{"id":6047,"date":"2018-05-10T10:52:50","date_gmt":"2018-05-10T10:52:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=6047"},"modified":"2018-05-10T18:57:42","modified_gmt":"2018-05-10T18:57:42","slug":"mensagem-do-papa-para-o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/mensagem-do-papa-para-o-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais"},"content":{"rendered":"<p>Em uma mensagem divulgada para o 52\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que ser\u00e1 celebrado em 13 de maio, com o lema \u201c\u2018A verdade vos tornar\u00e1 livres\u2019. Fake news e jornalismo de paz\u201d, o Papa Francisco advertiu sobre os graves efeitos das not\u00edcias falsas e prop\u00f4s uma s\u00e9rie de medias para combat\u00ea-las.<\/p>\n<p>O Santo Padre assinalou o imprescind\u00edvel trabalho profissional do jornalista educado na verdade para fazer frente \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e \u00e0s fake news.<\/p>\n<p>O jornalista, \u201cno mundo atual\u201d, \u201cn\u00e3o desempenha apenas uma profiss\u00e3o, mas uma verdadeira e pr\u00f3pria miss\u00e3o. No meio do frenesim das not\u00edcias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da not\u00edcia, n\u00e3o est\u00e3o a velocidade em comunic\u00e1-la nem o impacto sobre a audi\u00eancia, mas as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>A seguir, o texto completo da mensagem do Papa Francisco:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>No projeto de Deus, a comunica\u00e7\u00e3o humana \u00e9 uma modalidade essencial para viver a comunh\u00e3o. Imagem e semelhan\u00e7a do Criador, o ser humano \u00e9 capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. \u00c9 capaz de narrar a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e o mundo, construindo assim a mem\u00f3ria e a compreens\u00e3o dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu ego\u00edsmo, o homem pode usar de modo distorcido a pr\u00f3pria faculdade de comunicar, como o atestam, j\u00e1 nos prim\u00f3rdios, os epis\u00f3dios b\u00edblicos dos irm\u00e3os Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma t\u00edpico de tal distor\u00e7\u00e3o \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contr\u00e1rio, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunica\u00e7\u00e3o torna-se lugar para exprimir a pr\u00f3pria responsabilidade na busca da verdade e na constru\u00e7\u00e3o do bem. Hoje, no contexto duma comunica\u00e7\u00e3o cada vez mais r\u00e1pida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fen\u00f3meno das \u00abnot\u00edcias falsas\u00bb, as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como ali\u00e1s j\u00e1 mais vezes o fizeram os meus predecessores a come\u00e7ar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: \u00abOs instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o social ao servi\u00e7o da Verdade\u00bb). Gostaria, assim, de contribuir para o esfor\u00e7o comum de prevenir a difus\u00e3o das not\u00edcias falsas e para redescobrir o valor da profiss\u00e3o jornal\u00edstica e a responsabilidade pessoal de cada um na comunica\u00e7\u00e3o da verdade.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Que h\u00e1 de falso nas \u00abnot\u00edcias falsas\u00bb?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A express\u00e3o fake news \u00e9 objeto de discuss\u00e3o e debate. Geralmente diz respeito \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida express\u00e3o alude a informa\u00e7\u00f5es infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e at\u00e9 manipular o destinat\u00e1rio. A sua divulga\u00e7\u00e3o pode visar objetivos prefixados, influenciar op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e favorecer lucros econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, \u00e0 sua natureza mim\u00e9tica, ou seja, \u00e0 capacidade de se apresentar como plaus\u00edveis. Falsas mas veros\u00edmeis, tais not\u00edcias s\u00e3o capciosas, no sentido que se mostram h\u00e1beis a capturar a aten\u00e7\u00e3o dos destinat\u00e1rios, apoiando-se sobre estere\u00f3tipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emo\u00e7\u00f5es imediatas e f\u00e1ceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustra\u00e7\u00e3o. A sua difus\u00e3o pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das l\u00f3gicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conte\u00fados, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os pr\u00f3prios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos.<\/p>\n<p>A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news \u00e9 devida tamb\u00e9m ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homog\u00e9neos e imperme\u00e1veis a perspectivas e opini\u00f5es divergentes. Esta l\u00f3gica da desinforma\u00e7\u00e3o tem \u00eaxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informa\u00e7\u00e3o (que poderia colocar positivamente em discuss\u00e3o os preconceitos e abrir para um di\u00e1logo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involunt\u00e1rios na difus\u00e3o de opini\u00f5es tendenciosas e infundadas. O drama da desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o descr\u00e9dito do outro, a sua representa\u00e7\u00e3o como inimigo, chegando-se a uma demoniza\u00e7\u00e3o que pode fomentar conflitos. Deste modo, as not\u00edcias falsas revelam a presen\u00e7a de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersens\u00edveis, cujo \u00fanico resultado \u00e9 o risco de se dilatar a arrog\u00e2ncia e o \u00f3dio. \u00c9 a isto que leva, em \u00faltima an\u00e1lise, a falsidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Como podemos reconhec\u00ea-las?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Nenhum de n\u00f3s se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, porque a desinforma\u00e7\u00e3o se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, s\u00e3o louv\u00e1veis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a n\u00e3o ser divulgadores inconscientes de desinforma\u00e7\u00e3o, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louv\u00e1veis s\u00e3o as iniciativas institucionais e jur\u00eddicas empenhadas na defini\u00e7\u00e3o de normativas que visam circunscrever o fen\u00f3meno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, id\u00f3neas para definir novos crit\u00e9rios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detr\u00e1s de milh\u00f5es de perfis digitais.<\/p>\n<p>Mas a preven\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o dos mecanismos da desinforma\u00e7\u00e3o requerem tamb\u00e9m um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, \u00e9 preciso desmascarar uma l\u00f3gica, que se poderia definir como a \u00abl\u00f3gica da serpente\u00bb, capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estrat\u00e9gia utilizada pela serpente \u2013 \u00abo mais astuto de todos os animais\u00bb, como diz o livro do G\u00e9nesis (cf. 3, 1-15) \u2013 a qual se tornou, nos prim\u00f3rdios da humanidade, art\u00edfice da primeira fake news, que levou \u00e0s tr\u00e1gicas consequ\u00eancias do pecado, concretizadas depois no primeiro fratric\u00eddio (cf. Gn 4) e em in\u00fameras outras formas de mal contra Deus, o pr\u00f3ximo, a sociedade e a cria\u00e7\u00e3o. A estrat\u00e9gia deste habilidoso \u00abpai da mentira\u00bb (Jo 8, 44) \u00e9 precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedu\u00e7\u00e3o que abre caminho no cora\u00e7\u00e3o do homem com argumenta\u00e7\u00f5es falsas e aliciantes. De facto, na narra\u00e7\u00e3o do pecado original, o tentador aproxima-se da mulher, fingindo ser seu amigo e interessar-se pelo seu bem. Come\u00e7a o di\u00e1logo com uma afirma\u00e7\u00e3o verdadeira, mas s\u00f3 em parte: \u00ab\u00c9 verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma \u00e1rvore do jardim?\u00bb (Gn 3, 1). Na realidade, o que Deus dissera a Ad\u00e3o n\u00e3o foi que n\u00e3o comesse de nenhuma \u00e1rvore, mas apenas de uma \u00e1rvore: \u00abN\u00e3o comas o [fruto] da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal\u00bb (Gn 2, 17). Retorquindo, a mulher explica isso mesmo \u00e0 serpente, mas deixa-se atrair pela sua provoca\u00e7\u00e3o: \u00abPodemos comer o fruto das \u00e1rvores do jardim; mas, quanto ao fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim, Deus disse: \u201cNunca o deveis comer nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis\u201d\u00bb (Gn 3, 2-3). Esta resposta tem sabor a legalismo e pessimismo: dando cr\u00e9dito ao fals\u00e1rio e deixando-se atrair pela sua apresenta\u00e7\u00e3o dos factos, a mulher extravia-se. Em primeiro lugar, d\u00e1 ouvidos \u00e0 sua r\u00e9plica tranquilizadora: \u00abN\u00e3o, n\u00e3o morrereis\u00bb(3, 4). Depois a argumenta\u00e7\u00e3o do tentador assume uma apar\u00eancia cred\u00edvel: \u00abDeus sabe que, no dia em que comerdes [desse fruto], abrir-se-\u00e3o os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal\u00bb(3, 5). Enfim, ela chega a desconfiar da recomenda\u00e7\u00e3o paterna de Deus, que tinha em vista o seu bem, para seguir o aliciamento sedutor do inimigo: \u00abVendo a mulher que o fruto devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto (\u2026) agarrou do fruto, comeu\u00bb(3, 6). Este epis\u00f3dio b\u00edblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 inofensiva; antes pelo contr\u00e1rio, fiar-se daquilo que \u00e9 falso produz consequ\u00eancias nefastas. Mesmo uma distor\u00e7\u00e3o da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.<\/p>\n<p>De facto, est\u00e1 em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente control\u00e1vel, n\u00e3o tanto pela l\u00f3gica de partilha que caracteriza os meios de comunica\u00e7\u00e3o social como sobretudo pelo fasc\u00ednio que det\u00eam sobre a avidez insaci\u00e1vel que facilmente se acende no ser humano. As pr\u00f3prias motiva\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e oportunistas da desinforma\u00e7\u00e3o t\u00eam a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, nos torna v\u00edtimas de um embuste muito mais tr\u00e1gico do que cada uma das suas manifesta\u00e7\u00f5es: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do cora\u00e7\u00e3o. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclina\u00e7\u00f5es que se movem dentro de n\u00f3s, para n\u00e3o nos encontrarmos despojados do bem \u00abmordendo a isca\u00bb em cada tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> \u00abA verdade vos tornar\u00e1 livres\u00bb (Jo 8, 32)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>De facto, a contamina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua por uma linguagem enganadora acaba por ofuscar o \u00edntimo da pessoa. Dostoevskij deixou escrito algo de not\u00e1vel neste sentido: \u00abQuem mente a si mesmo e escuta as pr\u00f3prias mentiras, chega a pontos de j\u00e1 n\u00e3o poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim come\u00e7a a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que j\u00e1 n\u00e3o tem estima de ningu\u00e9m, cessa tamb\u00e9m de amar, e ent\u00e3o na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se \u00e0s paix\u00f5es e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus v\u00edcios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir cont\u00ednuo aos outros e a si mesmo\u00bb (Os irm\u00e3os Karamazov, II, 2).<\/p>\n<p>E ent\u00e3o como defender-nos? O ant\u00eddoto mais radical ao v\u00edrus da falsidade \u00e9 deixar-se purificar pela verdade. Na vis\u00e3o crist\u00e3, a verdade n\u00e3o \u00e9 uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao ju\u00edzo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade n\u00e3o \u00e9 apenas trazer \u00e0 luz coisas obscuras, \u00abdesvendar a realidade\u00bb, como faz pensar o termo que a designa em grego: aletheia, de a-leth\u00e8s, \u00abn\u00e3o escondido\u00bb. A verdade tem a ver com a vida inteira. Na B\u00edblia, re\u00fane os significados de apoio, solidez, confian\u00e7a, como sugere a raiz \u2018aman (daqui prov\u00e9m o pr\u00f3prio Amen lit\u00fargico). A verdade \u00e9 aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para n\u00e3o cair. Neste sentido relacional, o \u00fanico verdadeiramente fi\u00e1vel e digno de confian\u00e7a sobre o qual se pode contar, ou seja, o \u00fanico \u00abverdadeiro\u00bb \u00e9 o Deus vivo. Eis a afirma\u00e7\u00e3o de Jesus: \u00abEu sou a verdade\u00bb (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. S\u00f3 isto liberta o homem: \u00abA verdade vos tornar\u00e1 livres\u00bb(Jo 8, 32).<\/p>\n<p>Liberta\u00e7\u00e3o da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que n\u00e3o podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, aut\u00eanticos e fi\u00e1veis. Para discernir a verdade, \u00e9 preciso examinar aquilo que favorece a comunh\u00e3o e promove o bem e aquilo que, ao inv\u00e9s, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade n\u00e3o se alcan\u00e7a autenticamente quando \u00e9 imposta como algo de extr\u00ednseco e impessoal; mas brota de rela\u00e7\u00f5es livres entre as pessoas, na escuta rec\u00edproca. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De facto, uma argumenta\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel pode basear-se em factos ineg\u00e1veis, mas, se for usada para ferir o outro e desacredit\u00e1-lo \u00e0 vista alheia, por mais justa que apare\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos v\u00e1rios enunciados: se suscitam pol\u00e9mica, fomentam divis\u00f5es, infundem resigna\u00e7\u00e3o ou se, em vez disso, levam a uma reflex\u00e3o consciente e madura, ao di\u00e1logo construtivo, a uma prof\u00edcua atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> A paz \u00e9 a verdadeira not\u00edcia<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O melhor ant\u00eddoto contra as falsidades n\u00e3o s\u00e3o as estrat\u00e9gias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambi\u00e7\u00e3o, est\u00e3o prontas a ouvir e, atrav\u00e9s da fadiga dum di\u00e1logo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atra\u00eddas pelo bem, se mostram respons\u00e1veis no uso da linguagem. Se a via de sa\u00edda da difus\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a responsabilidade, particularmente envolvido est\u00e1 quem, por profiss\u00e3o, \u00e9 obrigado a ser respons\u00e1vel ao informar, ou seja, o jornalista, guardi\u00e3o das not\u00edcias. No mundo atual, ele n\u00e3o desempenha apenas uma profiss\u00e3o, mas uma verdadeira e pr\u00f3pria miss\u00e3o. No meio do frenesim das not\u00edcias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da not\u00edcia, n\u00e3o est\u00e3o a velocidade em comunic\u00e1-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar \u00e9 formar, \u00e9 lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precis\u00e3o das fontes e a cust\u00f3dia da comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o verdadeiros e pr\u00f3prios processos de desenvolvimento do bem, que geram confian\u00e7a e abrem vias de comunh\u00e3o e de paz.<\/p>\n<p>Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta express\u00e3o, um jornalismo \u00abbonzinho\u00bb, que negue a exist\u00eancia de problemas graves e assuma tons mel\u00edfluos. Pelo contr\u00e1rio, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil \u00e0s falsidades, a slogans sensacionais e a declara\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como servi\u00e7o a todas as pessoas, especialmente \u00e0quelas \u2013 e no mundo, s\u00e3o a maioria \u2013 que n\u00e3o t\u00eam voz; um jornalismo que n\u00e3o se limite a queimar not\u00edcias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreens\u00e3o das ra\u00edzes e a sua supera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar solu\u00e7\u00f5es alternativas \u00e0s escalation do clamor e da viol\u00eancia verbal.<\/p>\n<p>Por isso, inspirando-nos numa conhecida ora\u00e7\u00e3o franciscana, poderemos dirigir-nos, \u00e0 Verdade em pessoa, nestes termos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Senhor, fazei de n\u00f3s instrumentos da vossa paz.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>cria comunh\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos ju\u00edzos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ajudai-nos a falar dos outros como de irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/strong><\/p>\n<p><strong>V\u00f3s sois fiel e digno de confian\u00e7a;<\/strong><\/p>\n<p><strong>fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver confus\u00e3o, fazei que inspiremos harmonia;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver exclus\u00e3o, fazei que levemos partilha;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos<\/strong><\/p>\n<p><strong>verdadeiros;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver preconceitos, fazei que despertemos confian\u00e7a;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;<\/strong><\/p>\n<p><strong>onde houver falsidade, fazei que levemos verdade<\/strong>.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Franciscus<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma mensagem divulgada para o 52\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que ser\u00e1 celebrado em 13 de maio, com o lema \u201c\u2018A verdade vos tornar\u00e1 livres\u2019. 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