{"id":7677,"date":"2018-10-30T07:00:28","date_gmt":"2018-10-30T07:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=7677"},"modified":"2018-10-30T10:42:53","modified_gmt":"2018-10-30T10:42:53","slug":"sinodo-sobre-os-jovens-o-que-diz-o-documento-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/sinodo-sobre-os-jovens-o-que-diz-o-documento-final\/","title":{"rendered":"S\u00ednodo sobre os Jovens: o que diz o Documento Final"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas partes, 12 cap\u00edtulos, 167 par\u00e1grafos, 60 p\u00e1ginas: assim se apresenta o documento final da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, sobre o tema &#8220;Os jovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional&#8221;. O texto foi aprovado na tarde de 27 de outubro na Sala do S\u00ednodo. O documento foi entregue nas m\u00e3os do Papa, que ent\u00e3o autorizou a sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00c9 o epis\u00f3dio dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, narrado pelo evangelista Lucas, o fio condutor do\u00a0<a href=\"http:\/\/press.vatican.va\/content\/salastampa\/it\/bollettino\/pubblico\/2018\/10\/27\/0789\/01722.html\" rel=\"external nofollow\">Documento Final<\/a>\u00a0do S\u00ednodo dos Jovens. Lido na Sala alternando vozes do relator geral, cardeal S\u00e9rgio da Rocha, e os secret\u00e1rios Especiais, padre Giacomo Costa e padre Rossano Sala, juntamente com Dom Bruno Forte, membro da Comiss\u00e3o para a Reda\u00e7\u00e3o do texto, o documento \u00e9 complementar ao<i>\u00a0Instrumentum laboris\u00a0<\/i>do S\u00ednodo, do qual toma a subdivis\u00e3o em tr\u00eas partes.<\/p>\n<p>Acolhido com aplausos, o texto &#8211; disse o cardeal S\u00e9rgio Da Rocha &#8211; \u00e9 &#8220;o resultado de um verdadeiro trabalho de equipe&#8221; dos Padres Sinodais, juntamente com os outros participantes no S\u00ednodo e &#8220;em modo particular os jovens.&#8221; O Documento, portanto, recolhe as 364 formas, ou emendas, apresentadas. &#8220;A maior parte delas &#8211; acrescentou o Relator geral &#8211; foi precisa e construtiva&#8221;. Todos os par\u00e1grafos do texto foram aprovados com pelo menos dois ter\u00e7os dos votos.<\/p>\n<h2>&#8220;Caminhava com eles&#8221;<\/h2>\n<p>Em primeiro lugar, portanto, o Documento Final do S\u00ednodo olha para o contexto em que vivem os jovens, destacando os pontos de for\u00e7a e desafios. Tudo parte de uma escuta emp\u00e1tica que, com humildade, paci\u00eancia e disponibilidade, permite de dialogar realmente com os jovens, evitando &#8220;respostas pr\u00e9-concebidas e receitas prontas&#8221;. Os jovens, de fato, querem ser &#8220;ouvidos, reconhecidos, acompanhados&#8221; e querem que sua voz seja &#8220;considerada interessante e \u00fatil no campo social e eclesial&#8221;. A Igreja nem sempre teve essa atitude, reconhece o S\u00ednodo: muitas vezes sacerdotes e bispos, sobrecarregados por muitos compromissos, lutam para encontrar tempo para o servi\u00e7o da escuta. Da\u00ed a necessidade de preparar adequadamente tamb\u00e9m leigos, homens e mulheres, capazes de acompanhar as jovens gera\u00e7\u00f5es. Diante de fen\u00f4menos como a globaliza\u00e7\u00e3o e a seculariza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m disso,\u00a0 os jovens movem-se em dire\u00e7\u00e3o a uma redescoberta de Deus e da espiritualidade e isso deve ser um est\u00edmulo para a Igreja, para recuperar a import\u00e2ncia do dinamismo da f\u00e9.<\/p>\n<h2>A escola e a par\u00f3quia<\/h2>\n<p>Outra resposta da Igreja \u00e0s quest\u00f5es dos jovens vem do setor educacional: as escolas, as universidades, as faculdades, os orat\u00f3rios, permitem uma forma\u00e7\u00e3o integral dos jovens, oferecendo ao mesmo tempo um testemunho evang\u00e9lico de promo\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Em um mundo onde tudo est\u00e1 conectado &#8211; fam\u00edlia, trabalho, tecnologia, defesa do embri\u00e3o e do migrante &#8211; os bispos definem como insubstitu\u00edvel o papel desempenhado pelas escolas e universidades onde os jovens passam muito tempo. As institui\u00e7\u00f5es educacionais cat\u00f3licas, em particular, s\u00e3o chamadas a enfrentar a rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e as demandas do mundo contempor\u00e2neo, as diferentes perspectivas antropol\u00f3gicas, os desafios t\u00e9cnico-cient\u00edficos, as mudan\u00e7as nos costumes sociais e o compromisso com a justi\u00e7a. Tamb\u00e9m a par\u00f3quia tem o seu papel: &#8220;Igreja no territ\u00f3rio&#8221;, \u00e9 preciso um repensar na sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, pois muitas vezes resulta pouco significativa e pouco din\u00e2mica, especialmente na \u00e1rea da catequese.<\/p>\n<h2>Migrantes, um paradigma do nosso tempo<\/h2>\n<p>O documento sinodal se concentra ent\u00e3o no tema dos migrantes, &#8220;paradigma do nosso tempo&#8221;, \u00a0como um fen\u00f4meno estrutural, e n\u00e3o uma emerg\u00eancia transit\u00f3ria. Muitos migrantes s\u00e3o jovens ou menores desacompanhados, fugindo da guerra, viol\u00eancias, persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou religiosa, desastres naturais, pobreza e acabam se tornando v\u00edtimas de tr\u00e1fico, drogas, abusos psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos. A preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 acima de tudo em rela\u00e7\u00e3o a eles &#8211; diz o S\u00ednodo \u2013 na \u00f3tica de uma aut\u00eantica promo\u00e7\u00e3o humana que passa pela acolhida de refugiados, e seja ponto de refer\u00eancia para tantos jovens separados de suas fam\u00edlias de origem. Mas n\u00e3o s\u00f3: os migrantes &#8211; recorda o Documento &#8211; s\u00e3o tamb\u00e9m uma oportunidade de enriquecimento para as comunidades e sociedades em que chegam e que podem ser revitalizados por eles. Ressoam, portanto, os verbos sinodais &#8220;acolher, proteger, promover, integrar&#8221; indicados pelo Papa Francisco para uma cultura que supere a desconfian\u00e7a e o medo. Os bispos tamb\u00e9m pedem mais empenho em garantir \u00e0queles que n\u00e3o desejam migrar, o direito de permanecer em seu pr\u00f3prio pa\u00eds. A aten\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo tamb\u00e9m se dirige \u00e0quelas Igrejas amea\u00e7adas em sua exist\u00eancia, pela emigra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e pelas persegui\u00e7\u00f5es sofridas pelos fi\u00e9is.<\/p>\n<h2>Firme compromisso contra todo tipo de abuso. Dizer a verdade e pedir perd\u00e3o<\/h2>\n<p>Bastante ampla, tamb\u00e9m, a reflex\u00e3o sobre os &#8220;diversos tipos de abuso&#8221; (de poder, econ\u00f4micos, de consci\u00eancia, sexuais) feitos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos: nas v\u00edtimas \u2013 l\u00ea-se no texto \u2013 eles provocam sofrimentos que &#8220;podem \u200b\u200bdurar toda a vida e aos quais nenhum arrependimento pode colocar rem\u00e9dio&#8221;.<\/p>\n<p>Da\u00ed o apelo do S\u00ednodo ao &#8220;firme compromisso com a ado\u00e7\u00e3o de rigorosas medidas de preven\u00e7\u00e3o que impe\u00e7am o repetir-se, a partir da sele\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o daqueles a quem ser\u00e3o confiadas tarefas de responsabilidades e educativas&#8221;. Por conseguinte, ser\u00e1 necess\u00e1rio extirpar as formas &#8211; como a corrup\u00e7\u00e3o e o clericalismo \u2013 sob as quais estes tipos de abusos est\u00e3o enraizados, contrastando tamb\u00e9m a falta de responsabilidade e transpar\u00eancia com que muitos casos foram geridos. Ao mesmo tempo, o S\u00ednodo se diz agradecido a todos aqueles que &#8220;t\u00eam a coragem de denunciar o mal sofrido&#8221;, porque ajudam a Igreja a &#8220;tomar consci\u00eancia do que aconteceu e da necessidade de reagir com decis\u00e3o&#8221;. &#8220;A miseric\u00f3rdia, de fato, exige a justi\u00e7a&#8221;. Mas n\u00e3o devem por\u00e9m ser esquecidos os numerosos leigos, sacerdotes, pessoas consagradas e bispos que a cada dia se dedicam, com honestidade, a servi\u00e7o dos jovens, os quais podem verdadeiramente oferecer &#8220;uma ajuda preciosa&#8221; para uma &#8220;reforma de dimens\u00e3o epocal&#8221; nesta \u00e1rea.<\/p>\n<h2>A Fam\u00edlia &#8220;Igreja Dom\u00e9stica&#8221;<\/h2>\n<p>Outros temas presentes no Documento dizem respeito \u00e0 fam\u00edlia, principal ponto de refer\u00eancia para os jovens, primeira comunidade de f\u00e9, &#8220;Igreja dom\u00e9stica&#8221;: o S\u00ednodo chama a aten\u00e7\u00e3o, em particular, ao papel dos av\u00f3s na educa\u00e7\u00e3o religiosa e na transmiss\u00e3o da f\u00e9, e alerta para o enfraquecimento da figura paterna e \u00a0para aqueles adultos que assumem estilos de vida &#8220;juvenis&#8221;. Al\u00e9m da fam\u00edlia, para os jovens, a amizade com os colegas \u00e9 muito importante, pois permite a partilha da f\u00e9 e a ajuda rec\u00edproca no testemunho.<\/p>\n<h2>Promo\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a contra &#8220;cultura de desperd\u00edcio&#8221;<\/h2>\n<p>O S\u00ednodo concentra-se tamb\u00e9m em algumas formas de vulnerabilidade vividas pelos jovens em v\u00e1rios setores: no trabalho, onde o desemprego torna as jovens gera\u00e7\u00f5es pobres, minando a sua capacidade de sonhar; as persegui\u00e7\u00f5es at\u00e9 a morte; a exclus\u00e3o social por motivos religiosos, \u00e9tnicos ou econ\u00f4micos; as defici\u00eancias. Diante dessa &#8220;cultura de descarte&#8221;, a Igreja deve lan\u00e7ar um apelo \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 solidariedade, tornando-se uma alternativa concreta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de dificuldade. Na frente oposta, n\u00e3o faltam \u00e1reas onde o comprometimento dos jovens consegue se expressar com originalidade e especificidade: por exemplo, o voluntariado, a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es ecol\u00f3gicas, o compromisso na pol\u00edtica com a constru\u00e7\u00e3o do bem comum, a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, pela qual os jovens pedem \u00e0 Igreja &#8220;um compromisso firme e coerente&#8221;.<\/p>\n<h2>Arte, m\u00fasica e esporte, &#8220;recursos pastorais&#8221;<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m o mundo do esporte e da m\u00fasica oferece aos jovens a possibilidade de expressarem-se da melhor forma: no primeiro caso, a Igreja convida a n\u00e3o subestimar a potencialidade educacional, formativa e inclusiva da atividade esportiva; no caso da m\u00fasica, por outro lado, o S\u00ednodo fala sobre sobre seu \u201cser recurso pastoral&#8221; que interpela tamb\u00e9m a uma renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, porque os jovens t\u00eam o desejo de uma &#8220;liturgia viva&#8221;, aut\u00eantica, alegre, momento de encontro com Deus e com o comunidade.<\/p>\n<p>Os jovens apreciam celebra\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas em que a beleza dos sinais, o cuidado da prega\u00e7\u00e3o e o envolvimento da comunidade falem realmente de Deus&#8221;: portanto, precisam ser ajudados a descobrir o valor da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e a compreender que&#8221; a liturgia n\u00e3o \u00e9 puramente express\u00e3o de si mesma, mas a\u00e7\u00e3o de Cristo e da Igreja&#8221;.<\/p>\n<p>As jovens gera\u00e7\u00f5es, ademais, querem ser protagonistas da vida eclesial, colocando seus talentos e assumindo responsabilidades. sujeitos ativos da a\u00e7\u00e3o pastoral, eles s\u00e3o o presente da Igreja, devem ser encorajados a participar na vida eclesial, e n\u00e3o impedidos com autoritarismo. Em uma Igreja capaz de dialogar de uma forma menos paternalista e mais sincera, de fato, os jovens sabem ser muito ativos na evangeliza\u00e7\u00e3o de seus coet\u00e2neos, exercendo um verdadeiro apostolado, que deve ser apoiado e integrado na vida da comunidade.<\/p>\n<h2>&#8220;Seus olhos se abriram&#8221;<\/h2>\n<p>Deus fala \u00e0 Igreja e ao mundo por meio dos jovens, que s\u00e3o um dos &#8220;lugares teol\u00f3gicos&#8221; onde o Senhor est\u00e1 presente. Portadora de uma santa inquietude que a torna din\u00e2mica \u2013 l\u00ea-se na segunda parte do Documento \u2013 a juventude pode estar &#8220;mais \u00e0 frente dos pastores&#8221; e isso deve ser acolhida, respeitada, acompanhada. Gra\u00e7as a ela, de fato, a Igreja pode se renovar, sacudindo &#8220;o peso e a lentid\u00e3o&#8221;. Assim, o chamado do S\u00ednodo para o modelo de &#8220;Jesus jovem entre os jovens&#8221; e ao testemunho dos santos, entre os quais est\u00e3o muitos jovens, profetas da mudan\u00e7a.<\/p>\n<h2>Miss\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Outra &#8220;b\u00fassola segura&#8221; para a juventude \u00e9 a miss\u00e3o, dom de si que leva a uma felicidade verdadeira e duradoura: Jesus, de fato, n\u00e3o tira a liberdade, mas a liberta, porque a verdadeira liberdade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade e \u00e0 caridade. Intimamente relacionado com o conceito de miss\u00e3o, est\u00e1 aquele da voca\u00e7\u00e3o: cada vida \u00e9 voca\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com Deus, n\u00e3o \u00e9 fruto do acaso ou um bem privado para gerir por conta pr\u00f3pria &#8211; afirma o S\u00ednodo &#8211; e cada voca\u00e7\u00e3o batismal \u00e9 um chamado para todos para a santidade. Para isso, cada um deve viver a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em cada \u00e1rea: a profiss\u00e3o, a fam\u00edlia, a vida consagrada, o minist\u00e9rio ordenado e o diaconato permanente, que representa um &#8220;recurso&#8221; a ser ainda desenvolvido mais plenamente.<\/p>\n<h2>O acompanhamento<\/h2>\n<p>Acompanhar \u00e9 uma miss\u00e3o para a Igreja a ser realizada em um n\u00edvel pessoal e de grupo: em um mundo &#8220;caracterizado por um pluralismo sempre mais evidente e por uma disponibilidade de op\u00e7\u00f5es cada vez mais ampla,&#8221; buscar junto com os jovens um percurso voltado a fazer escolhas definitivas \u00e9 um servi\u00e7o necess\u00e1rio. Os destinat\u00e1rios s\u00e3o todos os jovens: seminaristas, sacerdotes ou religiosos em forma\u00e7\u00e3o, noivos e rec\u00e9m-casados \u200b\u200benvolvidos. A comunidade eclesial \u00e9 um lugar de rela\u00e7\u00f5es e contexto em que na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica se \u00e9 tocados, instru\u00eddos e curados pelo pr\u00f3prio Jesus. O Documento Final enfatiza a import\u00e2ncia do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o na vida de f\u00e9 e encoraja os pais, professores, lideran\u00e7as, animadores, sacerdotes e educadores a ajudar os jovens, por meio da da Doutrina Social da Igreja, a assumir responsabilidades no \u00e2mbito profissional e s\u00f3cio-pol\u00edtico. O desafio em sociedades cada vez mais interculturais e plurirreligiosas, \u00e9 indicar na rela\u00e7\u00e3o com a diversidade uma oportunidade para a comunh\u00e3o fraterna e o enriquecimento m\u00fatuo.<\/p>\n<h2>N\u00e3o a moralismos e falsas indulg\u00eancias, sim \u00e0 corre\u00e7\u00e3o fraterna<\/h2>\n<p>O S\u00ednodo, portanto, promove um acompanhamento integral centrado na ora\u00e7\u00e3o e no trabalho interior que valorize tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o da psicologia e da psicoterapia, quando abertas \u00e0 transcend\u00eancia. &#8220;O celibato pelo Reino&#8221; \u2013 \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o &#8211; deve ser entendido como um &#8220;dom a ser reconhecido e verificado na liberdade, alegria, gratuidade e humildade&#8221;, antes da escolha definitiva. Que se invista e aposte em acompanhadores de qualidade: pessoas equilibradas, de escuta, f\u00e9, ora\u00e7\u00e3o, que tenham se deparado com as pr\u00f3prias fraquezas e fragilidades, e sejam por isto acolhedoras &#8220;sem moralismos e falsas indulg\u00eancias&#8221;, sabendo corrigir fraternalmente, longe de comportamentos possessivos e manipuladores. &#8220;Esse profundo respeito \u2013 l\u00ea-se o texto &#8211; ser\u00e1 a melhor garantia contra os riscos de pl\u00e1gio e abusos de qualquer tipos&#8221;.<\/p>\n<h2>A arte de discernir<\/h2>\n<p>&#8220;A Igreja \u00e9 o ambiente para discernir e a consci\u00eancia \u2013 escrevem os Padres sinodais &#8211; \u00e9 o lugar onde se colhe o fruto do encontro e da comunh\u00e3o com Cristo&#8221;: o discernimento, por meio de &#8220;um regular confronto com um diretor espiritual&#8221;, apresenta-se portanto como o sincero trabalho de consci\u00eancia&#8221;, &#8220;pode ser entendido somente como aut\u00eantica forma de ora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201crequer a coragem de empenhar-se na luta espiritual&#8221;. Banco de prova das decis\u00f5es assumidas \u00e9 a vida fraterna e o servi\u00e7o aos pobres. De fato, os jovens s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 dimens\u00e3o da\u00a0<i>diakonia<\/i>.<\/p>\n<h2>\u201cPartiram sem demora&#8221;<\/h2>\n<p>Maria Madalena, primeira disc\u00edpula mission\u00e1ria, curada das feridas, testemunha da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00edcone de uma Igreja jovem. Dificuldades e fragilidades dos jovens &#8220;nos ajudam a ser melhores, seus questionamentos \u2013 l\u00ea-se &#8211; nos desafiam, as cr\u00edticas nos s\u00e3o necess\u00e1rias porque muitas vezes atrav\u00e9s deles a voz do Senhor nos pede convers\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o&#8221;. Todos os jovens, mesmo aqueles com diferentes vis\u00f5es de vida, nenhum exclu\u00eddo, est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Os Padres ressaltam o dinamismo construtivo da sinodalidade, ou seja, o caminhar juntos: o final da Assembleia e o Documento final s\u00e3o apenas uma etapa porque as condi\u00e7\u00f5es concretas e as necessidades urgentes s\u00e3o diferentes entre pa\u00edses e continentes. Da\u00ed o convite \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais e \u00e0s Igrejas particulares para prosseguir no processo de discernimento com o objetivo de elaborar solu\u00e7\u00f5es pastorais espec\u00edficas.<\/p>\n<h2>Sinodalidade, estilo mission\u00e1rio<\/h2>\n<p>&#8220;Sinodal&#8221; \u00e9 um estilo para a miss\u00e3o que exorta a passar do \u201ceu\u201d ao \u201cn\u00f3s\u201d e a considerar a multiplicidade de rostos, sensibilidades, origens e culturas diferentes. Neste horizonte s\u00e3o valorizados os carismas que o Esp\u00edrito d\u00e1 a todos, evitando o clericalismo que exclui muitos dos processos de decis\u00e3o e a clericaliza\u00e7\u00e3o dos leigos, que freia o \u00edmpeto mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Que a autoridade \u2013 s\u00e3o os votos &#8211; seja vivida a partir de uma perspectiva de servi\u00e7o. Sinodal seja tamb\u00e9m a abordagem ao di\u00e1logo inter-religioso e ecum\u00eanico destinado ao conhecimento rec\u00edproco e \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de preconceitos e estere\u00f3tipos, e a renova\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria e paroquial, para que encurte as dist\u00e2ncias jovens-igreja e mostre a \u00edntima conex\u00e3o entre f\u00e9 e experi\u00eancia concreta de vida. Formalizado o pedido diversas vezes feito na Aula para instituir, em n\u00edvel de Confer\u00eancias Episcopais, um &#8220;Diret\u00f3rio de pastoral da juventude em chave vocacional\u201d, que possa ajudar os respons\u00e1veis diocesanos e os agentes locais a qualificar a sua educa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o\u00a0<i>com<\/i>\u00a0e\u00a0<i>para<\/i>\u00a0os jovens&#8221;, contribuindo \u00a0a superar uma certa fragmenta\u00e7\u00e3o da pastoral da Igreja. Reiterada ainda a import\u00e2ncia da JMJ, bem como a dos centros da juventude e orat\u00f3rios, que precisam no entanto ser repensados.<\/p>\n<h2>O desafio digital<\/h2>\n<p>H\u00e1 alguns desafios urgentes que a Igreja \u00e9 chamada a enfrentar. O Documento Final do S\u00ednodo aborda a miss\u00e3o no ambiente digital: parte integrante da realidade cotidiana dos jovens, &#8220;pra\u00e7a&#8221; em que eles passam muito tempo e se encontram facilmente, um lugar irrenunci\u00e1vel para alcan\u00e7ar e envolver os jovens tamb\u00e9m nas atividades pastorais, a web apresenta luzes e sombras.<\/p>\n<p>Se por um lado permite o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, ativa a participa\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica e a cidadania ativa, por outro apresenta um lado obscuro &#8211; a assim chamada\u00a0<i>dark web<\/i>\u00a0&#8211; em que se encontram a solid\u00e3o, a manipula\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, cyberbullying, pornografia. Da\u00ed o convite do S\u00ednodo para habitar o mundo digital, promovendo o seu potencial comunicativo em vista do an\u00fancio crist\u00e3o e a &#8220;impregnar&#8221; de Evangelho as suas culturas e din\u00e2micas.<\/p>\n<p>Faz-se votos de que sejam criados Escrit\u00f3rios e organismos para a cultura e a evangeliza\u00e7\u00e3o digital que, al\u00e9m de \u201cfavorecer a troca e e a dissemina\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas, possam gerenciar sistemas de certifica\u00e7\u00e3o de sites cat\u00f3licos, para conter a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas (fake news) sobre a Igreja&#8221;, emblema de uma cultura que &#8220;perdeu o sentido da verdade&#8221;, encorajando a promo\u00e7\u00e3o de &#8220;pol\u00edticas e instrumentos para a prote\u00e7\u00e3o dos menores na web&#8221;.<\/p>\n<h2>Corpo, sexualidade e carinho<\/h2>\n<p>Ent\u00e3o, o Documento enfoca o tema do corpo, da afetividade, da sexualidade: diante de desenvolvimentos cient\u00edficos que levantam questionamentos \u00e9ticas, de fen\u00f4menos como a pornografia digital, o turismo sexual, a promiscuidade, exibicionismo online, o S\u00ednodo recorda \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s comunidades crist\u00e3s da import\u00e2ncia de fazer descobrir aos jovens que a sexualidade \u00e9 um dom. Muitas vezes a moral sexual da Igreja \u00e9 percebida como &#8220;um espa\u00e7o de ju\u00edzo e condena\u00e7\u00e3o&#8221;, enquanto os jovens buscam &#8220;uma palavra clara, humana e emp\u00e1tica&#8221; e &#8220;expressam um expl\u00edcito desejo de confronto sobre as quest\u00f5es relativas \u00e0 diferen\u00e7a entre identidade masculina e feminina, \u00e0 reciprocidade entre homens e mulheres, \u00e0 homossexualidade&#8221;.<\/p>\n<p>Os bispos reconhecem a dificuldade da Igreja em transmitir no atual contexto cultural &#8220;a beleza da vis\u00e3o crist\u00e3 da corporeidade e da sexualidade&#8221;: \u00e9 urgente buscar &#8220;modalidades mais adequadas, que se traduzam concretamente na elabora\u00e7\u00e3o de caminhos formativos renovados&#8221;. &#8220;\u00c9 preciso propor aos jovens uma antropologia da afetividade e da sexualidade capaz de dar o justo valor \u00e0 castidade&#8221; para o crescimento da pessoa, \u201cem todos os estados de vida&#8221;. Nesse sentido, \u00e9 pedido que se preste aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de agentes pastorais que sejam cr\u00edveis e maduros do ponto de vista afetivo-sexual.<\/p>\n<p>O S\u00ednodo constata ademais a exist\u00eancia de &#8220;quest\u00f5es relativas ao corpo, \u00e0 afetividade e \u00e0 sexualidade que necessitam de uma elabora\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, teol\u00f3gica e pastoral mais aprofundada, a ser realizada nas modalidades e n\u00edveis mais convenientes, daqueles locais aos mais universais.\u00a0 Entre estes emergem aqueles relacionados \u00e0 diferen\u00e7a e harmonia entre identidade masculina e feminina e \u00e0s inclina\u00e7\u00f5es sexuais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Deus ama cada pessoa pessoas e assim faz a Igreja renovando seu compromisso contra qualquer discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia com base sexual&#8221;. Da mesma forma &#8211; prossegue o Documento &#8211; o S\u00ednodo &#8220;reafirma a determinante relev\u00e2ncia antropol\u00f3gica da diferen\u00e7a e reciprocidade homem-mulher e considera redutivo definir a identidade das pessoas com base unicamente na sua orienta\u00e7\u00e3o sexual&#8221;.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, recomenda-se &#8220;favorecer&#8221; os &#8220;caminhos de acompanhamento na f\u00e9, j\u00e1 existentes em muitas comunidades crist\u00e3s&#8221;, de &#8220;pessoas homossexuais&#8221;. Nestes caminhos as pessoas s\u00e3o ajudadas a ler sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria; a aderir livremente e responsavelmente ao pr\u00f3prio chamado batismal; a reconhecer o desejo de pertencer e contribuir para a vida da comunidade; a discernir as melhores formas para que isso se realize. Desta forma, se ajuda a cada jovem, nenhum exclu\u00eddo, a integrar cada vez mais a dimens\u00e3o sexual na pr\u00f3pria personalidade, crescendo na qualidade das rela\u00e7\u00f5es e caminhando para o dom de si&#8221;.<\/p>\n<h2>Acompanhamento vocacional<\/h2>\n<p>Entre outros desafios apontados pelo S\u00ednodo, encontra-se tamb\u00e9m a quest\u00e3o econ\u00f4mica: o convite dos Padres \u00e9 o de investir tempo e recursos nos jovens com a proposta de oferecer a eles um per\u00edodo para o amadurecimento da vida crist\u00e3 adulta, que &#8220;deveria prever uma separa\u00e7\u00e3o prolongada de ambientes e rela\u00e7\u00f5es habituais&#8221;.<br \/>\nAl\u00e9m disso, enquanto se faz votos de um acompanhamento antes e depois do casamento, se encoraja a cria\u00e7\u00e3o de equipes educativas, que incluam figuras femininas e casais crist\u00e3os, para a forma\u00e7\u00e3o de seminaristas e consagrados, tamb\u00e9m com o objetivo de superar tend\u00eancias ao clericalismo. Aten\u00e7\u00e3o especial \u00e9 pedida \u00e0 acolhida dos candidatos ao sacerd\u00f3cio, que \u00e0s vezes ocorre &#8220;sem um conhecimento adequado e uma releitura aprofundada da pr\u00f3pria hist\u00f3ria&#8221;: &#8220;a instabilidade relacional e afetiva, e a falta de ra\u00edzes eclesiais s\u00e3o sinais perigosos. Negligenciando a normativa eclesial a este respeito \u2013 escrevem os Padres sinodais &#8211; constitui um comportamento irrespons\u00e1vel, que pode ter consequ\u00eancias muito graves para a comunidade crist\u00e3&#8221;.<\/p>\n<h2>Chamado \u00e0 santidade<\/h2>\n<p>&#8220;As diversidades vocacionais &#8211; conclui o Documento Final do S\u00ednodo sobre os jovens \u2013 inserem-se no \u00fanico e universal chamado \u00e0 santidade. Infelizmente o mundo est\u00e1 indignado com os abusos de algumas pessoas da Igreja, antes que animados pela santidade de seus membros\u201d. Por isso a Igreja \u00e9 chamada a &#8220;uma mudan\u00e7a de perspectiva&#8221;: por meio da santidade de tantos jovens dispostos a renunciar \u00e0 vida em meio a persegui\u00e7\u00f5es para permanecerem fi\u00e9is ao Evangelho, pode renovar seu ardor espiritual e seu vigor apost\u00f3lico.<\/p>\n<h2>O dom do Papa aos participantes do S\u00ednodo<\/h2>\n<p>Por fim, como recorda\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Jovens, o Santo Padre deu a todos os participantes uma placa de bronze, com um baixo-relevo representando Jesus e o jovem disc\u00edpulo amado. \u00c9 uma obra do artista italiano Gino Giannetti, cunhada pela Casa da Moeda do Estado da Cidade do Vaticano, emitida em apenas 460 exemplares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por:\u00a0Paolo Ondarza e Isabella Piro &#8211; Cidade do Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas partes, 12 cap\u00edtulos, 167 par\u00e1grafos, 60 p\u00e1ginas: assim se apresenta o documento final da XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, sobre o tema &#8220;Os jovens, a f\u00e9 e o discernimento&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7678,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[36],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7677"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7677"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7684,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7677\/revisions\/7684"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}