{"id":7946,"date":"2018-11-25T08:48:48","date_gmt":"2018-11-25T08:48:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=7946"},"modified":"2018-11-25T12:50:45","modified_gmt":"2018-11-25T12:50:45","slug":"realeza-interior-nosso-ser-verdadeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/realeza-interior-nosso-ser-verdadeiro\/","title":{"rendered":"Realeza interior, nosso ser verdadeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Todo aquele que \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d\u00a0<\/em> (Jo 18,37)<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante que tenhamos uma pequena ideia sobre o momento e o motivo que levou o Papa Pio XI, em 1925, a instituir a festa de Cristo Rei. A Igreja estava perdendo seu poder e seu prest\u00edgio, acossada pela modernidade. Com esta festa, tentou-se recuperar o terreno perdido frente a um mundo secular, laicista e descrente. Na enc\u00edclica o papa dava as raz\u00f5es para instituir a festa: \u201crecuperar o reinado de Cristo e de sua Igreja\u201d.<\/p>\n<p>Ao confessar Cristo como Rei universal queria-se, com isso, veicular o desejo de que tamb\u00e9m a Igreja fosse testemunha e participante j\u00e1 aqui na terra dessa realeza; em outras palavras, uma realeza de Cristo reconhecida, redundava inevitavelmente em uma igreja respeitada, favorecida pelo Estado, com alto status na sociedade, forte e organizada, que, embora j\u00e1 n\u00e3o podendo mais revestir-se de poder pol\u00edtico temporal, pelo menos pudesse participar dele atrav\u00e9s de uma rela\u00e7\u00e3o estreita e harmoniosa.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o da festa pode ser boa, mas o t\u00edtulo atribu\u00eddo a Jesus n\u00e3o poderia ser de seu agrado. Embora muitos estejam ainda centrados na vis\u00e3o de uma Igreja que busca poder, prest\u00edgio, riqueza&#8230; a partir da imagem do Cristo Rei, na realidade, o que celebramos \u00e9 uma radical mudan\u00e7a de linguagem: Jesus rei servidor, que se coloca a servi\u00e7o dos mais desfavorecidos, sem poder, sem gl\u00f3ria, sem pompas&#8230; Podemos conservar o t\u00edtulo, mas mudar a maneira de entend\u00ea-lo; Jesus \u00e9 \u201cRei do Universo\u201d quando a paz, o amor e a justi\u00e7a reinarem em todos os rinc\u00f5es da terra, quando todos forem testemunhas da verdade, quando em todos os ambientes a mesa do Reino se tornar mesa de inclus\u00e3o e de acolhida&#8230;<\/p>\n<p>Portanto, qualquer conota\u00e7\u00e3o que o t\u00edtulo tenha com o poder e com as pompas, esvazia a mensagem de Jesus. Uma coroa de ouro na cabe\u00e7a, um cetro brilhante nas m\u00e3os, um manto tecido de brocados e pedras preciosas, s\u00e3o muito mais degradantes que a coroa de espinhos e a cana que os soldados colocaram em suas m\u00e3os no momento do seu julgamento. Ali, diante do poder violento e corrupto de Pilatos, Jesus, a\u00e7oitado e coroado de espinhos, se mostra sereno e revela a plena humanidade de um Rei sem reino; um rei das na\u00e7\u00f5es de exilados, do povo sem lar, dos desamparados&#8230;, que prefere o poder do amor ao poder da for\u00e7a e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns domingos atr\u00e1s, Jesus nos dizia que aquele que queria ser o primeiro, deveria ser o \u00faltimo, e aquele que queria ser grande deveria ser o servidor de todos. Esse af\u00e3 de identificar Jesus com o poder e a gl\u00f3ria, n\u00e3o ser\u00e1 acaso uma maneira de justificar nosso af\u00e3 de poder, de prest\u00edgio, de nos impor sobre outros? N\u00e3o ser\u00e1 porque n\u00f3s crist\u00e3os temos projetado n\u2019Ele nossa necessidade de grandeza?<\/p>\n<p>Reinar e ter poder \u00e9 objeto de desejo de extraordin\u00e1ria magnitude e fasc\u00ednio para o ser humano. Seu brilho encanta e seduz; sua proposta \u00e9 extremamente atraente; para muitos, \u00e9 a suprema ambi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 ser humano que n\u00e3o tenha sido tentado pelo canto desta sereia.<\/p>\n<p>\u201cReinar\u201d. Em nosso mundo reina o terror, reina a mis\u00e9ria, reina a explora\u00e7\u00e3o, reina a vingan\u00e7a, reina o neg\u00f3cio sujo, reina a viol\u00eancia, a intoler\u00e2ncia, o preconceito&#8230; Quando em nosso mundo reinar a confian\u00e7a m\u00fatua, quando todos viverem a cultura do encontro, quando n\u00e3o houver exclu\u00eddos nem sofredores, quando os neg\u00f3cios forem honrados, quando formos capazes de compartilhar e de acolher o diferente&#8230;, ent\u00e3o poderemos come\u00e7ar a atribuir o t\u00edtulo de Rei a Jesus e proclamar que Ele reina.<\/p>\n<p>Jesus acreditou na for\u00e7a da semente, no poder do fermento, na criatividade dos pobres, no dinamismo incompar\u00e1vel do Esp\u00edrito, mas a partir de dentro, a partir da humaniza\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es. Por isso,\u00a0<strong>Jesus \u00e9 Rei porque deixou transparecer sua \u201crealeza interior\u201d: o que n\u2019Ele era mais humano e divino, a sua verdade, seu ser verdadeiro&#8230;, no mais profundo de si mesmo. Realeza que se visibilizava no encontro com o outro. Jesus destravava e ativava a realeza escondida em cada um, desvelava a verdade mais nobre presente nas profundezas de cada pessoa.<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do processo de Jesus frente a Pilatos, segundo o quarto Evangelho, ocupa um lugar destacado a quest\u00e3o sobre a verdade; ali o t\u00edtulo de \u201crei\u201d \u00e9 identificado com ser \u201ctestemunha da verdade\u201d. Jesus \u00e9 consciente, como os grandes s\u00e1bios, de viver na verdade de si mesmo, porque se adentrou no \u201cterrit\u00f3rio\u201d de sua verdadeira identidade. A Verdade estava na sua atitude de vida. Esta era a Verdade. O convite de Jesus \u00e9, portanto, absolutamente inclusiva: toda pessoa que, a partir de uma atitude de busca sincera e humilde, se \u201cadentre\u201d na experi\u00eancia de sua pr\u00f3pria verdade, sentir\u00e1 necessariamente a \u201csintonia\u201d com Ele, assim como com todos aqueles(as) que o seguem e vivem de maneira verdadeira e transparente. Portanto, o verdadeiro sentido do seguimento de Jesus e a f\u00e9 madura em Deus n\u00e3o se reduzem \u00e0 seguran\u00e7a e firmeza em umas determinadas verdades; mais importante que as verdades de nosso saber \u00e9 a humaniza\u00e7\u00e3o de nossas atitudes.<\/p>\n<p>\u201cVim ao mundo para dar testemunho da verdade\u201d. Jesus n\u00e3o se refere a verdades doutrinais ou cient\u00edficas; Ele est\u00e1 falando da autenticidade de seu Ser; Ele est\u00e1 falando da verdade de seu Ser e da verdade de todo ser humano. Jesus \u00e9 rei porque vive na verdade, vive na transpar\u00eancia; Ele \u00e9 verdadeiro porque revela o que \u00e9 mais nobre em seu cora\u00e7\u00e3o e no cora\u00e7\u00e3o de todos os seguidores(as); n\u00e3o usa m\u00e1scara, \u00e9 pura transpar\u00eancia do rosto do Pai.<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 o Homem aut\u00eantico, a refer\u00eancia de ser humano, o ser humano verdade. Jesus \u00e9 a \u00faltima refer\u00eancia para todo aquele que queira deixar transparecer em sua vida a verdadeira qualidade humana. Em certo sentido, poder-se-ia dizer que a verdade n\u00e3o passa pela mente, mas pela vida; nem pelo pensar de uma determinada maneira, mas por ser e viver de um modo humano e inspirador. Por isso, frente ao fanatismo e intoler\u00e2ncia que denota fechamento e estreiteza de vida, a verdade requer abertura humilde, questionamento e flexibilidade.<\/p>\n<p>O importante n\u00e3o \u00e9 ter a verdade, mas ser verdadeiro. A pessoa verdadeira pode entrar em resson\u00e2ncia e em sintonia com a verdade do outro. O intolerante, o preconceituoso julga ser dono da verdade e quer imp\u00f4-la sobre os outros. A verdade n\u00e3o \u00e9 um dogma e sim um caminho. Quanto mais verdades absolutas, mais estreito vai ficando o nosso mundo. A humanidade busca a verdade, mas tamb\u00e9m pode asfixi\u00e1-la. Costuma-se calar a verdade que incomoda. Tamb\u00e9m existe sempre a tend\u00eancia de querer impor, pela for\u00e7a, pelo medo, aquilo que se acredita ser verdadeiro. \u201cA verdade tamb\u00e9m pode ter suas v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Texto b\u00edblico:\u00a0 Jo 18,33-37<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na ora\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0precisamos dar passos em dire\u00e7\u00e3o a maiores n\u00edveis de verdade humana e evang\u00e9lica em nossas vidas, nossas rela\u00e7\u00f5es, nossas institui\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>* o que h\u00e1 de verdade e o que h\u00e1 de mentira em nosso seguimento de Jesus? Onde h\u00e1 verdade que nos humaniza e onde h\u00e1 mentira que nos atrofia?<\/p>\n<p>Por: Pe. Adroaldo Palaoro, sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Todo aquele que \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d\u00a0 (Jo 18,37) \u00c9 muito importante que tenhamos uma pequena ideia sobre o momento e o motivo que levou o Papa Pio XI, em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7947,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7946"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7946"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7946\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7949,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7946\/revisions\/7949"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}