{"id":8419,"date":"2019-02-11T13:21:09","date_gmt":"2019-02-11T13:21:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=8419"},"modified":"2019-02-11T16:22:29","modified_gmt":"2019-02-11T16:22:29","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxvii-dia-mundial-do-enfermo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xxvii-dia-mundial-do-enfermo\/","title":{"rendered":"Mensagem do papa Francisco para o XXVII Dia Mundial do Enfermo"},"content":{"rendered":"<p>Todos os anos, em 11 de fevereiro, festa de\u00a0Nossa Senhora de Lourdes, a\u00a0Igreja\u00a0em todo o mundo celebra o Dia Mundial do Doente, para o qual \u00e9 publicada uma mensagem pelo Pont\u00edfice.<\/p>\n<p>O Dia Mundial do Doente foi estabelecido por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II em 1992 e celebrado pela primeira vez em Lourdes, na Fran\u00e7a, em 11 de fevereiro de 1993. De fato, este Dia \u00e9 celebrado de forma especial nesse importante santu\u00e1rio mariano.<\/p>\n<p>A mensagem do Papa Francisco para esta 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o tem como tema \u201cRecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u201d e, nela, o Pont\u00edfice recordou Santa Teresa de Calcut\u00e1 como \u201cum modelo de caridade que tornou vis\u00edvel o amor de Deus pelos pobres e os doentes\u201d.<\/p>\n<p>Leia a mensagem na \u00edntegra:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE FRANCISCO<br \/>\nPARA O XXVII DIA MUNDIAL DO ENFERMO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(11 DE FEVEREIRO DE 2019)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u00abRecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u00bb (<\/em><\/strong><strong>Mt<em>\u00a010, 8)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p>\u00abRecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a010, 8): estas s\u00e3o palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os ap\u00f3stolos a espalhar o Evangelho, para que, atrav\u00e9s de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o do XXVII Dia Mundial do Enfermo, que ser\u00e1 celebrado de modo solene em Calcut\u00e1, na \u00cdndia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja \u2013 M\u00e3e de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos enfermos \u2013 lembra que o caminho mais cred\u00edvel de evangeliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos enfermos precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma car\u00edcia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos \u00e9 \u00abquerido\u00bb.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 dom de Deus, pois \u2013 como adverte S\u00e3o Paulo \u2013 \u00abque tens tu que n\u00e3o tenhas recebido?\u00bb (<em>1 Cor<\/em>\u00a04, 7). E, precisamente porque \u00e9 dom, a exist\u00eancia n\u00e3o pode ser considerada como mera possess\u00e3o ou propriedade privada, sobretudo \u00e0 vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de manipular a \u00ab\u00e1rvore da vida\u00bb (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a03, 24).<\/p>\n<p>Contra a cultura do descarte e da indiferen\u00e7a, cumpre-me afirmar que se h\u00e1 de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmenta\u00e7\u00e3o social dos nossos dias, para promover novos v\u00ednculos e v\u00e1rias formas de coopera\u00e7\u00e3o humana entre povos e culturas. Como pressuposto do dom, temos o di\u00e1logo, que abre espa\u00e7os relacionais de crescimento e progresso humano capazes de romper os esquemas consolidados de exerc\u00edcio do poder na sociedade. O dar n\u00e3o se identifica com o ato de oferecer um presente, porque s\u00f3 se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: n\u00e3o se pode reduzir a mera transfer\u00eancia duma propriedade ou dalgum objeto. Distingue-se de presentear, precisamente porque inclui o dom de si mesmo e sup\u00f5e o desejo de estabelecer um v\u00ednculo. Assim, antes de mais nada, o dom \u00e9 um reconhecimento rec\u00edproco, que constitui o car\u00e1ter indispens\u00e1vel do v\u00ednculo social. No dom, h\u00e1 o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarna\u00e7\u00e3o do Filho Jesus e na efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>Todo o homem \u00e9 pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de n\u00f3s nunca conseguir\u00e1, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguir\u00e1 arrancar de si mesmo o limite da impot\u00eancia face a algu\u00e9m ou a alguma coisa. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que carateriza o nosso ser de \u00abcriaturas\u00bb. O reconhecimento leal desta verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispens\u00e1vel \u00e0 exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Esta consci\u00eancia impele-nos a uma pr\u00e1xis respons\u00e1vel e responsabilizadora, tendo em vista um bem que \u00e9 indivisivelmente pessoal e comum. Apenas quando o homem se concebe, n\u00e3o como um mundo fechado em si mesmo, mas como algu\u00e9m que, por sua natureza, est\u00e1 ligado a todos os outros, originariamente sentidos como \u00abirm\u00e3os\u00bb, \u00e9 poss\u00edvel uma pr\u00e1xis social solid\u00e1ria, orientada para o bem comum. N\u00e3o devemos ter medo de nos reconhecermos necessitados e incapazes de nos darmos tudo aquilo de que ter\u00edamos necessidade, porque n\u00e3o conseguimos, sozinhos e apenas com as nossas for\u00e7as, vencer todos os limites. N\u00e3o temamos este reconhecimento, porque o pr\u00f3prio Deus, em Jesus, Se rebaixou (cf.\u00a0<em>Flp\u00a0<\/em>2, 8), e rebaixa, at\u00e9 n\u00f3s e at\u00e9 \u00e0s nossas pobrezas para nos ajudar e dar aqueles bens que, sozinhos, nunca poder\u00edamos ter.<\/p>\n<p>Aproveitando a circunst\u00e2ncia desta celebra\u00e7\u00e3o solene na \u00cdndia, quero lembrar, com alegria e admira\u00e7\u00e3o, a figura da Santa Madre Teresa de Calcut\u00e1, um modelo de caridade que tornou vis\u00edvel o amor de Deus pelos pobres e os enfermos. Como dizia na sua canoniza\u00e7\u00e3o, \u00abMadre Teresa,\u00a0ao longo de toda a sua exist\u00eancia, foi uma dispensadora generosa da miseric\u00f3rdia divina, fazendo-se dispon\u00edvel a todos, atrav\u00e9s do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (\u2026) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas \u00e0 beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (\u2026) da pobreza criada por eles mesmos. A miseric\u00f3rdia foi para ela o \u201csal\u201d, que dava sabor a todas as suas obras, e a \u201cluz\u201d que iluminava a escurid\u00e3o de todos aqueles que nem sequer tinham mais l\u00e1grimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.A sua miss\u00e3o nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres\u00bb (<em>Homilia<\/em>, 4\/IX\/2016).<\/p>\n<p>A Santa Madre Teresa ajuda-nos a compreender que o \u00fanico crit\u00e9rio de a\u00e7\u00e3o deve ser o amor gratuito para com todos, sem distin\u00e7\u00e3o de l\u00edngua, cultura, etnia ou religi\u00e3o. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperan\u00e7a para a humanidade necessitada de compreens\u00e3o e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.<\/p>\n<p>A gratuidade humana \u00e9 o fermento da a\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios, que t\u00eam tanta import\u00e2ncia no setor socio-sanit\u00e1rio e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. Agrade\u00e7o e encorajo todas as associa\u00e7\u00f5es de voluntariado que se ocupam do transporte e assist\u00eancia dos enfermos, aquelas que providenciam nas doa\u00e7\u00f5es de sangue, tecidos e \u00f3rg\u00e3os. Um campo especial onde a vossa presen\u00e7a expressa a solicitude da Igreja \u00e9 o da tutela dos direitos dos enfermos, sobretudo de quantos se veem afetados por patologias que exigem cuidados especiais, sem esquecer o campo da sensibiliza\u00e7\u00e3o e da preven\u00e7\u00e3o. Revestem-se de import\u00e2ncia fundamental os vossos servi\u00e7os de voluntariado nas estruturas sanit\u00e1rias e no domic\u00edlio, que v\u00e3o da assist\u00eancia sanit\u00e1ria ao apoio espiritual. Deles beneficiam tantas pessoas enfermas, s\u00f3s, idosas, com fragilidades ps\u00edquicas e motoras. Exorto-vos a continuar a ser sinal da presen\u00e7a da Igreja no mundo secularizado. O volunt\u00e1rio \u00e9 um amigo desinteressado, a quem se pode confidenciar pensamentos e emo\u00e7\u00f5es; atrav\u00e9s da escuta, ele cria as condi\u00e7\u00f5es para que o enfermo deixe de ser objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista duma rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade, capaz de recuperar a esperan\u00e7a, mais disposto a aceitar as terapias. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, t\u00eam o fermento da doa\u00e7\u00e3o. Deste modo realiza-se tamb\u00e9m a humaniza\u00e7\u00e3o dos tratamentos.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da gratuidade deveria animar sobretudo as estruturas sanit\u00e1rias cat\u00f3licas, porque \u00e9 a l\u00f3gica evang\u00e9lica que qualifica a sua a\u00e7\u00e3o, quer nas zonas mais desenvolvidas quer nas mais carentes do mundo. As estruturas cat\u00f3licas s\u00e3o chamadas a expressar o sentido do dom, da gratuidade e da solidariedade, como resposta \u00e0 l\u00f3gica do lucro a todo o custo, do dar para receber, da explora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o respeita as pessoas.<\/p>\n<p>Exorto-vos a todos, nos v\u00e1rios n\u00edveis, a promover a cultura da gratuidade e do dom, indispens\u00e1vel para superar a cultura do lucro e do descarte. As institui\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias cat\u00f3licas n\u00e3o deveriam cair no estilo empresarial, mas salvaguardar mais o cuidado da pessoa que o lucro. Sabemos que a sa\u00fade \u00e9 relacional, depende da intera\u00e7\u00e3o com os outros e precisa de confian\u00e7a, amizade e solidariedade; \u00e9 um bem que s\u00f3 se pode gozar \u00abplenamente\u00bb, se for partilhado. A alegria do dom gratuito \u00e9 o indicador de sa\u00fade do crist\u00e3o.<\/p>\n<p>A todos vos confio a Maria,\u00a0<em>Salus infirmorum<\/em>. Que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos com o esp\u00edrito do di\u00e1logo e m\u00fatuo acolhimento, a viver como irm\u00e3os e irm\u00e3s cada um atento \u00e0s necessidades dos outros, a saber dar com cora\u00e7\u00e3o generoso, a aprender a alegria do servi\u00e7o desinteressado. Com afeto, asseguro a todos a minha proximidade na ora\u00e7\u00e3o e envio-vos de cora\u00e7\u00e3o a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p><em>Vaticano, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, 25 de novembro de 2018.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Franciscus<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, em 11 de fevereiro, festa de\u00a0Nossa Senhora de Lourdes, a\u00a0Igreja\u00a0em todo o mundo celebra o Dia Mundial do Doente, para o qual \u00e9 publicada uma mensagem pelo Pont\u00edfice. 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