{"id":62,"date":"2018-04-08T00:00:00","date_gmt":"2018-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/encontro-com-o-ressuscitado-tocar-nos-crucificados-da-historia\/"},"modified":"2018-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2018-04-08T00:00:00","slug":"encontro-com-o-ressuscitado-tocar-nos-crucificados-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/encontro-com-o-ressuscitado-tocar-nos-crucificados-da-historia\/","title":{"rendered":"Encontro com o Ressuscitado: &#8220;tocar&#8221; nos crucificados da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">&ldquo;P&otilde;e o teu dedo aqui e olha asminhas m&atilde;os. Estende a tua m&atilde;o e coloca-a no meu lado&#8230;&rdquo;<\/i><\/b> (Jo 20,27)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Uma grande amea&ccedil;a sempre se fezpresente na caminhada hist&oacute;rica da Igreja, qual seja, o risco de viver oseguimento de Jesus sem as suas chagas. Crer no Ressuscitado &ldquo;ass&eacute;ptico&rdquo;, semas chagas em suas m&atilde;os, em seu lado e em seus p&eacute;s, &eacute; desumaniza-lo. Crer dealguma forma em Jesus, mas um Jesus da gl&oacute;ria, um Jesus &ldquo;espiritual&rdquo;, separadoda vida e da entrega at&eacute; &agrave; morte, &eacute; esvaziar o verdadeiro sentido da reden&ccedil;&atilde;o.Crer no Ressuscitado sem as chagas &eacute; esquecer-se das feridas dos pobres, da mortedos oprimidos; &eacute; n&atilde;o tocar as chagas da humanidade sofrida, quebrada&#8230; Crer noRessuscitado com as chagas nos compromete em fazer descer da Cruz todos oscrucificados da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Neste sentido, o evangelho deste2&ordm; domingo da P&aacute;scoa, nos apresenta uma profunda experi&ecirc;ncia pascal da Igreja apartir da &ldquo;convers&atilde;o de Tom&eacute;&rdquo;, que &eacute; a imagem daquele que aceita a ressurrei&ccedil;&atilde;ode Jesus, mas a entende como uma experi&ecirc;ncia intimista, sem compromisso decomunh&atilde;o e sem solidariedade com os mais exclu&iacute;dos e sofredores.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tom&eacute; &eacute; aquele que vive isolado,anda solto por a&iacute;, sem v&iacute;nculo comunit&aacute;rio. Enquanto os outros se fecham, elevive sem comunidade, sem compromisso social, dedicado &agrave; sua m&iacute;stica particular.Morreu Jesus, mas n&atilde;o lhe importa as chagas d&rsquo;Ele, nem o sofrimento dos outros;vive de uma espiritualidade &ldquo;desencarnada&rdquo;, com uma f&eacute; puramente intimista, sema visibilidade de um corpo morto, sem a necessidade de precisar tocar as chagasd&rsquo;Aquele que morreu pelos outros, as chagas de todos os mortos.<span style=\"mso-spacerun:yes\">&nbsp; <\/span>Custava-lhe tocar as pegadas e feridas deJesus crucificado; para ele, &eacute; como se Jesus n&atilde;o tivesse sofrido e n&atilde;otrouxesse em suas chagas as chagas da humanidade. Possivelmente, Tom&eacute; tivesseuma f&eacute; de tipo &ldquo;new age&rdquo;, de puras melodias interiores, que n&atilde;o se visibilizano servi&ccedil;o e no cuidado aos outros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus respondeu &agrave; incredulidadede Tom&eacute; mostrando suas feridas; s&oacute; assim, em contato de corporalidade acorporalidade, em encontro com a Vida triunfante de Cristo, pode realizar-se aexperi&ecirc;ncia de P&aacute;scoa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Tocar o Verbo de Deus&rdquo;, tocandoas chagas dos crucificados: este &eacute; o tema deste domingo. Isto &eacute; o que devemostodos fazer, se cremos na Ressurrei&ccedil;&atilde;o. Sem chagas do Crucificado n&atilde;o h&aacute;P&aacute;scoa. Sem corporalidade do Ressuscitado n&atilde;o existe cristianismo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Muitos de n&oacute;s preferimoscontinuar buscando uma Igreja bela, de gl&oacute;ria, fechada em si mesma, de espa&ccedil;ossem ar de liberdade, preocupada somente com sua doutrina, seus ritos eliturgias celestiais, mas separada da comunidade dos pobres e sofredores &#8230;Temos medo de compartilhar a vida e de &ldquo;tocar&rdquo; a ferida de Jesus, que s&atilde;o suaschagas, as chagas da igreja e da humanidade. Se esquecemos isto, esquecemos aP&aacute;scoa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por isso, o Senhor ressuscitadocontinua sendo Aquele que traz em suas m&atilde;os e lado as feridas de sua entrega,os sinais de seu amor crucificado em favor da humanidade. O Senhor ressuscitadocontinua sendo Aquele que sofre em todos os sofredores do mundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Certamente, n&oacute;s crist&atilde;os podemose devemos afirmar que &ldquo;tocamos&rdquo; o Jesus ressuscitado com as m&atilde;os da f&eacute;, em umespa&ccedil;o novo de &ldquo;corporalidade m&iacute;stica&rdquo;. Mas n&atilde;o podemos toc&aacute;-Lo s&oacute; em um planode &ldquo;ideias&rdquo;, de belas experi&ecirc;ncias interiores, sen&atilde;o na realidade da carne, davida concreta: temos que tocar as chagas dos crucificados, na vida concreta dosrejeitados da sociedade. Ali est&aacute; Jesus como Aquele que vem ao nosso encontrocomo promessa de vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os mesmos sinais de morte (cravosque ataram as m&atilde;os e p&eacute;s de Jesus no madeiro, lan&ccedil;a que perfurou seu cora&ccedil;&atilde;o)revelam-se como sinais de vida, mas n&atilde;o para esquecermos deles, sen&atilde;o parat&ecirc;-los sempre presentes na vida da comunidade, nas experi&ecirc;ncias de amor ativoque nos leva a descobrir o caminho pascal em todos os sofredores e chagados dahist&oacute;ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tom&eacute; viu, tocou e apalpou aschagas da entrega radical de Jesus. E justamente ali, naquilo que entra pelossentidos, Tom&eacute; se deu de cara com a f&eacute;: &ldquo;Meu Senhor e meu Deus&rdquo;. Hoje apresen&ccedil;a de Jesus est&aacute; ali onde os que lhe buscam, encontram chagas de dor emorte. Se, em lugar disso, encontram poder, pompa, prest&iacute;gio, n&atilde;o poder&atilde;odizer: &ldquo;Meu Senhor e meu Deus&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Ressuscitado, ao conservar emostrar as feridas abertas nas suas m&atilde;os e no seu lado, quer que saibamos quese apropriou tamb&eacute;m das nossas feridas; nas feridas do Crucificado, somosmovidos a mostrar nossas feridas; porque carregou nossas dores, nossas feridasLhe pertencem; assim, nossas feridas, sanadas pelas chagas de Jesus, seconvertem em sinal de vida, porque abrem possibilidades de futuro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As feridas s&atilde;o tudo aquilo que &eacute;vulnerado, fragilizado e debilitado, que permanece em n&oacute;s depois de situa&ccedil;&otilde;esde sofrimento, de frustra&ccedil;&atilde;o ou de perda. H&aacute; antigas feridas, velhas eenraizadas, que parasitam nossas for&ccedil;as impedindo o fluir de nossa vida. S&atilde;ocomo sabotadoras que v&atilde;o fragilizando nossa estrutura interna e tornando a vidaamarga. Sua apari&ccedil;&atilde;o &eacute; t&iacute;pica nos momentos de crise.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Eacute; no meio das feridas, pessoais ecoletivas, que o Ressuscitado se faz presente, exercendo o &ldquo;of&iacute;cio doconsolador&rdquo; (S. In&aacute;cio). O &ldquo;of&iacute;cio de consolar&rdquo; &eacute; a marca do Ressuscitado, &eacute;for&ccedil;a recriadora e reconstrutora de vidas despeda&ccedil;adas. Jesus &ldquo;toca&rdquo; as feridase &ldquo;ressuscita&rdquo; cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles(as) o sentido davida, reconstruindo os la&ccedil;os comunit&aacute;rios rompidos, e sobretudo, oferecendosolo firme a quem estava sem ch&atilde;o, sem dire&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A partir da experi&ecirc;ncia doencontro com o Ressuscitado podemos recuperar a dimens&atilde;o do tato comopossibilidade de viver de forma mais humanizadora e plena. Os sentidos, e demaneira especial o tato, nos fazem mais humanos, nos tornam mais sens&iacute;veis, nosajudam na descoberta do corpo ferido do outro, fazem palp&aacute;vel o amor, nosajudam a reavivar a beleza do transcendente em cada pessoa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus sabia deste tocar bemconcreto: atrav&eacute;s de suas m&atilde;os fez presente o amor do Pai ao tocar com ternuraos corpos das pessoas exclu&iacute;das, violentadas, consideradas indignas de seremtocadas, nem amadas. O mesmo Jesus se deixa tocar em um momento de grandevulnerabilidade: numa situa&ccedil;&atilde;o de ang&uacute;stia e temor, recebe o contato, aproximidade e a car&iacute;cia de uma mulher que o unge com perfume (Jo. 12, 1-8).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ressuscitar o tato &eacute; sentir-sepr&oacute;ximo, acolhedor, terno&#8230; Mas, antes &eacute; preciso deixar cair as barreiras;nosso mundo est&aacute; cheio de alambrados, valas, muros e fronteiras; assim nosdefendemos daqueles que s&atilde;o de outra ra&ccedil;a, cor, religi&atilde;o, classe social&#8230;Comecemos apagando nossos preconceitos antes de tentar tocar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ningu&eacute;m toca ningu&eacute;m &ldquo;de longe&rdquo;.Estaremos &ldquo;tocando o Ressuscitado&rdquo; quando nos aproximamos d&rsquo;Ele com uma visita,um telefonema, uma mensagem, uma sauda&ccedil;&atilde;o na rua, um favor, um servi&ccedil;o prestadocom amor. H&aacute; templos famosos pela liturgia da ora&ccedil;&atilde;o t&aacute;til: orfanatos,hospitais, c&aacute;rceres, periferias, sanat&oacute;rios, asilos, favelas&#8230; N&atilde;o deixemos defrequent&aacute;-los, pois &eacute; ali que &ldquo;tocamos a carne de Cristo&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Que Tom&eacute; e todos n&oacute;s toquemos olado aberto de Jesus e suas m&atilde;os feridas, de maneira que o contato com osofrimento do mundo nos transforme e nos fa&ccedil;a capazes de expandir a vida deDeus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\">Texto b&iacute;blico:<span style=\"mso-spacerun:yes\">&nbsp; <\/span>Jo 20,19-31<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na ora&ccedil;&atilde;o: contemplar oRessuscitado significa tamb&eacute;m &ldquo;ressuscitar nossos sentidos&rdquo;, torn&aacute;-los maisoblativos e abertos para se deixarem impactar pela realidade crucificada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; &Agrave; Luz da P&aacute;scoa, como voc&ecirc;reage diante de tantos crucificados, v&iacute;timas de intoler&acirc;ncia, preconceito,viol&ecirc;ncia verbal, indiferen&ccedil;a?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;P&otilde;e o teu dedo aqui e olha asminhas m&atilde;os. Estende a tua m&atilde;o e coloca-a no meu lado&#8230;&rdquo; (Jo 20,27) Uma grande amea&ccedil;a sempre se fezpresente na caminhada hist&oacute;rica da Igreja, qual seja,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":64,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}