{"id":7699,"date":"2018-11-02T08:00:49","date_gmt":"2018-11-02T08:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=7699"},"modified":"2018-11-02T17:14:12","modified_gmt":"2018-11-02T17:14:12","slug":"finados-assim-na-vida-como-na-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/finados-assim-na-vida-como-na-vida\/","title":{"rendered":"Finados: assim na Vida como na vida"},"content":{"rendered":"<p>Morrer \u00e9 o processo pelo qual nos &#8216;reintegramos&#8217; na Vida que sempre fomos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Todos somos criaturas procedentes das entranhas d\u2019Aquele que \u00e9 Plenitude e Presen\u00e7a. Filhos e filhas de Deus, gerados pelos nossos pais, desde toda a Eternidade estamos em seu pensamento e em seu cora\u00e7\u00e3o; \u00a0da\u00ed nosso desejo de eternidade. Na Eternidade n\u00e3o h\u00e1 passado nem futuro, s\u00f3 Presente, aqui e agora.<\/p>\n<p>Ao nascer, come\u00e7amos a existir, mas j\u00e1 est\u00e1vamos na mente e no cora\u00e7\u00e3o de Deus; existir \u00e9 ser no tempo; ao morrer, deixamos de existir, mas n\u00e3o deixamos de ser. Usando uma express\u00e3o po\u00e9tica podemos dizer que\u00a0<em>\u201csomos suspiros de amor de Deus\u201d<\/em>\u00a0e, tal como as ondas do mar que beijam a praia e retornam ao oceano que as constitui, assim n\u00f3s tamb\u00e9m retornaremos \u00e0 nossa Fonte original; seremos \u201caspirados\u201d para dentro do cora\u00e7\u00e3o oce\u00e2nico do Deus Pai\/M\u00e3e.<\/p>\n<p>Isso celebramos cada 2 de novembro: a esperan\u00e7a de que aqueles que morreram, j\u00e1 vivem ressuscitados para a Vida de Deus. No\u00a0<strong>\u201cDia de Finados\u201d,<\/strong>\u00a0n\u00f3s crist\u00e3os recordamos (visitamos de novo com o cora\u00e7\u00e3o), na ora\u00e7\u00e3o e no afeto, aqueles(as) que amamos e que j\u00e1 deixaram este mundo. Apesar de sua aus\u00eancia f\u00edsica, pela f\u00e9 sabemos que a morte n\u00e3o tem nunca a \u00faltima palavra. De fato, a morte \u00e9 a passagem para a Vida, para sempre; a Vida que n\u00e3o ter\u00e1 fim, pois nosso Deus n\u00e3o \u00e9 Deus de mortos, mas de vivos. Porque para Deus, todos vivem.<\/p>\n<p>Celebrar e recordar os falecidos a cada 02 de novembro e cada dia na eucaristia nos anima a viver a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o e nos encher de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia crist\u00e3 da morte parte de uma revela\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: Deus n\u00e3o quer a morte, mas a vida, a vida plena para toda pessoa humana.\u00a0<em>\u201cTu perdoas a todos, porque s\u00e3o teus, Senhor, amigo da vida\u201d<\/em>\u00a0(Sab. 11,26). Somos convidados \u00e0 confian\u00e7a em Deus, renunciando toda pretens\u00e3o de querer controlar nossa exist\u00eancia; somos movidos a reconhecer que os momentos cruciais de nossa vida foram \u201cdom de Deus\u201d, mais que planificada constru\u00e7\u00e3o nossa.<\/p>\n<p>Morrer \u00e9 o processo pelo qual nos \u201creintegramos\u201d na Vida que sempre fomos.<\/p>\n<p>Somos viventes mortais e honramos os nossos mortos, aqueles cuja recorda\u00e7\u00e3o ainda nos afeta. Mas todos os mortos, grandes e pequenos, santos e pecadores, s\u00e3o nossos, somos de todos eles, pois a mesma vida nos une na morte, e a mesma morte nos une na vida. O que eles(elas) foram na vida agora faz parte do que somos, e nossa vida deve restaurar e completar o que eles n\u00e3o alcan\u00e7aram viver. Nisso consiste honrar os mortos: em dar culto \u00e0 vida, em cultiv\u00e1-la, cuid\u00e1-la, cur\u00e1-la neles e em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Celebrar o dia de\u00a0<strong>Finados<\/strong>\u00a0\u00e9 um ato de justi\u00e7a para com os mortos. Os mortos tamb\u00e9m tem direitos e \u00e9 bom que se reconhe\u00e7a isso. Vivemos uma cultura que extingue o passado, obscurece o futuro e fica preso a um presente emocional vazio. Os mortos t\u00eam direito a que lhes agrade\u00e7amos sua vida e a marca original que nos deixaram.<\/p>\n<p>Celebrar e recordar aqueles que nos precederam \u00e9 negar \u00e0 morte a \u00faltima palavra, \u00e9 afirmar que a\u00a0<strong>Vida<\/strong>\u00a0\u00e9 a palavra definitiva; recordar aqueles com os quais convivemos nos faz viver a partir das ra\u00edzes humanas, ancorados em nossa exist\u00eancia cotidiana.<\/p>\n<p>N\u00e3o querer ver a morte de frente, ignor\u00e1-la, apag\u00e1-la de nossa vida, faz\u00ea-la invis\u00edvel&#8230;, \u00e9 perder humanidade, \u00e9 um auto-engano sobre a condi\u00e7\u00e3o humana fr\u00e1gil, banaliza-se a mesma vida que acaba n\u00e3o valendo nada. Quando a morte \u00e9 \u201cconsumida\u201d diariamente nos notici\u00e1rios, s\u00f3 se ativam emotividades instant\u00e2neas que n\u00e3o levam a nada, ou a uma resigna\u00e7\u00e3o est\u00e9ril diante do que acontece.<\/p>\n<p>Pensamos que a morte \u00e9 o contr\u00e1rio da vida e essa l\u00f3gica \u00e9 falsa. A vida \u00e9 como uma moeda que tem duas faces: uma \u00e9 o nascimento, a outra \u00e9 a morte. Entre as duas faces est\u00e1 a moeda, que \u00e9 o importante. \u00c9 a vida que devemos dar valor, n\u00e3o seus limites.<\/p>\n<p>Diante da necessidade inata de recordar nossos antepassados devemos aproveit\u00e1-la para encontrar seguran-\u00e7a e sentido em nosso pr\u00f3prio mundo. A consci\u00eancia de que somos o que somos, gra\u00e7as aos seres humanos que nos precederam, \u00e9 uma realidade inspiradora para o nosso viver. Recordar os nossos familiares faleci-dos e agradecer-lhes o que fizeram por n\u00f3s nos ajudar\u00e1 a fazer o mesmo por aqueles que caminham conosco.<\/p>\n<p>Entrar em sintonia com os seres queridos que morreram nos impulsiona a viver com maior intensidade a vida que ainda temos nas nossas m\u00e3os. Todo o<strong><em>\u00a0humano\u00a0<\/em><\/strong>que eles nos transmitiram devemos potenci\u00e1-lo em n\u00f3s para que o mundo v\u00e1 se humanizando. Pelos mortos j\u00e1 n\u00e3o podemos fazer nada, mas sua recorda\u00e7\u00e3o nos impulsiona para aqueles que vivem junto a n\u00f3s. O maior elogio que se pode dizer de um ser humano \u00e9<\/p>\n<p>que, quando partiu, deixou o mundo um pouquinho melhor que quando chegou a ele.<\/p>\n<p>O grande te\u00f3logo Karl Rahner entendia a morte em chave de\u00a0<strong><em>generosidade.<\/em><\/strong>Morrer, escreveu ele, \u00e9 \u201cdar lugar\u201d aos que vir\u00e3o depois, \u00e9 nosso \u00faltimo exerc\u00edcio de amor, responsabilidade e humildade. \u00c9, inclusive, nosso derradeiro exerc\u00edcio de liberdade.<\/p>\n<p>Precisamos morrer, n\u00e3o s\u00f3 para que outros vivam, abrindo, com nossa morte, um espa\u00e7o para eles, mas tamb\u00e9m para que valorizemos a vida como presente recebido, que vamos legando aos que vem, constituindo, assim, uma corrente de vida sempre mais expansiva.<\/p>\n<p>Todos morremos, mas h\u00e1 mortes e mortes. Na cultura da \u201cp\u00f3s-moderna l\u00edquida\u201d a\u00a0<strong>morte<\/strong>\u00a0se apresenta como termo, ruptura e aniquila\u00e7\u00e3o. Somente os que n\u00e3o viveram seriamente, os que esbanjaram sua vida em caprichos e superficialidades, os que semearam dor e morte ao seu redor, os que asfixiaram a vida e n\u00e3o se importaram com os outros, tem medo de morrer.<\/p>\n<p>Os que aceitaram sua vida e se atreveram a viv\u00ea-la seriamente, os que a viveram como dom que se entrega, aceitam sua morte e a esperam de modo sereno e livre, como o descanso devido depois de uma jornada trabalhosa e fecunda. Assim como a jornada cumprida devidamente d\u00e1 alegria ao sonho, uma vida bem vivida d\u00e1 alegria \u00e0 morte. Porque a vida valeu a pena, tamb\u00e9m vale a pena morrer.<\/p>\n<p><strong>Dia de Finados<\/strong>\u00a0\u00e9 ocasi\u00e3o privilegiada para confrontar a\u00a0<strong>morte,<\/strong>\u00a0como fazemos com outros medos.<\/p>\n<p>Devemos contemplar nosso fim \u00faltimo, familiarizar-nos com ele, aprofund\u00e1-lo e analis\u00e1-lo, conversar com ele e descartar as aterrorizadoras distor\u00e7\u00f5es infantis sobre a morte.<\/p>\n<p>Ao compreendermos, de verdade, nossa condi\u00e7\u00e3o humana \u2013 nossa finitude, nosso breve per\u00edodo de tempo sob a luz -, n\u00e3o s\u00f3 passamos a saborear a preciosidade de cada momento e o simples prazer de existir, como tamb\u00e9m intensificamos nossa compaix\u00e3o por n\u00f3s mesmos e por todos os outros seres humanos.<\/p>\n<p>Morre-se no instante da morte, como morremos ao longo da vida. Este \u00e9 o caminho normal de morrer. A presen\u00e7a da morte na exist\u00eancia n\u00e3o se veste de luto, mas de seriedade e irreversibilidade nas decis\u00f5es. Uma vida pensada sem morte perde-se, no final, na total irresponsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Pe.\u00a0Adroaldo Palaoro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morrer \u00e9 o processo pelo qual nos &#8216;reintegramos&#8217; na Vida que sempre fomos. Todos somos criaturas procedentes das entranhas d\u2019Aquele que \u00e9 Plenitude e Presen\u00e7a. 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