{"id":68,"date":"2018-03-31T00:00:00","date_gmt":"2018-03-31T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/sabado-santo-ameacados-de-esperanca\/"},"modified":"2018-03-31T00:00:00","modified_gmt":"2018-03-31T00:00:00","slug":"sabado-santo-ameacados-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/sabado-santo-ameacados-de-esperanca\/","title":{"rendered":"S\u00e1bado Santo: &#8220;amea\u00e7ados&#8221; de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">&ldquo;Jos&eacute; comprou um len&ccedil;ol de linho,desceu Jesus da Cruz, envolveu-o no len&ccedil;ol e colocou-o num t&uacute;mulo escavado narocha;depois, rolou uma pedra na entrada do t&uacute;mulo&rdquo;<\/i><\/b> (Mc 15,46)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A gravidez &eacute; uma met&aacute;fora sugestiva eprovocadora sobre o S&aacute;bado Santo; no sil&ecirc;ncio e na obscuridade do sepulcro temlugar a segunda gesta&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo e o novo parto do homem, da mulher edo cosmos renovados. Assim, o sepulcro &eacute; contemplado como o ventre da terra,onde acontecer&aacute; o milagre da renova&ccedil;&atilde;o plena da vida. <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">O amor &eacute; mais poderoso que a morte e quem ama n&atilde;o morre nunca<\/b>,sen&atilde;o que suas sementes s&atilde;o h&uacute;mus e germe de nova vida, embora n&atilde;o possamoscontrolar quando nem onde. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; preciso saber acolher estesil&ecirc;ncio surdo, que marca a passagem entre duas experi&ecirc;ncias intensas: aSexta-feira de dor e o Domingo de Ressurrei&ccedil;&atilde;o. No sepulcro, Jesus se fazsolid&aacute;rio com toda a morte humana. E &eacute; preciso esperar com Ele. &Eacute; precisoesperar em nossos projetos e sonhos, na liberta&ccedil;&atilde;o dos povos, em uma novahumanidade. Em nossas vidas teremos muitas sextas-feiras santas de dor e diasde p&aacute;scoa, mas, teremos muito mais s&aacute;bados de espera.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Fazer mem&oacute;ria do S&aacute;bado Santo nosfaz compreender que, nos s&aacute;bados santos da vida n&atilde;o podemos ter a pretens&atilde;o dequerer ver o significado de tudo o que vivemos, no mesmo momento que o vivemos.Muitas vezes, ter&atilde;o que passar muitos anos para poder ver o rosto do Deus vivoem situa&ccedil;&otilde;es vividas de dor e abatimento; al&eacute;m disso, temos que come&ccedil;ar aentender que n&atilde;o podemos pretender chegar ao &uacute;ltimo dia com todas asinterroga&ccedil;&otilde;es resolvidas.<span style=\"mso-spacerun:yes\">&nbsp; <\/span>Saber viverneste tom vital &eacute; o que nos convida o S&aacute;bado Santo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A partir da experi&ecirc;ncia sab&aacute;tica,a noite pode espantar, mas tamb&eacute;m pode ser chance para ver melhor; a morte podeser amea&ccedil;adora, mas ela ensina a viver; o sepulcro vazio pode causar d&uacute;vida,mas ele aponta para a ressurrei&ccedil;&atilde;o; o infinito pode suscitar inquieta&ccedil;&atilde;o, masconsegue impulsionar para o al&eacute;m, at&eacute; acender no cora&ccedil;&atilde;o uma chama persistente:a esperan&ccedil;a. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A terra, a humanidade, ocosmos&#8230; est&atilde;o todos gr&aacute;vidos de Ressurrei&ccedil;&atilde;o. Assim come&ccedil;a a ressurrei&ccedil;&atilde;o;assim come&ccedil;a essa experi&ecirc;ncia que alguns chamam &ldquo;a outra vida&rdquo;, mas que narealidade n&atilde;o &eacute; a &ldquo;outra vida&rdquo;, mas a vida &ldquo;outra&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como nos deixou escrito umjornalista guatemalteco, desaparecido sob a ditadura nos anos 80. &ldquo;Dizem queestou &lsquo;amea&ccedil;ado de morte&rsquo;; nem eu nem ningu&eacute;m estamos amea&ccedil;ados de morte.Estamos amea&ccedil;ados de vida, amea&ccedil;ados de esperan&ccedil;a, amea&ccedil;ados de amor. Estamos&lsquo;amea&ccedil;ados&rsquo; de ressurrei&ccedil;&atilde;o. Porque Jesus, al&eacute;m do Caminho e da Verdade, &eacute; aVida, embora esteja crucificado no alto do lix&atilde;o do Mundo&#8230;&rdquo;. Amea&ccedil;ados devida, amea&ccedil;ados de esperan&ccedil;a, mesmo que a esperan&ccedil;a frequentemente seja uma&ldquo;esperan&ccedil;a enlutada&rdquo;. H&aacute; homens e mulheres que se fizeram &ldquo;experts&rdquo; emtransitar e esperar na noite. S&atilde;o nossos &ldquo;mestres e mestras do S&aacute;bado Santo&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O ser humano que espera n&atilde;o temcerteza, n&atilde;o fica seguro, n&atilde;o est&aacute; satisfeito. Mas a esperan&ccedil;a tem fundamento;n&atilde;o &eacute; uma ilus&atilde;o e nem uma utopia; n&atilde;o &eacute; um sonho imposs&iacute;vel e nem umalembran&ccedil;a irrecuper&aacute;vel; n&atilde;o &eacute; s&oacute; futuro, mas permanece, disfar&ccedil;adamente,presente; n&atilde;o &eacute; uma morada, mas um sentimento sempre in&eacute;dito. A esperan&ccedil;a evitatrope&ccedil;ar no fracasso, no des&acirc;nimo, na apatia e no silencioso desespero.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A esperan&ccedil;a &eacute; caminho e meta,posse e dom, destino e encontro, antecipa&ccedil;&atilde;o e cumprimento, expectativa ebusca, risco e prote&ccedil;&atilde;o, n&oacute; e liberdade.A esperan&ccedil;a &eacute; certa, mas n&atilde;o d&aacute; &ldquo;garantias&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">&#8220;O cora&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o &eacute; inquieto, est&aacute;sempre em busca, em espera: esta &eacute; a esperan&ccedil;a&#8230; porque a esperan&ccedil;a &eacute; aquelaque faz caminhar, faz abrir estradas&#8230;&rdquo;<\/i><\/b> (Massimo Cacciari) <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O ser humano-esperan&ccedil;a &eacute; operegrino que caminha, &eacute; o art&iacute;fice que tece o existir. Esperan&ccedil;a &eacute; for&ccedil;aprospectiva que suscita passos para a g&ecirc;nese da nova humanidade. <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">Esperan&ccedil;a &eacute; o ser humano n&ocirc;made.<\/b>Desloca-se. Desdobra-se. Inventa-se. Deixa de ser o que era para chegar a ser oque ainda n&atilde;o &eacute;. Na noite ela se acende; na impot&ecirc;ncia, ela vence; na finitude,ela impele a caminhar. A esperan&ccedil;a &eacute; brasa, &eacute; p&eacute;s, &eacute; caminho, &eacute; narrativa, &eacute;assombro, &eacute; antecipa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o h&aacute; esperan&ccedil;a na solid&atilde;o daspr&oacute;prias seguran&ccedil;as e das pr&oacute;prias expectativas. A esperan&ccedil;a se realiza noencontro, que impele a sair, a caminhar, a ir ao encontro, narrar aos outros ofogo que se acendeu por dentro. A esperan&ccedil;a &eacute; o canto que ativa a coragem noscorredores escuros da hist&oacute;ria. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Poder&iacute;amos acrescentar que umahumanidade, incapaz de cultivar a esperan&ccedil;a, n&atilde;o merece ser considerada, porquelhe faltaria a &uacute;nica raz&atilde;o pela qual vale a pena existir. Sem a esperan&ccedil;a, ahumanidade perde a iniciativa. Embota-se. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A vida sem desafios n&atilde;o &eacute; real;mas a vida sem espera, sem desejo, sem paix&atilde;o, sem esperan&ccedil;a, n&atilde;o &eacute; vida. Aesperan&ccedil;a mora onde a deixamos entrar: onde lutamos, onde convivemos com ooutro diferente de n&oacute;s, onde a fragilidade e a transi&ccedil;&atilde;o podem desorientar,onde as trevas parecem mais fortes que a luz, onde a vida parece ser amea&ccedil;adapela morte, onde a viol&ecirc;ncia pensa levar vantagem, onde o caminho &eacute; &iacute;ngreme,onde a espera se confunde com a ang&uacute;stia&#8230; A for&ccedil;a da esperan&ccedil;a est&aacute; ocultaprecisamente na sua impot&ecirc;ncia e fragilidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas n&atilde;o basta ter esperan&ccedil;a. <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">&Eacute; preciso ser esperan&ccedil;a.<\/b> O ser humanovive de esperan&ccedil;a, acredita na esperan&ccedil;a, mas, sobretudo &eacute; esperan&ccedil;a. Aesperan&ccedil;a leva a querer algo mais. &Eacute; &ldquo;antecipa&ccedil;&atilde;o criadora&rdquo;; ela tem &ldquo;rostonovo&rdquo;. &Eacute; madrugada e n&atilde;o crep&uacute;sculo. Jamais &ldquo;envelhece&rdquo;. A esperan&ccedil;a pascalantecipa aquilo que ainda n&atilde;o &eacute; realidade. &Eacute; o futuro que ainda pode serconvertido em hist&oacute;ria nova. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O mal, a injusti&ccedil;a, a viol&ecirc;ncia,o sofrimento, existem em nossa hist&oacute;ria, mas n&atilde;o tem a &uacute;ltima palavra sobreela. A ternura de Deus &eacute; mais poderosa e ela &eacute; nossa esperan&ccedil;a, ela nossustenta nos t&uacute;neis mais escuros da vida a partir de dentro, atravessando-os.Deus &eacute; nossa esperan&ccedil;a; o Deus da vida que nos ama at&eacute; o extremo &eacute; a esperan&ccedil;aque nos ampara contra toda desesperan&ccedil;a. Mas a esperan&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma propriedadeprivada, mas um presente comunit&aacute;rio, coletivo, um bem comum, como nos diz oPapa Francisco:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;N&atilde;o vos deixeis roubar aesperan&ccedil;a! Talvez a esperan&ccedil;a seja como as brasas debaixo das cinzas;ajudemo-nos uns aos outros com a solidariedade, soprando nas cinzas, a fim deque o fogo volte a atear-se mais uma vez. Pois &eacute; a esperan&ccedil;a que nos faz ir emfrente. E isto n&atilde;o &eacute; otimismo, mas algo diferente. Todavia, a esperan&ccedil;a n&atilde;o &eacute;de uma s&oacute; pessoa, a esperan&ccedil;a faz&ecirc;mo-la todos juntos. Temos que alimentar aesperan&ccedil;a entre todos, entre todos n&oacute;s e todos n&oacute;s que estamos distantes. Aesperan&ccedil;a &eacute; algo vosso e tamb&eacute;m nosso. &Eacute; algo que pertence a todos&rdquo; (Discursoaos trabalhadores de Cagliari &ndash; 22\/set\/2013). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Cruz permanece em seu lugar,mas o sepulcro fica vazio para sempre!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">&Eacute; Ressurrei&ccedil;&atilde;o: vida plena antecipada. <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">Textos b&iacute;blicos:<\/b><span style=\"mso-spacerun:yes\">&nbsp; <\/span>Mc.15,42-47<span style=\"mso-spacerun:yes\">&nbsp;&nbsp; <\/span>Jo. 19,38-42 <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Como muitos mestres e mestras, cujas vidas s&atilde;otestemunhas da esperan&ccedil;a, como os disc&iacute;pulos de Jesus e como as mulheres que oacompanharam at&eacute; o final, nos perguntamos:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; &Eacute; poss&iacute;vel esperar quandosentimos que a realidade &eacute; um &ldquo;beco sem sa&iacute;da&rdquo;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Como esperar em meio a tantaviol&ecirc;ncia, preconceito, indiferen&ccedil;a&#8230;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Como esperam os vencidos, os&uacute;ltimos, os exclu&iacute;dos&#8230;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Como aprendemos a esperarquando nos encontramos tendo que enfrentar situa&ccedil;&otilde;es-limite?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qual tem sido nosso suporte eajuda nesses momentos da vida e como podemos oferec&ecirc;-lo aos outros?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qu&ecirc; aprendizagens vitaisfizemos na densidade da noite em nossas vidas?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qu&ecirc; e quem nos ajudou a rolar apedra do sepulcro de nossa vida? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Jos&eacute; comprou um len&ccedil;ol de linho,desceu Jesus da Cruz, envolveu-o no len&ccedil;ol e colocou-o num t&uacute;mulo escavado narocha;depois, rolou uma pedra na entrada do t&uacute;mulo&rdquo; (Mc 15,46) A gravidez &eacute; uma met&aacute;fora sugestiva&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":78,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}