{"id":8124,"date":"2018-12-22T10:26:49","date_gmt":"2018-12-22T10:26:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=8124"},"modified":"2018-12-22T12:35:22","modified_gmt":"2018-12-22T12:35:22","slug":"advento-tempo-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/advento-tempo-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Advento: tempo das mulheres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cQuando Isabel ouviu a sauda\u00e7\u00e3o de Maria, a crian\u00e7a pulou no seu ventre&#8230;\u201d<\/strong> (Lc 1,41)<\/p>\n<p>Os sinais da quarta Semana do Advento nos devolvem \u00e0 beleza do pequeno, \u00e0 humildade do cotidiano, \u00e0 simplicidade dos encontros. No mist\u00e9rio da Visita\u00e7\u00e3o, uma simples sauda\u00e7\u00e3o, essa experi\u00eancia universal de acolhida do outro, desencadeia uma torrente de comunica\u00e7\u00e3o entre duas mulheres gr\u00e1vidas que se enchem de j\u00fabilo, bendizem e se alegram juntas enquanto a vida cresce em suas entranhas.<\/p>\n<p>No encontro entre Maria e Isabel a comunica\u00e7\u00e3o abarca, com igual intensidade, tanto a dimens\u00e3o corporal como a que se expressa em palavras. Nesse clima de confian\u00e7a total acontece o di\u00e1logo entre elas. Duas mulheres que compartilham um segredo que n\u00e3o s\u00e3o capazes de entrever em toda sua imensidade, carregada de transcendentais consequ\u00eancias. E nessa efus\u00e3o de duas pessoas simples, unidas pelo sangue e sobretudo pela f\u00e9, se reconhecem part\u00edcipes de uma hist\u00f3ria que as ultrapassa. Encantadas, agradecidas, maravilhadas, expressam os sentimentos de seu cora\u00e7\u00e3o no louvor a Deus. \u201cMinh\u2019alma engrandece o Senhor\u201d \u00e9 a primeira mensagem do Magnificat com que nos evangeliza aquela jovem simples de Nazar\u00e9 que guardava em seu cora\u00e7\u00e3o todas as coisas que iam acontecendo.<\/p>\n<p>O evangelho da Visita\u00e7\u00e3o nos convida a contemplar como Maria saiu de sua casa e empreendeu apressadamente uma viagem; viagem que \u00e9 met\u00e1fora de todas as viagens da exist\u00eancia humana. Maria disse \u201cfiat\u201d a Deus, p\u00f4s-se a caminho e foi renovando cada dia de sua vida esse arriscado e confiado \u201csim\u201d. Advento, tempo de espera no qual Maria \u00e9 protagonista, guardando um segredo que afetar\u00e1 a todos n\u00f3s. O que a move a sair \u00e9 um grande projeto que vem do alto. Assim ela nos revela que n\u00e3o se pode viver sem mist\u00e9rio, sem paix\u00e3o; que o mist\u00e9rio nos deslumbra, nos supera e nos dinamiza.<\/p>\n<p>Em Isabel, podemos admirar como se une o assombro por uma maternidade inesperada com a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito atuando sobre sua esterilidade. Seu assombro e exalta\u00e7\u00e3o ecoam com a alegria e a dan\u00e7a da crian\u00e7a que carrega em suas entranhas. Isabel, a mais velha, se inclina diante de Maria, a mais jovem, num abra\u00e7o e num beijo acolhedor. As duas s\u00e3o portadoras de mist\u00e9rio; est\u00e3o profundamente marcadas pela como\u00e7\u00e3o. Nelas tudo \u00e9 surpresa, vibra\u00e7\u00e3o e alegria.<\/p>\n<p>Isabel e Maria n\u00e3o s\u00f3 se acolhem e se animam, mas se acompanham e se ajudam. O acompanhamento entre ambas se converte em fonte de ben\u00e7\u00e3os. Maria descobre que n\u00e3o se encontra sozinha; h\u00e1 uma mulher que lhe acompanha. Ela quer compartilhar sua experi\u00eancia de mulher (e futura m\u00e3e) com outra mulher, sua \u201cprima\u201d Isabel, a m\u00e3e do Batista.\u00a0 Maria vai ao encontro de Isabel para sentir o apoio na figura de uma mulher madura, mas cheia de vida e de futuro. N\u00e3o se dirige ao Templo nem ao sacerdote&#8230; Os homens de ent\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o capazes de entender o que est\u00e1 acontecendo nestas duas mulheres, pois est\u00e3o preocupados com outras coisas. Maria precisa dizer para outra mulher, para celebrar com ela \u201ca maravilha que Deus estava realizando nela\u201d. Toda a hist\u00f3ria da esperan\u00e7a humana, a humanidade inteira se condensa em duas mulheres.<\/p>\n<p>Ambas, tocadas pelo Esp\u00edrito, seguem sua pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o: cada uma tem sua gravidez, e isto requer cuidado, prote\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio&#8230;Assim, as duas unidas caminhar\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um maravilhoso futuro desconhecido. O novo precisa companhia, unir m\u00e3os e cora\u00e7\u00f5es, mentes, for\u00e7as e p\u00e9s. Cada uma com seu segredo dentro de si, presente em suas entranhas. As duas com uma forte convic\u00e7\u00e3o: foram visitadas pela miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p>Em nome do filho que dan\u00e7a no seu ventre e tomando a palavra dos grandes s\u00e1bios da Antiga Alian\u00e7a, como encarna\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a do povo israelita que aguardou este momento durante s\u00e9culos, Isabel canta a grandeza da m\u00e3e do Messias: \u201cBendita tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto de teu ventre!\u201d \u201cBem-aventurada aquela que acreditou, porque ser\u00e1 cumprido o que o senhor lhe prometeu\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 voz de ben\u00e7\u00e3o, ou seja, de gra\u00e7a criadora e abund\u00e2ncia. Esta \u00e9 a ben\u00e7\u00e3o e a bem-aventuran\u00e7a que dirigem a Maria todos os \u201cesperantes\u201d do Antigo Testamento. Esperaram longos s\u00e9culos, dirigidos, animados, pela voz dos profetas. Agora podem sentir-se satisfeitos. Chegou o cumprimento e assim o confirma, em nome de todos, Isabel, mulher israelita, m\u00e3e prof\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que as b\u00ean\u00e7\u00e3os eram comunicadas pelos sacerdotes. No entanto, Isabel bendiz Maria em sua plena juventude e gr\u00e1vida de Deus. Bendiz o fruto de suas entranhas. S\u00f3 esta mulher que engendrou em sua velhice, assumindo a voz do profeta que carrega em sua entranha, pode entender e receber a m\u00e3e messi\u00e2nica, proclamando sobre ela a grande voz do cumprimento dos tempos. Estamos no centro da ora\u00e7\u00e3o mais querida dos crist\u00e3os cat\u00f3licos (depois do Pai-Nosso), que \u00e9 a Ave Maria. Maria recebe agradecida as palavras de ben\u00e7\u00e3o e lhe responde dando gra\u00e7as a Deus com o Magnificat.<\/p>\n<p>Advento \u00e9 o tempo das mulheres, ou seja, daquelas que tem uma surpresa a oferecer, pondo-se a servi\u00e7o do amor de Deus que levam em seus ventres, amor que as envolve e as transcende, fazendo-as servidoras da vida.<\/p>\n<p>A cena da Visita\u00e7\u00e3o nos situa em um espa\u00e7o intenso de mulheres. \u00c9 como se, ao chegar o momento culminante da revela\u00e7\u00e3o, os var\u00f5es passassem a segundo plano. Certamente, realizaram e em algum sentido continuam realizando fun\u00e7\u00f5es socialmente importantes: fazem neg\u00f3cios, servem como sacerdotes no templo, estudam e explicam o sentido da lei como escribas, definem e encarnam a pureza do povo eleito como os fariseus&#8230;<\/p>\n<p>Esses e outros of\u00edcios de var\u00f5es foram e s\u00e3o valiosos; mas ao chegar a plenitude dos tempos acabam se tornando secund\u00e1rios, pois Deus n\u00e3o precisa de sacerdotes, nem de fariseus, nem escribas, como os antigos. O cuidado da vida e a vida mesma do Messias de Deus, como futuro salvador da humanidade, est\u00e1 em m\u00e3os de mulheres.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a Igreja hoje deve viver \u201cem tempo de \u201cparto\u201d, pois carrega em seu ventre Algu\u00e9m maior que ela mesma; ela s\u00f3 poder\u00e1 \u201cdar \u00e0 luz\u201d a Deus na hist\u00f3ria da humanidade se renunciar \u00e0s suas grandezas externas, feitas de riquezas e privil\u00e9gios, de honras e poderes&#8230; e revestir-se da simplicidade, da ternura e da acolhida amorosa. Para isso, ela precisa p\u00f4r-se a caminho, para visitar e dialogar com Isabel e com outras mulheres, e aprender com elas o que significa estar a servi\u00e7o da vida, que a ultrapassa sempre.<\/p>\n<p>Este \u00edcone da Visita\u00e7\u00e3o desvela o modo original de ser e de agir de toda a comunidade eclesial; h\u00e1 diversidades de servi\u00e7os que a caracterizam, mas todos s\u00e3o convidados a reconhecer, a servir, a celebrar as maravilhas que Deus continuamente\u00a0 realiza em tudo e em todo.<\/p>\n<p>\u00c9 um \u00edcone din\u00e2mico que nos lan\u00e7a a \u201csair apressadamente\u201d ao encontro do outro, com quem temos um parentesco, na consci\u00eancia de que fazemos parte de uma mesma humanidade. A vida crist\u00e3 de nossos dias precisa voltar \u00e0 Visita\u00e7\u00e3o, reviver a \u201ccultura do encontro\u201d e buscar inspira\u00e7\u00e3o nas protagonistas no evangelho deste domingo. A vida crist\u00e3 necessita Visita\u00e7\u00e3o para ser mais vida e mais crist\u00e3, para deixar seguran\u00e7as, cuidar e acompanhar a vida que h\u00e1 nela e nas \u201cperiferias existenciais\u201d, ali onde o novo est\u00e1 germinando, para espanto e surpresa de todos.<\/p>\n<p>Com a Visita\u00e7\u00e3o nos chega mem\u00f3ria agradecida, paix\u00e3o comprometida e esperan\u00e7a dinamizadora de um poss\u00edvel presente fecundo. A Visita\u00e7\u00e3o \u00e9 um foco criativo de espiritualidade.<\/p>\n<p><strong>Texto b\u00edblico:\u00a0 Lc 1,39-45<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na ora\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Advento nos inunda da alegria da Visita\u00e7\u00e3o e nos move a ser portadores e portadoras da Vida de Deus para o nosso hoje.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea visita ou se deixa visitar por quem \u00e9 diferente? ou assume posturas de preconceito e intoler\u00e2ncia?<\/p>\n<p>&#8211; Atrav\u00e9s das \u201credes sociais\u201d visitamos tantas pessoas:<\/p>\n<p>suas visitas virtuais s\u00e3o cheias de gra\u00e7a e alegria ou carregadas de julgamento, de mensagens pessimistas&#8230;?<\/p>\n<p>Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando Isabel ouviu a sauda\u00e7\u00e3o de Maria, a crian\u00e7a pulou no seu ventre&#8230;\u201d (Lc 1,41) Os sinais da quarta Semana do Advento nos devolvem \u00e0 beleza do pequeno, \u00e0 humildade do cotidiano, \u00e0&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8125,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8124"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8124"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8124\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8127,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8124\/revisions\/8127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}