{"id":524,"date":"2017-03-05T00:00:00","date_gmt":"2017-03-05T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/1-domingo-da-quaresma-os-demonios-interiores\/"},"modified":"2017-03-05T00:00:00","modified_gmt":"2017-03-05T00:00:00","slug":"1-domingo-da-quaresma-os-demonios-interiores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/1-domingo-da-quaresma-os-demonios-interiores\/","title":{"rendered":"1\u00ba Domingo\tda Quaresma &#8211; Os &#8220;dem\u00f4nios&#8221; interiores"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&nbsp;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>[imagem1]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Naquele tempo, o Esp&iacute;ritoconduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo&rdquo;<\/i> (Mt 4,1)<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b>&nbsp;<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O deserto &eacute; um lugar instigantena vida humana. Apresenta-se como o lugar da tenta&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m como o lugaronde o Senhor nos fala ao cora&ccedil;&atilde;o. O interior n&atilde;o se expande sem per&iacute;odos dedeserto. H&aacute; desertos que s&atilde;o buscados, e h&aacute; tamb&eacute;m desertos que a vida nostraz, surpreendendo-nos. Sempre aprofundam e alargam em n&oacute;s uma dimens&atilde;o doamor que nosso ego fechado quer roubar-nos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os evangelhos sin&oacute;ticos (Marcos,Mateus e Lucas) colocam o relato das tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus no in&iacute;cio de suaatividade p&uacute;blica. Talvez com isso eles est&atilde;o querendo dizer que, antes decome&ccedil;ar uma miss&atilde;o libertadora, &eacute; necess&aacute;rio enfrentar-se com os pr&oacute;prios &ldquo;dem&ocirc;niosinteriores&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;Dem&ocirc;nios interiores&rdquo; &eacute; tudoaquilo que nos divide (&ldquo;dia-bolum&rdquo; &ndash; o que divide), que alimentam nosso egocentrismo,rompendo a comunh&atilde;o com os outros, com Deus e com suas criaturas; s&atilde;o for&ccedil;asque permanecem ocultas, mas bem ativas em n&oacute;s, conduzindo-nos aonde n&atilde;oquer&iacute;amos ir. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O &ldquo;diabolum&rdquo; n&atilde;o quer quereconhe&ccedil;amos o Criador, e muito menos que lhe honremos&nbsp; nos outros. Ele gosta dos verbos que afirmamo ego: possuir, conquistar, adular, mandar, competir, destacar, impor&#8230; E lhecausa repugn&acirc;ncia aqueles verbos que nos fazem sintonizar com outros: doar,servir, colaborar, agradecer, suscitar, partilhar&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os &ldquo;dem&ocirc;nios&rdquo;, dos quais osrelatos sin&oacute;ticos nos falam, s&atilde;o tr&ecirc;s e caracterizam bem o nosso ego: o ter, opoder e a apar&ecirc;ncia (vaidade). &Eacute; neles onde o ego se entrincheira e onde seapega para sentir-se que &eacute; &ldquo;algo&rdquo;. Bens materiais, poder e influ&ecirc;ncia, imagem eprest&iacute;gio: eis a&iacute; os interesses do ego. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Em outras palavras, o que o egobusca nesses apegos &eacute; uma s&oacute; coisa: seguran&ccedil;a. Precisamente por isso, a maneirade &ldquo;lidar&rdquo; com esses dem&ocirc;nios interiores &eacute; reconhecer e desvelar (tirar o v&eacute;u)as car&ecirc;ncias pendentes em nossas vidas e descobrir a falsidade de suaspromessas. Fica claro que s&atilde;o &ldquo;tend&ecirc;ncias narcisistas&rdquo;, pr&oacute;prias de um egoimaturo, que buscam um lugar ao sol e que desencadeiam um processo deauto-centramento e ruptura de alian&ccedil;a com tudo e todos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Desvelar as &ldquo;vozes diab&oacute;licas&rdquo; denosso interior pode nos ajudar a compreender que a seguran&ccedil;a que elas prometems&atilde;o vazias: todo o dinheiro do mundo, todo o poder e toda a fama s&atilde;o incapazesde conferir seguran&ccedil;a e plenitude. N&atilde;o s&oacute; isso: aquelas vozes nos confundem enos fazem distanciar de nossa verdadeira identidade. Cedo ou tardereconheceremos que o futuro do ego n&atilde;o tem fundamento e que, como dizia Jesus,viver para ele &eacute; &ldquo;perder a vida&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A seguran&ccedil;a n&atilde;o se encontra aoalcance do ego. Por isso, ele se desespera ao perceber que, por mais esfor&ccedil;oque fa&ccedil;a, n&atilde;o pode t&ecirc;-la sob seu controle. Tampouco se encontra fora de n&oacute;s, emoutro lugar ou no futuro; nem sequer podemos situ&aacute;-la em nossas ideias oucren&ccedil;as. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Porque, o que ardentementeaspiramos n&atilde;o &eacute; &ldquo;algo&rdquo; que imediatamente nos complete. Aspiramos nada menos queo Absoluto (&ldquo;adorar&aacute;s ao Senhor, teu Deus, e somente a Ele prestar&aacute;s culto&rdquo;),mas n&atilde;o como &ldquo;algo&rdquo; ou &ldquo;algu&eacute;m&rdquo; separado, mas essa Presen&ccedil;a intima e amorosaque nos habita. Essa Presen&ccedil;a &eacute; seguran&ccedil;a e constitui o n&uacute;cleo de quem somos;ela &eacute; o &ldquo;objeto&rdquo; de nossa sede e de nossa busca porque &eacute; reveladora de nossaverdadeira identidade. Onde a est&aacute;vamos buscando?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus, tamb&eacute;m tentado, nos ajudaquando tentados. Ele tamb&eacute;m &ldquo;foi provado em tudo como n&oacute;s&rdquo; (Heb. 4,15). Eleprecisou superar a &ldquo;divis&atilde;o interna&rdquo;, pr&oacute;pria do ser humano, para poder viver adensidade humana, aberta e oblativa. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No tempo do deserto viveu umprocesso de humaniza&ccedil;&atilde;o profund&iacute;ssimo, deixando-se pacificar e conduzir peloEsp&iacute;rito, reencontrando, na pr&oacute;pria hist&oacute;ria, pontos de refer&ecirc;ncia fundamentaisque v&atilde;o situ&aacute;-lo na condi&ccedil;&atilde;o de Filho de Deus. As tenta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foram ummomento da vida de Jesus, mas uma &ldquo;sombra escura&rdquo; que o acompanhou ao longo detoda sua vida. Frente ao &iacute;dolo do poder e do ter, Ele se mant&eacute;m de p&eacute;,despojado; frente ao desejo de utilizar sua condi&ccedil;&atilde;o de Filho em seu pr&oacute;priobenef&iacute;cio, elege o caminho da obedi&ecirc;ncia sintonizada no Pai; frente ao discursodo &ecirc;xito e da fama, Ele elege o do servi&ccedil;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">As tenta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o express&atilde;o doconflito permanente de sua vida e de sua obra. No deserto, Jesus tomou umaconsci&ecirc;ncia t&atilde;o plena de sua condi&ccedil;&atilde;o de Filho, a Palavra do Pai lhe deu tantaseguran&ccedil;a e iluminou de tal maneira sua vida, que j&aacute; se torna imposs&iacute;velconfundir Deus com os falsos &iacute;dolos que o tentador lhe apresenta: um &ldquo;deus&rdquo;contaminado pelas piores pretens&otilde;es da condi&ccedil;&atilde;o humana: possuir, fazerostenta&ccedil;&atilde;o de prest&iacute;gio, exercer dom&iacute;nio. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus n&atilde;o veio para que os anjosesvoa&ccedil;antes o carregassem, mas para carregar sobre seus ombros a ovelhaperdida; n&atilde;o veio para converter as pedras em p&atilde;es, mas para entregar-se Elemesmo como P&atilde;o de vida; suas m&atilde;os n&atilde;o se fecham possessivas sobre as riquezasporque Ele precisa delas&nbsp; livres paralevantar ca&iacute;dos, sarar feridos ou lavar os p&eacute;s cansados do caminho; n&atilde;o veiopara trocar a p&eacute;rola preciosa do Reino que o Pai lhe confiou por outros reinosque o tentador lhe mostrou a partir do monte. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Neste tempo quaresmal, identificados com Jesus na estadia do deserto,vamos &ldquo;desvelando&rdquo; nossos dinamismos &ldquo;dia-b&oacute;licos&rdquo; que se instalam em nossointerior, atrofiam nossas for&ccedil;as criativas e nos distanciam da comunh&atilde;o comtudo e com todos. <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O mundo em que vivemos noscondiciona a viver em torno do ter, do poder, da ambi&ccedil;&atilde;o do prest&iacute;gio, daidolatria&#8230; Jesus nos ensina a pedirmos ao Pai que n&atilde;o nos deixe cair nessastenta&ccedil;&otilde;es que destroem o projeto de um mundo fraterno e igualit&aacute;rio. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A tenta&ccedil;&atilde;o &eacute; a que promete o beme nos conduz ao mal; aquilo que parece atrativo e inclusive bom, mas nos afastade Deus e dos outros; aquilo que parece algo evidente, inevit&aacute;vel em nossa vidaquando na realidade n&atilde;o &eacute;; aquilo que, com enganos, nos mata aos poucos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Do nosso interior, esta for&ccedil;a domal se encarna nas nossas atividades, institui&ccedil;&otilde;es, estruturas (externalizado),provocando viol&ecirc;ncia, gerando tens&otilde;es, injusti&ccedil;as&#8230;&nbsp; e criando uma sociedade opressiva, dividida,conflituosa, preconceituosa&#8230; Esta situa&ccedil;&atilde;o, com suas sedu&ccedil;&otilde;es e ilus&otilde;es seconstitui em permanente tenta&ccedil;&atilde;o coletiva para o ego&iacute;smo, a insensibilidade e aruptura da fraternidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Viver humanamente consistir&aacute; emdeixar o Esp&iacute;rito circular livremente por todos os c&ocirc;modos de nossa morada,arejando-os, ventilando-os, religando-os, dando-lhes vida, reorientando-os. Amiss&atilde;o do Esp&iacute;rito &eacute; ajudar-nos a fazer a travessia do deserto interior, tantonas sombras como nas zonas de luz, at&eacute; ao centro de n&oacute;s mesmos. O Esp&iacute;ritoprocura entrar para fecundar, recolocar em ordem, restaurar, unificar. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Precisamos nos abrir para umaverdade maior quanto &agrave; nossa humanidade, ou seja, que todos os nossos recantosmerecem ser visitados, olhados, ouvidos e abra&ccedil;ados; que cada aspecto de nossavida cont&eacute;m uma d&aacute;diva maior do que podemos enxergar e cada sentimento mereceuma express&atilde;o saud&aacute;vel. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Mt 4,1-11<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> A ora&ccedil;&atilde;o sobre as &ldquo;tenta&ccedil;&otilde;es de Jesus&rdquo; nos ajuda a tomarconsci&ecirc;ncia das alian&ccedil;as e cumplicidades nas quais podemos cair em nossas rela&ccedil;&otilde;escom o mundo e com aqueles elementos que de modo mais decisivo p&otilde;e em perigonossa liberdade: as riquezas, o poder, o prest&iacute;gio. Nessa &#8220;embriaguezexistencial&#8221;&nbsp; a alteridadedesaparece, a abertura a Deus se atrofia e a gratid&atilde;o frente aos bens se esvazia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Dar nomes aos &ldquo;dem&ocirc;niosinteriores&rdquo; que desumanizam. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; [imagem1] &ldquo;Naquele tempo, o Esp&iacute;ritoconduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo&rdquo; (Mt 4,1) &nbsp; O deserto &eacute; um lugar instigantena vida humana. Apresenta-se como o lugar da tenta&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/524"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/524\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}