=\"18001447-md.jpg\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Que vossos rins estejam cingidose as l&acirc;mpadas acesas&rdquo; (Lc 12,35)<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&nbsp;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As insistentes recomenda&ccedil;&otilde;es querecebemos, ao iniciar uma viagem a&eacute;rea, cont&eacute;m um tom de advert&ecirc;ncia s&eacute;ria:somos informados que vamos passar por um momento de certa gravidade e nosrecordam que a decolagem e a aterrissagem s&atilde;o momentos de risco e deinstabilidade; por isso &eacute; preciso preparar-se e dispor-se. O aviso &ldquo;afivelemseus cintos de seguran&ccedil;a&rdquo; corresponde ao imperativo &ldquo;tende os rins cingidos eas l&acirc;mpadas acesas&rdquo;, proferido por Jesus no Evangelho deste domingo. Tal apeloequivale a mobilizar-nos para realizar um trabalho, uma viagem, uma miss&atilde;o&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As advert&ecirc;ncias s&atilde;o necess&aacute;rias,porque facilmente nos fechamos ao nosso habitual modo de viver, caindo naacomoda&ccedil;&atilde;o e na falta de aten&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que acontece ao nosso redor.Continuamente estamos diante do novo e do imprevis&iacute;vel e preferimos nos fixarno que &eacute; passado e j&aacute; conhecido, pois nos d&aacute; a impress&atilde;o de seguran&ccedil;a. Com isson&atilde;o avan&ccedil;amos e nem crescemos. Perdemos ricas oportunidades. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; in&uacute;til se esquivar da passagemdo tempo e suas consequ&ecirc;ncias, n&atilde;o escutar seus avisos e dissimular seus efeitos.Facilmente enterramos nossa cabe&ccedil;a na areia, evitando tomar consci&ecirc;ncia daquiloque pede de n&oacute;s uma atitude, colocar-nos de p&eacute; e sair ao seu encontro bemcingidos. O tempo exige decis&atilde;o, pois o tempo &eacute; sempre novo e nos abre a novaspossibilidades. <b>Somos &ldquo;seres detravessia&rdquo; mas a tenta&ccedil;&atilde;o a permanecer na &ldquo;margem conhecida&rdquo; &eacute; cont&iacute;nua<\/b>.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em que consiste, ent&atilde;o, &ldquo;ajustaro cinto&rdquo; e &ldquo;cingir-se&rdquo;? De imediato, consiste na decis&atilde;o de assumir a fr&aacute;gilexist&ecirc;ncia, habit&aacute;-la com sentido e come&ccedil;ar a acolher as mudan&ccedil;as que apassagem do tempo vai introduzir nela. Gostemos ou n&atilde;o, estamos diante de umaetapa diferente das anteriores, na qual, junto a evidentes perdas,apresentam-se novas oportunidades. E dispomos tamb&eacute;m a assumi-la a partir deuma atitude de radical confian&ccedil;a em Deus, seguros de Sua presen&ccedil;a e Suacompanhia, em todo e qualquer tempo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As palavras de Jesus s&atilde;o tamb&eacute;mhoje um chamado a viver com lucidez e responsabilidade, sem cair na passividadeou na letargia. Vivemos tempos densos, carregados de presen&ccedil;a e que pedem den&oacute;s uma prontid&atilde;o. Tempo para tomar consci&ecirc;ncia dos medos, receios eresist&ecirc;ncias despertados pela &ldquo;travessia&rdquo; da vida; tempo para tirar de dentrode n&oacute;s aquelas amarras que impedem o fluir da vida.N&atilde;o &eacute; a hora de apagar asluzes e irmos dormir. &Eacute; a hora de reagir, despertar nossa f&eacute; e seguircaminhando para o futuro, projetando e promovendo caminhos novos de fidelidadeao projeto de Jesus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como manter viva a esperan&ccedil;a?Como n&atilde;o cair na frustra&ccedil;&atilde;o, no cansa&ccedil;o ou no des&acirc;nimo? Nos Evangelhos,encontramos diversas exorta&ccedil;&otilde;es, par&aacute;bolas e chamados que s&oacute; tem um objetivo:manter viva a responsabilidade do seguidor de Jesus. Uma das advert&ecirc;ncias maisconhecidas &eacute; a que encontramos no Evangelho deste domingo: &ldquo;Tende cingidovossos rins e suas l&acirc;mpadas acesas&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As duas imagens s&atilde;o muitoexpressivas. Indicam a atitude que os empregados devem ter quando, &agrave; noite,est&atilde;o esperando que regresse seu senhor para abrir-lhe a porta da casa quandoele os chamar. Devem estar com a &ldquo;cintura cingida&rdquo;, ou seja, com a t&uacute;nica presa&agrave; cintura para poder mover-se e atuar com agilidade; devem estar com as&ldquo;l&acirc;mpadas acesas&rdquo; para ter a casa iluminada e manter-se despertos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A vida do seguidor de Jesus &eacute; umcont&iacute;nuo estar em alerta, estar sempre despertos, estar sempre em espera, estarsempre dispostos. Ele precisa viver com os olhos abertos &agrave;s vindas surpresas deDeus; precisa estar com os ouvidos atentos para escutar seus passos; precisaviver sempre em prontid&atilde;o para abrir a porta de seu cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As palavras de Jesus n&atilde;o cont&eacute;mnada de amea&ccedil;a nem de cobran&ccedil;a; n&atilde;o alimentam um ego fechado nem sustentamnenhuma ideia de m&eacute;rito. S&atilde;o palavras de sabedoria que convidam, ao contr&aacute;rio,a despertar para a Realidade que somos. Despertar &eacute; uma das palavras b&aacute;sicas detodas as tradi&ccedil;&otilde;es de sabedoria. Todas elas nos alertam de que facilmente nossubmergimos no sono da ignor&acirc;ncia, crendo ser o que n&atilde;o somos e desconectadosdo que realmente somos; e esta &eacute; a fonte de muitos sofrimentos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A condi&ccedil;&atilde;o humana pode serdefinida em termos de &ldquo;espera radical&rdquo;&nbsp;ou de &ldquo;esperan&ccedil;a&rdquo;. Porque nos definimos como radical espera, ca&iacute;mos natristeza, quando vislumbramos um futuro amea&ccedil;ador, ou nos entusiasmamos,pensando alcan&ccedil;ar algo que nos agrada. O fil&oacute;sofo Gabriel Marcel fez umaan&aacute;lise penetrante das atitudes humanas de esperan&ccedil;a e desespero. <b>Esperar, para ele, &eacute; passar do &ldquo;tempofechado&rdquo; para o &ldquo;tempo aberto&rdquo;, da superf&iacute;cie do &ldquo;devir&rdquo; para a profundidade doeterno, da fugacidade do &ldquo;ter&rdquo;&nbsp; para aplenitude do &ldquo;ser&rdquo;.<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A esperan&ccedil;a, ao abrir-se para ofuturo imprevis&iacute;vel, benfazejo e plenificante, cria o espa&ccedil;o vital que permitea realiza&ccedil;&atilde;o daquilo que interiormente &eacute; desejado e buscado (&ldquo;buscar e encontrara Vontade divina&rdquo;). Desesperar, pelo contr&aacute;rio, &eacute; fechar-se sobre si mesmo,enclausurar-se no tempo, que n&atilde;o faz mais que passar mecanicamente, sem trazernada v&aacute;lido para a constru&ccedil;&atilde;o de algo novo. O futuro perde toda sua surpresa emist&eacute;rio, feito mera repeti&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias cristalizadas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A espera tem, sem d&uacute;vida, umsignificado ativo; a espera n&atilde;o pode se separar da busca e do encontro, doatuar. Esperar &eacute; ousar re-nascer, vir-de-novo, re-come&ccedil;ar&#8230; na fulgurante artede tecer a vida naquilo que ela tem de mais &iacute;ntimo e profundo. A espera, quando&eacute; carregada de amor e presen&ccedil;a, faz crescer e conhecer regi&otilde;es do cora&ccedil;&atilde;o at&eacute;ent&atilde;o desconhecidas e inexploradas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o mais confundir espera comimpaci&ecirc;ncia. A din&acirc;mica da espera inclui a surpresa. Esta certeza constitui ocentro da experi&ecirc;ncia de f&eacute;. Por isso, a espera &eacute; sempre agradecida e confiada,uma aut&ecirc;ntica sede de Deus. Brota uma certeza: o Esperado, quando chega,ultrapassa sempre o que se espera.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Da aurora ao anoitecer, estousentado &agrave; minha porta. Sei que, quando menos o penso, vir&aacute; o feliz instante emque o verei. Enquanto isso, sorrio e canto sozinho; enquanto isso, o ar est&aacute; seenchendo do aroma da promessa&rdquo; (Tagore).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A esperan&ccedil;a, neste in&iacute;cio des&eacute;culo e de mil&ecirc;nio, parece ser ainda mais urgente e necess&aacute;ria.Os homens emulheres deste tempo, carentes de certezas, parecem ter perdido a firmeza dasantigas &ldquo;verdades eternas&rdquo;, rocha onde se alicer&ccedil;ava a esperan&ccedil;a crist&atilde;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A esperan&ccedil;a &eacute; como uma &ldquo;mem&oacute;riado futuro&rdquo;; tem car&aacute;ter prof&eacute;tico.&nbsp; E,enquanto o anuncia, de certa forma, o prepara. Precisamente por vivermos temposdif&iacute;ceis, precisamos mais do que nunca da pequena e teimosa esperan&ccedil;a. Pois &ldquo;aesperan&ccedil;a &eacute; uma filhinha que todas as manh&atilde;s acorda, lava- se e faz a suaora&ccedil;&atilde;o com um rosto novo&rdquo; (P&eacute;guy).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A esperan&ccedil;a &eacute; a disponibilidadede algu&eacute;m engajado numa experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o, que oferece o penhor e asprim&iacute;cias do que se espera.Nesta esperan&ccedil;a nos alegramos, mesmo nas horas maisdif&iacute;ceis e escuras da nossa vida. Esta &eacute; a esperan&ccedil;a que desejamos vivercomunicar ao mundo; &eacute; a esperan&ccedil;a que d&aacute; calor e sentido &agrave;s nossas esperas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 12, 32-48<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b>&nbsp; O ser humano &eacute; umser de &ldquo;espera&rdquo;.&nbsp; Nesta vida, todos n&oacute;s &nbsp;esperamos algo que est&aacute; sempre &agrave; nossa frente,al&eacute;m das nossas possibilidades atuais. O nosso cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; habitado poresperan&ccedil;as de todo g&ecirc;nero. O que nos diferencia &eacute; a qualidade, a consist&ecirc;ncia eo realismo das nossas esperan&ccedil;as.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Em qu&ecirc; estou colocando a minhacapacidade de esperar?&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &ldquo;Que vossos rins estejam cingidose as l&acirc;mpadas acesas&rdquo; (Lc 12,35) &nbsp; As insistentes recomenda&ccedil;&otilde;es querecebemos, ao iniciar uma viagem a&eacute;rea, cont&eacute;m um tom de advert&ecirc;ncia s&eacute;ria:somos informados que vamos passar por um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1406,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}