{"id":6176,"date":"2018-05-26T08:36:23","date_gmt":"2018-05-26T08:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=6176"},"modified":"2018-05-26T13:37:45","modified_gmt":"2018-05-26T13:37:45","slug":"trindade-deus-e-plural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/trindade-deus-e-plural\/","title":{"rendered":"Trindade: &#8220;Deus \u00e9 plural&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u201c&#8230;batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d <\/strong><\/em>(Mt 28,19)<\/p>\n<p>A Igreja celebra, neste domingo, a Festa da Trindade, cume e comp\u00eandio de todas as festas do ano: do Deus que \u00e9 Pai, \u00e9 Filho e \u00e9 Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Assim, a festa de hoje vem plenificar o tempo pascal, como uma esp\u00e9cie de \u201cs\u00edntese\u201d. S\u00edntese, n\u00e3o intelectual, mas \u201cmisterial\u201d, ou seja, celebra\u00e7\u00e3o de nossa participa\u00e7\u00e3o no fluxo amoroso das pessoas divinas; pois a\u00a0 SS.\u00a0 Trindade n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o especulativa, \u00e9, sobretudo, uma experi\u00eancia de um Deus amoroso.<\/p>\n<p>A liturgia nos convoca a viver a experi\u00eancia do Deus \u201ccomunh\u00e3o de Pessoas\u201d; para isso, ela nos convida a fazer uma viagem ao interior de Deus, como vida de amor que se revela na hist\u00f3ria da humanidade, vida entendida como Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>A imensa maioria dos crist\u00e3os n\u00e3o sabe que, ao adorar a Deus como Trindade, est\u00e1 confessando que Deus, em sua intimidade mais profunda, \u00e9 s\u00f3 amor, acolhida, ternura, miseric\u00f3rdia. Essa viagem ao cora\u00e7\u00e3o da Trindade culmina na grande comunh\u00e3o humana, pois o Deus Pai, Filho e Esp\u00edrito integra no amor todos os povos da terra. Dessa forma, a viagem ao interior de Deus se converte em movimento ao exterior, no encontro expansivo com todos os homens e mulheres. Quanto mais mergulhemos em Deus, comunidade de Amor, mais poderemos expandir-nos em solidariedade, amor e justi\u00e7a para com todas as pessoas, porque o interior de Deus \u00e9 princ\u00edpio de reconcilia\u00e7\u00e3o e unidade (na diversidade) de todos os povos e ra\u00e7as do mundo.<\/p>\n<p>Foi-nos dito que o dogma da Trindade \u00e9 o mais importante de nossa f\u00e9 cat\u00f3lica; no entanto, a imensa maioria dos crist\u00e3os n\u00e3o consegue compreender o que ele quer dizer. Com a Trindade, n\u00f3s crist\u00e3os n\u00e3o queremos \u201cmultiplicar\u201d Deus. O que queremos \u00e9 expressar a experi\u00eancia singular de que Deus \u00e9 comunh\u00e3o e n\u00e3o solid\u00e3o. \u201cNo princ\u00edpio est\u00e1 a comunh\u00e3o dos TR\u00caS e n\u00e3o a solid\u00e3o do UM\u201d (L. Boff).<\/p>\n<p>Aproximar-nos do Deus de Jesus \u00e9 descobrir a Trindade. E em cada um de n\u00f3s a Trindade deixa-se refletir. Nossa vida deveria ser um espelho que em todo momento refletisse o mist\u00e9rio da Trindade. O grande ensinamento da Trindade \u00e9 que s\u00f3 vivemos, se convivemos.<\/p>\n<p>Viver a experi\u00eancia do Deus Trino implica saber com-viver; fomos feitos para o encontro e a comunica\u00e7\u00e3o. Estamos, portanto, falando de uma \u00fanica realidade que \u00e9 rela\u00e7\u00e3o. Deus-Trindade \u00e9 a relacionalidade por excel\u00eancia; Deus s\u00f3 existe como ser em rela\u00e7\u00e3o; Deus \u00e9 s\u00f3 rela\u00e7\u00e3o, porque Deus \u00e9 so amor. \u201c<strong>No princ\u00edpio est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>\u00a0(G. Bachelard). E sendo Deus essencialmente rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia permanecer fechado n\u2019Ele mesmo;\u00a0 num gesto de pura gratuidade,\u00a0 essa rela\u00e7\u00e3o se manifesta como transbordamento de vida, chamando toda a Cria\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia \u00a0e convidando a\u00a0 humanidade a entrar no fluxo dessa rela\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas, para nos aproximar do Deus comunh\u00e3o de Pessoas, temos de superar o \u00eddolo ao qual nos apegamos. Sim, o \u201cfalso deus\u201d identificado com um ser poderoso que se manifesta como um d\u00e9spota, um tirano destruidor, um ditador arbitr\u00e1rio; um ser onipotente que amea\u00e7a nossa pequena e limitada liberdade. \u00c9 muito dif\u00edcil abandonar-nos a algu\u00e9m infinitamente poderoso. Parece mais f\u00e1cil desconfiar, ser cautelosos e salvaguardar nossa independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas Deus Trindade \u00e9 um mist\u00e9rio de Amor. E sua onipot\u00eancia \u00e9 a onipot\u00eancia de quem s\u00f3 \u00e9 amor, ternura insond\u00e1vel e infinita. \u00c9 o amor de Deus que \u00e9 onipotente. E sempre que esquecemos isso e sa\u00edmos do fluxo do amor, n\u00f3s fabricamos um Deus falso, uma esp\u00e9cie de \u00eddolo que n\u00e3o existe. A Trindade n\u00e3o \u00e9 uma verdade para crer mas uma presen\u00e7a a ser acolhida, uma experi\u00eancia a ser vivida. Uma profunda experi\u00eancia da mensagem crist\u00e3 ser\u00e1 sempre uma aproxima\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio Trinit\u00e1rio.<\/p>\n<p>A festa da Trindade deve nos libertar do \u201cDeus Ser todo poderoso\u201d e empapar-nos do Deus \u00c1gape que nos identifica com Ele. A imagem do \u201cDeus todo poderoso\u201d n\u00e3o expressa bem a experi\u00eancia do \u201cDeus trino\u201d. Deus \u00e9 amor e s\u00f3 amor. S\u00f3 na medida que amemos, poderemos conhecer a Deus. Esta \u00e9 talvez a convers\u00e3o que muitos crist\u00e3os mais precisam: fazer a passagem de um Deus considerado como Poder a um Deus adorado alegremente como Amor.<\/p>\n<p>Felizes aqueles que descobrem que a Trindade n\u00e3o \u00e9 um mist\u00e9rio incompreens\u00edvel, mas a cotidiana experi\u00eancia do Amor, a partir de uma vida encarnada em nossa hist\u00f3ria, com um respiro, um \u00e2nimo e uma paix\u00e3o especial por continuar vivendo cada dia com os mesmos sentimentos de Jesus, junto a tantas pessoas que trabalham por outro mundo mais fraterno, justo e solid\u00e1rio. A Trindade \u00e9 o espelho que nos mostra como devemos ser e viver \u00e0 luz da \u201cmelhor Comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Ora, tal Mist\u00e9rio fonte de todo ser, constitui o modelo ideal de todo e qualquer conv\u00edvio humano. Somos feitos \u00e0 \u201cimagem e semelhan\u00e7a da Trindade\u201d.\u00a0 Trazemos em n\u00f3s impulsos de comunh\u00e3o. Sempre que construirmos rela\u00e7\u00f5es pessoais e sociais que facilitem a circula\u00e7\u00e3o da vida, a comunh\u00e3o de diferentes \u00e0 base da igualdade, estaremos tornando vis\u00edvel um pouco do mist\u00e9rio \u00edntimo de Deus.<\/p>\n<p>Deus quer inserir-nos nesta sua comunh\u00e3o eterna, como no-lo disse Jesus: \u201cQue todos sejam um como Tu, Pai, est\u00e1s em mim, e eu em Ti. Que eles estejam em n\u00f3s, a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste\u201d\u00a0 (Jo. 17,21).<\/p>\n<p>Portanto, Trindade \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus que se expressa na vida da humanidade; \u00e9 o Amor m\u00fatuo, a comunh\u00e3o pessoal, de Palavra (Filho) e de Afeto (Esp\u00edrito Santo) que sustenta as rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos. Assim \u00e9 a Trindade na terra: quando todos compartilham a vida e se amam. N\u00e3o cr\u00ea na Trindade quem simplesmente professa que h\u00e1 \u201cem Deus tr\u00eas pessoas\u201d, ou quem faz mecanicamente o sinal da Cruz, mas aquele que vive o impulso e a expans\u00e3o do Amor Redentor, que se expressa como compaix\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o e compromisso. Crer na Trindade \u00e9 amar de um modo ativo, como dizia S. Agostinho. Contempla-se a Trindade ali onde nos amamos e nos comprometemos com a liberta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo. Estamos envolvidos pelo mesmo movimento do Amor sem fim que parte do Pai, passa pelo filho e se consuma no Esp\u00edrito. S\u00f3 quem tem cora\u00e7\u00e3o solid\u00e1rio adora um Deus Trinit\u00e1rio, pois no compromisso libertador torna-se vis\u00edvel a presen\u00e7a trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Texto b\u00edblico:\u00a0 Mt 28,16-20<\/strong><\/p>\n<p>Na ora\u00e7\u00e3o: Como homem e como mulher trazemos uma for\u00e7a interior que nos faz \u201csair de n\u00f3s mesmos\u201d e criar la\u00e7os, construir fraternidade, fortalecer a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Fomos criados \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a\u201d do Deus Trindade, comunh\u00e3o de Pessoas. (Pai-Filho-Esp\u00edrito Santo). Quanto mais unidos somos, por causa do amor que circula entre n\u00f3s, mais nos parecemos com o Deus Trindade.<\/p>\n<p>&#8211; Em qu\u00ea aspectos concretos de sua vida se manifesta o mist\u00e9rio do Deus trinit\u00e1rio como amor e vida?<\/p>\n<p>&#8211; Como poderia abrir-se mais \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito da Verdade em sua vida, para que o(a) leve a um conhecimento existencial e atualizado do Evangelho de Jesus?<\/p>\n<p>&#8211; Com quais iniciativas concretas voc\u00ea poderia contar para que sua comunidade crist\u00e3 seja cada dia mais imagem da comunidade de amor infinito que \u00e9 a Trindade divina?<\/p>\n<p>&#8211; Quais diferen\u00e7as est\u00e3o criando divis\u00f5es e intoler\u00e2ncias em sua comunidade? Quais elementos da vida comunit\u00e1ria s\u00e3o fatores de uni\u00e3o, fazendo-os crescer como irm\u00e3os(\u00e3s) e fortalecendo a miss\u00e3o evangelizadora?<\/p>\n<p>&#8211; Sua comunidade \u00e9 sinal e instrumento de salva\u00e7\u00e3o de Deus Trindade, atrav\u00e9s da iniciativa do amor (Pai), da entrega radical (Filho) e da abertura \u00e0 novidade dos caminhos de Deus (Esp\u00edrito)?<\/p>\n<p>Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c&#8230;batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (Mt 28,19) A Igreja celebra, neste domingo, a Festa da Trindade, cume e comp\u00eandio de todas as festas do ano: do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6177,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6176"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6176"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6178,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6176\/revisions\/6178"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}