{"id":608,"date":"2017-01-01T00:00:00","date_gmt":"2017-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mensagem-para-dia-mundial-da-paz-2017\/"},"modified":"2017-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2017-01-01T00:00:00","slug":"mensagem-para-dia-mundial-da-paz-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mensagem-para-dia-mundial-da-paz-2017\/","title":{"rendered":"Mensagem para Dia Mundial da Paz 2017"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Leia a seguir a mensagem do PapaFrancisco para o Dia Mundial da Paz de 1o de janeiro de 2017.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><b>A N&Atilde;O-VIOL&Ecirc;NCIA: O ESTILO DA POL&Iacute;TICA PARA A PAZ<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b><br \/><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">1. No in&iacute;cio deste novo ano,formulo sinceros votos de paz aos povos e na&ccedil;&otilde;es do mundo inteiro, aos chefesde Estado e de governo, bem como aos respons&aacute;veis das Comunidades Religiosas edas v&aacute;rias express&otilde;es da sociedade civil. Almejo paz a todo o homem, mulher,menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhan&ccedil;a de Deus em cada pessoanos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidadeimensa. Sobretudo nas situa&ccedil;&otilde;es de conflito, respeitemos esta &laquo;dignidade maisprofunda&raquo;&nbsp; e fa&ccedil;amos da n&atilde;o-viol&ecirc;nciaativa o nosso estilo de vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Esta &eacute; a Mensagem para o 50&ordm; DiaMundial da Paz. Na primeira, o Beato Papa Paulo VI dirigiu-se a todos os povos&ndash; e n&atilde;o s&oacute; aos cat&oacute;licos &ndash; com palavras inequ&iacute;vocas: &laquo;Finalmente resulta, deforma clar&iacute;ssima, que a paz &eacute; a &uacute;nica e verdadeira linha do progresso humano(n&atilde;o as tens&otilde;es de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nemas repress&otilde;es geradoras duma falsa ordem civil)&raquo;. Advertia contra o &laquo;perigo decrer que as controv&eacute;rsias internacionais n&atilde;o se possam resolver pelas vias daraz&atilde;o, isto &eacute;, das negocia&ccedil;&otilde;es baseadas no direito, na justi&ccedil;a, na equidade,mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras&raquo;. Ao contr&aacute;rio, citando aPacem in terris do seu antecessor S&atilde;o Jo&atilde;o XXIII, exaltava &laquo;o sentido e o amorda paz baseada na verdade, na justi&ccedil;a, na liberdade, no amor&raquo;.&nbsp; &Eacute; impressionante a atualidade destaspalavras, n&atilde;o menos importantes e prementes hoje do que h&aacute; cinquenta anos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nesta ocasi&atilde;o, desejo deter-me nan&atilde;o-viol&ecirc;ncia como estilo duma pol&iacute;tica de paz, e pe&ccedil;o a Deus que nos ajude, atodos n&oacute;s, a inspirar na n&atilde;o-viol&ecirc;ncia as profundezas dos nossos sentimentos evalores pessoais. Sejam a caridade e a n&atilde;o-viol&ecirc;ncia a guiar o modo como nostratamos uns aos outros nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, sociais e internacionais.Quando sabem resistir &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o da vingan&ccedil;a, as v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia podem seros protagonistas mais cred&iacute;veis de processos n&atilde;o-violentos de constru&ccedil;&atilde;o dapaz. Desde o n&iacute;vel local e di&aacute;rio at&eacute; ao n&iacute;vel da ordem mundial, possa an&atilde;o-viol&ecirc;ncia tornar-se o estilo carater&iacute;stico das nossas decis&otilde;es, dos nossosrelacionamentos, das nossas a&ccedil;&otilde;es, da pol&iacute;tica em todas as suas formas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Um mundo dilacerado<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enquanto o s&eacute;culo passado foi arrasadopor duas guerras mundiais devastadoras, conheceu a amea&ccedil;a da guerra nuclear eum grande n&uacute;mero de outros conflitos, hoje, infelizmente, encontramo-nos abra&ccedil;os com uma terr&iacute;vel guerra mundial aos peda&ccedil;os. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil saber se omundo de hoje seja mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meiosmodernos de comunica&ccedil;&atilde;o e a mobilidade que carateriza a nossa &eacute;poca nos tornemmais conscientes da viol&ecirc;ncia ou mais rendidos a ela.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Seja como for, esta viol&ecirc;ncia quese exerce &laquo;aos peda&ccedil;os&raquo;, de maneiras diferentes e a variados n&iacute;veis, provocaenormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes pa&iacute;ses econtinentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevis&iacute;veis; osabusos sofridos pelos migrantes e as v&iacute;timas de tr&aacute;fico humano; a devasta&ccedil;&atilde;oambiental. E para qu&ecirc;? Porventura a viol&ecirc;ncia permite alcan&ccedil;ar objetivos devalor duradouro? Tudo aquilo que obt&eacute;m n&atilde;o &eacute;, antes, desencadear repres&aacute;lias eespirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos &laquo;senhores daguerra&raquo;?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A viol&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o rem&eacute;dio parao nosso mundo dilacerado. Responder &agrave; viol&ecirc;ncia com a viol&ecirc;ncia leva, na melhordas hip&oacute;teses, a migra&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas e a atrozes sofrimentos, porque grandesquantidades de recursos s&atilde;o destinadas a fins militares e subtra&iacute;das &agrave;sexig&ecirc;ncias do dia-a-dia dos jovens, das fam&iacute;lias em dificuldade, dos idosos,dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra. No pior dos casos, podelevar &agrave; morte f&iacute;sica e espiritual de muitos, se n&atilde;o mesmo de todos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>A Boa Nova<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">3. O pr&oacute;prio Jesus viveu emtempos de viol&ecirc;ncia. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde sedefrontam a viol&ecirc;ncia e a paz, &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o humano: &laquo;Porque &eacute; do interior docora&ccedil;&atilde;o dos homens que saem os maus pensamentos&raquo; (Marcos 7, 21). Mas, peranteesta realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo &eacute; radicalmentepositiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe eperdoa, e ensinou os seus disc&iacute;pulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e aoferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39). Quando impediu, aqueles que acusavama ad&uacute;ltera, de a lapidar (cf. Jo&atilde;o 8, 1-11) e na noite antes de morrer, quandodisse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26, 52), Jesus tra&ccedil;ou ocaminho da n&atilde;o-viol&ecirc;ncia que Ele percorreu at&eacute; ao fim, at&eacute; &agrave; cruz, tendo assimestabelecido a paz e destru&iacute;do a hostilidade (cf. Ef&eacute;sios 2, 14-16). Por isso,quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a viol&ecirc;ncia que carrega dentrode si e deixa-se curar pela miseric&oacute;rdia de Deus, tornando-se assim, por suavez, instrumento de reconcilia&ccedil;&atilde;o, como exortava S&atilde;o Francisco de Assis: &laquo;A pazque anunciais com os l&aacute;bios, conservai-a ainda mais abundante nos vossoscora&ccedil;&otilde;es&raquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Hoje, ser verdadeiro disc&iacute;pulo deJesus significa aderir tamb&eacute;m &agrave; sua proposta de n&atilde;o-viol&ecirc;ncia. Esta, comoafirmou o meu predecessor Bento XVI, &laquo;&eacute; realista pois considera que no mundoexiste demasiada viol&ecirc;ncia, demasiada injusti&ccedil;a e, portanto, n&atilde;o se podesuperar esta situa&ccedil;&atilde;o, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo maisde bondade. Este &ldquo;algo mais&rdquo; vem de Deus&raquo;.&nbsp;E acrescentava sem hesita&ccedil;&atilde;o: &laquo;a n&atilde;o-viol&ecirc;ncia para os crist&atilde;os n&atilde;o &eacute; ummero comportamento t&aacute;tico, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quemest&aacute; t&atilde;o convicto do amor de Deus e do seu poder que n&atilde;o tem medo de enfrentaro mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui on&uacute;cleo da &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o crist&atilde;&rdquo;&raquo;.&nbsp; A p&aacute;ginaevang&eacute;lica &ndash; amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) &ndash; &eacute;, justamente,considerada &laquo;a magna carta da n&atilde;o-viol&ecirc;ncia crist&atilde;&raquo;: esta n&atilde;o consiste &laquo;emrender-se ao mal (&#8230;), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12,17-21), quebrando dessa forma a corrente da injusti&ccedil;a&raquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Mais poderosa que a viol&ecirc;ncia<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">4. Por vezes, entende-se an&atilde;o-viol&ecirc;ncia como rendi&ccedil;&atilde;o, neglig&ecirc;ncia e passividade, mas, na realidade, n&atilde;o&eacute; isso. Quando a Madre Teresa recebeu o Pr&eacute;mio Nobel da Paz em 1979, declarouclaramente qual era a sua ideia de n&atilde;o-viol&ecirc;ncia ativa: &laquo;Na nossa fam&iacute;lia, n&atilde;otemos necessidade de bombas e de armas, n&atilde;o precisamos de destruir paraedificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros(&#8230;). E poderemos superar todo o mal que h&aacute; no mundo&raquo;.&nbsp; Com efeito, a for&ccedil;a das armas &eacute; enganadora.&laquo;Enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho, h&aacute; pobres pacificadoresque, s&oacute; para ajudar uma pessoa, outra e outra, d&atilde;o a vida&raquo;; para estes obreirosda paz, a Madre Teresa &eacute; &laquo;um s&iacute;mbolo, um &iacute;cone dos nossos tempos&raquo;.&nbsp; No passado m&ecirc;s de setembro, tive a grandealegria de a proclamar Santa. Elogiei a sua disponibilidade para com todos&laquo;atrav&eacute;s do acolhimento e da defesa da vida humana, a dos nascituros e a dosabandonados e descartados. (&#8230;) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas,deixadas moribundas &agrave; beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhesdera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a suaculpa diante dos crimes &ndash; diante dos crimes! &ndash; da pobreza criada por elesmesmos&raquo;.&nbsp; Como resposta, a sua miss&atilde;o &ndash; enisto representa milhares, antes, milh&otilde;es de pessoas &ndash; &eacute; ir ao encontro dasv&iacute;timas com generosidade e dedica&ccedil;&atilde;o, tocando e vendando cada corpo ferido,curando cada vida dilacerada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A n&atilde;o-viol&ecirc;ncia, praticada comdecis&atilde;o e coer&ecirc;ncia, produziu resultados impressionantes. Os sucessosalcan&ccedil;ados por Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, na liberta&ccedil;&atilde;o da&Iacute;ndia, e por Martin Luther King Jr contra a discrimina&ccedil;&atilde;o racial nunca ser&atilde;oesquecidos. As mulheres, em particular, s&atilde;o muitas vezes l&iacute;deres den&atilde;o-viol&ecirc;ncia, como, por exemplo, Leymah Gbowee e milhares de mulheresliberianas, que organizaram encontros de ora&ccedil;&atilde;o e protesto n&atilde;o-violento(pray-ins), obtendo negocia&ccedil;&otilde;es de alto n&iacute;vel para a conclus&atilde;o da segundaguerra civil na Lib&eacute;ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">E n&atilde;o podemos esquecer tamb&eacute;maquela d&eacute;cada epocal que terminou com a queda dos regimes comunistas na Europa.As comunidades crist&atilde;s deram a sua contribui&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o insistente ea a&ccedil;&atilde;o corajosa. Especial influ&ecirc;ncia exerceu S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II, com o seuminist&eacute;rio e magist&eacute;rio. Refletindo sobre os acontecimentos de 1989, naEnc&iacute;clica Centesimus annus (1991), o meu predecessor fazia ressaltar como umamudan&ccedil;a epocal na vida dos povos, na&ccedil;&otilde;es e Estados se realizara &laquo;atrav&eacute;s de umaluta pac&iacute;fica que lan&ccedil;ou m&atilde;o apenas das armas da verdade e da justi&ccedil;a&raquo;.&nbsp; Este percurso de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para apaz foi poss&iacute;vel, em parte, &laquo;pelo empenho n&atilde;o-violento de homens que sempre serecusaram a ceder ao poder da for&ccedil;a e, ao mesmo tempo, souberam encontrar aquie ali formas eficazes para dar testemunho da verdade&raquo;. E conclu&iacute;a: &laquo;Que osseres humanos aprendam a lutar pela justi&ccedil;a sem viol&ecirc;ncia, renunciando tanto &agrave;luta de classes nas controv&eacute;rsias internas, como &agrave; guerra nas internacionais&raquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Igreja comprometeu-se naimplementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias n&atilde;o-violentas para promover a paz em muitos pa&iacute;sessolicitando, inclusive aos intervenientes mais violentos, esfor&ccedil;os paraconstruir uma paz justa e duradoura.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este compromisso a favor dasv&iacute;timas da injusti&ccedil;a e da viol&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; um patrim&oacute;nio exclusivo da IgrejaCat&oacute;lica, mas pertence a muitas tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, para quem &laquo;a compaix&atilde;o ea n&atilde;o-viol&ecirc;ncia s&atilde;o essenciais e indicam o caminho da vida&raquo;.&nbsp; Reitero-o aqui sem hesita&ccedil;&atilde;o: &laquo;nenhumareligi&atilde;o &eacute; terrorista&raquo;.&nbsp; A viol&ecirc;ncia &eacute;uma profana&ccedil;&atilde;o do nome de Deus.&nbsp; Nuncanos cansemos de repetir: &laquo;jamais o nome de Deus pode justificar a viol&ecirc;ncia. S&oacute;a paz &eacute; santa. S&oacute; a paz &eacute; santa, n&atilde;o a guerra&raquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>A raiz dom&eacute;stica duma pol&iacute;tica n&atilde;o-violenta<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">5. Se a origem donde brota aviol&ecirc;ncia &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o humano, ent&atilde;o &eacute; fundamental come&ccedil;ar por percorrer a sendada n&atilde;o-viol&ecirc;ncia dentro da fam&iacute;lia. &Eacute; uma componente daquela alegria do amorque apresentei na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Amoris laetitia, em mar&ccedil;o passado,concluindo dois anos de reflex&atilde;o por parte da Igreja sobre o matrim&oacute;nio e afam&iacute;lia. Esta constitui o cadinho indispens&aacute;vel no qual c&ocirc;njuges, pais e filhos,irm&atilde;os e irm&atilde;s aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outrosdesinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem sersuperados, n&atilde;o pela for&ccedil;a, mas com o di&aacute;logo, o respeito, a busca do bem dooutro, a miseric&oacute;rdia e o perd&atilde;o.&nbsp; A partirda fam&iacute;lia, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda asociedade.&nbsp; Ali&aacute;s, uma &eacute;tica defraternidade e coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre as pessoas e entre os povos n&atilde;o sepode basear na l&oacute;gica do medo, da viol&ecirc;ncia e do fechamento, mas naresponsabilidade, no respeito e no di&aacute;logo sincero. Neste sentido, lan&ccedil;o umapelo a favor do desarmamento, bem como da proibi&ccedil;&atilde;o e aboli&ccedil;&atilde;o das armasnucleares: a dissuas&atilde;o nuclear e a amea&ccedil;a duma segura destrui&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca n&atilde;opodem fundamentar este tipo de &eacute;tica.&nbsp;Com igual urg&ecirc;ncia, suplico que cessem a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e os abusossobre mulheres e crian&ccedil;as.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Jubileu da Miseric&oacute;rdia, queterminou em novembro passado, foi um convite a olhar para as profundezas donosso cora&ccedil;&atilde;o e a deixar entrar nele a miseric&oacute;rdia de Deus. O ano jubilarfez-nos tomar consci&ecirc;ncia de como s&atilde;o numerosos e variados os indiv&iacute;duos e osgrupos sociais que s&atilde;o tratados com indiferen&ccedil;a, que s&atilde;o v&iacute;timas de injusti&ccedil;a esofrem viol&ecirc;ncia. Fazem parte da nossa &laquo;fam&iacute;lia&raquo;, s&atilde;o nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s.Por isso, as pol&iacute;ticas de n&atilde;o-viol&ecirc;ncia devem come&ccedil;ar dentro das paredes decasa para, depois, se difundir por toda a fam&iacute;lia humana. &laquo;O exemplo de SantaTeresa de Lisieux convida-nos a p&ocirc;r em pr&aacute;tica o pequeno caminho do amor, a n&atilde;operder a oportunidade duma palavra gentil, dum sorriso, de qualquer pequenogesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral &eacute; feita tamb&eacute;m de simplesgestos quotidianos, pelos quais quebramos a l&oacute;gica da viol&ecirc;ncia, da explora&ccedil;&atilde;o,do ego&iacute;smo&raquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>O meu convite<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">6. A constru&ccedil;&atilde;o da paz por meioda n&atilde;o-viol&ecirc;ncia ativa &eacute; um elemento necess&aacute;rio e coerente com os esfor&ccedil;oscont&iacute;nuos da Igreja para limitar o uso da for&ccedil;a atrav&eacute;s das normas morais,mediante a sua participa&ccedil;&atilde;o nos trabalhos das institui&ccedil;&otilde;es internacionais egra&ccedil;as &agrave; competente contribui&ccedil;&atilde;o de muitos crist&atilde;os para a elabora&ccedil;&atilde;o dalegisla&ccedil;&atilde;o a todos os n&iacute;veis. O pr&oacute;prio Jesus nos oferece um &laquo;manual&raquo; destaestrat&eacute;gia de constru&ccedil;&atilde;o da paz no chamado Serm&atilde;o da Montanha. As oitoBem-aventuran&ccedil;as (cf. Mateus 5, 3-10) tra&ccedil;am o perfil da pessoa que podemosdefinir feliz, boa e aut&ecirc;ntica. Felizes os mansos &ndash; diz Jesus &ndash;, osmisericordiosos, os pacificadores, os puros de cora&ccedil;&atilde;o, os que t&ecirc;m fome e sedede justi&ccedil;a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este &eacute; um programa e um desafiotamb&eacute;m para os l&iacute;deres pol&iacute;ticos e religiosos, para os respons&aacute;veis dasinstitui&ccedil;&otilde;es internacionais e os dirigentes das empresas e dos meios decomunica&ccedil;&atilde;o social de todo o mundo: aplicar as Bem-aventuran&ccedil;as na forma comoexercem as suas responsabilidades. &Eacute; um desafio a construir a sociedade, acomunidade ou a empresa de que s&atilde;o respons&aacute;veis com o estilo dos obreiros dapaz; a dar provas de miseric&oacute;rdia, recusando-se a descartar as pessoas,danificar o meio ambiente e querer vencer a todo o custo. Isto requer a disponibilidadepara &laquo;suportar o conflito, resolv&ecirc;-lo e transform&aacute;-lo no elo de liga&ccedil;&atilde;o de umnovo processo&raquo;.&nbsp; Agir desta formasignifica escolher a solidariedade como estilo para fazer a hist&oacute;ria econstruir a amizade social. A n&atilde;o-viol&ecirc;ncia ativa &eacute; uma forma de mostrar que aunidade &eacute;, verdadeiramente, mais forte e fecunda do que o conflito. No mundo,tudo est&aacute; intimamente ligado.&nbsp; Claro, &eacute;poss&iacute;vel que as diferen&ccedil;as gerem atritos: enfrentemo-los de forma construtiva en&atilde;o-violenta, de modo que &laquo;as tens&otilde;es e os opostos [possam] alcan&ccedil;ar umaunidade multifacetada que gera nova vida&raquo;, conservando &laquo;as preciosaspotencialidades das polaridades em contraste&raquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Asseguro que a Igreja Cat&oacute;licaacompanhar&aacute; toda a tentativa de construir a paz inclusive atrav&eacute;s da n&atilde;o-viol&ecirc;nciaativa e criativa. No dia 1 de janeiro de 2017, nasce o novo Dicast&eacute;rio para oServi&ccedil;o do Desenvolvimento Humano Integral, que ajudar&aacute; a Igreja a promover, demodo cada vez mais eficaz, &laquo;os bens incomensur&aacute;veis da justi&ccedil;a, da paz e dasalvaguarda da cria&ccedil;&atilde;o&raquo; e da solicitude pelos migrantes, &laquo;os necessitados, osdoentes e os exclu&iacute;dos, os marginalizados e as v&iacute;timas dos conflitos armados edas cat&aacute;strofes naturais, os reclusos, os desempregados e as v&iacute;timas de toda equalquer forma de escravid&atilde;o e de tortura&raquo;.&nbsp;Toda a a&ccedil;&atilde;o nesta linha, ainda que modesta, contribui para construir ummundo livre da viol&ecirc;ncia, o primeiro passo para a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Em conclus&atilde;o<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">7. Como &eacute; tradi&ccedil;&atilde;o, assino estaMensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Bem-AventuradaVirgem Maria. Nossa Senhora &eacute; a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, osanjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boavontade (cf. Lucas 2, 14). Pe&ccedil;amos &agrave; Virgem Maria que nos sirva de guia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&laquo;Todos desejamos a paz; muitaspessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportampacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir&raquo;.&nbsp; No ano de 2017, comprometamo-nos, atrav&eacute;s daora&ccedil;&atilde;o e da a&ccedil;&atilde;o, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus cora&ccedil;&otilde;es, palavrase gestos a viol&ecirc;ncia, e a construir comunidades n&atilde;o-violentas, que cuidem dacasa comum. &laquo;Nada &eacute; imposs&iacute;vel, se nos dirigimos a Deus na ora&ccedil;&atilde;o. Todos podemser artes&atilde;os de paz&raquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\">Vaticano, 8 dedezembro de 2016.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\">Franciscus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia a seguir a mensagem do PapaFrancisco para o Dia Mundial da Paz de 1o de janeiro de 2017. A N&Atilde;O-VIOL&Ecirc;NCIA: O ESTILO DA POL&Iacute;TICA PARA A PAZ 1. No in&iacute;cio deste novo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1543,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/608"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/608\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}