{"id":490,"date":"2017-04-08T00:00:00","date_gmt":"2017-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ramos-conflito-com-o-poder-ate-sua-raiz-ultima\/"},"modified":"2017-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2017-04-08T00:00:00","slug":"ramos-conflito-com-o-poder-ate-sua-raiz-ultima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/ramos-conflito-com-o-poder-ate-sua-raiz-ultima\/","title":{"rendered":"RAMOS: &#8220;conflito com o poder at\u00e9 sua raiz \u00faltima&#8221;"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>[imagem1]<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i><br \/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center\"><b><i>&ldquo;Quando Jesus entrou emJerusal&eacute;m, a cidade inteira ficou alvoro&ccedil;ada, e diziam: &lsquo;Quem &eacute; este?&rsquo;&rdquo;<\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A Paix&atilde;o de Jesus teve causashist&oacute;ricas concretas e foi o desenlace final de uma vida que entrou em conflitocom o sistema religioso-pol&iacute;tico estabelecido na sociedade daquele tempo. Suavida e sua mensagem revelaram uma novidade de tal magnitude que rompeu com asestruturas que atentavam contra a vida. De fato, Jesus apostou na vida de todosos seres humanos e por isso n&atilde;o se deixou subornar por nenhum poder destruidorde vidas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O conflito de Jesus foi oconflito com o poder, mas o poder levado at&eacute; sua raiz &uacute;ltima.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por isso, Jesus compreendeu que,para mudar o comportamento dos dirigentes da cidade de Jerusal&eacute;m, a primeiracoisa a fazer era desmontar o &ldquo;&iacute;dolo&rdquo; que legitimava o poder autorit&aacute;riodaqueles que oprimiam o povo indefeso. Jesus desmontou o &ldquo;seu deus&rdquo; e atiroupor terra &ldquo;seus podres poderes&rdquo;. Foi exatamente isso que provocou oenfrentamento, que desembocou na sua morte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este confronto com o poderreligioso e pol&iacute;tico ficou evidente na cena da &ldquo;entrada de Jesus em Jerusal&eacute;m&rdquo;.A subida a Jerusal&eacute;m foi, sem d&uacute;vida, uma decis&atilde;o meditada, mas tamb&eacute;mprofundamente radical.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A chegada de Jesus com seusdisc&iacute;pulos e disc&iacute;pulas &agrave; cidade santa, formando parte da comitiva dosperegrinos que vinham dos quatro cantos do mundo conhecido, para celebrar aP&aacute;scoa, se converteu numa prociss&atilde;o festiva. O Mestre, evocando a profecia deZacarias, n&atilde;o entrou em Jerusal&eacute;m como um rei, guerreiro triunfador, na garupade um possante cavalo, mas montado em um burrinho, entre sinais de natureza ede conc&oacute;rdia (palmas, ramos, cantos de alegria e de paz), mostrando-se assimcomo o enviado humilde de um Deus cujo poder &eacute; o amor.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus, que havia anunciado anovidade do Reino, rompe com os esquemas e paradigmas. O povo o queridentificar como um messias que vai triunfar e tomar o poder, como um novoDavi, mas Jesus procura fazer descobrir que o poder nunca &eacute; media&ccedil;&atilde;o para aliberta&ccedil;&atilde;o do ser humano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Nem o poder econ&ocirc;mico, nem opol&iacute;tico, nem o religioso solucionam as desigualdades e injusti&ccedil;as humanas, nemsequer criam esperan&ccedil;as libertadoras. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Este &eacute; o momento definitivo deatua&ccedil;&atilde;o de Jesus: subiu a Jerusal&eacute;m na festa principal dos judeus. Com seugesto Ele atinge o centro do poder pol&iacute;tico e religioso, encarnado na cidade deJerusal&eacute;m. At&eacute; ent&atilde;o seus gestos foram libertadores das pessoas. Agora Elearremessa diretamente contra a cidade que exclui e mata.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Aquele &ldquo;dia de Ramos&rdquo; foi umaaut&ecirc;ntica manifesta&ccedil;&atilde;o de desafio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus rompe o sil&ecirc;ncio e entra nacidade de Jerusal&eacute;m de maneira impactante, como Messias cheio de autoridade,mas faz isso de forma pac&iacute;fica, sem armas nem soldados, anunciando o reino deDeus para o pobres e a partir dos pobres.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">N&atilde;o optou por empregar viol&ecirc;nciaexterna, nem prepot&ecirc;ncia ou dom&iacute;nio (religioso, militar, econ&ocirc;mico) de unssobre os outros, porque o Reino de Deus n&atilde;o se manifesta com viol&ecirc;ncia, nem semant&eacute;m por meio do poder ou da sacralidade sacerdotal. At&eacute; ent&atilde;o Jesus havia semovimentado mais na clandestinidade, esperando o momento oportuno, a &ldquo;suahora&rdquo;. E essa foi a &ldquo;sua hora&rdquo;: desmascarar a manipula&ccedil;&atilde;o e extors&atilde;o daquelesque com poder autorit&aacute;rio tinham oprimido o povo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Por isso, sua vinda, nesse tempode P&aacute;scoa, n&atilde;o foi um gesto privado; veio de um modo p&uacute;blico, pois queria atransforma&ccedil;&atilde;o ou convers&atilde;o da cidade de Jerusal&eacute;m. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Para alguns, esse gesto de cruzaros umbrais da cidade foi altamente provocativo e quiseram frear o entusiasmoque Jesus despertava pela sua passagem. Ele se tornou um perigo que deveria sereliminado. Os dirigentes religiosos e os l&iacute;deres do povo judeu deram-se contade que aquele homem, Jesus o Nazareno, questionava, da maneira mais radical, osistema no qual eles se sustentavam para continuar exercendo um poder ao qualn&atilde;o estavam dispostos a renunciar. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A festa da entrada de Jesus nacidade de Jerusal&eacute;m revela-se uma ocasi&atilde;o privilegiada para considera&ccedil;&otilde;es sobrenossa presen&ccedil;a e o nosso habitar nas grandes cidades de hoje.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&Agrave;s vezes, a grande cidade podenos parecer um lugar estranho e hostil; ela se revela complexa e confusa comoum labirinto, perigosa e trai&ccedil;oeira como o deserto, espessa e imperme&aacute;vel comouma floresta.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">De fato, nas cidades existemsitua&ccedil;&otilde;es que dificultam ou impedem a descoberta de Deus e a viv&ecirc;ncia derela&ccedil;&otilde;es mais humanas: a viol&ecirc;ncia, a pobreza, a discrimina&ccedil;&atilde;o sexual, aintoler&acirc;ncia, o racismo e muitas outras atitudes e pr&aacute;ticas que separam,excluem e oprimem. As ofensas contra a pessoa humana, sua dignidade e seusdireitos, s&atilde;o impedimentos para reconhecer e descobrir a presen&ccedil;a do reinado deDeus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Assim, no domingo de Ramos,abrimos espa&ccedil;o para entrar na nossa cidade com Jesus, com sua for&ccedil;a, com suapresen&ccedil;a cr&iacute;tica; s&oacute; assim, nos manteremos l&uacute;cidos nessa mesma cidade t&atilde;odistante da proposta de vida apresentada pelo evangelho. Somos enviados a todasas fronteiras de nossas cidades n&atilde;o para impor a f&eacute; e o Evangelho, mas paradialogar com aqueles que n&atilde;o pensam como n&oacute;s, com aqueles que n&atilde;o creem, comaqueles que est&atilde;o muito distantes, marginalizados&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Desde aquele dia de Ramos sabemosque Deus mesmo habita em nossa cidade, para al&eacute;m dos limites da Igreja; Eledeixa marcas de sua presen&ccedil;a em tudo e em todos. S&oacute; aquele que vive &ldquo;em sa&iacute;da&rdquo;pode entrar em sintonia com a a&ccedil;&atilde;o do Senhor e ser presen&ccedil;a de luz no pr&oacute;prioespa&ccedil;o urbano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&ldquo;A f&eacute; nos ensina que Deus vive nacidade, em meio a suas alegrias, desejos e esperan&ccedil;as, como tamb&eacute;m em meio asuas dores e sofrimentos&rdquo; (Doc. Aparecida, 514). <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Jesus &ldquo;entrou&rdquo; em Jerusal&eacute;m paraque tamb&eacute;m n&oacute;s entremos em nossas cidades de maneira inspiradora e provocativa,buscando e construindo a nova cidade, feita de paz e de conc&oacute;rdia, rompendo comtudo aquilo que desumaniza e trava os espa&ccedil;os de conviv&ecirc;ncia. Somos chamados aconstruir pontes e n&atilde;o muros de separa&ccedil;&atilde;o, a ser presen&ccedil;a reconciliadora e n&atilde;ode divis&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">A experi&ecirc;ncia de uma pastoralurbana nos capacita a descobrir e potenciar a presen&ccedil;a real do Deus que revelaseus rosto nas pessoas, casas, bairros, povos, cidades e metr&oacute;poles. &ldquo;O cora&ccedil;&atilde;odos povos &eacute; o santu&aacute;rio de Deus&rdquo;. Trata-se de &ldquo;passear com o Absoluto pelasruas da cidade&rdquo; (Michelstaeder).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">O Deus presente nas cidades &eacute; umDeus que nos chama e interpela a partir do reverso da hist&oacute;ria, a partir doslugares ocultos, dos &lsquo;outros-espa&ccedil;os&rdquo; de exclus&atilde;o&#8230; e a nos comprometer naconstru&ccedil;&atilde;o da Jerusal&eacute;m justa e fraterna.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Texto b&iacute;blico: Mt 21,1-11 <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\"><b>Na ora&ccedil;&atilde;o:<\/b> rezar sobre minha presen&ccedil;a na cidade: participativa?Questionadora? Inspiradora?&#8230;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Ou presen&ccedil;a alienada, fechada emcondom&iacute;nio, apartamento&#8230; sem contato com a dura realidade e com o mundo daexclus&atilde;o daqueles que s&atilde;o v&iacute;timas de uma cidade desumana?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; O que significa &ldquo;morar&rdquo; numasociedade virtual?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">&#8211; A &ldquo;Jerusal&eacute;m terrena&rdquo; &eacute;express&atilde;o da &ldquo;Jerusal&eacute;m interna&rdquo;: minha cidade interna &eacute; espa&ccedil;o de paz, deconc&oacute;rdia, um espa&ccedil;o onde Deus mesmo mora em mim? Ali me sinto verdadeiramente&ldquo;em casa&rdquo;? <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">Pe. Adroaldo Palaoro sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[imagem1] &ldquo;Quando Jesus entrou emJerusal&eacute;m, a cidade inteira ficou alvoro&ccedil;ada, e diziam: &lsquo;Quem &eacute; este?&rsquo;&rdquo; A Paix&atilde;o de Jesus teve causashist&oacute;ricas concretas e foi o desenlace final de uma vida que entrou em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.salvatorianas.org.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}