{"id":675,"date":"2016-11-07T00:00:00","date_gmt":"2016-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/papa-aos-movimentos-populares-a-corrupcao-nao-e-um-vicio-exclusivo-da-politica\/"},"modified":"2016-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2016-11-07T00:00:00","slug":"papa-aos-movimentos-populares-a-corrupcao-nao-e-um-vicio-exclusivo-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/papa-aos-movimentos-populares-a-corrupcao-nao-e-um-vicio-exclusivo-da-politica\/","title":{"rendered":"Papa aos Movimentos Populares: a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um v\u00edcio exclusivo da pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na tarde de s&aacute;bado (05\/11) o PapaFrancisco participou na Sala Paulo VI da conclus&atilde;o do III Encontro Mundial dosMovimentos Populares.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Abaixo, o pronunciamento na &iacute;ntegra:<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8220;Irm&atilde;s e irm&atilde;s, boa tarde!<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Neste nosso terceiro encontroexpressamos a mesma sede, a sede de justi&ccedil;a, o mesmo grito: terra, casa etrabalho para todos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Agrade&ccedil;o os delegados que vieramdas periferias urbanas, rurais e industriais dos cinco continentes, mais de 60pa&iacute;ses, que vieram para discutir mais uma vez sobre como defender estesdireitos que nos convocam. Obrigado aos Bispos que vieram para vos acompanhar.Obrigado aos milhares de italianos e europeus que se uniram hoje ao final desteencontro. Obrigado aos observadores e aos jovens comprometidos na vida p&uacute;blicaque vieram com humildade escutar e aprender. Quanta esperan&ccedil;a tenho nos jovens!Agrade&ccedil;o tamb&eacute;m ao Senhor Cardeal Turkson, pelo trabalho que fez no Dicast&eacute;rio;e gostaria tamb&eacute;m de recordar a contribui&ccedil;&atilde;o do ex-Presidente Jos&eacute; Mujica, queest&aacute; presente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No &uacute;ltimo encontro, na Bol&iacute;via,com maioria de latino-americanos, falamos da necessidade de uma mudan&ccedil;a paraque a vida seja digna, uma mudan&ccedil;a de estruturas; al&eacute;m disto, de como voc&ecirc;s, osmovimentos populares, s&atilde;o semeadores desta mudan&ccedil;a, promotores de um processoem que convergem milhares de pequenas e grandes a&ccedil;&otilde;es concatenadas em modocriativo, como em uma poesia; por isto quis vos chamar &ldquo;poetas sociais&rdquo;; etemos tamb&eacute;m elencado algumas tarefas imprescind&iacute;veis para caminhar em dire&ccedil;&atilde;oa uma alternativa humana diante da globaliza&ccedil;&atilde;o da indiferen&ccedil;a: 1. Colocar aeconomia &agrave; servi&ccedil;o dos povos; 2. Construir a paz e a justi&ccedil;a; 3. Defender a M&atilde;eTerra.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Aquele dia, com a voz de uma&ldquo;papeleira&rdquo; e de um agricultor, foram leitos, na conclus&atilde;o, os dez pontos deSanta Cruz de la Sierra, onde a palavra &lsquo;mudan&ccedil;a&rsquo; era repleta de grandeconte&uacute;do, era ligada &agrave;s coisas fundamentais que voc&ecirc;s reivindicam: trabalho dignopara aqueles que s&atilde;o exclu&iacute;dos do mercado de trabalho; terra para osagricultores e as popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas; moradia para as fam&iacute;lias sem-teto;integra&ccedil;&atilde;o humana para os bairros populares; elimina&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o, daviol&ecirc;ncia contra as mulheres e das novas formas de escravid&atilde;o; o fim de todasas guerras, do crime organizado e da repress&atilde;o; liberdade de express&atilde;o e decomunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica; ci&ecirc;ncia e tecnologia a servi&ccedil;o dos povos. Ouvimostamb&eacute;m como voc&ecirc;s se comprometeram em abra&ccedil;ar um projeto de vida que rejeite oconsumismo e recupere a solidariedade, o amor entre n&oacute;s e o respeito pelanatureza como valores essenciais. &Eacute; a felicidade de &ldquo;viver bem&rdquo; aquilo quevoc&ecirc;s reclamam, a &ldquo;vida boa&rdquo;, e n&atilde;o aquele ideal ego&iacute;sta que enganosamenteinverte as palavras e prop&otilde;e a &ldquo;bela vida&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&oacute;s que hoje estamos aqui, deorigens, cren&ccedil;as e ideias diferentes, poder&iacute;amos n&atilde;o estar de acordo com tudo,seguramente pensamos diversamente sobre muitas coisas, por&eacute;m certamente estamosde acordo sobre estes pontos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Soube tamb&eacute;m de encontros elaborat&oacute;rios realizados em diversos pa&iacute;ses, onde se multiplicaram os debates &agrave;luz da realidade de cada comunidade. Isto &eacute; muito importante porque as solu&ccedil;&otilde;esreais para as problem&aacute;ticas atuais n&atilde;o sair&atilde;o de uma, tr&ecirc;s ou mil confer&ecirc;ncias:devem ser fruto de um discernimento coletivo que amadure&ccedil;a nos territ&oacute;riosjunto com os irm&atilde;os, um discernimento que se torne a&ccedil;&atilde;o transformadora &ldquo;segundoos lugares, os tempos e as pessoas&rdquo;, como dizia Santo In&aacute;cio. Caso contr&aacute;rio,corremos o risco das abstra&ccedil;&otilde;es, de &ldquo;certos nominalismos declaracionistas ques&atilde;o belas frases, mas que n&atilde;o conseguem sustentar a vida de nossas comunidades&rdquo;(Carta ao Presidente da Pontif&iacute;cia Comiss&atilde;o para a Am&eacute;rica Latina, 19 de mar&ccedil;ode 2016). S&atilde;o slogans. O colonialismo ideol&oacute;gico globalizante procura imporreceitas supraculturais que n&atilde;o respeitam a identidade dos povos. Voc&ecirc;s seguempor um caminho que &eacute;, ao mesmo tempo, local e universal. Um caminho que merecorda como Jesus pediu para organizar a multid&atilde;o em grupos de cinquenta paradistribuir o p&atilde;o (cfr Homilia na Solenidade de Corpus Christi, Buenos Aires, 12de junho de 2004).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">H&aacute; pouco pudemos ver o v&iacute;deo quevoc&ecirc;s apresentaram como conclus&atilde;o deste terceiro encontro. Vimos os vossosrostos nas discuss&otilde;es sobre como enfrentar &ldquo;a desigualdade que gera viol&ecirc;ncia&rdquo;.Tantas propostas, tanta criatividade, tanta esperan&ccedil;a na vossa voz que talvezteria mais motivos para lamentar-se, permanecer paralisada nos conflitos, cairna tenta&ccedil;&atilde;o do negativo. Mesmo assim voc&ecirc;s olham em frente, pensam, discutem,prop&otilde;e e agem. Me congratulo convosco, vos acompanho, vos pe&ccedil;o para continuar aabrir caminhos e a lutar. Isto me d&aacute; for&ccedil;a, nos d&aacute; for&ccedil;a. Acredito que estenosso di&aacute;logo, que se soma aos esfor&ccedil;os de tantos milh&otilde;es de pessoas que trabalhamdiariamente pela justi&ccedil;a em todo o mundo, est&aacute; lan&ccedil;ando ra&iacute;zes. Eu queria tocarem alguns temas mais espec&iacute;ficos, que s&atilde;o os que recebi de voc&ecirc;s, que mefizeram refletir e os devolvo neste momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center; padding-top: 20px; padding-bottom: 20px; border: 0px; font-variant-numeric: inherit; font-stretch: inherit; font-size: 16px; line-height: 24px; font-family: Verdana, Geneva, sans-serif; vertical-align: baseline; color: rgb(68, 68, 68); background-color: rgb(255, 255, 255);\"><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"360\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/3biP-kgFm6M?rel=0\" width=\"640\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border-width: 0px; border-style: initial; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-weight: inherit; font-stretch: inherit; font-size: inherit; line-height: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline;\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"padding-top: 20px; padding-bottom: 20px; border: 0px; font-variant-numeric: inherit; font-stretch: inherit; font-size: 16px; line-height: 24px; font-family: Verdana, Geneva, sans-serif; vertical-align: baseline; text-align: justify; color: rgb(68, 68, 68); background-color: rgb(255, 255, 255);\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>O terror e os muros<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Todavia, esta germina&ccedil;&atilde;o, que &eacute;lenta, que tem os seus tempos como todas as gesta&ccedil;&otilde;es, &eacute; amea&ccedil;ada pelavelocidade de um mecanismo destrutivo que age em sentido contr&aacute;rio. Existemfor&ccedil;as poderosas que podem neutralizar este processo de amadurecimento de umamudan&ccedil;a que seja capaz de deslocar o primado do dinheiro e colocar novamente nocentro o ser humano, ao homem, a mulher. Aquele &ldquo;fio invis&iacute;vel&rdquo; do qualhav&iacute;amos falado na Bol&iacute;via, aquela estrutura injusta que liga todas asexclus&otilde;es que voc&ecirc;s sofrem, pode consolidar-se e transformar-se em um chicote,um chicote existencial que, no Antigo Testamento, torna escravos, rouba aliberdade, fere sem miseric&oacute;rdia alguns e amea&ccedil;a constantemente os outros, paraabater todos como gado at&eacute; onde quer o dinheiro divinizado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Quem governa ent&atilde;o? O dinheiro.Como governa? Com o chicote do medo, da desigualdade, da viol&ecirc;ncia econ&ocirc;mica,social, cultural e militar que gera sempre mais viol&ecirc;ncia em uma espiraldescendente que parece n&atilde;o acabar nunca. Quanta dor, quanto medo! Existe &ndash;disse recentemente &ndash; existe um terrorismo de base que deriva do controle globaldo dinheiro sobre a terra e amea&ccedil;a toda a humanidade. Deste terrorismo de basese alimentam os terroristas derivados como o narcoterrorismo, o terrorismo deEstado e aquele que alguns erroneamente chamam terrorismo &eacute;tnico ou religiosos.Nenhum povo, nenhuma religi&atilde;o &eacute; terrorista. &Eacute; verdade, existem pequenos gruposfundamentalistas de todas as partes. Mas o terrorismo inicia quando &ldquo;&eacute; expulsaa maravilha da cria&ccedil;&atilde;o, o homem e a mulher, e colocado ali o dinheiro (Coletivade imprensa no voo de retorno da Viagem Apost&oacute;lica &agrave; Pol&ocirc;nia, 31 de julho de2016). Tal sistema &eacute; terrorista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">H&aacute; quase cem anos, Pio XI previao firmar-se de uma ditadura econ&ocirc;mica global que chamou &ldquo;imperialismointernacional do dinheiro&rdquo; (Carta Enc&iacute;clica Quadrasegimo anno, 15 de maio de1931, 109). Estou falando do ano de 1931!. A sala na qual agora nos encontramosse chama &ldquo;Paulo VI&rdquo;, e foi Paulo Vi que denunciou h&aacute; quase cinquenta anos, a&ldquo;nova forma abusiva de dom&iacute;nio econ&ocirc;mico no plano social, cultural e tamb&eacute;mpol&iacute;tico&rdquo; (Carta Enc&iacute;clica Octogesima adveniens, 14 de maio 1971, 44). S&atilde;opalavras duras mas justas de meus predecessores que perscrutaram o futuro. AIgreja e os profetas dizem, h&aacute; mil&ecirc;nios, aquilo que tanto escandaliza querepete o Papa neste tempo, em que tudo isto atinge express&otilde;es in&eacute;ditas. Toda adoutrina social da Igreja e o magist&eacute;rio de meus predecessores se rebela contrao &iacute;dolo do dinheiro que reina ao inv&eacute;s de servir, tiraniza e aterroriza ahumanidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nenhuma tirania, nenhuma tiraniase sustenta sem explorar os nossos medos. Isso &eacute; chave. Disto o fato de quetoda a tirania seja terrorista. E quando este terror, que foi semeado nasperiferias s&atilde;o com massacres, saques, opress&atilde;o e injusti&ccedil;a, explode nos centroscom diversas formas de viol&ecirc;ncia, at&eacute; mesmo com atentados odiosos e covardes,os cidad&atilde;os que ainda conservam alguns direitos s&atilde;o tentados pela falsaseguran&ccedil;a dos muros f&iacute;sicos ou sociais. Muros que fecham alguns e exilamoutros. Cidad&atilde;os murados, aterrorizados, de um lado; exclu&iacute;dos, exilados, aindamais aterrorizados de outro. &Eacute; esta a vida que Deus nosso Pai quer para os seusfilhos?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O medo &eacute; alimentado,manipulado&#8230; Porque o medo, al&eacute;m de ser um bom neg&oacute;cio para os mercadores dasarmas e da morte, nos enfraquece, nos desestabiliza, destr&oacute;i as nossas defesaspsicol&oacute;gicas e espirituais, nos anestesia diante do sofrimento dos outros e nofinal nos torna cru&eacute;is. Quando ouvimos que se festeja a morte de um jovem quetalvez tenha errado o caminho, quando vemos que se prefere a guerra &agrave; paz,quando vemos que se difunde a xenofobia, quando constatamos que ganham terrenoas propostas intolerantes; por tr&aacute;s desta crueldade que parece massificar-seexiste o frio sopro do medo. Vos pe&ccedil;o para rezarem por todos aqueles que t&ecirc;mmedo, rezemos para que Deus d&ecirc; a eles coragem e que neste ano da miseric&oacute;rdiapossa amolecer os nossos cora&ccedil;&otilde;es. A miseric&oacute;rdia n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, n&atilde;o &eacute;f&aacute;cil&#8230;exige coragem. Por isto Jesus nos diz: &lsquo;N&atilde;o tenhais medo&rdquo; (Mt 14,27),porque a miseric&oacute;rdia &eacute; o melhor ant&iacute;doto contra o medo. &Eacute; muito melhor do queos antidepressivos e dos ansiol&iacute;ticos. Muito mais eficaz do que os muros, dasgrades, dos alarmes e das armas. E &eacute; gr&aacute;tis: &eacute; um dom de Deus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, todos osmuros caem. Todos. N&atilde;o deixemo-nos enganar. Como voc&ecirc;s disseram: &ldquo;Continuamos atrabalhar para construir pontes entre os povos, pontes que nos permitem abateros muros da exclus&atilde;o e da explora&ccedil;&atilde;o. (Documento conclusivo do II EncontroMundial dos Movimentos Populares, 11 de julho de 2015, Santa cruz de la Sierra,Bol&iacute;via). Enfrentemos o terror com o amor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>O segundo ponto que eu queria tocar &eacute;: O amor e as pontes<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Um dia como este, um s&aacute;bado,Jesus fez duas coisas que, nos diz o Evangelho, apressaram o compl&ocirc; paramata-lo. Passava com os seus disc&iacute;pulos por um campo de sementes. Os disc&iacute;pulostinham fome e comeram as espigas. Nada se diz sobre o &ldquo;dono&rdquo; daquelecampo&#8230;subjacente &eacute; a destina&ccedil;&atilde;o universal dos bens. O que &eacute; certo &eacute; que,diante da fome, Jesus deu prioridade &agrave; dignidade dos filhos de Deus antes que auma interpreta&ccedil;&atilde;o formal&iacute;stica, obsequiosa e interessada da norma. Quando osdoutores da lei lamentaram com indigna&ccedil;&atilde;o hip&oacute;crita, Jesus recordou a eles queDeus quer o amor e n&atilde;o sacrif&iacute;cios, e explicou que o s&aacute;bado &eacute; feito para ohomem e n&atilde;o o homem para o s&aacute;bado (cfr Mt 2,27). Enfrentou o pensamentohip&oacute;crita e presun&ccedil;oso com a intelig&ecirc;ncia humilde do cora&ccedil;&atilde;o (cfr Homilia, ICongresso de Evangeliza&ccedil;&atilde;o da Cultura, Buenos Aires, 3 de novembro de 2006),que d&aacute; sempre a prioridade ao homem e n&atilde;o aceita que determinadas l&oacute;gicasimpe&ccedil;am a sua liberdade de viver, amar e servir o pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">E depois, neste mesmo dia, Jesusfez algo de &ldquo;pior&rdquo;, algo que irritou ainda mais os hip&oacute;critas e os soberbos queo estavam observando porque procuram uma desculpa para captur&aacute;-lo. Curou a m&atilde;oatrofiada de um homem. A m&atilde;o, este sinal t&atilde;o forte do trabalhar, do trabalho.Jesus restituiu &agrave;quele homem a capacidade de trabalhar e com isso lhe restituiua dignidade. Quantas m&atilde;os atrofiadas, quantas pessoas privadas da dignidade dotrabalho! Porque os hip&oacute;critas, para defender sistemas injustos, se op&otilde;e a quesejam curados. &Agrave;s vezes penso que quando voc&ecirc;s, os pobres organizados, inventamos vossos trabalhos, criando uma cooperativa, recuperando uma f&aacute;brica falida,reciclando os descartes da sociedade de consumo, enfrentando a inclem&ecirc;ncia dotempo para vender em uma pra&ccedil;a, reivindicando um peda&ccedil;o de terra para cultivarpara alimentar quem tem fome, quando voc&ecirc;s fazem isto est&atilde;o imitando Jesus,porque buscam curar, mesmo que somente um pouquinho, mesmo se precariamente,esta atrofia do sistema socioecon&ocirc;mico reinante que &eacute; o desemprego. N&atilde;o mesurpreende que tamb&eacute;m voc&ecirc;s &agrave;s vezes sejam vigiados ou perseguidos, nem mesurpreende que aos soberbos n&atilde;o interessa aquilo que voc&ecirc;s dizem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus, que naquele s&aacute;badoarriscou a vida, porque depois que curou aquela m&atilde;o, fariseus e herodianos (cfMc 3,6), dois partidos opostos entre eles, que temiam o povo e tamb&eacute;m oimp&eacute;rio, fizeram os seus c&aacute;lculos e armaram um compl&ocirc; para mat&aacute;-lo. Sei quemuitos de voc&ecirc;s arriscam a vida. Sei &ndash; o quero recordar, a quero recordar &#8211; quealguns n&atilde;o est&atilde;o aqui hoje porque arriscaram a vida&#8230; Mas n&atilde;o existe amormaior que dar a vida. Isto nos ensina Jesus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>As 3 &ndash; T<\/b>, o vosso grito que fa&ccedil;o meu, tem algo daquela intelig&ecirc;nciahumilde mas ao mesmo tempo forte e curador. Um projeto-ponte dos povos diantedo projeto-muro do dinheiro. Um projeto que visa o desenvolvimento humanointegral. Alguns sabem que o nosso amigo Cardeal Turkson preside o Dicast&eacute;rioque leva este nome: Desenvolvimento Humano integral. O contr&aacute;rio dodesenvolvimento, se poderia dizer, &eacute; a atrofia, a paralisia. Devemos ajudar acurar o mundo da sua atrofia moral. Este sistema atrofiado &eacute; capaz de forneceralgumas &ldquo;pr&oacute;teses&rdquo; cosm&eacute;ticas que n&atilde;os&atilde;o verdadeiro desenvolvimento:crescimento econ&ocirc;mico, progressos tecnol&oacute;gicos, maior &ldquo;efici&ecirc;ncia&rdquo; paraproduzir coisas que se compram, s&atilde;o usadas e jogadas fora, nos envolvendo atodos em uma vertiginosa din&acirc;mica do descarte&#8230; Mas n&atilde;o consente odesenvolvimento do ser humano na sua integralidade, o desenvolvimento que n&atilde;ose reduz ao consumo, que n&atilde;o se reduz ao bem-estar de poucos, que inclui todosos povos e as pessoas na plenitude da sua dignidade, usufruindo fraternalmentea maravilha da cria&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o desenvolvimento do qual temos necessidade:humano, integral, respeitoso pela cria&ccedil;&atilde;o, desta casa comum.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Outro ponto: A Bancarrota e o resgate<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Queridos irm&atilde;os, querocompartilhar com voc&ecirc;s algumas reflex&otilde;es sobre outros dois temas que, junto,junto aos &ldquo;3-T&rdquo; e &agrave; ecologia integral, estiveram ao centro de vossos debatesdos &uacute;ltimos dias e focam focalizados neste per&iacute;odo hist&oacute;rico.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sei que voc&ecirc;s dedicaram um dia aodrama dos migrantes, dos refugiados e dos deslocados. O que fazer diante destatrag&eacute;dia? No Dicast&eacute;rio cujo respons&aacute;vel &eacute; o Cardeal Turkson existe um setorque se ocupa destas situa&ccedil;&otilde;es. Decidi que, ao menos por um certo tempo, estesetor vai ficar submetido diretamente ao Pont&iacute;fice, porque esta &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;oinfame, que posso somente descrever com uma palavra que me veio em menteespontaneamente em Lampedusa: vergonha.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">L&aacute;, como em Lesbos, pude ouvir deperto o sofrimento de tantas fam&iacute;lias expulsas de sua terra por motivosecon&ocirc;micos ou viol&ecirc;ncias de todos os tipos, multid&otilde;es exiladas &ndash;&nbsp; disse isto diante das autoridades de todo omundo &ndash; por causa de um sistema socioecon&ocirc;mico injusto e de guerras que n&atilde;obuscaram, que n&atilde;o criaram aqueles que hoje sofrem o doloroso desenraizamento dasua p&aacute;tria, mas antes muitos daqueles que se recusam em recebe-los.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Fa&ccedil;o minhas as palavras de meuirm&atilde;o o Arcebispo Hieronymos da Gr&eacute;cia: &ldquo;Quem v&ecirc; os olhos das crian&ccedil;as queencontramos nos campos de refugiados &eacute; capaz de reconhecer imediatamente, nasua totalidade, a &ldquo;bancarrota&rdquo; da humanidade&rdquo;. (Discurso no Campo de Refugiadosde Moria, em Lesbos, 16 de abril de 2016). O que acontece no mundo de hoje que,quando ocorre a bancarrota de um banco, imediatamente aparecem somasescandalosas para salv&aacute;-lo, mas quando acontece esta bancarrota da humanidaden&atilde;o existe sequer uma mil&eacute;sima parte para salvar estes irm&atilde;os que sofrem tanto?E assim o Mediterr&acirc;neo transformou-se em um cemit&eacute;rio e n&atilde;o somente oMediterr&acirc;neo&#8230;muitos cemit&eacute;rios pr&oacute;ximos aos muros, muros manchados de sangueinocente. Durante os dias deste encontro, o mostravam no v&iacute;deo. Quantosmorreram no mediterr&acirc;neo?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O medo endurece o cora&ccedil;&atilde;o e setransforma em crueldade cega que se recusa em ver o sangue, a dor, o rosto dooutro. O disse o meu irm&atilde;o o Patriarca Bartolomeu: &ldquo;Quem tem medo de voc&ecirc;s n&atilde;ovos olhou nos olhos. Quem tem medo de voc&ecirc;s n&atilde;o viu os vossos rostos. Quem temmedo de voc&ecirc;s n&atilde;o v&ecirc; os vossos filhos. Esquece que a dignidade e a liberdadetranscendem o medo e transcende a divis&atilde;o. Esquece que a migra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; umproblema do Oriente M&eacute;dio e da &Aacute;frica do norte, da Europa e da Gr&eacute;cia. &Eacute; umproblema do mundo&rdquo;. (Discurso no campo de Refugiados de Moria, Lesbos, 16 deabril de 2016).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; realmente um problema do mundo.Ningu&eacute;m deveria ver-se obrigado a fugir da pr&oacute;pria p&aacute;tria. Mas o mal &eacute; duploquando, diante daquelas terr&iacute;veis circunst&acirc;ncias, o migrante se v&ecirc; lan&ccedil;ados nasgarras dos traficantes de pessoas para atravessar as fronteiras, e &eacute; triplo sechegam na terra em que se pensava encontrar um futuro melhor e s&atilde;o desprezados,explorados e at&eacute; mesmo escravizados. Isto se pode ver em qualquer canto decentenas de cidades. Ou simplesmente n&atilde;o o deixa entrar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe&ccedil;o a voc&ecirc;s para fazerem todo oposs&iacute;vel e n&atilde;o esquecerem nunca que tamb&eacute;m Jesus, Maria e Jos&eacute; experimentaram acondi&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica dos refugiados. Vos pe&ccedil;o para exercerem aquela solidariedadet&atilde;o especial que existe entre aqueles que sofreram. Voc&ecirc;s sabem recuperarf&aacute;bricas das fal&ecirc;ncias, reciclar aquilo que outros jogam fora, criar postos detrabalho, cultivar a terra, construir moradias, integrar bairros segregados ereclamar sem se deter como a vi&uacute;va do Evangelho que pede justi&ccedil;ainsistentemente (cfr Lc 18,1-8). Talvez com o vosso exemplo e a vossainsist&ecirc;ncia, alguns Estados e Organiza&ccedil;&otilde;es internacionais abrir&atilde;o os olhos eadotar&atilde;o as medidas adequadas para acolher e integrar plenamente todos aquelesque, por um motivo ou por outro, buscam ref&uacute;gio longe de casa. E tamb&eacute;m paraenfrentar as causas profundas pelas quais milhares de homens, mulheres ecrian&ccedil;as s&atilde;o expulsos a cada dia de sua terra natal.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Dar exemplo e reclamar &eacute; um modode fazer pol&iacute;tica, e isto me leva ao segundo tema que voc&ecirc;s debateram em vossoencontro: a rela&ccedil;&atilde;o entre povo e democracia. Uma rela&ccedil;&atilde;o que deveria sernatural e flu&iacute;da, mas que corre o perigo de ofuscar-se at&eacute; se tornarirreconhec&iacute;vel. A lacuna entre os povos e as nossas atuais formas de democraciase alarga sempre mais como consequ&ecirc;ncia do enorme poder dos grupos econ&ocirc;micos emidi&aacute;ticos que parecem domin&aacute;-las. Os movimentos populares, o sei, n&atilde;o s&atilde;opartidos pol&iacute;ticos e deixem que eu vos diga que, em grande parte, aqui est&aacute; avossa riqueza, porque voc&ecirc;s expressam uma forma diversa, din&acirc;mica, e vital departicipa&ccedil;&atilde;o social na vida p&uacute;blica. Mas n&atilde;o tenham medo de entrar nas grandesdiscuss&otilde;es, na Pol&iacute;tica com mai&uacute;scula, e cito de novo Paulo VI: &ldquo;A pol&iacute;tica &eacute;uma maneira exigente &ndash; mas n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica &ndash; de viver o compromisso crist&atilde;o aservi&ccedil;o dos outros&rdquo;. (Carta Ap. Octosegima adveniens, 14 de maio de 1971, 46).Ou esta frase que repito tantas vezes, que sempre me confundo, n&atilde;o sei se &eacute; dePaulo VI ou de Pio XII: &ldquo;A pol&iacute;tica &eacute; uma das formas mais elevadas da caridade,do amor&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Gostaria de sublinhar dois riscosque giram ao redor da rela&ccedil;&atilde;o entre os movimentos populares e pol&iacute;tica: o riscode deixar-se&nbsp; &ldquo;formatar&rdquo; (ndr &ndash; nosentido de limitar os movimentos. O Papa usou a palavra &ldquo;encorsetar&rdquo;), e orisco de deixar-se corromper.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Primeiro, n&atilde;o deixar-se&ldquo;formatar&rdquo; porque alguns dizem: a cooperativa, o refeit&oacute;rio, o hortoagroecol&oacute;gico, as microempresas, o projeto dos planos assistenciais&#8230; at&eacute; aquitudo bem. Enquanto voc&ecirc;s se mantiverem limitados &agrave;s &ldquo;pol&iacute;ticas sociais&rdquo;,enquanto voc&ecirc;s n&atilde;o colocarem em discuss&atilde;o a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica ou a pol&iacute;ticacom a mai&uacute;scula, voc&ecirc;s s&atilde;o tolerados. A ideia das pol&iacute;ticas sociais concebidascomo uma pol&iacute;tica em dire&ccedil;&atilde;o aos pobres, mas nunca &ldquo;com&rdquo; os pobres, nunca &ldquo;dos&rdquo;pobres e tanto menos inserida em um projeto que re&uacute;na os povos, me parece &agrave;svezes uma esp&eacute;cie de&nbsp;&nbsp; mascarado porconter os descartes do sistema. Quando voc&ecirc;s, do vosso arraigamento aoterrit&oacute;rio, da vossa realidade cotidiana, do bairro, do local, da organiza&ccedil;&atilde;ode trabalho comunit&aacute;rio, das rela&ccedil;&otilde;es de pessoa a pessoa, ousem colocar emdiscuss&atilde;o as &ldquo;macro-rela&ccedil;&otilde;es&rdquo;, quando gritam, quando indicarem ao poder umaplanejamento mais integral, ent&atilde;o n&atilde;o se tolera voc&ecirc;s mais tanto. N&atilde;o se toleratanto, porque est&atilde;o saindo do &ldquo;formato&rdquo;, est&atilde;o se colocando no terreno dasgrandes decis&otilde;es que alguns pretendem monopolizar em pequenas castas. Assim ademocracia se atrofia, torna-se um nominalismo, uma formalidade, perderepresentatividade, vai desencarnando-se porque deixa fora o povo na sua lutacotidiana pela dignidade, na constru&ccedil;&atilde;o de seu destino.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Voc&ecirc;s, organiza&ccedil;&otilde;es dos exclu&iacute;dose tantas organiza&ccedil;&otilde;es de outros setores da sociedade, s&atilde;o chamados arevitalizar, a refundar as democracias que est&atilde;o passando por uma verdadeiracrise. N&atilde;o caiam na tenta&ccedil;&atilde;o da limita&ccedil;&atilde;o que voz reduz a atores secund&aacute;rios,ou pior, a meros administradores da mis&eacute;ria existente. Neste tempos deparalisias, desorienta&ccedil;&atilde;o e propostas destrutivas, a participa&ccedil;&atilde;o comoprotagonistas dos povos que buscam o bem comum pode vencer, com a ajuda deDeus, os falsos profetas que exploram o medo e o desespero, que vendem f&oacute;rmulasm&aacute;gicas de &oacute;dio e crueldade ou de um bem-estar ego&iacute;stico e uma seguran&ccedil;ailus&oacute;ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sabemos que &ldquo;enquanto n&atilde;o seresolverem radicalmente os problemas dos pobres, renunciando &agrave; autonomiaabsoluta dos mercados e da especula&ccedil;&atilde;o financeira e atacando as causasestruturais da iniquidade, n&atilde;o se resolver&atilde;o os problemas do mundo edefinitivamente, nenhum problema. A iniquidade &eacute; a raiz dos males sociais&rdquo;.(Exort. Apost. Evangelii gaudium, 202). Por isto, o disse e o repito, &ldquo;o futuroda humanidade n&atilde;o est&aacute; somente nas m&atilde;os dos grandes l&iacute;deres, das grandes pot&ecirc;nciase das elites. Est&aacute; sobretudo nas m&atilde;os dos povos; na sua capacidade deorganizar-se e tamb&eacute;m nas m&atilde;os que irrigam, com humildade e convic&ccedil;&atilde;o, esteprocesso de mudan&ccedil;as&rdquo;. (Discurso ao II Encontro Mundial dos MovimentosPopulares, Santa Cruz de la Sierra, 9 de julho de 2015). Tamb&eacute;m a Igreja pode edeve, sem pretender ter o monop&oacute;lio da verdade, pronunciar-se e agirespecialmente diante das &ldquo;situa&ccedil;&otilde;es em que se tocam as chagas e os sofrimentosdram&aacute;ticos, e nos quais est&atilde;o envolvidos os valores, a &eacute;tica, as ci&ecirc;nciassociais e a f&eacute;&rdquo; (Pronunciamento no encontro de Ju&iacute;zes e Magistrados contra otr&aacute;fico de pessoas e o crime organizado, Vaticano, 3 de junho 2016). Este era oprimeiro risco: o risco da limita&ccedil;&atilde;o e o convite de entrarem na grandepol&iacute;tica.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O segundo risco, dizia paravoc&ecirc;s, &eacute; deixar-se corromper. Como a pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o dos&ldquo;pol&iacute;ticos&rdquo;, a corrup&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um v&iacute;cio exclusivo da pol&iacute;tica. Existe corrup&ccedil;&atilde;ona pol&iacute;tica, existe corrup&ccedil;&atilde;o nas empresas, existe corrup&ccedil;&atilde;o nos meios decomunica&ccedil;&atilde;o, existe corrup&ccedil;&atilde;o nas Igrejas e existe corrup&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m nasorganiza&ccedil;&otilde;es sociais e nos movimentos populares. &Eacute; justo dizer que existe umacorrup&ccedil;&atilde;o radicada em alguns &acirc;mbitos da vida econ&ocirc;mica, em particular naatividade financeira, e que &eacute; menos not&iacute;cia do que a corrup&ccedil;&atilde;o diretamente eligada ao &acirc;mbito pol&iacute;tico e social. &Eacute; justo dizer que muito vezes se utilizamos casos de corrup&ccedil;&atilde;o com m&aacute;s inten&ccedil;&otilde;es. Mas &eacute; tamb&eacute;m justo esclarecer queaqueles que escolheram uma vida de servi&ccedil;o, t&ecirc;m uma obriga&ccedil;&atilde;o ulterior que sesoma &agrave; honestidade com que qualquer pessoas deve agir na vida. A medida &eacute; muitoalta: &eacute; necess&aacute;rio viver a voca&ccedil;&atilde;o de servir com um forte sentido deausteridade e a humildade. Isto vale para os pol&iacute;ticos, mas vale tamb&eacute;m para osdirigentes sociais e para n&oacute;s pastores. Disse &ldquo;austeridade&rdquo;. Gostaria deesclarecer a que me refiro com a palavra austeridade. Pode ser uma palavraequivocada. Austeridade moral, austeridade no modo de viver, austeridade emcomo levo em frente a minha vida, minha fam&iacute;lia. Austeridade moral e humana.Porque no campo mais cient&iacute;fico, cient&iacute;fico-econ&ocirc;mico se quiserem, ou dasci&ecirc;ncias do mercado, austeridade &eacute; sin&ocirc;nimo de ajuste. E n&atilde;o &eacute; a isto que merefiro. N&atilde;o estou falando disot.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Agrave; qualquer pessoa que sejam muitoapegada &agrave;s coisas materiais ou ao espelho, a quem ama o dinheiro, os banquetesexuberantes, as casas suntuosas, as roupas refinadas, o carro de luxo,aconselharia de entender o que est&aacute; acontecendo em seu cora&ccedil;&atilde;o e de rezar aDeus para libert&aacute;-lo destes apegos. Mas, parafraseando o ex-Presidentelatino-americano que se encontra aqui, aquele que est&aacute; afei&ccedil;oado a todas estascoisas, por favor, que n&atilde;o entre na pol&iacute;tica, que n&atilde;o entre em uma organiza&ccedil;&atilde;osocial ou em um movimento popular, porque causaria muito dano a si mesmo e aopr&oacute;ximo e mancharia a nobre causa que assumiu. Tampouco que entre no semin&aacute;rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Diante da tenta&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o,n&atilde;o existe melhor rem&eacute;dio do que a austeridade, esta austeridade moral epessoal. E praticar a austeridade &eacute;, tamb&eacute;m, pregar com o exemplo. Vos pe&ccedil;o den&atilde;o subestimarem o valor do exemplo, porque tem mais for&ccedil;a do que mil palavras,de mil panfletos, de mil &ldquo;curtidas&rdquo;, de mil retweets, de mil v&iacute;deos no youtube.O exemplo de uma vida austera a servi&ccedil;o do pr&oacute;ximo &eacute; o melhor modo para promovero bem comum e o projeto-ponte dos &ldquo;3-T&rdquo;. Pe&ccedil;o a voc&ecirc;s, dirigentes, para n&atilde;ocansarem-se de praticar esta austeridade moral, pessoal e pe&ccedil;o a todos paraexigir dos dirigentes esta austeridade, que &ndash; de resto &ndash; os far&aacute; muito felizes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Queridas irm&atilde;s e irm&atilde;os,<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A corrup&ccedil;&atilde;o, a soberba e oexibicionismo dos dirigentes aumenta o descr&eacute;dito coletivo, a sensa&ccedil;&atilde;o deabandono e alimenta o mecanismo do medo que sustenta este sistema in&iacute;quo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Gostaria, para concluir, pedir avoc&ecirc;s para continuar a combater o medo com uma vida de servi&ccedil;o, solidariedade ehumildade em favor dos povos e especialmente daqueles que sofrem. Voc&ecirc;spoderiam errar muitas vezes, todos erramos, mas se perseveramos neste caminho,cedo ou tarde, veremos os frutos. E insisto: contra o terror, o melhor rem&eacute;dio&eacute; o amor. O amor cura tudo. Alguns sabem que depois do S&iacute;nodo sobre a Fam&iacute;liaescrevi Amoris laetitia, um documento sobre o amor em cada fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;mnaquela outra fam&iacute;lia que &eacute; o bairro, a comunidade, o povo, a humanidade.Algu&eacute;m de voc&ecirc;s me pediu para distribuir um fasc&iacute;culo que cont&eacute;m um fragmentodo cap&iacute;tulo quatro deste documento. Penso que entregar&atilde;o a voc&ecirc;s na sa&iacute;da. Eportanto com a minha b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. L&aacute; encontram-se alguns &ldquo;conselhos &uacute;teis&rdquo; parapraticar o mais importante dos mandamentos de Jesus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na Amoris laetitia, cito umfalecido l&iacute;der afro-americano, Martin Luther King, que sabia sempre escolher oamor fraterno at&eacute; mesmo em meio &aacute;s piores persegui&ccedil;&otilde;es e humilha&ccedil;&otilde;es. Querorecord&aacute;-lo com voc&ecirc;s: &ldquo;Quando te elevas ao n&iacute;vel do amor, da sua grande belezae poder, a &uacute;nica coisa que buscar derrotar s&atilde;o os sistemas malignos. As pessoasque est&atilde;o presas por aquele sistema, as ame, por&eacute;m procure derrotar aquelesistema (&#8230;) &Oacute;dio por &oacute;dio intensifica somente a exist&ecirc;ncia do &oacute;dio e do malno universo. Se eu te firo e tu me fere, e te retribui o golpe e tu meretribuiu o golpe, e assim por diante, &eacute; evidente que se continua at&eacute; oinfinito. Simplesmente n&atilde;o acaba nunca. Uma das partes deve ter um pouco de bomsenso, e aquela &eacute; a pessoa forte. A pessoa forte &eacute; a pessoa que &eacute; capaz dequebrar&nbsp; a cadeia de &oacute;dio, a cadeia domal&rdquo;. (n. 118; Serm&atilde;o na Igreja Batista de Dexter Avenue, Montgomery, Alabama,17 de novembro de 1957).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vos agrade&ccedil;o novamente pela vossapresen&ccedil;a. Vos agrade&ccedil;o pelo vosso trabalho. Desejo pedir a Deus nosso Pai quevos acompanhe e vos aben&ccedil;oe, que vos cumule de seu amor e vos defenda nocaminho, dando-vos em abund&acirc;ncia a for&ccedil;a que nos mant&eacute;m em p&eacute; e nos d&aacute; acoragem para romper a cadeia do &oacute;dio: a for&ccedil;a &eacute; a esperan&ccedil;a. Vos pe&ccedil;o, porfavor, de rezarem por mim, e aqueles que n&atilde;o podem rezar, saibam, pensem bem demim e me enviem uma boa onda. Obrigado&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Fonte: R&aacute;dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tarde de s&aacute;bado (05\/11) o PapaFrancisco participou na Sala Paulo VI da conclus&atilde;o do III Encontro Mundial dosMovimentos Populares. Abaixo, o pronunciamento na &iacute;ntegra: &nbsp; &#8220;Irm&atilde;s e irm&atilde;s, boa tarde! Neste nosso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/675"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/675\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}