{"id":597,"date":"2017-01-14T00:00:00","date_gmt":"2017-01-14T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/somos-habitados-pelo-espirito\/"},"modified":"2017-01-14T00:00:00","modified_gmt":"2017-01-14T00:00:00","slug":"somos-habitados-pelo-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/somos-habitados-pelo-espirito\/","title":{"rendered":"Somos habitados pelo Esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>[imagem1]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Eu vi o Esp&iacute;rito descer, comouma pomba do c&eacute;u, e permanecer sobre ele&rdquo; (Jo 1,32)<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Estamos iniciando o tempolit&uacute;rgico conhecido como &ldquo;Tempo comum&rdquo;; tempo para um longo e demorado olharcentrado na pessoa de Jesus: &ldquo;ver&rdquo; e &ldquo;mirar&rdquo; nos conduzem a uma identifica&ccedil;&atilde;ocom Ele. Do olhar correspondido brota o seguimento. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como seguidores(as) de Jesus,tamb&eacute;m vivemos &agrave; luz do Esp&iacute;rito, n&atilde;o &agrave; sua sombra. <b>Nossa exist&ecirc;ncia, em sintonia com o desejo de Deus para que vivamos emplenitude, &eacute; enriquecida pelos nossos desejos profundos de nos constituir comoseres livres, ou seja, capacitados a tomar decis&otilde;es oblativas, desafiadospermanentemente por uma pluralidade de op&ccedil;&otilde;es abertas que se apresentam diantede n&oacute;s.<\/b> N&atilde;o somos escravos de nossa pobre condi&ccedil;&atilde;o mortal, mas o espa&ccedil;olivre por onde habita e transita o Esp&iacute;rito. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No evangelho de hoje(2&ordm; dom TempoComum), mais uma vez o autor do quarto Evangelho nos coloca diante da figura deJo&atilde;o Batista, relatando a experi&ecirc;ncia dele de encontro com Jesus e revelando-ocomo aquele que &ldquo;viu&rdquo; e que &ldquo;deu testemunho&rdquo; de que Jesus &eacute; &ldquo;o Filho de Deus&rdquo;.Da&iacute; sua insist&ecirc;ncia no verbo &ldquo;ver&rdquo;. N&atilde;o se trata de um &ldquo;ver&rdquo; neutro, preso &agrave;exterioridade, mas de um olhar contemplativo, capaz de distinguir e apontarquem de fato era o Messias. Jo&atilde;o n&atilde;o recebeu o encargo de divulgar uma ideia,uma doutrina&#8230; mas apontar uma pessoa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como nos evangelistas sin&oacute;ticos,tamb&eacute;m o evangelista Jo&atilde;o faz do batismo de Jesus o acontecimento fundante como qual Ele inicia sua atividade p&uacute;blica. Qu&ecirc; &eacute; que Jo&atilde;o Batista &ldquo;viu&rdquo;? Viu umhomem cheio de Esp&iacute;rito. Ou seja, Jesus &eacute; aquele que, habitado pelo Esp&iacute;rito,se deixa conduzir pelo mesmo Esp&iacute;rito. Ele deixa &ldquo;transparecer&rdquo; esta presen&ccedil;ado Esp&iacute;rito e s&oacute; quem tem olhar contemplativo &eacute; capaz de perceber quem O move. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sempre quando temos a sorte deencontrar uma pessoa &ldquo;transparente&rdquo; (n&atilde;o &ldquo;perfeita&rdquo;, mas humana), torna-se maisf&aacute;cil reconhecer, apreciar, &ldquo;ver&rdquo; o Mist&eacute;rio que a habita. Mas n&atilde;o &eacute; suficienteencontrar-nos com algu&eacute;m assim; &eacute; preciso tamb&eacute;m desenvolver a pr&oacute;pria&ldquo;capacidade de ver&rdquo;, ou seja, um &ldquo;saber olhar&rdquo; que transcende para al&eacute;m dasapar&ecirc;ncias. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os s&aacute;bios sempre foramconscientes de que existem diferentes n&iacute;veis de realidade aos quais podemos teracesso atrav&eacute;s de diferentes &oacute;rg&atilde;os de conhecimento. S&atilde;o Boaventura fala do&ldquo;olho do esp&iacute;rito&rdquo;, ou seja o &ldquo;olho da contempla&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Empobrecemo-nos quandonos reduzimos ao &ldquo;olho da carne&rdquo; e tamb&eacute;m ao &ldquo;olho da raz&atilde;o&rdquo;. Precisamos ativaro &ldquo;olho do esp&iacute;rito&rdquo; que nos capacita para &ldquo;ver&rdquo; a realidade em sua dimens&atilde;o maisprofunda, para perceber o Mist&eacute;rio em tudo o que nos rodeia, n&oacute;s inclu&iacute;dos. <b>A qualidade humana, o futuro da humanidadee do planeta depende de que saibamos &ldquo;ver&rdquo; deste modo.<\/b> <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nossa experi&ecirc;ncia do seguimentode Jesus brota da capacidade de fixar nosso olhar n&rsquo;Ele. De fato, o olhar &eacute; oprimeiro sentido que nos faz sentir presentes junto ao outro. E, como Jo&atilde;oBatista, ao fixar nosso olhar contemplativo na pessoa de Jesus, o que vemos &eacute; oEsp&iacute;rito agindo n&rsquo;Ele. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">E porque se deixa conduzir peloEsp&iacute;rito, Jesus n&atilde;o suporta lugares fechados, rompe com os &ldquo;espa&ccedil;os sagrados&rdquo;,com os esquemas fechados, com as estruturas arcaicas&#8230; O Esp&iacute;rito &eacute;&ldquo;movimento&rdquo; e Jesus inicia um movimento de vida e vida plena. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus, cheio do Esp&iacute;rito, semprefoi o homem das pra&ccedil;as, ruas, caminhos e campos abertos&#8230; N&atilde;o foi o homem dostemplos, dos lugares fechados, das cidades fortificadas, mas o &ldquo;homem emsa&iacute;da&rdquo;, revelando sua mensagem e sua miss&atilde;o ao ar livre da vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A comunidade dos seus seguidores,conduzida pelo Esp&iacute;rito, tamb&eacute;m n&atilde;o se deixa atrofiar pelo lugares fechados,cheirando a incenso mofado, nem se prende a um ritualismo e religiosidadealienante, mas &eacute; aquela que sai para os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e ali oferece otestemunho de Jesus. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Somos seguidores de Jesus nosespa&ccedil;os amplos da vida, sem distin&ccedil;&atilde;o de classes, sem hierarquias, onde todospodem comunicar-se com todos, pois s&atilde;o habitados pelo mesmo Esp&iacute;rito, a for&ccedil;ada vida. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A novidade de Jesus consistejustamente em afirmar que existe um caminho para encontrar a Deus que n&atilde;o passapelo Templo. Desse modo, reconhece-se a vida como lugar privilegiado da SuaPresen&ccedil;a. Jesus, na Galileia, encontrou os seus lugares: junto ao mar, nasestradas poeirentas, nas margens&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Depois do seu batismo e pleno doEsp&iacute;rito, Jesus se faz presente no lugar onde se encontram aqueles que n&atilde;o tem&ldquo;lugar&rdquo;, os &ldquo;deslocados&rdquo; e que s&atilde;o a raz&atilde;o de seu amor e do seu cuidado; faz-sesolid&aacute;rio com os &ldquo;sem lugares&rdquo; e os convida a caminhar para um novo lugar.&nbsp; Na Galileia, Jesus tem suas prefer&ecirc;ncias eescolhe o seu &ldquo;lugar&rdquo;, o lugar entre os mais pobres, v&iacute;timas daqueles que sefazem donos dos lugares. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O(a) seguidor(a) de Jesus n&atilde;o &eacute;aquele que, por medo, se distancia do mundo, mas &eacute; aquele(a) que, movido(a) poruma radical compaix&atilde;o, desce ao cora&ccedil;&atilde;o da realidade em que se encontra, a&iacute; seencarna e a&iacute; revela os tra&ccedil;os da velada presen&ccedil;a d&rsquo;Aquele que &eacute; a Miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Dessa forma, &ldquo;habitado peloEsp&iacute;rito&rdquo;, experimenta que a vida &eacute; forte e formosa e que vale a pena acolh&ecirc;-lae do&aacute;-la, como Jesus fez, sabendo que o tempo da opress&atilde;o, da enfermidade, damorte e da condena&ccedil;&atilde;o&#8230; n&atilde;o tem a &uacute;ltima palavra.&nbsp; <b>Esse &eacute;o sentido da express&atilde;o de Jo&atilde;o Batista aplicada a Jesus: &ldquo;Aquele que tira opecado do mundo&rdquo;.<\/b> Por isso, Jesus e os primeiros crist&atilde;os n&atilde;o usarammodelos de poder centralizado para cultivar a presen&ccedil;a de Deus. Nem tiveram apreocupa&ccedil;&atilde;o de construir um novo templo, nem formatar uma nova religi&atilde;o, masdescobriram o Templo de Deus na vida mesma, no di&aacute;logo e no encontro daspessoas nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, onde sob o impulso do Esp&iacute;rito, buscaraminspira&ccedil;&atilde;o e sentido para suas exist&ecirc;ncias. E a vida n&atilde;o &eacute; um templo j&aacute;constru&iacute;do, mas uma rede de conex&otilde;es m&uacute;ltiplas que v&atilde;o se refazendo, recriando,de um modo incessante, por obra do Esp&iacute;rito de Cristo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A presen&ccedil;a provocativa e ochamado exigente de Jesus colocam em quest&atilde;o nosso costume de nos refugiar nomundo ass&eacute;ptico das doutrinas, na tranquilidade de uma vida ordenada elegalista, satisfat&oacute;ria e entorpecida, na seguran&ccedil;a de hor&aacute;rios imut&aacute;veis e demuros de prote&ccedil;&atilde;o, longe do rumor da vida que luta para ter um lugar ao sol,dos gritos daqueles que sofrem e morrem nas periferias deste mundo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Escutar e seguir Seu chamadoimplica abandonar a estreiteza de nossos caminhos e deixar o nosso cora&ccedil;&atilde;obater no ritmo do Esp&iacute;rito que nos faz romper nossos estreitos lugares e nosprojeta em dire&ccedil;&atilde;o ao mundo dos doentes e marginalizados, v&iacute;timas dadesumaniza&ccedil;&atilde;o de nossa sociedade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como Igreja, temos perdido esseestilo itinerante que Jesus prop&otilde;e. O caminhar dela &eacute; lento e pesado; n&atilde;oacertamos o passo para acompanhar a humanidade; n&atilde;o temos agilidade paradeslocar-nos em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; margem sofredora; agarramos ao poder e &agrave;s estruturasque tiram a mobilidade; enredamos nos interesses que n&atilde;o coincidem com o Reinadode Deus. &Eacute; preciso uma profunda convers&atilde;o e voltar &agrave; ess&ecirc;ncia do Evangelho:compromisso com a vida, sendo presen&ccedil;a misericordiosa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Jo 1,29-34<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na ora&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Fazer caminho&rdquo; comJesus implica sair pelas estradas e encruzilhadas para escutar o clamor daspessoas e para alargar a nossa vida no contato com elas. A novidade do Esp&iacute;ritoaparece sempre fora dos lugares seguros, protegidos e convencionais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; N&atilde;o estaremos desperdi&ccedil;ando asnossas melhores for&ccedil;as para conservar atitudes arcaicas e nos deliciamos com umestilo de vida que nos atrofia?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; N&atilde;o chegou, talvez, o momentode deixar de repetir aquilo que faz&iacute;amos antes, e de abrir-nos &agrave;quilo que est&aacute;diante de n&oacute;s, &agrave; novidade que o Esp&iacute;rito est&aacute; criando? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Eu vi o Esp&iacute;rito descer, comouma pomba do c&eacute;u, e permanecer sobre ele&rdquo; (Jo 1,32) Estamos iniciando o tempolit&uacute;rgico conhecido como &ldquo;Tempo comum&rdquo;; tempo para um longo e demorado olharcentrado na pessoa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1538,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}