{"id":667,"date":"2016-11-12T00:00:00","date_gmt":"2016-11-12T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-crise-nao-e-acidente-de-percurso-e-a-essencia-da-vida\/"},"modified":"2016-11-12T00:00:00","modified_gmt":"2016-11-12T00:00:00","slug":"a-crise-nao-e-acidente-de-percurso-e-a-essencia-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/a-crise-nao-e-acidente-de-percurso-e-a-essencia-da-vida\/","title":{"rendered":"A crise n\u00e3o \u00e9 acidente de percurso, \u00e9 a ess\u00eancia da vida"},"content":{"rendered":"<p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b><i>&ldquo;Haver&aacute; grandes terremotos, fomese pestes em muitos lugares; acontecer&atilde;o coisas pavorosas e grandes sinais ser&atilde;ovistos no c&eacute;u&rdquo;<\/i><\/b> (Lc 21,11)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Aproxima-se o final de mais umciclo lit&uacute;rgico e a celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica deste domingo nos situa diante do&uacute;ltimo discurso de Jesus, anunciando a queda do Templo de Jerusal&eacute;m e a presen&ccedil;adas crises.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As crises s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es depassagem e fazem parte do crescimento humano, tanto pessoal como coletivo. N&atilde;oh&aacute; desenvolvimento sem per&iacute;odos de ruptura e de descontinuidade. Mas, muitospermanecem paralisados diante do seu car&aacute;ter amea&ccedil;ante; acabam por retrair-se eisolar-se no medo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No entanto, a crise revela umaexcelente oportunidade para dispor-nos a avan&ccedil;ar, dando um salto qualitativo ede crescimento. Inclusive ela pode ser ocasi&atilde;o prop&iacute;cia para ativar recursos epotencialidades latentes que em tempos de aparente harmonia ainda n&atilde;o tiveramchance de se manifestar. Em cada situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica que parece bloquear ocaminho, sa&iacute;mos mais humanos e mais criativos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nas diversas sabedorias eculturas, como tamb&eacute;m na psicologia, sociologia, espiritualidade&#8230; as crisesn&atilde;o s&oacute; s&atilde;o inevit&aacute;veis, mas necess&aacute;rias e convenientes, porque indicam apassagem de uma etapa a outra. Esta passagem &eacute; sempre inc&ocirc;moda, dif&iacute;cil e,inclusive, perigosa porque os elementos que tinham encontrado seu equil&iacute;brio sedesestabilizam. Necessita-se habilidade, coragem, tempo e paci&ecirc;ncia para que seencontre de novo a harmonia. As crises, portanto, n&atilde;o s&atilde;o acidentes depercurso, s&atilde;o a ess&ecirc;ncia mesma do caminho. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O perigo est&aacute; em permanecer nasmanifesta&ccedil;&otilde;es externas e nas evid&ecirc;ncias imediatas da crise (terremotos, fomes,sinais pavorosos&#8230;), conduzindo-nos ao desespero e a sensa&ccedil;&atilde;o de perder o solosob nossos p&eacute;s. S&oacute; quem desce &agrave;s profundezas de seu ser encontrar&aacute; solo firmesobre o qual manter-se inabal&aacute;vel. O furac&atilde;o revela um n&uacute;cleo interior de calmae serenidade, enquanto ao seu redor espalha destrui&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia. O mar, nassuas profundezas encontra-se tranquilo, enquanto na superf&iacute;cie as ondasmostram-se agitadas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A vida est&aacute; atravessada por ummisterioso impulso de &ldquo;sempre mais&rdquo;, dinamismo que caracteriza a ess&ecirc;ncia doexistir humano; ela est&aacute; em permanente desenvolvimento e as convuls&otilde;es fazemparte do processo de mudan&ccedil;a e crescimento. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em tempos de crise, tudo aquiloque nos dava seguran&ccedil;a, parece desmoronar-se: o horizonte fica obscurecido, osvalores perdem credibilidade, tudo passa por desestabiliza&ccedil;&otilde;es, rupturas, novasadapta&ccedil;&otilde;es. Tal situa&ccedil;&atilde;o gera inseguran&ccedil;a, medo, impot&ecirc;ncia e experi&ecirc;ncia defracasso: projetos se esvaziam, a esperan&ccedil;a se atrofia, a criatividade sepetrifica&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O crescimento do ser humano n&atilde;o &eacute;linear sen&atilde;o que transcorre atrav&eacute;s de uma sucess&atilde;o de rupturas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A primeira &eacute; o nascimento, acrise maior de nossa vida, juntamente com a morte, que &eacute; a &uacute;ltima. Nossaexist&ecirc;ncia &eacute; um percurso entre duas rupturas nas quais se d&aacute; uma mudan&ccedil;aqualitativa entre um modo de ser a outro. Nascer sup&otilde;e abandonar o ventrematerno para expor-se ao desafio da individualidade; morrer sup&otilde;e deixar estaindividualidade para entrar em outro modo de exist&ecirc;ncia. Cada etapa de crescimentosupor&aacute; um tipo de crise. Assim avan&ccedil;a a vida, abrindo-se caminho sem cessar &agrave;custa de deixar os territ&oacute;rios familiares para adentrar-se nos inexplorados. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Atribui-se a Albert Einstein asseguintes palavras: &ldquo;N&atilde;o pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos omesmo. A crise &eacute; a melhor ben&ccedil;&atilde;o que pode acontecer &agrave;s pessoas e aos pa&iacute;ses,porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da ang&uacute;stia, como o dianasce da noite escura. &Eacute; na crise onde nasce a inventividade, as descobertas eas grandes estrat&eacute;gias. Quem supera a crise, se supera a si mesmo sem ficarsuperado. Sem crises n&atilde;o h&aacute; desafios e a vida torna-se uma rotina, uma lentaagonia&rdquo;.&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Evangelho de hoje (33&ordm; Dom TC)convida a n&atilde;o permanecer na casca da vida. Jesus nunca fica na superf&iacute;cie dascoisas; sempre vai &agrave;s ra&iacute;zes. &Eacute; mais f&aacute;cil nadar &agrave; superf&iacute;cie da &aacute;gua quemergulhar nas profundidades.&nbsp; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Transitamos na casca da vida eesquecemos a verdade da vida; d&aacute; medo nos perguntar por aquilo que &eacute; essencial;preferimos, muitas vezes, permanecer no superficial, no acidental. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Quando resistimos encontrar com o essencial, afastamo-nos do nossopr&oacute;prio ser original; quando fugimos do essencial vivemos no vazio.<\/b> Porque,encontrar-nos com o essencial &eacute; deparar-nos com nossa verdade. E isso &eacute;doloroso. Custa-nos olhar no espelho de nossa verdade. E se temos medo dapr&oacute;pria interioridade, ficamos &agrave; merc&ecirc; dos ventos, tempestades e terremotos.Tudo parece sem solo, nada confere firmeza. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os tempos dif&iacute;ceis e de crisesn&atilde;o devem ser tempos de lamentos ou de des&acirc;nimo. N&atilde;o &eacute; a hora da resigna&ccedil;&atilde;o, dapassividade ou da fuga. A ideia de Jesus &eacute; outra: em tempos de crise &ldquo;tereisocasi&atilde;o de testemunhar a vossa f&eacute;&rdquo;. &Eacute; ent&atilde;o, precisamente, quando nos &eacute;oferecida a melhor ocasi&atilde;o de dar testemunho de nossa ades&atilde;o a Ele e a seuprojeto. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pertence &agrave; crise o aspectodram&aacute;tico e a sensa&ccedil;&atilde;o da perda dos pontos de orienta&ccedil;&atilde;o. Por isso se imp&otilde;e acoragem de saber esperar o decantamento da &aacute;gua turva (&ldquo;em tempo de crise n&atilde;ose toma decis&atilde;o&rdquo;). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O tempo de crise revela-se tamb&eacute;mcomo o momento para cultivar um estilo de vida crist&atilde;, paciente e tenaz, quenos ajude a responder &agrave;s novas situa&ccedil;&otilde;es e desafios sem perder a paz nem alucidez. &Eacute; tempo de discernimento que possibilita uma nova forma de vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus, ao falar da destrui&ccedil;&atilde;o doTemplo de Jerusal&eacute;m n&atilde;o estava interessado na destrui&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, e sim,na destrui&ccedil;&atilde;o da vaidade e do orgulho humano; n&atilde;o vislumbrou a ru&iacute;na dos murose das pedras, e sim a ru&iacute;na da vangl&oacute;ria. Sua presen&ccedil;a rompe muralhas, afastaas pedras que impediam a manifesta&ccedil;&atilde;o da Vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em Jesus ocorre algo totalmentenovo. Ele traz uma nova maneira de viver que n&atilde;o cabe nos nossos esquemas; oEvangelho &eacute; uma novidade que rompe velhas muralhas. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Dizer: &ldquo;n&atilde;o ficar&aacute; pedra sobre pedra&rdquo;&eacute; o mesmo que dizer: &ldquo;n&atilde;o ficar&aacute; orgulho sobre orgulho, opress&atilde;o sobreopress&atilde;o, injusti&ccedil;a sobre injusti&ccedil;a&hellip;&rdquo; H&aacute; muitas pessoas encerradas em seuspr&oacute;prios muros, fechadas em si mesmas, em seus interesses, vivendo um universode ego&iacute;smo e exclus&atilde;o. Vivem separadas dos outros e, quando encontram pessoassemelhantes, criam verdadeiras muralhas ao seu redor. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Cobrimo-nos de pedras, rodeamosnosso cora&ccedil;&atilde;o de muros,&nbsp; constru&iacute;mos&nbsp; muralhas que nos afastam dos outros e deDeus. &Eacute; isso que somos convidados a fazer: destruir o templo de Jerusal&eacute;m dasolid&atilde;o, fechamento, ang&uacute;stia, aliena&ccedil;&atilde;o, indiferen&ccedil;a, rancor, medo einseguran&ccedil;a&hellip; Precisam desaparecer os templos abusivos onde adoramos o nosso&ldquo;eu&rdquo; e idolatramos a riqueza, o poder, o prest&iacute;gio&hellip; &Eacute; preciso derrubar asmuralhas do preconceito, das id&eacute;ias fixas, dos modos fechados de viver&#8230;, queimpedem o fluir da vida. A Vida que habita em cada um de n&oacute;s. H&aacute; uma for&ccedil;ainterior que quer romper a casca e transbordar numa explos&atilde;o vitalmultiplicadora. &Eacute; sobre as cinzas de nossas m&iacute;seras ambi&ccedil;&otilde;es que o Reino deDeus plantar&aacute; suas ra&iacute;zes. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Lc 21,5-19<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Para Jesus, a verdadeira beleza n&atilde;o est&aacute; nas pedras dotemplo, mas na nossa interioridade, &ldquo;casa de Deus e espa&ccedil;o de ora&ccedil;&atilde;o&rdquo;. &Eacute; o&uacute;nico lugar que permanece tranquilo e s&oacute;lido diante das sacudidas existenciaisprovocadas pelas crises.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Como voc&ecirc; reage diante de suascrises: na f&eacute;, no sentido da vida, nos relacionamentos&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Haver&aacute; grandes terremotos, fomese pestes em muitos lugares; acontecer&atilde;o coisas pavorosas e grandes sinais ser&atilde;ovistos no c&eacute;u&rdquo; (Lc 21,11) Aproxima-se o final de mais umciclo lit&uacute;rgico e a celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica deste domingo nos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":925,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/667"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/667\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}