{"id":502,"date":"2017-03-23T00:00:00","date_gmt":"2017-03-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/4-domingo-da-quaresma-jesus-aquele-que-ve-e-faz-ver\/"},"modified":"2017-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2017-03-23T00:00:00","slug":"4-domingo-da-quaresma-jesus-aquele-que-ve-e-faz-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/4-domingo-da-quaresma-jesus-aquele-que-ve-e-faz-ver\/","title":{"rendered":"4\u00ba Domingo da Quaresma &#8211; Jesus, aquele que &#8220;v\u00ea&#8221; e &#8220;faz ver&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><b><i>[imagem1]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\"><b><i>&ldquo;Vai lavar-te na piscina deSilo&eacute;. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando&rdquo; <\/i>(Jo 9,7) <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus afasta-se do Templo,fugindo dos fariseus que queriam apedrej&aacute;-lo por ter dito: &ldquo;Eu sou a luz domundo&rdquo;. Ele vai repetir isso e demonstrar com atos, dando ao cego a capacidadeda vis&atilde;o. N&atilde;o conhecemos o nome deste cego. S&oacute; sabemos que &eacute; um mendigo, cegode nascimento, que pede esmola nas proximidades do templo. N&atilde;o tem experi&ecirc;nciada luz, n&atilde;o a conhece, nunca a viu. Estava sentado, n&atilde;o podia caminhar nemorientar-se por si mesmo; estava im&oacute;vel, dependendo sempre dos outros. Sua vidatranscorria nas trevas. Nunca poderia conhecer uma vida digna.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Tamb&eacute;m n&atilde;o se menciona que eras&aacute;bado, somente ao longo da narra&ccedil;&atilde;o. Jesus n&atilde;o leva em conta essacircunst&acirc;ncia &agrave; hora de fazer bem ao ser humano. &ldquo;Amassar barro&rdquo; estavaexplicitamente proibido pela interpreta&ccedil;&atilde;o farisaica da lei. O amassar o barrono s&eacute;timo dia, prolonga o sexto dia da cria&ccedil;&atilde;o. Jesus termina a cria&ccedil;&atilde;o do serhumano.&nbsp; Este ponto de partida &eacute; chavepara ressaltar o ponto de chegada. Jesus vai ativar no cego a mobilidade e aindepend&ecirc;ncia, vai lhe devolver a capacidade de ver, vai reconstru&iacute;-lo como serhumano por inteiro. Jesus v&ecirc; na cegueira uma ocasi&atilde;o para a manifesta&ccedil;&atilde;o daatividade salv&iacute;fica de Deus. As obras que Deus realiza consistem em libertar oser humano de sua inatividade e dar-lhe capacidade de a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;Enquanto &eacute; dia, temos derealizar as obras d&rsquo;Aquele que me enviou&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus n&atilde;o consulta ao cego se elequer ficar curado, pois sendo cego de nascimento n&atilde;o tem experi&ecirc;ncia da luz en&atilde;o a pode desejar de maneira especial. Mas a cura n&atilde;o aconteceautomaticamente; o cego tem de aceitar a luz e optar livremente por ela. Jesusn&atilde;o lhe tira a liberdade: oferece-lhe a oportunidade e coloca diante dos seusolhos o projeto de Deus sobre o ser humano. A decis&atilde;o de recuperar a vista ficanas m&atilde;os do cego: ela se manifesta no fato de ir &agrave; piscina de Silo&eacute; por suapr&oacute;pria iniciativa, de caminhar livremente, de poder sair do seu lugar, lavar-sena piscina, para chegar a ser ele mesmo. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus passa &agrave; a&ccedil;&atilde;o. Jo&atilde;o usa doisverbos para indicar a aplica&ccedil;&atilde;o do barro nos olhos: aqui untar-ungir temrela&ccedil;&atilde;o com o t&iacute;tulo de Jesus &ldquo;Messias&rdquo; (que significa o &ldquo;ungido&rdquo;). Maisadiante dir&aacute; simplesmente &ldquo;aplicar&rdquo;. Aqu&iacute; est&aacute; a chave de todo o relato. O cego&eacute; agora um &ldquo;ungido&rdquo;, como Jesus. O homem ferido na sua cegueira foitransformado pelo Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A rea&ccedil;&atilde;o das pessoas (parentes,vizinhos&#8230;) sobre a identidade do cego manifesta a novidade que o Esp&iacute;rito realiza.Sendo o mesmo, &eacute; outro. O que era cego revela a nova identidade de homemreconstru&iacute;do pelo Esp&iacute;rito: ele agora &eacute; um ungido, encontrou-se a si mesmo &ndash;&ldquo;Ele afirmava: sou eu&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ao &ldquo;ungir-lhe os olhos&rdquo;, Jesusconvida o cego a ser homem &ldquo;acabado, reconstru&iacute;do, restaurado&#8230;&rdquo;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Os outros personagens continuamem sua cegueira: fariseus, conterr&acirc;neos, pais&hellip; s&atilde;o s&iacute;mbolos da dificuldade deaceitar a luz quando esta ilumina o que n&atilde;o se quer ver. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">H&aacute; uma grande diferen&ccedil;a entre ocego sem iniciativa, sem liberdade no in&iacute;cio da cena, e o homem livre depois dacura. Da&iacute; que ele utilize as mesmas palavras que tantas vezes, no evangelho deJo&atilde;o, Jesus utilizava para identificar-se: &ldquo;Sou eu&rdquo;. Esta f&oacute;rmula deixatransparecer a identidade do ser humano recriado pelo Esp&iacute;rito; descobre atransforma&ccedil;&atilde;o que se realizou em sua pessoa e quer que os outros a vejam. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O cego opta livremente pela luz.Segue o caminho apontado por Jesus e chega &agrave; meta indicada. Ele, que era s&oacute;limita&ccedil;&atilde;o, recupera sua autonomia e deixa-se conduzir pelo Esp&iacute;rito. O que deverdade importa &eacute; que este homem estava limitado e carecia de toda liberdadeantes de encontrar-se com Jesus. Agora descobre o que significa ser pessoa e sesente completamente realizado. O Esp&iacute;rito o capacitou para desatar todas aspossibilidades de ser &ldquo;humano&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Sua vida, escondida e dependente,est&aacute; agora cheia de sentido. Perde o medo e come&ccedil;a a ser ele mesmo, n&atilde;o s&oacute; emseu interior mas diante dos outros. O horizonte que se abre para ele &eacute;indescrit&iacute;vel. O mundo mudou radicalmente; agora ele poder&aacute; dar orienta&ccedil;&atilde;o &agrave;pr&oacute;pria vida: n&atilde;o depender&aacute; mais que os outros o conduzam. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O relato do evangelho de hoje &eacute;,sobretudo, uma catequese cristol&oacute;gica. Como aparece Jesus nele? Em primeirolugar, Jesus &eacute; Aquele que v&ecirc;. Na cena do &ldquo;cego de nascen&ccedil;a&rdquo;, onde os disc&iacute;pulosviam um pecador, Jesus via um ser humano. Seu olhar n&atilde;o se detinha na m&aacute;scara,mas contemplava um rosto. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O &ldquo;cego de nascen&ccedil;a&rdquo; encontra emJesus um olhar encorajador, compreensivo, que acredita nele e lhe inspiraconfian&ccedil;a; um olhar que n&atilde;o se prende ao passado, mas abre uma novapossibilidade de vida. Um olhar que ativa nele a capacidade de olhar a pr&oacute;priavida de maneira diferente. Por isso, Jesus aparece tamb&eacute;m como Aquele que fazver. &Eacute; o mestre que vai curando a cegueira e trazendo luz, para que a pessoa,descobrindo sua identidade, possa dizer como o cego curado: &ldquo;sou eu&rdquo;. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Neste tempo quaresmal, sentimos aurg&ecirc;ncia de uma convers&atilde;o do nosso olhar; &eacute; preciso purificar o olhar,cristific&aacute;-lo. Olhar com os &ldquo;olhos cristificados&rdquo;. N&atilde;o se trata de qualquerolhar. &Eacute; o olhar limpo, di&aacute;fano, gratuito e desinteressado, que destrava eexpande a vida do outro numa nova dire&ccedil;&atilde;o. Contemplar o rosto do outro &eacute; sentirsua presen&ccedil;a, sem pr&eacute;-conceitos e pr&eacute;-ju&iacute;zos&#8230;, vendo nele o sinal da ternurade Deus. Passar da contempla&ccedil;&atilde;o &agrave; acolhida: este &eacute; o movimento da ora&ccedil;&atilde;o dos olhos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O &ldquo;olhar contemplativo&rdquo; est&aacute;perdendo sua for&ccedil;a criativa no contexto atual; marcado pela ansiedade de querer&ldquo;ver&rdquo; tudo ao mesmo tempo, o ser humano j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais capaz de fazer uma&ldquo;pausa&rdquo; para se deixar &ldquo;ver&rdquo; pela realidade. Sob o peso do olhar do racionalismo,ele tudo examina, compara, esquadrinha, mede, analisa, separa&#8230; mas nunca&ldquo;exprime&rdquo;. Da&iacute; o olhar reprimido, desviado, insens&iacute;vel, frio, duro, r&iacute;spido&#8230; <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este &eacute; o pecado contra o olhar:olhar sup&eacute;rfluo e imediatista, olhar esquizofr&ecirc;nico e narcisista, olhar morno,sem vibra&ccedil;&atilde;o, sem brilho, sem assombro&#8230; Nesse olhar n&atilde;o h&aacute; lugar para aadmira&ccedil;&atilde;o, nem para a acolhida e a presen&ccedil;a do outro. S&oacute; existe o olhar que&ldquo;fixa&rdquo;, escraviza e aliena. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A arte de viver consiste,fundamentalmente, em chegar a ver tudo com o cora&ccedil;&atilde;o. S&oacute; o cora&ccedil;&atilde;o descobre emtudo as pegadas da Presen&ccedil;a &Uacute;ltima, que olha a partir do rosto de cada pessoa,a partir da beleza de cada criatura. O amor nos abra&ccedil;a em tudo quanto vemos. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico:&nbsp; Jo 9,1-41 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> Ver mais al&eacute;m, a partir do cora&ccedil;&atilde;o, transcender,despertar nossa vis&atilde;o interna e intuitiva das coisas e das pessoas, tirar ascataratas de nossos olhos e abrir-nos a Deus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Abro os olhos para olhar deoutra maneira.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Qu&ecirc; h&aacute; de fechamento, deintransig&ecirc;ncia, de superficialidade, de rotina em minha vida, que n&atilde;o querover?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Estou aberto a acolher a Luz daverdade, do amor, da justi&ccedil;a, da gratuidade&#8230; venha de onde vier?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Creio ter a posse da verdade oume deixo questionar pelos outros?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Em qu&ecirc; aspectos de minha vidapessoal e relacional preciso abrir-me &agrave; luz do Evangelho?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; Sou luz que ajudo os outros averem? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por: Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Vai lavar-te na piscina deSilo&eacute;. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando&rdquo; (Jo 9,7) Jesus afasta-se do Templo,fugindo dos fariseus que queriam apedrej&aacute;-lo por ter dito: &ldquo;Eu sou a luz domundo&rdquo;. 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