{"id":6218,"date":"2018-05-30T14:06:04","date_gmt":"2018-05-30T14:06:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=6218"},"modified":"2018-05-30T17:07:27","modified_gmt":"2018-05-30T17:07:27","slug":"corpus-christi-comunhao-com-cristo-comunhao-com-o-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/corpus-christi-comunhao-com-cristo-comunhao-com-o-universo\/","title":{"rendered":"CORPUS CHRISTI: comunh\u00e3o com Cristo, comunh\u00e3o com o universo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cJesus tomou o p\u00e3o e, tendo pronunciado a ben\u00e7\u00e3o, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: \u2018Tomai, isto \u00e9 o meu corpo\u201d<\/em><\/strong> (Mc 14,22)<\/p>\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o da festa de Corpus Christi, corremos o risco de honrar o Corpo de Jesus, mas desprezar o corpo humano, \u201c a carne de Cristo\u201d. Participamos, com muita f\u00e9, dedica\u00e7\u00e3o e respeito, das celebra\u00e7\u00f5es do \u201cCorpo de Cristo\u201d, mas pode ser que, \u00e0s vezes, fa\u00e7amos uma profunda cis\u00e3o ou ruptura entre o que celebramos e a realidade que nos cerca, ou seja, o encontro com os \u201ccorpos desfigurados\u201d: explorados, manipulados, usados, escravizados, destru\u00eddos&#8230; Pode ser que tenhamos um profundo amor e respeito pelo \u201cCorpo de Cristo vivo e presente na Eucaristia\u201d, e n\u00e3o O vejamos nos \u201ccorpos\u201d que est\u00e3o aqui, ali, l\u00e1, por todos os lados. \u201c<em>N\u00e3o nos devemos envergonhar, n\u00e3o devemos ter medo, n\u00e3o devemos sentir repugn\u00e2ncia de tocar a carne de Cristo<\/em>\u201d (Papa Francisco)<\/p>\n<p>\u00c9 esse o sentido que a festa de \u201cCorpus Christi\u201d nos revela, ou seja, a festa do Corpo Hist\u00f3rico e Humano de Jesus, corpo prazeroso e sofredor, amado por muitos e muitas, rejeitado, crucificado, morto e ressuscitado. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a festa do grande Corpo de Cristo que \u00e9 a Humanidade inteira. Corpo real de Cristo s\u00e3o especialmente todos os que sofrem com Ele no mundo, os enfermos e famintos, os rejeitados e encarcerados, os pobres e exclu\u00eddos&#8230; Eles s\u00e3o a humanidade ferida no Corpo do Filho de Deus.<\/p>\n<p><strong>Corpo de Cristo \u00e9 tamb\u00e9m o universo inteiro, criado por Deus<\/strong>\u00a0para que nele se encarnasse e habitasse seu Filho. Assim Jesus, na Ceia, ao tomar o p\u00e3o e o vinho em suas m\u00e3os, abra\u00e7a os bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o e chama-os de seu Corpo e de seu Sangue. Cada crist\u00e3o, ao fazer \u201cmem\u00f3ria\u201d do Corpo de Jesus, entra em comunh\u00e3o com todas as energias da Cria\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Corpo de Cristo que continua sendo o P\u00e3o<\/strong>, fruto da terra e do trabalho dos homens e mulheres, todo p\u00e3o que alimenta e \u00e9 compartilhado, em fraternidade, a servi\u00e7o dos que tem fome.<\/p>\n<p>\u201cCorpus Christi\u201d tamb\u00e9m nos motiva a perguntar: Como viveu Jesus, em sua corporalidade, a rela\u00e7\u00e3o com o Pai, com os outros e com a natureza? E como n\u00f3s somos convidados a viver nossa corporalidade? Jesus n\u00e3o compactuou com a vis\u00e3o dualista do ser humano (corpo e alma). Para Ele, tudo era sacramento, epifania de Deus, revela\u00e7\u00e3o do Reino, hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o&#8230; Jesus escandalizou a muitos proclamando que o \u201cpuro\u201d ou \u201cimpuro\u201d, n\u00e3o est\u00e1 fora, em ritos e prescri\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o impuros os enfermos, as mulheres menstruadas, os leprosos, as prostitutas&#8230;; a \u201cpureza\u201d est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o que nos permite um olhar l\u00edmpido, n\u00e3o possessivo, ego\u00edsta, invejoso ou violento&#8230;<\/p>\n<p>Jesus levou muito a s\u00e9rio a quest\u00e3o do corpo, o seu e o das pessoas que encontrou ao longo de sua vida. Cuidou do seu descanso e o daqueles que com Ele compartilhavam o mesmo caminho; deixou-se acariciar e ungir sua cabe\u00e7a e seus p\u00e9s com perfumes valios\u00edssimos por algumas mulheres, algumas delas malvistas pelos r\u00f3tulos preconceituosos que os var\u00f5es lhe impunham, agradecendo esse gesto fruto de um amor sem c\u00e1lculos; curou corpos atrofiados pela doen\u00e7a e fragilizados pela explora\u00e7\u00e3o&#8230; Os Evangelhos nos situam Jesus no n\u00edvel da corporalidade pr\u00f3xima: \u00e9 Ele que sabe olhar, tocar, sustentar, acariciar&#8230;<\/p>\n<p>Se fixarmos nossa aten\u00e7\u00e3o em Jesus na \u00faltima Ceia, descobriremos que suas palavras (\u201cisto \u00e9 o meu corpo\u201d) e seus gestos (partir e repartir o p\u00e3o) constituem a ess\u00eancia afetiva e social (de amor e justi\u00e7a) do cristianismo, a verdade central do Evangelho.<\/p>\n<p>Eucaristia \u00e9 \u201cCorpo\u201d e \u00e9 corpo doado e partilhado, n\u00e3o pura intimidade de pensamento, nem desejo separado da vida. A Eucaristia \u00e9 Corpo feito de amor expansivo e oblativo, que se expressa no trabalho da terra, na comunh\u00e3o do p\u00e3o e do vinho, no respeito m\u00fatuo frente o valor sagrado da vida, no meio do mundo, nas casas de todos&#8230; N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios grandes templos e nem suntuosas prociss\u00f5es para celebrar a festo do Corpo de Deus; basta a vida que se faz doa\u00e7\u00e3o e partilha, no amor, como Jesus fez.<\/p>\n<p>Diante do Corpo de Cristo, nosso corpo se plenifica na comunh\u00e3o com outros corpos, com Deus e com o corpo da natureza. Nosso humilde corpo \u00e9 parte da Cria\u00e7\u00e3o inteira e nosso bem-estar faz sorrir a natureza. Aqui precisamos encontrar a justa proximidade para nos relacionar com o corpo e estabelecer um v\u00ednculo sadio com ele. Afinal, nossas maneiras de nos relacionar est\u00e3o configuradas por ele. N\u00e3o h\u00e1 experi\u00eancia de amor, e por isso n\u00e3o h\u00e1 experi\u00eancia de Deus e dos outros, que n\u00e3o ocorra em nosso corpo. O nosso corpo nos pede espa\u00e7o, tempo, aten\u00e7\u00e3o, alimento e, sobretudo, nos pede descanso e bem-estar, inspira\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o&#8230; O corpo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a unidade de nossos membros, mas a presen\u00e7a de nossa pessoa; por ele estamos e somos.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 o companheiro insepar\u00e1vel de nosso caminho. \u00c9 preciso senti-lo, perceb\u00ea-lo, escut\u00e1-lo. Mas \u00e9 preciso ir mais longe: podemos afirmar que o corpo se transforma em caixa de resson\u00e2ncia da \u201cvoz de Deus\u201d que nos previne contra caminhos equivocados e nos orienta para uma vida natural e plena. O corpo \u00e9 \u201clugar\u201d teol\u00f3gico, lugar da manifesta\u00e7\u00e3o de Deus; neste sentido \u00e9 morada do divino, habita\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, enquanto participa, pensa, sente, deseja, decide&#8230;<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o escuta nem percebe seu corpo n\u00e3o pode compreender o sentido da vida, do amor, das rela\u00e7\u00f5es&#8230; pois cair\u00e1 no narcisismo de seu pr\u00f3prio ego. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver feliz sem rela\u00e7\u00f5es amistosas e pr\u00f3ximas com o corpo, para poder entend\u00ea-lo e expressar-se adequadamente com ele. Para conhecer-se \u00e9 necess\u00e1rio acolher o corpo, querer o corpo, observar o corpo, olhar para dentro do pr\u00f3prio corpo, com atitude reverente.<\/p>\n<p>Minha pr\u00f3pria casa \u00e9 meu corpo; o templo onde Deus se revela a mim. S\u00f3 eu posso habitar e possuir meu corpo. Eu me identifico com meu corpo, sem o qual n\u00e3o posso viver. Deus, com seu Esp\u00edrito, anima meu corpo; mas n\u00e3o pode habitar em mim a gra\u00e7a de Deus sem a colabora\u00e7\u00e3o e a abertura de meu corpo.<\/p>\n<p>Nosso corpo constitui nossa presen\u00e7a no mundo; a acolhida do pr\u00f3prio corpo nos projeta para uma rela\u00e7\u00e3o sadia com o corpo do outro; \u00e9 o cuidado do corpo do outro que determina nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus (Mt. 25,31-46). O corpo do ferido, do faminto, do preso&#8230; tornam-se \u201cterrit\u00f3rios sagrados\u201d onde crescemos e nos humanizamos; s\u00e3o os \u201clugares\u201d nos quais Deus revela seu rosto compassivo.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 um documento hist\u00f3rico: h\u00e1 corpo burgu\u00eas e corpo prolet\u00e1rio, corpo de cidade e corpo de ro\u00e7a; h\u00e1 corpos explorados e corpos que s\u00e3o s\u00f3 for\u00e7a de trabalho; corpos que s\u00e3o modelos anat\u00f4micos; os \u201ccorpos empobrecidos\u201d gritam a Deus por justi\u00e7a, por alimento, por sa\u00fade e por novas rela\u00e7\u00f5es entre os humanos e o cosmos, gritam a Deus por viver.<\/p>\n<p>O corpo desrespeitado, expropriado e dominado de muitas pessoas, clama a liberdade, a paz, a vida. O corpo \u00e9 lugar de \u00eaxtase e de opress\u00e3o, de amor e de \u00f3dio, lugar do Reino, lugar de ressurrei\u00e7\u00e3o. O corpo \u00e9 espa\u00e7o de salva\u00e7\u00e3o, de justi\u00e7a, de solidariedade, de acolhida, \u00e9 lugar da experi\u00eancia de Deus, da celebra\u00e7\u00e3o, da festa, da entrega&#8230; Celebrar \u201cCorpus Christi\u201d \u00e9 \u201ccristificar\u201d nossos corpos.<\/p>\n<p><strong>Texto b\u00edblico: Mc. 14,12-16.22-26<\/strong><\/p>\n<p><strong>Corpo de Cristo<\/strong><\/p>\n<p>Olhos inquietos por verem tudo. Ouvidos atentos aos lamentos, aos gritos, aos chamados.<\/p>\n<p>L\u00edngua disposta a falar verdade, paix\u00e3o, justi\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Cabe\u00e7a que pensa, para encontrar respostas e adivinhar caminhos, para romper noites com brilhos novos.<\/p>\n<p>M\u00e3os gastas de tanto servir, de tanto abra\u00e7ar, de tanto acolher, de tanto repartir p\u00e3o, promessa e lar.<\/p>\n<p>Entranhas de misericordiosas para chorar as vidas golpeadas e celebrar as alegrias.<\/p>\n<p>Os p\u00e9s em marcha em dire\u00e7\u00e3o a terras abertas e a lugares de encontro.<\/p>\n<p>Cicatrizes que falam de lutas, de feridas, de entregas, de amor, de ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Corpo de Cristo\u2026 Corpo nosso.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Jos\u00e9 Mar\u00eda Olaizola, SJ)<\/p>\n<p>\u201cTomai, Senhor, e recebei\u201d, toda minha corporalidade, com suas puls\u00f5es, seus limites e sua energia profunda. Que n\u00e3o fique nada em mim onde Tu n\u00e3o entres. Nenhum quarto escuro nem fechado que n\u00e3o seja invadido por Ti\u201d.<\/p>\n<p>Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cJesus tomou o p\u00e3o e, tendo pronunciado a ben\u00e7\u00e3o, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: \u2018Tomai, isto \u00e9 o meu corpo\u201d (Mc 14,22) Na celebra\u00e7\u00e3o da festa de Corpus Christi, corremos o risco de honrar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6219,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6218"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6218"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6218\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6220,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6218\/revisions\/6220"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}