{"id":507,"date":"2017-03-18T00:00:00","date_gmt":"2017-03-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/3-domingo-da-quaresma-samaritana-a-historia-de-uma-sede\/"},"modified":"2017-03-18T00:00:00","modified_gmt":"2017-03-18T00:00:00","slug":"3-domingo-da-quaresma-samaritana-a-historia-de-uma-sede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/3-domingo-da-quaresma-samaritana-a-historia-de-uma-sede\/","title":{"rendered":"3\u00ba Domingo da Quaresma &#8211; SAMARITANA: a hist\u00f3ria de uma sede"},"content":{"rendered":"<p>[imagem2]<\/p>\n<p><p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Comprovamos hoje uma atrofia ouum &ldquo;d&eacute;ficit de interioridade&rdquo;, pois a volatilidade das sensa&ccedil;&otilde;es passageirasnos dificulta ter acesso &agrave; nossa pr&oacute;pria identidade. Continuamente chegam at&eacute;n&oacute;s, sensa&ccedil;&otilde;es inteligentes e sedutoras elaboradas pelos t&eacute;cnicos da publicidadeem laborat&oacute;rios e ilhas de edi&ccedil;&atilde;o e semeadas na nossa afetividadesubconsciente. Estamos rodeados por telas iluminadas (tvs, smart, tablets,computadores&#8230;) que emitem uma mensagem &ldquo;interessada&rdquo; e nos for&ccedil;am apermanecer na superf&iacute;cie de n&oacute;s mesmos, esvaziando-nos de toda densidadehumana. Precisamos redescobrir uma pedagogia que nos conduza at&eacute; o maisprofundo de nossa intimidade, onde o Esp&iacute;rito alimenta a originalidade de nossoser &uacute;nico, atrav&eacute;s de uma fonte que nunca se esgota. Precisamos, sob a a&ccedil;&atilde;o daGra&ccedil;a, destravar nosso centro vivo e sempre in&eacute;dito, de tal maneira que brote anovidade que tudo renova e plenifica nossa exist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Vamos, pois, buscar inspira&ccedil;&atilde;o noencontro instigante de Jesus com a Samaritana, junto a um po&ccedil;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Assim como a &aacute;gua, necess&aacute;riapara a vida, &eacute; preciso extra&iacute;-la do fundo da terra, tamb&eacute;m a &aacute;gua do Esp&iacute;rito &eacute;preciso tir&aacute;-la das profundezas de si mesmo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">No in&iacute;cio do relato vemos umamulher caminhando em dire&ccedil;&atilde;o ao po&ccedil;o de Siqu&eacute;m em busca de &aacute;gua; ela vive um&ldquo;eu fragmentado&rdquo;, perdida em sua solid&atilde;o, sedenta de um sentido para suaexist&ecirc;ncia&#8230; Tinha graves problemas, estava confusa, em toda sua vida haviabuscando o grande amor. No entanto, seus casamentos fracassados continuavam aperturb&aacute;-la. Era uma mulher que havia se perdido no caminho: tantos c&acirc;ntarosquebrados, tantos peda&ccedil;os para recolher.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus rompe com as fronteirasculturais e religiosas, assenta-se junto ao po&ccedil;o de Jac&oacute; e, atrav&eacute;s de umdi&aacute;logo provocativo, ajuda a mulher samaritana a encontrar, dentro dela mesma,esse centro de onde mana sem cessar uma &aacute;gua que mata a sede, e n&atilde;o busc&aacute;-la emtantos po&ccedil;os secos ou rachados. Com sua presen&ccedil;a instigante, Jesus ajuda amulher a integrar suas rupturas existenciais, reconstruindo-a como pessoa, apartir de sua pr&oacute;pria interioridade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O encontro com Jesus fez asamaritana viver uma verdadeira &ldquo;p&aacute;scoa&rdquo;, passando de uma vida trivial edispersa &agrave; miss&atilde;o de anunciar aos outros Aquele com quem se havia encontrado.Como uma &aacute;gua &ldquo;que jorra para a vida eterna&rdquo;, uma torrente de gratuidadepercorre a cena e transfigura a mulher. Ela foi sendo conduzida at&eacute; sua pr&oacute;priainterioridade atrav&eacute;s de um paciente processo que a fez passar da dispers&atilde;o &agrave;unifica&ccedil;&atilde;o, da exterioridade &agrave; interioridade, da desarmonia &agrave; unidade interior,da solid&atilde;o &agrave; comunh&atilde;o com os outros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ela entra em cena como &ldquo;umamulher da Samaria&rdquo; e sai dela como conhecedora do manancial de &ldquo;&aacute;gua viva&rdquo;,consciente de ser buscada pelo Pai para fazer dela uma adoradora. Suaidentidade transformada a converte em uma evangelizadora que consegue, atrav&eacute;sde seu testemunho, que muitos se aproximem de Jesus e creiam nele. Aquela quefalava de &ldquo;tirar &aacute;gua&rdquo; como uma tarefa de esfor&ccedil;o e trabalho, abandona agoraseu c&acirc;ntaro: Jesus a fez descobrir um dom que lhe &eacute; entregue gratuitamente. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Na realidade, ela passou a ter asensa&ccedil;&atilde;o de estar nascendo pela primeira vez e que Deus a amava. Ca&iacute;am asetiquetas. Tudo o que tinha sido, a samaritana, filha de sangues misturados ede religi&atilde;o meio pag&atilde;, a mulher com uma vida afetiva fracassada, a amante que,depois de compartilhar sua vida com seis homens, duvidava de ter sido amada deverdade alguma vez&#8230; tudo aquilo parecia deixar de existir.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os v&eacute;us que cobriam o verdadeirorosto da mulher do c&acirc;ntaro vazio, foram levados pelo vento. Ela se tornou&ldquo;pessoa&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Estamos, aqui, diante de uma vidaem processo. Ao longo do relato assistimos a tentativa da mulher de permanecerem um n&iacute;vel superficial e mover-se em seu di&aacute;logo com Jesus no &acirc;mbito dasuperficialidade. Uma e outra vez ela procura escapar e desviar a conversa&ccedil;&atilde;opara terrenos que n&atilde;o permitem descer em sua profundidade e que n&atilde;o a deixamenfrentar-se com a verdade de sua exist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Mas ela n&atilde;o contava com atenacidade de Jesus e com sua determina&ccedil;&atilde;o de alargar aquela vida atrofiada. Aolongo do encontro, Ele &eacute; o verdadeiro protagonista, o condutor da cena e aqueleque marca as estrat&eacute;gias da conversa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como h&aacute;bil pescador, Jesus jogasuas redes e lan&ccedil;a seus anz&oacute;is para tirar a mulher, com quem dialoga, das &aacute;guasenganosas da trivialidade e do desejo de auto-justifica&ccedil;&atilde;o que a afogam. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como bom pastor que conhece suasovelhas, Jesus a faz sair do deserto da superficialidade, vai guiando-a para aprofundidade e autenticidade, para a terra do dom da &aacute;gua viva. Como amigo quebusca criar rela&ccedil;&otilde;es pessoais, em nenhum momento emite ju&iacute;zos morais dedesaprova&ccedil;&atilde;o ou condena&ccedil;&atilde;o: em lugar de acusar, prefere dialogar e propor,emprega uma linguagem dirigida ao cora&ccedil;&atilde;o da mulher.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como &ldquo;expert&rdquo; em humanidade,Jesus mostra-se profundamente atento e interessado pela interioridade de suainterlocutora e lhe faz descobrir o manancial que pode brotar do mais profundodela mesma. Revela-lhe tamb&eacute;m a interioridade de Deus como Pai que buscaadoradores em esp&iacute;rito e em verdade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus desperta a samaritana acair na conta que &eacute; preciso abrir-se a um &ldquo;manancial&rdquo; novo, que lhe vem atrav&eacute;sd&rsquo;Ele e que &ldquo;brota em seu interior&rdquo; de um modo permanente. Ele &eacute; o manancial ecom sua presen&ccedil;a desperta o manancial interior da samaritana, entupido.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;D&aacute;-me um pouco de sedeporque estou morrendo de &aacute;gua!&rdquo;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Eis o clamor da nossa gera&ccedil;&atilde;o quetendo quase tudo, parece que n&atilde;o consegue descobrir o sentido da pr&oacute;priaexist&ecirc;ncia. Morre de sede junto ao po&ccedil;o de &aacute;gua viva. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A sede se refere &agrave; busca desentido presente em todo ser humano, busca daquilo que traz definitivamente apaz: a &ldquo;&aacute;gua viva&rdquo; que coincide com o &ldquo;dom de Deus&rdquo;. Por isso, o relato sesitua intencionadamente em chave de oferta: &ldquo;se conhecesses o dom de Deus&#8230;&rdquo;.Acabou-se o tempo dos templos; a adora&ccedil;&atilde;o passa pelo cora&ccedil;&atilde;o, &eacute; interior everdadeira, corresponde a uma vida em fidelidade. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A experi&ecirc;ncia acontece quandoescutamos em nosso interior o &ldquo;eco&rdquo; que a &aacute;gua viva produz, saciando nossosdesejos mais plenos. &ldquo;Uma &aacute;gua viva murmura dentro de mim e me diz: Venha parao Pai&rdquo; (S. In&aacute;cio de Antioquia)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Como a samaritana, tamb&eacute;m diantede n&oacute;s se apresenta uma alternativa: continuar buscando &aacute;gua viva ejustifica&ccedil;&atilde;o em po&ccedil;os secos e esgotados ou eleger &ldquo;vida eterna&rdquo; e deixar-nosarrastar pela oferta de transforma&ccedil;&atilde;o proposta pelo Jesus que nos busca, porquedeseja ampliar nossa exist&ecirc;ncia e comunicar-nos alegria e plenitude.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:<\/b> Jo 4 <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> A cena do encontro de Jesus com a samaritana nos remete&agrave; experi&ecirc;ncia fundante de nossa vida. Tal experi&ecirc;ncia significa abertura,dilata&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, expans&atilde;o da consci&ecirc;ncia ao ver que tudo parte&nbsp; de Deus (Fonte do rio da vida) e tudo voltapara Deus (rio que mergulha no Mar).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A experi&ecirc;ncia de ora&ccedil;&atilde;o junto ao nossopo&ccedil;o nos conduz &agrave; outra fonte, aquela que brota do cora&ccedil;&atilde;o, e que estavaressequida, impedindo-nos de reconhecer o murm&uacute;rio da &aacute;gua viva.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De qu&ecirc; tenho sede? Onde buscosaciar minha sede?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem2] Comprovamos hoje uma atrofia ouum &ldquo;d&eacute;ficit de interioridade&rdquo;, pois a volatilidade das sensa&ccedil;&otilde;es passageirasnos dificulta ter acesso &agrave; nossa pr&oacute;pria identidade. 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