{"id":841,"date":"2016-08-28T00:00:00","date_gmt":"2016-08-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mesa-lugar-da-solidariedade-e-do-encontro\/"},"modified":"2016-08-28T00:00:00","modified_gmt":"2016-08-28T00:00:00","slug":"mesa-lugar-da-solidariedade-e-do-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mesa-lugar-da-solidariedade-e-do-encontro\/","title":{"rendered":"MESA: lugar da solidariedade e do encontro"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.catequesehoje.org.br\/images\/raizes\/espiritualidade2\/ceiajoey.jpg\" width=\"448\" height=\"304\" alt=\"ceiajoey.jpg\" style=\"box-sizing: border-box; outline: none; border: 0px; vertical-align: middle; display: block; max-width: 100%; height: auto; color: rgb(51, 51, 51); font-family: &quot;Trabuched MS&quot;, Calibri, &quot;Helvetica Neue&quot;, Helvetica, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px; text-align: start; margin-left: auto; margin-right: auto; background-color: rgb(255, 255, 255);\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b>&ldquo;Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no &uacute;ltimo lugar&rdquo;<\/b> (Lc14,10)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em nossa sociedade h&aacute; um complexosistema de normas de protocolo atrav&eacute;s das quais cada um deve se situar,observando uma rigorosa hierarquia na posi&ccedil;&atilde;o social ou religiosa, segundo seu&ldquo;status&rdquo; ou import&acirc;ncia. Isso revela o af&atilde; que o ser humano tem desobressair-se, de brilhar, de competir, de sentir e de querer estar por cimados outros. Conviver com este desejo egocentrado parece t&atilde;o natural que nempercebemos sua presen&ccedil;a, em nosso interior e &agrave; nossa volta. Basta estar atentoao que acontece nos eventos sociais: casamentos, homenagens, festas&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que o ego se move semprea partir de suas necessidades; dentro dessas necessidades, a mais b&aacute;sicaprovavelmente seja a de &ldquo;ser reconhecido&rdquo;, que se expressa na necessidade de&ldquo;ser o primeiro&rdquo; e de buscar que tudo gire em torno dele e de seus interesses. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As palavras de Jesus abordamprecisamente estas quest&otilde;es: qu&ecirc; lugar busco?; o que me move a fazer as coisasque fa&ccedil;o?; qu&ecirc; interesses est&atilde;o envolvidos?&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O ego busca &ldquo;os primeiroslugares&rdquo;: sonha em se destacar, ser visto, sentir-se reconhecido; ama o aplausoe os gestos de admira&ccedil;&atilde;o em sua passagem; encantam-lhe as roupagens especiais eos sinais distintivos de sua valia; quer ter sempre raz&atilde;o e busca imp&ocirc;-la aosoutros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Frente a esta tend&ecirc;ncia, apalavra de Jesus vai &agrave; raiz: trata-se de des-identificar-nos do ego. N&atilde;o somosessas necessidades, n&atilde;o somos o ego com seus interesses. Quando nossaidentidade original emerge, deixamos de viver para o ego. S&oacute; quando nos vemosem profundidade, somos transformados. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quando desvelamos eexperimentamos nossa verdadeira identidade, nosso ego inflado cai e se esvazia.E com ele, se esvaziam tamb&eacute;m aquelas necessidades rid&iacute;culas que guiavam nossavida. Jesus acaba com todo tipo de protocolo, convidando os seus seguidores &agrave;sensatez e ao sentido comum. O conselho de Jesus deve converter-se em pr&aacute;ticahabitual do crist&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>O lugar do disc&iacute;pulo, do seguidor de Jesus &eacute;, por livre escolha, o&uacute;ltimo lugar. <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Suas recomenda&ccedil;&otilde;es no Evangelhode hoje (22&ordm; dom TC) mostram as regras de ouro do protocolo crist&atilde;o: renunciara considerar-se importante, convidar aqueles que n&atilde;o podem retribuir, darprefer&ecirc;ncia aos outros, convidar para sentar &agrave; mesa da vida aqueles que foramexclu&iacute;dos pela sociedade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As palavras de Jesus s&atilde;o umconvite &agrave; generosidade que n&atilde;o busca ser recompensada, a celebrar a festa comaqueles com quem ningu&eacute;m celebra e com aqueles de quem n&atilde;o se pode esperarretribui&ccedil;&atilde;o. O crist&atilde;o ocupa o &uacute;ltimo lugar para que n&atilde;o haja &ldquo;&uacute;ltimos&rdquo; nemexclu&iacute;dos; optar pelo &ldquo;&uacute;ltimo lugar&rdquo; &eacute; denunciar, com delicadeza e ternura,toda hierarquia desumanizadora. Maravilhoso gesto que revela a &uacute;nica aspira&ccedil;&atilde;odaquele que se inspira em Jesus: a de construir um mundo de irm&atilde;os, iguais noservi&ccedil;o m&uacute;tuo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quem assim vive merece umabem-aventuran&ccedil;a que vem se somar &agrave;quelas outras bem-venturan&ccedil;as do Serm&atilde;o daMontanha: &ldquo;Ent&atilde;o tu ser&aacute;s feliz! Porque eles n&atilde;o te podem retribuir&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Agrave; luz das considera&ccedil;&otilde;es acima,preparar a mesa e fazer a refei&ccedil;&atilde;o com os outros implica todo um ritual. Comer&eacute; mais do que ingerir alimentos, &eacute; entrar em comunh&atilde;o com as energias quesustentam o universo e que, por meio dos alimentos, garantem nossa vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por isso, a mesa, a ceia e obanquete s&atilde;o cercados por uma rica simbologia. O pr&oacute;prio Reino de Deus, autopia de Jesus, &eacute; apresentado como uma ceia ou um banquete na casa do Pai. ODeus que Jesus revela &eacute; Aquele que desce das alturas, entra nas casas, tomaassento junto &agrave; mesa, come com as pessoas, serve-lhes o p&atilde;o. Na intimidade damesa, Ele restitui aos exclu&iacute;dos a dignidade e a autoestima, pois eles s&atilde;o ospreferidos do Reino da Festa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;No Filho&rdquo; o Pai &eacute; que entra nacasa deles e come com eles; estabelece novas rela&ccedil;&otilde;es; perdoa-lhes, acolhe-oscom compaix&atilde;o e miseric&oacute;rdia, sacia-lhes a fome&#8230; Os que tinham coragem de sesentar &agrave; mesa com Jesus, n&atilde;o podiam mais sair do mesmo jeito, pois a mesa dop&atilde;o compromete com o p&atilde;o, a justi&ccedil;a e o amor. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A chave de acesso ao mundosagrado da mesa &eacute; sempre a rela&ccedil;&atilde;o com o outro. Para esse centro converge o serhumano em busca do alimento, para renovar suas energias, tomar novo impulso&#8230;descobrir-se humano. &Eacute; junto &agrave; mesa que se d&aacute; o processo de humaniza&ccedil;&atilde;o&nbsp; e comunh&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O nosso h&aacute;bito de fazer refei&ccedil;&atilde;otamb&eacute;m revela tra&ccedil;os de nossa personalidade e de nossos comportamentoscotidianos. O nosso modo de estar &agrave; mesa revela nossas habituais atitudes norelacionamento com os outros. A mesa &eacute; tamb&eacute;m lugar de den&uacute;ncia de nossosfechamentos, de nossas pressas, de nossas resist&ecirc;ncias ao di&aacute;logo, de nossosmedos, de nossa dificuldade em acolher o diferente&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Com isso, percebemos que nem todoencontro de refei&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;a a sua finalidade, a sua resson&acirc;ncia positiva em n&oacute;shumanos. A mesa pode ser corrompida, torna-se o lugar de rupturas, de frieza ede competi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; claro que a &ldquo;culpa&rdquo; n&atilde;o &eacute; da mesa; ela faz a sua parte: a mesa&eacute; sempre oblativa, acolhedora, congrega as diferen&ccedil;as, impele ao servi&ccedil;o&#8230;Mas, nem sempre, nossa resposta &eacute; de gratid&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">H&aacute; mesas para tudo; mesassolit&aacute;rias, mesas da corrup&ccedil;&atilde;o, do poder, da explora&ccedil;&atilde;o&#8230;, tudo o que envolveinteresses, sedu&ccedil;&otilde;es, vaidades&#8230; A frieza tomou conta das rela&ccedil;&otilde;es em torno &agrave;mesa; a aus&ecirc;ncia da ritualidade aumentou a dist&acirc;ncia entre seus participantes.H&aacute; uma verdadeira profana&ccedil;&atilde;o da mesa ao&nbsp;ser transformada em lugar de conchavos sujos, negociatas interesseiras,tramas maldosas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Devemos recuperar o sentido damesa como um altar que deve ser preparado e ornado com carinho, para ser dignade realizar a sua miss&atilde;o sagrada, pois sagrados s&atilde;o tamb&eacute;m aqueles que dela seaproximam, se apoiam e se reclinam sobre seus dons. A mesa &eacute; um sinal decomunh&atilde;o; ao mesmo tempo que ela sinaliza, ela realiza aquilo que sinaliza, ouseja, a inter-comum-uni&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ela n&atilde;o &eacute; agente passivo, masconstrutora de novas possibilidades de vida. A refei&ccedil;&atilde;o em torno da mesarepresenta um ato comunit&aacute;rio e refor&ccedil;a nos participantes os la&ccedil;os dehumanidade, de compaix&atilde;o, de m&uacute;tua confian&ccedil;a e de comunh&atilde;o. Por toda esta cargade simbolismos, a mesa n&atilde;o pode ser posta de qualquer maneira; a sala queostenta a mesa deve ser um local aconchegante e &iacute;ntimo, para realizar o milagredo di&aacute;logo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A m&iacute;stica da mesa da refei&ccedil;&atilde;o,convida, convoca e se coloca na vida do ser humano como fator determinante desociabilidade, de valores e equil&iacute;brios sociais, enfim, de humaniza&ccedil;&atilde;o. Nela ecom ela aprendemos a acolher o outro como dom. Aprendemos a nos doar, apartilhar, a receber, a escutar e a falar, a contemplar o outro em suasingularidade. A mesa &eacute; tamb&eacute;m o lugar onde acolhemos a dor e as tristezas dooutro, com quem partilhamos nossa refei&ccedil;&atilde;o. A mesa-refei&ccedil;&atilde;o, portanto, &eacute; olugar do suporte das rela&ccedil;&otilde;es, espa&ccedil;o que garante o sustento, que alimenta ocorpo, o emocional, o ps&iacute;quico, o espiritual e o social. Lugar humano efecundo, onde o imprevis&iacute;vel pode acontecer. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 14,1.7-14 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Que maneiras &ndash; consciente ou inconsciente &ndash; tem meucora&ccedil;&atilde;o para levar-me a buscar os &ldquo;primeiros lugares&rdquo;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Quando convido algu&eacute;m &agrave; minhamesa, o fa&ccedil;o pensando na recompensa que me poder&aacute; devolver?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qual a compensa&ccedil;&atilde;o afetiva queespero?&#8230; Qual minha &ldquo;agenda oculta&rdquo;? O que espero &ldquo;ganhar ou perder&rdquo;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qu&ecirc; lugar ocupa a mesa darefei&ccedil;&atilde;o em minha casa? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &ldquo;Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no &uacute;ltimo lugar&rdquo; (Lc14,10) Em nossa sociedade h&aacute; um complexosistema de normas de protocolo atrav&eacute;s das quais cada um deve se situar,observando uma rigorosa hierarquia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1047,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/841"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=841"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/841\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}