{"id":5523,"date":"2018-04-10T22:20:53","date_gmt":"2018-04-10T22:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/?p=5523"},"modified":"2018-04-14T22:23:20","modified_gmt":"2018-04-14T22:23:20","slug":"exortacao-apostolica-gaudete-et-exsultate-chamado-a-santidade-e-lancada-pelo-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/exortacao-apostolica-gaudete-et-exsultate-chamado-a-santidade-e-lancada-pelo-papa\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8220;Gaudete et Exsultate: chamado \u00e0 santidade&#8221; \u00e9 lan\u00e7ada pelo papa"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 precisamente o esp\u00edrito de alegria que o papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua \u00faltima Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, lan\u00e7ada nessa segunda-feira, 09\/04.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo \u201cGaudete et Exsultate\u201d, \u201cAlegrai-vos e exultai,\u201d repete as palavras que Jesus dirige \u201caos que s\u00e3o perseguidos ou humilhados por causa dele\u201d.<\/p>\n<p>Nos cinco cap\u00edtulos e 44 p\u00e1ginas do documento, o papa segue a linha de seu magist\u00e9rio mais profundo, a Igreja pr\u00f3xima \u00e0 \u201ccarne de Cristo sofredor.\u201d<\/p>\n<p>Os 177 par\u00e1grafos n\u00e3o s\u00e3o \u2013 adverte \u2013\u00a0\u00a0\u201cum tratado sobre a santidade, com muitas defini\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00f5es\u201d, mas uma maneira de \u201cfazer ressoar mais uma vez o chamado \u00e0 santidade\u201d, indicando \u201cos seus riscos,\u00a0\u00a0desafios e oportunidades\u201d(n. 2).<\/p>\n<p><b><strong>A classe m\u00e9dia da santidade<\/strong><\/b><\/p>\n<p>Antes de mostrar o que fazer para se tornar santos, o\u00a0\u00a0papa Francisco se det\u00e9m no primeiro cap\u00edtulo sobre o \u201cchamado \u00e0 santidade\u201d e reafirma: h\u00e1 um caminho de perfei\u00e7\u00e3o para cada um e n\u00e3o faz sentido desencorajar-se\u00a0\u00a0contemplando \u201cmodelos de santidade que lhe parecem inating\u00edveis\u201d ou procurando\u00a0\u00a0\u201cimitar algo que n\u00e3o foi pensado para ele\u201d. (n. 11).<\/p>\n<p>\u201cOs santos, que j\u00e1 chegaram \u00e0 presen\u00e7a de Deus\u201d nos \u201cprotegem, amparam e acompanham\u201d (n. 4), afirma o papa. Mas, acrescenta, a santidade a que Deus nos chama, ir\u00e1 crescendo com \u201cpequenos gestos\u201d (n. 16 ) cotidianos, tantas vezes testemunhados por \u201caqueles que vivem pr\u00f3ximos de n\u00f3s\u201d, a \u201cclasse m\u00e9dia de santidade\u201d (n. 7).<\/p>\n<p><b><strong>Raz\u00e3o como um Deus<\/strong><\/b><\/p>\n<p>No segundo cap\u00edtulo, o papa estigmatiza aqueles que define como \u201cdois inimigos sutis da santidade\u201d, j\u00e1 v\u00e1rias vezes objeto de reflex\u00e3o, entre outros, nas missas na Santa Marta, na Evangelii gaudium, bem como no recente documento da Doutrina da F\u00e9, Placuit Deo.<\/p>\n<p>Trata-se de \u201cgnosticismo\u201d e \u201cpelagianismo\u201d,\u00a0\u00a0duas heresias que surgiram nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade (n.35).<\/p>\n<p>O gnosticismo \u2013 observa \u2013 \u00e9 uma autocelebra\u00e7\u00e3o de \u201cuma mente sem encarna\u00e7\u00e3o, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclop\u00e9dia de abstra\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Para o papa, trata-se de uma \u201cvaidosa superficialidade\u201d, que pretende \u201creduzir o ensinamento de Jesus a uma l\u00f3gica fria e dura que procura dominar tudo\u201d. E ao desencarnar o mist\u00e9rio, preferem \u2013 como disse em uma missa na Santa Marta \u2013 \u201cum Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo \u201c(nn. 37-39).<\/p>\n<p><b><strong>Adoradores da vontade<\/strong><\/b><\/p>\n<p>O neo-pelagianismo \u00e9, segundo Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo. A ser objeto de adora\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 mais a mente humana, mas o \u201cesfor\u00e7o pessoal\u201d, uma vontade sem humildade que \u201csente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas\u201d ou por ser fiel \u201ca um certo estilo cat\u00f3lico\u201d (n. 49).<\/p>\n<p>\u201cA obsess\u00e3o pela lei\u201d, \u201co fasc\u00ednio de exibir conquistas sociais e pol\u00edticas\u201d, ou \u201ca ostenta\u00e7\u00e3o no cuidado da liturgia, da doutrina e do prest\u00edgio da Igreja\u201d s\u00e3o para o papa, entre outros, alguns tra\u00e7os t\u00edpicos de crist\u00e3os que \u201cn\u00e3o se deixam guiar pelo Esp\u00edrito no caminho do amor\u201d. (n. 57 ).<\/p>\n<p>Francisco, por outro lado, lembra que \u00e9 sempre o dom da gra\u00e7a que ultrapassa \u201cas capacidades da intelig\u00eancia e as for\u00e7as da vontade humana\u201d (n. 54). \u00c0s vezes, constata, \u201ccomplicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema\u201d. (N\u00ba 59)<\/p>\n<p><b><strong>Oito caminhos de santidade<\/strong><\/b><\/p>\n<p>Al\u00e9m de todas as \u201cteorias sobre o que \u00e9 santidade\u201d, existem as Bem-aventuran\u00e7as. Francisco coloca-as no centro do terceiro cap\u00edtulo, afirmando que com este discurso Jesus \u201cexplicou, com toda a simplicidade, o que \u00e9 ser santo\u201d (n. 63).<\/p>\n<p>O papa as repassa uma a uma. Da pobreza de cora\u00e7\u00e3o \u2013 que tamb\u00e9m significa austeridade da vida (n. 70) \u2013 ao reagir \u201ccom humilde mansid\u00e3o\u201d em um mundo onde se combate em todos os lugares. (n. 74).<\/p>\n<p>Da \u201ccoragem\u201d de deixar-se \u201ctraspassar\u201d pela dor dos outros e ter \u201ccompaix\u00e3o\u201d por eles \u2013 enquanto \u201d o mundano ignora, olha para o lado\u201d (nn 75-76.) \u2013 \u00e0 sede de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA realidade mostra-nos como \u00e9 f\u00e1cil entrar nas s\u00facias da\u00a0\u00a0corrup\u00e7\u00e3o, fazer parte desta pol\u00edtica di\u00e1ria do \u201cdou para que me deem\u201d, onde tudo \u00e9 neg\u00f3cio. E quantos sofrem por causa das injusti\u00e7as, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida\u201d. (nn. 78-79).<\/p>\n<p>Do \u201colhar e agir com miseric\u00f3rdia\u201d, o que significa ajudar os outros \u201ce at\u00e9 mesmo perdoar\u201d (nn. 81-82), \u201cmanter o cora\u00e7\u00e3o limpo de tudo o que mancha o amor\u201d por Deus e o pr\u00f3ximo, isto \u00e9 santidade. (n.86).<\/p>\n<p>E finalmente, do \u201csemear a paz\u201d e \u201camizade social\u201d com \u201cserenidade, criatividade, sensibilidade e destreza\u201d \u2013 conscientes da dificuldade de lan\u00e7ar pontes entre pessoas diferentes (nn. 88-89) \u2013 ao aceitar tamb\u00e9m as persegui\u00e7\u00f5es, porque hoje a coer\u00eancia \u00e0s Bem-aventuran\u00e7as \u201cpode ser mal vista, suspeita, ridicularizada\u201d e, no entanto, n\u00e3o se pode esperar, para viver o Evangelho, que tudo \u00e0 nossa volta seja favor\u00e1vel\u201d (n. 91).<\/p>\n<p><b><strong>A grande regra do comportamento<\/strong><\/b><\/p>\n<p>Uma dessas bem-aventuran\u00e7as, \u201cBem-aventurados os misericordiosos\u201d, cont\u00e9m para Francisco \u201ca grande regra de comportamento\u201d dos crist\u00e3os, aquela descrita por Mateus no cap\u00edtulo 25 do \u201cJu\u00edzo Final\u201d.<\/p>\n<p>Esta p\u00e1gina, reitera, demonstra que \u201cser santo n\u00e3o significa revirar os olhos num suposto \u00eaxtase\u201d (n. 96), mas viver Deus por meio do amor aos \u00faltimos.<\/p>\n<p>Infelizmente, observa o papa, existem ideologias que \u201cmutilam o Evangelho\u201d. Por um lado, crist\u00e3os sem um relacionamento com Deus, que transformam o cristianismo \u201cnuma esp\u00e9cie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante\u201d vivida por S\u00e3o Francisco de Assis, S\u00e3o Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcut\u00e1. (n\u00ba 100).<\/p>\n<p>Por outro, aqueles que \u201csuspeitam do compromisso social dos outros\u201d, considerando-o como se fosse algo de superficial, mundano, secularizado, imamentista, \u201ccomunista ou populista\u201d, ou \u201co relativizam\u201d em nome de uma determinada \u00e9tica.<\/p>\n<p>Aqui o papa reafirma que \u201ca defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso est\u00e1 em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada\u201d (n. 101).<\/p>\n<p>Mesmo a acolhida dos migrantes \u2013 que alguns cat\u00f3licos,\u00a0\u00a0observa, gostariam que fosse menos importante do que a bio\u00e9tica \u2013 \u00e9 um dever de todo crist\u00e3o, porque em todo estrangeiro existe Cristo, e \u201cn\u00e3o se trata da inven\u00e7\u00e3o de um papa, nem de um del\u00edrio passageiro\u201d (n. 103).<\/p>\n<p><b><strong>\u201cGastar-se\u201d nas obras de miseric\u00f3rdia<\/strong><\/b><\/p>\n<p>Assim, observou que \u201cgozar a vida\u201d como nos convida a fazer o \u201cconsumismo hedonista\u201d, \u00e9 o oposto do desejar dar gl\u00f3rias a Deus, que pede para nos \u201cgastarmos\u201d nas obras de miseric\u00f3rdia (nn. 107-108).<\/p>\n<p>No quarto cap\u00edtulo, Francisco repassa as caracter\u00edsticas \u201cindispens\u00e1veis\u201d para entender o estilo de vida da santidade: \u201cperseveran\u00e7a, paci\u00eancia e mansid\u00e3o\u201d, \u201calegria e senso de humor\u201d, \u201caud\u00e1cia e fervor\u201d.<\/p>\n<p>O caminho da santidade vivido como caminho \u201cem comunidade\u201d e \u201cem constante ora\u00e7\u00e3o\u201d, que chega \u00e0 \u201ccontempla\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o entendida como \u201cevas\u00e3o que nega o mundo que nos rodeia\u201d (nn. 110-152).<\/p>\n<p><b><strong>Luta vigilante e inteligente<\/strong><\/b><\/p>\n<p>E porque, prossegue, a vida crist\u00e3 \u00e9 uma luta \u201cconstante\u201d contra a \u201cmentalidade mundana\u201d que \u201cnos engana, atordoa e torna med\u00edocres\u201d (n. 159).<\/p>\n<p>O papa conclui no quinto cap\u00edtulo convidando ao \u201ccombate\u201d contra o \u201cMaligno que, escreve ele, n\u00e3o \u00e9 \u201cum mito\u201d, mas\u201d um ser pessoal que nos atormenta\u201d (n. 160-161).<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o quiser reconhec\u00ea-lo, ver-se-\u00e1 exposto ao fracasso ou \u00e0 mediocridade\u201d. As suas maquina\u00e7\u00f5es, indica, devem ser contrastadas com a \u201cvigil\u00e2ncia\u201d, usando as \u201carmas poderosas\u201d da ora\u00e7\u00e3o, a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, os Sacramentos e com uma vida permeada pela caridade (n. 162).<\/p>\n<p>Importante, continua Francisco, \u00e9 tamb\u00e9m o \u201cdiscernimento\u201d, particularmente em uma \u00e9poca \u201cque oferece enormes possibilidades de a\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 das viagens, ao tempo livre, ao uso descontrolado da tecnologia \u2013 \u201cque n\u00e3o deixam espa\u00e7os vazios onde ressoa a voz de Deus \u201c. Francisco pede cuidados especiais para os jovens, muitas vezes \u201cexpostos a um constante zapping\u201d, em mundos virtuais distantes da realidade (n. 167).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se faz discernimento para descobrir o que mais podemos derivar dessa vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a miss\u00e3o que nos foi confiada no Batismo.\u201d (174)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Vatican News<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 precisamente o esp\u00edrito de alegria que o papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua \u00faltima Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, lan\u00e7ada nessa segunda-feira, 09\/04. 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