{"id":716,"date":"2016-10-21T00:00:00","date_gmt":"2016-10-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/perfeicao-petrificada-x-misericordia-vivificante\/"},"modified":"2016-10-21T00:00:00","modified_gmt":"2016-10-21T00:00:00","slug":"perfeicao-petrificada-x-misericordia-vivificante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/perfeicao-petrificada-x-misericordia-vivificante\/","title":{"rendered":"Perfei\u00e7\u00e3o petrificada x Miseric\u00f3rdia vivificante"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b>[imagem1]<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><br \/><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><br \/><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b>&ldquo;O fariseu de p&eacute;, rezava assim em seu &iacute;ntimo: &lsquo;&Oacute; Deus, eu te agrade&ccedil;oporque n&atilde;o sou como os outros homens&#8230;, nem como este cobrador de impostos&rdquo;(Lc 18,11)<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesta par&aacute;bola, mais uma vezJesus desvela a presen&ccedil;a de dois personagens em nosso interior: o fariseu,express&atilde;o m&aacute;xima do legalismo, do moralismo, do perfeccionismo, e o publicano,express&atilde;o m&aacute;xima daquele que se reconhece pecador, necessitado da miseric&oacute;rdiadivina. Ambos v&atilde;o ao templo (cora&ccedil;&atilde;o)&nbsp;para orar, e, na ora&ccedil;&atilde;o, cada um deles revela seu rosto e suaidentidade.&nbsp; Qual deles prevalece emnosso interior? Qual deles alimentamos? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De fato, &eacute; na ora&ccedil;&atilde;o que o serhumano exprime aquilo que &eacute; mais &iacute;ntimo e mostra como ele se relaciona com osoutros e com Deus. Jesus nos apresenta o fariseu como prot&oacute;tipo da pessoa quese sente segura de si mesma, e que tem essa seguran&ccedil;a porque cumpreminuciosamente com as observ&acirc;ncias religiosas. N&atilde;o pode ver nem reconhecer suasimperfei&ccedil;&otilde;es, mesmo estando dentro dos muros de um lugar sagrado. Em suaora&ccedil;&atilde;o, ele n&atilde;o pede nada, mas informa a Deus sobre sua perfei&ccedil;&atilde;o: na realidaden&atilde;o &eacute; Deus o centro da sua exist&ecirc;ncia, mas seu eu. Ele d&aacute; gra&ccedil;as por suaconduta perfeita e exemplar. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o s&oacute; &eacute; perfeito diante de seusolhos, mas quer tamb&eacute;m mostrar-se perfeito aos olhos de Deus. A tend&ecirc;ncia &agrave;perfei&ccedil;&atilde;o favorece um egocentrismo refinado. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na sua ora&ccedil;&atilde;o, o fariseu seconsidera &ldquo;justo&rdquo; e pensa agradar a Deus com suas observ&acirc;ncias e pr&aacute;ticaslegais. Ocorre que n&atilde;o &eacute; nada elegante algu&eacute;m se apresentar a Deus com ascredenciais de &ldquo;justo&rdquo;, pois o fariseu se esquece que s&oacute; Deus pode justificar oser humano. A autoglorifica&ccedil;&atilde;o impede sua humaniza&ccedil;&atilde;o. Petrifica-se em seulegalismo e perfeccionismo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ele est&aacute; cego e n&atilde;o v&ecirc; que tamb&eacute;m&eacute; pecador, dependente da miseric&oacute;rdia de Deus. N&atilde;o reconhece sua realidadepobre e limitada e, em sua ora&ccedil;&atilde;o, est&aacute; ausente o pedido de perd&atilde;o. Incapaz deolhar intimamente para si, cobre com um v&eacute;u os pr&oacute;prios pecados, fazendo deconta que eles n&atilde;o existem. Incensur&aacute;vel, respeitador e cumpridor de todas asleis &ndash; por&eacute;m cheio de si -, o fariseu voltou para casa com um pecado a mais. Aconsequ&ecirc;ncia &eacute; vida dupla: a fachada externa perfeita que esconde um interiorfrio e insens&iacute;vel, resistente a perceber a pr&oacute;pria fragilidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na sua autossufici&ecirc;ncia, ofariseu pensa que pode &ldquo;ficar de p&eacute;&rdquo; diante de Deus e &agrave; frente de todos; sobe opedestal da &ldquo;perfei&ccedil;&atilde;o&rdquo; e do &ldquo;legalismo&rdquo; e distancia-se do amor e damiseric&oacute;rdia de Deus; com isso, cai no orgulho religioso e &eacute; incapaz de ouvir aDeus no seu &iacute;ntimo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na pr&aacute;tica, a ora&ccedil;&atilde;o do fariseusignifica submeter Deus a si mesmo, cobrando o pr&ecirc;mio pelas boas a&ccedil;&otilde;es.Agradece porque &eacute; sem v&iacute;cios, n&atilde;o porque se sinta amado por Deus. <b>Seu louvor e agradecimento s&atilde;o apenas umpretexto para louvar a si pr&oacute;prio, inflar o pr&oacute;prio ego; na sua ora&ccedil;&atilde;o Deus n&atilde;otem o lugar que lhe &eacute; devido; a ora&ccedil;&atilde;o passa a ser um mon&oacute;logo vazio epresun&ccedil;oso de quem &ldquo;celebra&rdquo; seu &ldquo;eu&rdquo; e seus m&eacute;ritos diante de Deus<\/b>. E comofala s&oacute; consigo mesmo, encontra-se s&oacute; com seus m&eacute;ritos e suas pretens&otilde;es. O seumon&oacute;logo &eacute; um palavreado cr&ocirc;nico, exibicionismo enganoso de um &ldquo;eu&rdquo; que n&atilde;o temoutro &ldquo;deus&rdquo; al&eacute;m de si mesmo. Ele tem m&eacute;ritos e nada deve a Deus; aocontr&aacute;rio, Deus &eacute; quem lhe deve: a enumera&ccedil;&atilde;o de suas boas obras implica apretens&atilde;o de uma recompensa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por considerar-se &ldquo;justo&rdquo;,apresenta a Deus uma lista de pessoas indesej&aacute;veis, censurando e condenando atodo mundo. O perfeccionista n&atilde;o pode prescindir da compara&ccedil;&atilde;o. Tem necessidadede um ponto de refer&ecirc;ncia que destaque sua grande estatura legalista. Por issoo fariseu observa a presen&ccedil;a de um pecador com quem se compara e diante de quemse sente superior. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o h&aacute; perfeccionista que n&atilde;oseja inquisidor, nem inquisidor que n&atilde;o seja perfeccionista. A tend&ecirc;ncia &agrave;perfei&ccedil;&atilde;o oprime a pessoa at&eacute; sufoc&aacute;-la; sendo excessivamente exigente, oprimee sufoca tamb&eacute;m os outros. Por isso, a tend&ecirc;ncia &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o &eacute; uma doen&ccedil;a doesp&iacute;rito, um eu em conflito consigo mesmo. O perfeccionista vive uma batalhainterior, uma batalha que jamais se vence; sua vida torna-se estreita, ele sedesumaniza e mergulha nos escr&uacute;pulos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Quem se deixa guiar pela ideia de perfei&ccedil;&atilde;o, cedo se dar&aacute; conta de quen&atilde;o poder&aacute; abra&ccedil;ar a vida<\/b>. Permanecer&aacute; confinado num eu inchado e vazio,que caminha sobre pernas de pau. O &ldquo;fariseu&rdquo; que todos hospedamos em nossointerior realiza seu trabalho em sil&ecirc;ncio, mas com uma efic&aacute;cia impressionante:torna o nosso cora&ccedil;&atilde;o imperme&aacute;vel &agrave; experi&ecirc;ncia divina e petrifica nossacompaix&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o com os outros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus destr&oacute;i o conceito de&ldquo;justifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; rab&iacute;nica, baseada no cumprimento da lei, quando, na pessoa dopublicano, mostra que Deus salva quem julga nada ter a apresentar, sente anecessidade de se converter e de se entregar. Consciente de sua indig&ecirc;ncia efragilidade, o publicano prostra-se diante de Deus, volta-se para a o ch&atilde;o,reconhece seu pecado, abre-se &agrave; miseric&oacute;rdia de Deus, de quem espera o perd&atilde;o.Esta humildade &eacute; a porta de abertura para sair de um cora&ccedil;&atilde;o fechado em simesmo, de um cora&ccedil;&atilde;o autossuficiente e perfeccionista, onde tudo gira em tornodo pr&oacute;prio eu, onde n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para o Outro e os outros, onde a Miseric&oacute;rdian&atilde;o tem como agir para poder transformar a pessoa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus sabia que a pessoaconsciente das suas imperfei&ccedil;&otilde;es &eacute; mais dispon&iacute;vel ao an&uacute;ncio do Reino. Sabemosque as escolhas de Jesus n&atilde;o ca&iacute;ram sobre os perfeitos. As pessoas com quem Eleentrou em contato n&atilde;o eram conhecidas por suas boas maneiras nem pelas boasa&ccedil;&otilde;es, antes, eram pecadoras p&uacute;blicas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O publicano n&atilde;o tinha esperan&ccedil;as:reconhecendo-se pecador diante de si mesmo, diante de Deus e dos outros, sabiaque a &uacute;nica esperan&ccedil;a era a miseric&oacute;rdia de Deus. Diante da grandeza etranscend&ecirc;ncia de Deus, sente uma necessidade instintiva de retirar-se, dedeter-se, quase pedindo desculpas por ousar entrar no templo. Ele nada tem paraapresentar a Deus, nada de que se orgulhar e nada para exigir. S&oacute; lhe resta apobre ora&ccedil;&atilde;o dos exclu&iacute;dos e dos pecadores assumidos, dos desmoralizados ehumildes. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesta par&aacute;bola, Jesus revelatamb&eacute;m um Deus desprovido de dogmatismos, de controle e de poder. O Deus deJesus n&atilde;o &eacute; um juiz com um cat&aacute;logo de leis que tem necessidade de mandar,impor, verificar&#8230; Basta-lhe a miseric&oacute;rdia, a compaix&atilde;o&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A miseric&oacute;rdia torna o Deus deJesus acess&iacute;vel a tudo que &eacute; imperfeito, limitado, humano&#8230; A miseric&oacute;rdiaconstitui a resposta &agrave; indig&ecirc;ncia do ser humano. Ela oferece a possibilidade dep&ocirc;r de lado o julgamento e a condena&ccedil;&atilde;o. O passado de erros e fracassos &eacute;substitu&iacute;do pelo presente de aceita&ccedil;&atilde;o e perd&atilde;o. Onde n&atilde;o h&aacute; miseric&oacute;rdia, n&atilde;oh&aacute; sequer esperan&ccedil;a para o ser humano. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A miseric&oacute;rdia &eacute; a resposta deDeus ao del&iacute;rio do ser humano de querer ser perfeito; &eacute; a &uacute;nica for&ccedil;a capaz dedeter o ser humano naquele processo de autodiviniza&ccedil;&atilde;o, pr&oacute;pria do fariseu.Jesus prop&otilde;e um modo de ser humano insepar&aacute;vel da miseric&oacute;rdia do Pai:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <b>&nbsp;&ldquo;Sede misericordiosos como o Pai &eacute;misericordioso&rdquo;<\/b> (Lc. 6,36)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ser misericordioso &ldquo;como&rdquo; Deusconstitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humanorecebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp;&nbsp; Lc 18,9-14&nbsp;&nbsp; <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> * Fazer leitura compassiva das atitudes petrificadas emsua vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">* Sua vida cotidiana gira emtorno da perfei&ccedil;&atilde;o farisaica ou da miseric&oacute;rdia divina?&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;O fariseu de p&eacute;, rezava assim em seu &iacute;ntimo: &lsquo;&Oacute; Deus, eu te agrade&ccedil;oporque n&atilde;o sou como os outros homens&#8230;, nem como este cobrador de impostos&rdquo;(Lc 18,11) Nesta par&aacute;bola, mais uma vezJesus&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1286,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/716\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}